quarta-feira, 12 de agosto de 2020

ABRACADABRA: de onde vem, para que serve?

Por Márcio Catunda,
Rio de Janeiro, 7 de julho de 2020.
Perde-se na noite dos tempos a origem da palavra abracadabra. Ganha-se, no entanto, em constatar que o termo atravessou diferentes civilizações antigas, como sói acontecer com as culturas essenciais que fluem ao sabor da transumância das sociedades através do tempo.
Segundo a enciclopédia americana da Scholastic Library, edição de 2005, volume 3, página 569, o termo provém do idioma bébere. Outras fontes atestam que poderia provir das línguas hebraica, aramaica, celta ou copta.
Na primeira hipótese, fora gerada pela conjunção sintagmática de Ab (Pai), Ruach (Filho) e Daba (Espírito Santo) ou pela sentença exorcizante Abrai seda brai (significando “Fora, mau espírito, fora!”) ou ainda pelo enunciado mágico Aberah KeDabar (“Irei criando conforme falo”). Outra possibilidade aventa sua gênese dos vocábulos Habrachah, que significa benção, e Davar, que quer dizer palavra.
A segunda hipótese supõe que o termo seria oriundo da expressão aramaica Avrah Kahdabra, isto é, “Eu crio enquano falo”.
A terceira opção aponta para o seu surgimento pela união das palavras celtas Abra (Deus) e Cad (santo).
A quarta possibildiade de sua origem é a palavra gnóstica  Abraxas que na língua copta evoca a fórmula mágica “não me firas”.
Os historiadores relatam que o médico romano Quintus Serenus Sammonicus teria curado o imperador Caracala de malária, usando a palavra abracadabra numa receita mágica, quando tal enfermidade afetou a população de Roma no ano 450.
Serenus era discípulo de Basílides, fundador da seita dos Basilides, de sincretismo cristão-pitagórico, em Alexandria. Com seu mestre teria aprendido a cultuar o deus ABRAX e, por seu intermédio, invocar a ajuda de espíritos benéficos contra doenças e infortúnios. O procedimento consistia em usar a palavra como um talismã, ou seja: escrevê-la num papiro, em forma triangular, e usar esse objeto como escudo, em contato com o próprio corpo, durante nove dias. Esse método livraria as pessoas do “mau ar” da malária e de suas subsequentes febres.
Vem das remotas tradições do Oriente místico a narrativa das Mil e uma noites, pela qual a sábia mulher Shéhérazade entrete, todas as noites, seu rancoroso esposo Shâriyar, sultão da Índia. Ouvindo todas as noites os maravilhosos contos de sua esposa, Shâriyar desiste, cada noite, do propósito de matar as mulheres com as quais se casasse.
Uma das fábulas narradas por Shéhérazade a seu marido é a aventura de Aladim, o jovem que encontra numa caverna uma lâmpada mágica, da qual emerge um gênio, que lhe pode proporcionar coisas quase impossíveis, como uma imensa riqueza e um casamento com a filha do imperador da China. A palavra abracadabra estaria ligada a esse fenômeno sobrenatural.
A ideia de que abracadabras é uma palavra de encantamento místico, capaz de oferecer soluções para problemas aparentemente insolúveis, nos remete à tese do poder da palavra como veículo de trazer à tona a coisa enunciada. Qualquer que seja a sua origem, o certo é que ela esteve presente em diferentes momentos da história humana e as tradições antigas dão conta de sua satisfatória utilização em benefício da humanidade.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e iPhones). 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

PANDEMÍDIA


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
- Nasrudin e a Peste -
A Peste ia a caminho de Bagdá quando encontrou Nasrudin. Este perguntou-lhe: Aonde vais?
A Peste respondeu-lhe: Bagdá, matar dez mil pessoas.
Depois de um tempo, a Peste voltou a encontrar-se com Nasrudin.
Muito zangado, o mullah disse-lhe: Mentiste. Disseste que matarias dez mil pessoas e mataste cem mil.
E a Peste respondeu-lhe: Eu não menti, matei dez mil. O resto morreu de medo.
_________________
Pandemídia é um neologismo que criei há pouco para nomear o surto midiático/terrorista que hoje assola a vida da maioria dos humanos. Há necessidade urgente de uma revisão da maneira como a mídia e os políticos abordam o surto virótico, tornando-o malévolo e assustador quando são distorcidas as ocorrências de contexto médico ou sobre doenças infecciosas, medicina alternativa e curas milagrosas.
Esse efeito iatrogênico (iatrogenia [de iatro- + -genia], substantivo feminino que exprime as alterações patológicas provocadas no paciente por tratamento de (qualquer tipo) em certos momentos passa do informativo para o aterrorizante.
Sei que os jornalistas gostam de dar notícias ruins por seu impacto midiático. No caso, exageram as consequências de um surto gripal anual e normal para torná-lo numa peste sempre fatal e sem cura. Ao mesmo tempo, a mídia entrevista médicos e pesquisadores que são apresentados como “experts”. Um expert é um homem que parou de pensar. Para quê pensar, se ele é um expert?
Tais experts fazem os maiores buchichos opinativos, com graves consequências. Ademais, as estrelas jornalísticas pertencentes às “grandes mídias” frequentemente distorcem os fatos e exibem uma visão assustadora, atendendo à orientação dos proprietários da empresa midiática.
O temor produzido por essa maneira de inflacionar os riscos poderia ser amainado por um diálogo apropriado entre o gerador da notícia (médico, cientista ou pesquisador) e um exímio questionador. No entanto, um e outro exageram os fatos, ressalvadas as exceções de praxe. Mas, vamos aos fatos.
Grande amigo meu, médico, foi convidado para dar uma entrevista à TV. Foi à sala de espera, aguardar a hora de “entrar no ar” a ser indicada por seu anfitrião-midiático. O assunto seria o uso ou não uso das máscaras, se o médico era favor ou contra. Foi possível perceber de imediato que o entrevistador não queria uma opinião médica, mas sim qual seriam as preferências políticas do entrevistado.
A ignorância do entrevistador sobre o assunto era tão grande que ele confundia a palavra Epidemia (doença geralmente infecciosa que ataca simultaneamente um grande número de pessoas de determinada localidade e que tem caráter transitório) com a palavra Pandemia, que significa doença vastamente difundida pelo Planeta.
Em tempo, creio ser muito necessária a divulgação de informação honesta e correta para que a população perca o medo de uma gripe grave, mas que não irá destruir a humanidade nem é tão aterrorizante que possa paralisar as atividades cotidianas dos indivíduos.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

“SALUS”


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Geralmente na passagem de “Ano Novo”, muitas pessoas dizem que “o importante é a saúde, o resto a gente consegue”, referindo-se a um corpo sadio. Concordo com a frase, porém não está completa. Com certeza, a manifestação ficaria melhor se fosse dita da seguinte forma: “o importante é a saúde no corpo, na alma e na mente, o resto a gente consegue”. No entanto, as duas citações, mostram a irrelevância do poder, da ambição, da ganância, etc. O que é saudável, e conveniente para alguns. Por sua vez, a palavra latina “salus”, traduzida para a língua portuguesa, significa dois termos distintos: saúde e salvação. Aquele (saúde) refere-se ao corpo, abrangendo a mente e este (salvação) associa-se à alma. A dimensão, salvação, “data vênia”, com o devido respeito, não é aceita pelos ateus e envolve dúvidas quando é analisada pelos agnósticos. Todavia, os cristãos, entre os quais me incluo, acreditam. Ademais, a saúde diz respeito à vida dos mortais neste mundo, enquanto a salvação está relacionada com a vida celestial, que é eterna. É evidente que existem vários aspectos inter-relacionados e comuns entre os dois termos mencionados (saúde e salvação). Não seria errado dizer que a “transcendência” está relacionada aos valores imateriais, de natureza metafísica, e a “imanência” ao ambiente material. Para uma melhor compreensão, convém examinar o Livro do profeta Isaías (AT da Bíblia Sagrada), no capítulo 57, versículo 15. Diante da resumida análise filosófica e teológica, pode-se dizer que saúde e salvação devem permanecer unidas, pois Jesus veio para nos salvar. Aquele que faz opção pelo caminho do mal, encontrará o próprio mal; já quem escolhe o caminho do bem, será justo e amado. Seguindo-se, com fé, os ensinamentos de Deus, alcança-se a felicidade na mente, no corpo e na alma. Para entrar na vida eterna, guarde os mandamentos Divinos (Mt 19,17).
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 10/7/2020.

domingo, 9 de agosto de 2020

O Mapa da Superstição: crendices típicas de diferentes culturas II

5) Na Bolívia, bonecos de argila recheados com dinheiro ou outras coisas atrairiam esses objetos para os donos. Basta que um cigarro colocado aceso na boca dos bonecos seja “fumado” até o final.
6) Em Malta, as igrejas com duas torres têm um relógio afixado em cada uma delas, só que os dois mostram horários diferentes. Isso é feito para o Diabo não saber a hora certa da missa.
7) Na Tailândia, quase todas as lojas são enfeitadas com um pênis de madeira, símbolo de fertilidade e riqueza. Os objetos — alguns com até 2 metros de comprimento! — também decoram templos.
8) Para ter namorado no Japão, as moças escrevem o nome do sujeito no braço esquerdo e cobrem com um pedaço de esparadrapo por três dias. Após uma semana o cidadão estaria caído de amores pela garota.
Fonte: Revista Supertinteressante.

O Mapa da Superstição: crendices típicas de diferentes culturas I

1) Nos EUA, quando alguns sujeitos veem um gato caolho, cospem no dedo polegar, o esfregam na palma da mão e fazem um desejo. Eles garantem que funciona.
2) Na Islândia, se uma mulher grávida beber de um copo trincado, está correndo sérios riscos de ter um filho com lábio leporino.
3) Em Roma, na Itália, cruzar com um grupo de freiras é sinal de extrema má sorte. Para superar o azar, as pessoas tocam as próprias partes íntimas.
4) Na virada do ano, é costume na Rússia queimar um papel com um desejo escrito, colocar as cinzas num copo de champanhe e, então, tomar a bebida.
Fonte: Revista Supertinteressante.

SER PAI

 Por Artur da Távora (*)

"De todas as minhas modestas dimensões humanas, a que mais me realiza é a de ser pai.

Ser pai é, acima de tudo, não esperar recompensas. Mas ficar feliz caso e quando cheguem. É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão.

É aprender a tolerância com os demais e dentro da incompreensão.

É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância (mas compreensão) com os próprios erros.

Ser pai é aprender, errando, a hora de falar e de calar. É contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixado para depois. Mas jamais falar no momento preciso.

É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte. É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar.

Ser pai é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez.

É esperar. É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo. Portanto, é aguentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam para que consigam descobrir os próprios caminhos.

Ser pai é: saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir. Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar. É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que, a alma, lhe corrói. Ser pai é ser bom sem ser fraco.

É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão.

Ser pai é aprender a ser ultrapassado, mesmo lutando para se renovar. É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher, ainda que não seja em vida.

Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão. Mas ir às lágrimas quando chegam.

Ser pai é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido se faz na personalidade do filho, sempre como influência, jamais como imposição.

É saber ser herói na infância, exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho. É saber brincar e zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.

Ser pai é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja, projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender; de insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte, mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação.

Ser pai é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio. O máximo de convivência no máximo de solidão.

É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver.

É quem se anula na obra que realizou e sorri, sereno, por tudo haver feito para deixar de ser importante."

(*) Artur da Távora foi jornalista e ex-senador brasileiro. Ele foi um grande incentivador da popularização da música erudita no Brasil.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e iPhones).

sábado, 8 de agosto de 2020

ORIGENS REAIS DE ALGUMAS SUPERSTIÇÕES POPULARES III


5) Gato preto dá azar
Devido a seus hábitos notívagos, os gatos, principalmente os negros, eram associados às forças ocultas e à feitiçaria na Europa medieval: para muitos, os felinos seriam o disfarce usado pelas bruxas em suas andanças noturnas. Os bichanos pretos eram tão malvistos que, no século 15, o papa Inocêncio VIII — pasmem! — os incluiu na lista dos perseguidos pela Inquisição. Birutices à parte, um estudo realizado no ano 2000 pelo Hospital de Long Island, em Nova York (EUA), revelou que pessoas que têm gatos pretos em casa são quatro vezes mais vulneráveis a sintomas de alergia do que os que criam felinos de cor clara. Isso porque os bichanos pretos têm na pele maior quantidade de um tipo de proteína que pode agravar as reações alérgicas em humanos.
6) Levantar-se com o pé esquerdo
Entre os povos da Antiguidade, o lado direito era mais bem-visto que o esquerdo, considerado maldito. Os romanos, por exemplo, faziam previsões observando a trajetória dos pássaros: se voassem à esquerda, trariam dias de mau agouro. Com a difusão do cristianismo, a fama do lado esquerdo piorou ainda mais, já que, segundo a tradição cristã, os eleitos de Deus permaneciam sempre à Sua direita. Com isso, passaram-se os séculos e começar o dia levantando com o pé direito virou sinônimo de boa sorte. “Trata-se de um típico caso de autossugestão. Caso levante com o pé esquerdo, a pessoa já se sente vulnerável, acha que vai acontecer algo ruim e, com isso, acaba se atrapalhando ao longo do dia”, diz o professor de psicologia Antônio Carlos.
7) Bater na madeira
O costume de dar umas pancadinhas na madeira para espantar o azar já existia entre vários povos antigos, como os índios do continente americano. O hábito devia-se à crença de que as árvores eram a morada dos deuses: sempre que alguma culpa os afligia, os homens batiam no tronco para pedir perdão. Outra possível origem para a superstição liga-se aos druidas, os sacerdotes celtas, que davam seus toques-toques nos troncos para afugentar os maus espíritos por crer que as árvores mandavam os demônios de volta às profundezas.
8) A mal-afamada sexta-feira 13
A má fama da data está ligada a dois mitos nórdicos. Segundo o primeiro, Loki, o deus do mal, penetrou na morada dos deuses, onde rolava um banquete para 12 divindades, e acabou matando o amado deus Balder. A partir daí, o número 13 virou sinônimo de desgraça. Outro mito conta que, quando os nórdicos se converteram ao cristianismo, a formosa deusa do amor, Friga — cujo nome deu origem à palavra Friday (“sexta-feira”, em inglês) — foi transformada em bruxa e exilada numa montanha. Para dar o troco, ela passou a se reunir às sextas-feiras com 11 bruxas e o demônio — num total de 13 participantes — para amaldiçoar os homens. Para reforçar a crença, a Bíblia fala da reunião de 13 pessoas na Última Ceia, às vésperas da crucificação de Jesus, que se deu numa sexta-feira. A urucubaca em torno da data é tão grande que, segundo estudo da seguradora britânica Norwich Union, o número de acidentes nas sextas-feiras 13 é maior do que em qualquer outro dia: temerosas com a data, as pessoas ficariam mais nervosas ao volante. Detalhe: o aumento no índice de batidas é de — adivinhe — 13%! 
Fonte: Revista Supertinteressante.

 

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