quarta-feira, 3 de setembro de 2025

FORTALEZA TEM CONCERTO

Por Izabel Gurgel (*)

E o público canta Belchior, acompanhando a Eleazar de Carvalho, com Paulo Leniuson regendo não mais a orquestra, mas o coro da plateia: "...não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração".

E o Theatro José de Alencar (TJA) fica mais bonito ainda ou, como disse Clarice sobre as ruas do Recife em tempo de Carnaval, a gente então descobre, percebe, vivendo-o, o destino para o qual o TJA foi feito.

Uma manhã de domingo, quase depois da chuva, ainda tem um sereninho, e uma amiga me pergunta como as pessoas, que chegam desde cedo, ficam sabendo dos concertos. Estamos no Cineteatro São Luiz para ver, no Festival Alberto Nepomuceno (FAN), a Camerata de Cordas da Universidade Federal do Ceará (UFC) tocar temas do Studio Ghibli, cuja amplitude de alcance de público foi dada por uma específica produção do cinema de animação.

Colaboro com o FAN e comento com minha amiga algo como são tantos os circuitos de uma cidade quanto as distintas experiências de cidade sob um mesmo nome. "Moro em Fortaleza" pode dizer coisas como a cidade tem "show para todos os gostos" e "quase nenhum ônibus mais tarde da noite e nas madrugadas". "Daria pra sair todo dia" e "não tem parada onde se possa ficar".

Há algum tempo, informar-se sobre a programação artística da cidade passa por procurá-la em perfis nas redes sociais, dos espaços onde acontece (teatros etc.); dos realizadores (como os festivais Eleazar de Carvalho via Universidade de Fortaleza - Unifor e o Festival Internacional de Música Instrumental Mansueto Barbosa, o Fimi, via Casa da Vovó Dedé); das próprias formações orquestrais, (como a sensacional Sinfônica da Universidade Estadual do Ceará, a Uece).

Na dispersão avassaladora em que vivemos, pouco provável ter uma sensação de calendário, digamos, de concertos e recitais com agendas regulares como jornais impressos faziam, por exemplo, com a lista de filmes e cinemas.

Recebi do ator e diretor Tomaz de Aquino, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), link do recém-criado aplicativo com a programação de artes cênicas em Fortaleza. O Mais Plateia. Conhece?

Dá pra ver teatro feito em Fortaleza toda semana. Concerto no sentido que usamos aqui, a cidade tem alguns por mês. É preciso procurar por eles, pelos espetáculos de teatro e pelos concertos. Quase nada mais passa pelo feed das redes sociais (de quem usa as redes!).

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/08/25. Vida & Arte, p.2.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

QUANDO A SAÚDE VIRA ALVO

Por Maurício Filizola (*)

No Brasil, os caminhos que deveriam levar à cura estão sendo desviados. E não por falta de ciência, tecnologia ou vontade de viver — mas pela ação de criminosos que descobriram, nos medicamentos, uma nova mina de ouro. O roubo de cargas não é apenas um problema logístico ou financeiro. É uma ameaça à saúde pública, um golpe direto no que temos de mais sagrado: a vida.

Criminosos têm visado caminhões que transportam medicamentos — e também farmácias, focando especialmente nos produtos de alto custo, como os termolábeis, que exigem refrigeração constante. Uma vez fora do sistema regulado, esses produtos perdem eficácia, ganham risco e deixam de ser cura para se tornarem veneno.

Imagine uma mãe comprando um antibiótico para o filho com febre alta, sem saber que aquele frasco passou dias sob o sol — ou pior, foi adulterado. Ou o idoso que, com dificuldade, adquire um remédio para o coração em um ponto de venda clandestino, acreditando ter feito um bom negócio. É a saúde escorrendo pelo ralo da desinformação e da falsa economia.

Os prejuízos financeiros existem, claro. Distribuidoras aumentam os custos com segurança, os preços sobem, e todos pagamos mais caro. Mas o maior prejuízo não se mede em dinheiro: está no risco que cada frasco roubado carrega, na fragilidade de um sistema que tenta manter a confiança da população.

É por isso que, mais do que nunca, precisamos reforçar um valor simples, mas poderoso: confiança. E onde ela mora? Nas farmácias que você conhece. Naquele balcão onde é chamado pelo nome, onde o farmacêutico conhece seu histórico, orienta, confere, cuida.

Não é exagero dizer: farmácia é extensão da casa de quem cuida da saúde.

Tudo começa com a prescrição médica correta — um diagnóstico bem feito — e segue com a escolha do local onde o medicamento será adquirido. Comprar medicamentos só em farmácias autorizadas é mais do que precaução: é uma escolha ética. É um pacto silencioso com a vida. E quando você opta por aquela farmácia onde já construiu relacionamento, onde o atendimento é humanizado e o cuidado e acolhimento é contínuo, você está dizendo: Eu escolho Segurança. Eu escolho Saúde.

A Anvisa e as Vigilâncias Sanitárias fazem sua parte com fiscalização. As distribuidoras investem em rastreamento, escoltas, análise de risco. Mas a barreira mais poderosa contra o crime ainda é a consciência coletiva. A farmácia de confiança é o último elo — e o mais próximo da população. Ela merece ser valorizada.

Como farmacêutico e empreendedor, vejo de perto os efeitos da criminalidade nesse setor. Mas também vejo, com esperança, a força de um relacionamento construído ao longo dos anos entre farmácia e comunidade.

É nesse vínculo que mora a verdadeira proteção.

(*) Diretor da Confederação do Comércio. Articulista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/08/25. Opinião, p.17.


NÃO À DESCONSTRUÇÃO DA POLÍTICA AMBIENTAL

Por Roberto Macêdo (*)

Desde jovem que me preocupam os descasos da humanidade com o meio ambiente.  Tornei-me um ferrenho defensor da natureza e procuro estar atento a ações em favor da conservação do nosso planeta. Por isso fico indignado com fatos como a furtiva aprovação, na madrugada do dia 17/07/2025, do PL nº2159/2021, que institui a Lei Geral do Licenciamento Ambiental; uma legislação propícia a causar impactos negativos na sustentabilidade brasileira.

Alegando a necessidade de modernização, desburocratização, redução de gargalos e previsibilidade na emissão de licença ambiental, os parlamentares que aprovaram essa lei estão, no mínimo, contribuindo para o aumento da judicialização, uma vez que fica permitida às pessoas interessadas a aplicarem a "sua lei" e a fiscalizarem a si próprias, no que se refere aos danos ambientais que poderão causar.

A eficiência do licenciamento ambiental no país precisa mesmo passar por reformas, ser melhorada, mas nunca com esse afrouxamento da legislação aprovada no Congresso Nacional. Além de não resolver os problemas existentes, isso levará a resultados desastrosos. O aprimoramento necessário ao sistema de permissão para atividades potencialmente agressoras da natureza, deveria ser voltado para a agilidade, a transparência e tudo o que possa tornar as liberações menos custosas e mais adequadas à proteção socioambiental.

O que está nesta pauta é a desconstrução da política ambiental brasileira. Essa aprovação do PL de Licenciamento Ambiental revela uma dissonância entre o pretexto de criação de uma legislação federal unificada e a intenção desses parlamentares e suas agendas próprias. Nesses casos, a natureza acaba sendo utilizada como arma política por uma parte do Congresso Nacional.

Não podemos nos deixar ser absorvidos somente pelas notícias geradas pelo mundo das guerras ou do tarifaço, temos que deixar um espaço mental de compromisso claro e permanente com relação ao nosso planeta e mais ainda ao nosso país, em especial o conhecimento e o posicionamento sobre esse licenciamento e seus efeitos na natureza, no clima e em nossas vidas.

(*) Empresário.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/08/25. Opinião, p.16.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Frases mais marcantes de Luiz Fernando Verissimo III

21.“A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo mas é claro, certo?”

22.“No Brasil o fundo do poço é apenas uma etapa.”

23.“Só acredito naquilo que posso tocar. Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.”

24.“Quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, substituído pela coabitação sem nenhum significado maior, chegam os gays para acabar com essa pouca-vergonha.”

25.“Muitas mulheres consideram os homens perfeitamente dispensáveis no mundo, a não ser naquelas profissões reconhecidamente masculinas, como as de costureiro, cozinheiro, cabeleireiro, decorador de interiores e estivador.”

26.“Brasil: esse estranho país de corruptos sem corruptores.”

27.“Nunca usei bombacha, não gosto de chimarrão e nem de me lembrar da última vez que subi num cavalo. Aliás, o cavalo também não gosta.”

28.“Os tristes acham que o vento geme; Os alegres acham que ele canta.”

29.“Você é o seu sexo. Todo o seu corpo é um órgão sexual, com exceção talvez das clavículas.”

30. “Escrevi uma vez que era um cético que só acreditava no que pudesse tocar: não acreditava na Luiza Brunet, por exemplo. Cruzei com a Luiza Brunet num dos camarotes deste Carnaval. Ela me cobrou a frase, e disse que eu podia tocá-la para me convencer da sua existência. Toquei-a. Não me convenci. Não pode existir mulher tão bonita e tão simpática ao mesmo tempo. Vou precisar de mais provas”.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

Frases mais marcantes de Luiz Fernando Verissimo II

11.“Não sei para onde caminha a humanidade. Mas, quando souber, vou para o outro lado.”

12.“A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.”

13.“O outono é a única estação civilizada. A primavera é descontrole glandular da Natureza. O inverno é o preço que a gente paga para ter o outono, e por isso está perdoado. O verão é uma indignidade.”

14.“Passamos a vida inteira nos preparando para nossa morte e quando ela vem não podemos assistir.”

15.“A gente não faz aniversários. Os aniversários é que vão fazendo a gente. E depois, pouco a pouco, nos desfazendo.”

16.“Nosso dilema continua sendo que só nos livramos da morte livrando-nos do corpo e só nos livramos do corpo morrendo.”

17.“Ninguém é o que pensa que é, muito menos o que diz que é. Precisamos da complicação para nos definir. Ou seja: ninguém é nada sozinho, somos o nosso comportamento com o outro.”

18.“Ninguém é o que parece ou o que aparece. O essencial não há quem enxergue.”

19.“Nada como uma boa conversa para se encontrar a solução de qualquer coisa, mesmo a insanidade.”

20.“Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.”

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

Frases mais marcantes de Luiz Fernando Verissimo I

Morreu, em 30/08/25, Luiz Fernando Verissimo, um dos maiores cronistas brasileiros.

A seguir, uma seleção das 30 frases mais marcantes de Verissimo, que continuam a ressoar pela sua inteligência, humor e atemporalidade:

1. “O mundo não é ruim, só está mal frequentado.”

2.“Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.”

3.“Resignemo-nos à ignorância, que é a forma mais cômoda de sabedoria.”

4.“Você só sabe até onde pode ir quando já foi.”

5.“Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido.”

6.“O futuro era muito melhor antigamente.”

7.“Desenvolvi uma mente defensiva como um condomínio fechado. Uma mente com guarita, que abate qualquer inimigo na porteira.”

8.“Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, completamente livre, é a que não tem medo do ridículo.”

9.“Mas, como em tudo na vida, no amor também é preciso moderação.”

10.“Ironia tem que ser entendida como ironia, senão não é ironia.”

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).


VERÍSSIMO

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Faleceu neste sábado (30/08), aos 88 anos, em decorrência de uma pneumonia, o escritor Luís Fernando Veríssimo, quando se encontrava internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre Sua vida e sua múltipla obra deixaram um legado imenso para a cultura brasileira. Ele era muito mais do que um escritor; era um cronista agudo do cotidiano, um humorista refinado e um dos maiores expoentes da literatura contemporânea do país.

Era filho do também célebre escritor Érico Veríssimo, que escreveu a saga da terra gaúcha, "O Tempo e o Vento".

Uma vida dedicada às letras e ao humor

Nascido em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, Luís Fernando teve uma vida ligada à literatura desde a infância. Passou parte de sua adolescência nos Estados Unidos, onde seu pai lecionou, e retornou ao Brasil para trabalhar como jornalista e, mais tarde, se dedicar à literatura.

Era conhecido por sua personalidade reservada e por sua mente brilhante, que produzia algumas das críticas sociais mais perspicazes e engraçadas da imprensa nacional.

A múltipla obra: muito além das crônicas

A genialidade de Veríssimo se expressou em diversas frentes:

Crônicas e Humor. Sua coluna de jornal no "Zero Hora" era uma das mais lidas e aguardadas do Brasil. Coleções como "O Analista de Bagé" e "Comédias da Vida Pública" são antológicas. E seus personagens, como a Velhinha de Taubaté, Ed Mort e o Analista de Bagé, se tornaram ícones da cultura brasileira.

Romances e Contos. Sua ficção nestes gêneros é igualmente poderosa. Romances como "O Clube dos Anjos" (sobre um grupo de gourmets que se reúne para jantares finos) e "Borges e os Orangotangos Eternos" (uma mistura de romance policial e ensaio literário) demonstram sua erudição e capacidade narrativa.

Cartuns e Humor Gráfico. Também era um talentoso cartunista. Suas tiras, muitas vezes mudas, com traços simples e situações absurdas, expunham perfeitamente suas ideias. A série "As Cobras" é um exemplo disso.

Música e Outras Influências. Um amante declarado de jazz, tema que frequentemente permeava suas crônicas. Foi um músico (saxofonista) que dialogava com a banda "Jazz 6" em que tocava.

Seu legado e sua voz

O humor de Luís Fernando Veríssimo nunca foi apenas para fazer rir. Era um instrumento de crítica social e política. Ele usava o absurdo, a ironia e o nonsense para dissecar as hipocrisias, os costumes e os dilemas da vida moderna no Brasil. Sua capacidade de observar o óbvio e extrair dele uma conclusão hilária e profundamente verdadeira era seu dom maior.

Sua morte é uma perda irreparável. Ele era um farol de inteligência, lucidez e humor em tempos muitas vezes sombrios. Luís Fernando Veríssimo deixa uma obra vasta que continuará a fazer rir, pensar e encantar as gerações atuais e futuras. 

Relembre algumas de suas frases marcantes

Escrever não me dá prazer, gosto mesmo é de soprar saxofone.

Não gosto que me imponham coisas, e a velhice é uma imposição, uma prepotência do tempo. Sou contra.

Se o mundo está correndo para o abismo, chegue para o lado e deixe-o passar.

Vou morrer sem realizar o meu grande sonho: não morrer nunca.

Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.

Depois de uma certa idade, é temerário fazer aniversário. Que agonia! Todo "parabéns" soa, mesmo dito numa boa, como ironia.

Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 31/08/2025.

https://blogdopg.blogspot.com/2025/08/verssimo.html


 

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