sexta-feira, 6 de setembro de 2024

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 812

Abro a coluna com uma historinha dos velhos tempos.

Promessas de campanha

A historinha foi enviada por um leitor do Paraná.

Candidatos de duas famílias disputavam a prefeitura de uma pequena cidade. Final de campanha. A combinação era de que os dois candidatos e seus familiares teriam de usar o mesmo palanque. Discursou, primeiro, o candidato que tinha 70% de preferência dos votos:

- Povo da minha amada terra, povo ordeiro, trabalhador, religioso e cumpridor de suas obrigações. Se eleito, irei resolver o problema de falta de água e de coleta de esgoto. Farei das nossas escolas as melhores da região, educação em tempo integral. Vou construir uma escola técnica do município...

E arrematou:

- E tem mais, meus amigos, ordeiros, religiosos e cumpridores de seus deveres morais, vocês não devem votar no meu adversário. Ele não respeita nossa gente, nossas famílias, nossos costumes! Ele desrespeita nossa igreja. Ele nem se dá ao respeito. Vocês não devem votar nele. Porque ele tem duas mulheres.

O adversário, com 20% de intenção de voto, quase enfartou quando viu a mulher, ao seu lado, cair no palanque. Ela não aguentara ouvir a denúncia do adversário de que o marido tinha uma amante. A desordem ganhou o palanque. A multidão aplaudia o candidato favorito e vaiava o adversário. Cabos eleitorais começaram a se engalfinhar. Passado o susto, com muita dificuldade, o estonteado candidato acusado de ter duas mulheres começa seu discurso, depois de constatar que a esposa estava melhor:

- Meu amado povo, de bons costumes e moral ilibada, religioso e cumpridor de seus deveres morais, éticos e religiosos. Quero dizer aos senhores e senhoras aqui presentes, que, se agraciado com seus votos me tornar o prefeito desta cidade, farei uma mudança de verdade. Não só resolverei o problema da falta de água, como farei também o tratamento de todo o esgoto do município, construirei uma escola técnica e um novo hospital!

A massa caçoava do coitado e de sua mulher. Foi em frente:

- Vou melhorar o salário dos professores, a merenda das crianças e ainda vou instituir o Bolsa Cidadão. Agora, prestem bem atenção. Se os amigos acharem que não podem votar em mim porque tenho duas mulheres, votem no meu adversário. Mas saibam que a mulher dele tem dois maridos.

A galera veio abaixo. O pau comeu. Brigalhada geral. Urnas abertas. O candidato chamado de corno perdeu. O adúltero ganhou com 76% dos votos.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/389800/porandubas-n-812

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

NUNCA TIVE CONVICÇÃO

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Não nasci convicto do que fazer no futuro. Sou do tipo que vai fazendo, com amor e muita dedicação, e, assim, deixo levar.

As ocorrências dos tempos são, ao meu entender, algumas coincidências esperadas pelo acaso. Não temo as emoções, apenas as obtenho pelo corpo e pela alma que credita à vida uma mensagem. Assim, não me assumo como diferente, pois, ser mensageiro da imagem dos queridos que se foram é, para mim, a obra da vida que se firma a cada minuto e na medida que o tempo passa.

Nasci de uma mãe e de um pai como todos nós. Para mim eles eram únicos, de carne e osso, nas angústias e nos medos, nos desejos e na esperança. Creio nisso com intensidade, a qual advém da convicção do destino, dessa caminhada biológica e espiritual. Vivi, assim, os momentos de desacertos e afetividade, fui uma criança em compreensão e um adulto nas razões, que hoje as enxergo como frágeis, por vezes, tolices absolutas. Espero ter me decidido, em corpo e emoção, por abandona-las. Já que com o passar do tempo já não creio em uma só verdade, uma só aspiração.

As lembranças são marcas do passado, presentes cada vez mais a medida do envelhecimento, e, principalmente, quando nos aproximamos da morte. Essa, traz em si, as lembranças mais intensas, é quando ficam cada vez mais vivas.

A política, que exerci, foi mais um desafio às minhas convicções. Assim como a doença, que nos maltrata quando se apresenta, e em vez de passar, deixa marcas, também frutos do quê humano e das nossas contradições.

Cada ato, ao passar do tempo, induz um tom, e abre abismos na forma inocente que habitamos.

Simplesmente, por crer na utopia, mesmo sob os percalços, mesmo andando sozinho, sinto-me aliviado pela certeza da passagem, dos encontros e desencontros, vendo a justiça que não tem forma, e que, enfim, transcende aos conceitos, vem ao tempo da maturidade de cada momento. E, também, pela compreensão sobre as pessoas, que andam agora em caminho incerto, rebuscado de medo e agressões, titubeando entre o que se entende de amor e felicidade.

Aos meus filhos entrego o meu suor, demonstrando diariamente que precisamos cumprir o nosso destino. Mas, principalmente, que é justo se reinventar, nascer todo dia, sonhar por sonhar.

A meu ver, o futuro é decerto a denúncia de um passado errante. Mesmo quando é espelho de várias gerações e de projeções cada vez mais distantes, vaticina o nosso ser mais frágil, em nossas partes mais crianças.

Certo assim, que tudo será algo abstrato, e por isso impalpável, sentir energia pura, renovação e esperança dos caminhos que virão, já que não são, em instantes, os atuais. Eis que já são passado...

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/08/2024. Opinião. p.19.

Viva Fortaleza; sem medo de ser feliz!

Por Luiz Eduardo Girão (*)

Este será meu último artigo publicado no O POVO - pelo menos até outubro. Isso porque sou pré-candidato a prefeito da cidade em que nasci e me criei e o jornal obedece a regras nesse período eleitoral. Desde quando tomei posse no Senado, em 2019, escrevo aqui com muita honra e espero que volte a fazê-lo em novembro, seja como parlamentar ou, se Deus e o povo quiserem, como líder eleito do executivo municipal.

Uma das maiores conquistas populares obtidas com a nossa Constituição de 88 foi a garantia ao acesso universal ao Sistema Único de Saúde, uma referência mundial. Mas se o SUS é tão bom porque há tantas reclamações? Posso assegurar que não é por falta de dinheiro, mas de gestão. O orçamento da Saúde é o maior dentre todas as áreas, atingindo nesse ano a marca de 231 bilhões!

A crise perene decorre de graves falhas de administração, desperdício e corrupção. É um setor que, por ser tripartite, deveria ser essencialmente técnico, sem negociatas e submetido a auditoria externa. Mas, não tem sido assim. O atendimento é precário, com longas filas para a realização de exames e de cirurgias - só das eletivas há 27 mil pessoas na fila em Fortaleza. A politicagem chega ao ponto de vereadores governistas atuarem como verdadeiros despachantes intermediando a realização de procedimentos médicos.

Desde quando assumi o mandato no Senado jamais utilizei um centavo do indecente "orçamento secreto" que libera bilhões em emendas aos que apoiam o governo. Quanto às emendas "constitucionais" consegui ajudar todas as 184 cidades do CE com 207 milhões de reais, sem distinção partidária ou ideológica. Em cada centavo enviado procuro conferir pessoalmente sua correta aplicação. Destaque para a nossa especial Fortaleza, que recebeu mais de 20 mi só para a Saúde, dos 45 milhões enviados por nosso gabinete. Foram contemplados os Hospitais Albert Sabin, do Coração, da Saúde Mental e o HGF. Também o Iprede, a Santa Casa de Misericórdia, o Instituto do Câncer e a Associação Peter Pan.

Com a experiência adquirida como empreendedor, gestor de empresas, ONGs e, agora, como senador, estou convencido de que é possível promover grandes transformações com os recursos já disponíveis. Além da eficiência na gestão e da máxima transparência, é necessário romper com a prática da velha política mantida pelo chamado "Centrão", que junto com PT e PDT tem priorizado as barganhas por cargos em detrimento de toda a população. As eleições deste ano representam uma grande oportunidade para uma mudança de paradigma. Paz & Bem

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/08/24. Opinião, p.19.


quarta-feira, 4 de setembro de 2024

SUPORTE À VIDA — DILEMA ÉTICO

Por Valdester Cavalcante Pinto Jr. (*)

Avanços em tecnologia, incluindo dispositivos de suporte circulatório extracorpóreo (ECMO), levaram a modos inovadores de sustentar a vida de crianças com doenças historicamente com desfechos fatais. À medida que são agregados tais progressos, impõe-se entender sobre o prognóstico e as potenciais morbidades dos procedimentos, o que conduz a tensões éticas atinentes à alocação e emprego das tecnologias. Nessas circunstâncias, tomam-se decisões médicas em condições urgentes e de alto risco.

Em princípio, a comunidade deve garantir o bem comum, por meio da proteção da vida e da saúde de cada pessoa, reconhecendo sua autonomia, após exame de opções eficazes, destinando recursos adequados e privilegiando as situações de maior gravidade.

Crianças, mesmo sem autoridade de decidir, quando possível, devem se beneficiar de saber o que vai acontecer, ter uma palavra a dizer e ser ouvidas (autonomia). Se muito pequenas ou em situação crítica, a consideração de autonomia é inapropriada, transferindo-se à família, com auxílio de informações médicas, a decisão de aplicar ou interromper procedimentos. Aqui ocorre de servir ao bem-estar das crianças, não de preservar a autonomia dos pais.

Em todo processo, é exigido que cada ação seja empregada à demanda de bons resultados, com base nos recursos disponíveis, incluindo a experiência profissional — que contribua para o bem-estar (beneficência) com o menor dano possível (não maleficência). Soma-se a esses três princípios a ideia de justiça, no âmbito da qual as oportunidades de tratamento sejam igualmente disponíveis para todos, na medida da necessidade.

Ainda que assistidos por esses princípios, já bem fundamentados e norteadores da nossa prática, a decisão do não uso ou da interrupção de uma tecnologia enseja sofrimento em quem define.

O ideal reside em compartilhar as informações com todos, aqui insertas, principalmente, as famílias, à proporção do alcance de cada qual, com vistas a preservar os interesses de longo prazo da criança sobre seus proveitos de curto tempo. Assim entendemos a maneira de prestar cuidados com excelência.

(*) Médico cirurgião cardiovascular pediátrico.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/08/2024. Opinião. p.18.

Vagas da UAB impulsionam o desenvolvimento da educação superior

Por Cândido B.C. Neto (*)

A preocupação com a formação de professores sempre foi assunto dos grandes debates para um novo Brasil. Tornou-se pauta permanente nos projetos políticos, inicialmente, na capacitação adequada dos professores da educação básica. Com o tempo, essas reivindicações se cristalizaram em leis e decretos. Diante disso, a necessidade da expansão da educação a distância, passou a ocupar um lugar cada vez mais importante no cenário brasileiro.

A modalidade tornou-se um instrumento-resposta capaz de atuar em todos os lugares, num rápido espaço de tempo, conforme as demandas regionais. Neste sentido, o programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) considerado, uma inovação pedagógica da política federal, vem atuando no País há mais de 15 anos, em parceria com os estados, municípios e Instituições de Educação Superior (IES), ajudou a promover a democratização do ensino superior de qualidade, institucionalizando a educação a distância. No caso da expansão, em nosso estado, o Governo do Ceará já publicou a Lei Estadual n° 16.316, de 14 de agosto de 2017, que dispõe sobre a Implantação do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), no âmbito estadual.

Agora, com o lançamento de novas 18.430 vagas, passaremos a contar com 65 pólos, sendo 25 novos, com reconhecimento da Capes/MEC e que conta com a parceria do Governo do Ceará e das seis IES públicas - Uece, UVA, Urca, IFCE, UFCA e Unilab. Outra boa notícia, dentro desse momento positivo por qual passa a educação superior, foi a aprovação, pelo Governo do Ceará, do MAPP para implantação da Universidade Aberta do Ceará (Uace), que oferecerá, em formato EaD, cursos superiores tecnológicos de graduação e pós-graduação, além de atividades de extensão e pesquisa. O projeto é liderado pela Secitece, por meio de sua Coordenadoria de Educação Superior (Cesup).

A educação dimensionada às práticas de formação cidadã parece-me a mais aconselhada para superar os desafios impostos pela sociedade. Ao apresentar essa síntese da evolução, defendo que a modalidade tem sido uma boa saída e o atalho mais curto para a diminuição das desigualdades regionais e para a verdadeira democratização do ensino superior no País.

(*) Professor da Uece e coordenador da Educação Superior da Secitece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/08/24. Opinião. p.18.Univ

terça-feira, 3 de setembro de 2024

OS 50 ANOS DAS RELAÇÕES BRASIL-CHINA

Por José Nelson Bessa Maia (*)

No dia 15 de agosto de 1974 em Brasília, o então chanceler do Governo Militar, Azeredo da Silveira, e o vice-ministro do Comércio chinês, Chen Chien, formalizaram o restabelecimento das relações bilaterais, suspensas em 1949. Os dois governos concordaram em entabular relações amistosas com base nos princípios de respeito recíproco à soberania e à integridade territorial, não-agressão, não-intervenção nos assuntos internos de um dos países por parte do outro, além de vantagens mútuas e coexistência pacífica. No entanto, as relações só vieram a adensar-se a partir do início do século XXI quando a China se tornou membro da Organização Mundial de Comércio (OMC) em 2001.

Nesses 50 anos houve um aumento formidável no comércio sino-brasileiro, tendo a China se tornado em 2009 o maior parceiro comercial do país. Naquele ano, a corrente de comércio bilateral somou US$ 36,1 bilhões. O Intercâmbio cresceu a cada ano, tendo chegado em 2023 a US$ 105,7 bilhões, um terço de todo o comércio exterior do Brasil. As relações se ampliaram em áreas como ciência e tecnologia, investimentos e cooperação técnica e cultural, além da concertação geopolítica e na governança global. Tanto que, em 2006, Brasil e China se aliaram na formação do BRICS, ao lado de Rússia, Índia e depois a África do Sul, um bloco que trata de cooperação, crescimento econômico e desenvolvimento.

Apesar dos logros obtidos nessas cinco décadas, Brasil e China precisam aprofundar e qualificar suas trocas mútuas. As relações bilaterais devem atingir novos patamares e a cooperação envolver uma parceria estratégica em ciência, tecnologia limpa e inovação. O Brasil precisa melhorar a composição de valor agregado de suas exportações para a China e ampliar o acesso a avanços chineses em campos como infraestrutura, mobilidade urbana, economia digital, audiovisual e fármacos.

Espera-se que a vinda do presidente chinês Xi Jinping ao Brasil em novembro próximo para a reunião de Cúpula do G-20 e visita de Estado possa finalmente deslanchar essa nova etapa nas relações bilaterais, inclusive com a adesão bem negociada do Brasil à Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) e o maior acesso ao gigantesco mercado chinês para seus produtos e serviços.

(*) Mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela UnB e ex-secretário de Assuntos Internacionais do governo do Ceará. Pesquisador independente das relações China-Brasil, China-Países Lusófonos e China-América Latina.

Fonte: O Povo, de 16/08/24. Opinião. p.21.

BONECAS, TANTAS PARA VER E BRINCAR

Por Célia Perdigão (*)

Ali, nas cercanias do Campus do Pici, ao invés dos Zepelins do tempo da segunda guerra mundial, aterrissaram dezenas de bonecas. Juntas, constituíram um museu comunitário, chancelado pelas instituições oficiais. E o que ele nos apresenta?

Lá na rua Deputado Joel Marques, uma singela e florida fachada nos convida a entrar. De pronto, a sala do fazer, toda adornada com estampados tecidos multicor, aviamentos e uma máquina de costura daquelas de suscitar doces lembranças. Várias bonecas de tamanhos variados, suspensas, nos cumprimentam.

Como são belas!

No cômodo a seguir, duas outras personagens mostram, em um painel, a importante missão do museu. Na lateral, uma integrante de grande impacto. Sem os sentidos regulares, sua fisionomia nos incita a múltiplas reflexões. E se...

Em sequência, o grande salão. Isoladas ou agrupadas por alguma similaridade, lá estão quilombolas, brancas, originárias, pretas, portadoras de deficiência física e até estrangeiras.

Lampião e Maria Bonita, palhaços, Emília e ciganas marcam presença.

Entre os mamulengos e dedoches, alguns despertam especial atenção. A vovozinha, o lobo mau e a Chapeuzinho Vermelho integram uma única peça. Só questão de movimento. A menina que nasce de uma flor na mesma toada. Delicadeza de metamorfose.

Outros há que ocupam o pódio. A Metanki mágica, eslava, que protege as famílias e quando se desmancha atende pedidos. Duas Abayomi, pretas, sem linha nem agulha. Acredite, apenas nós. A turma do meio ambiente com os entes da floresta. Presença essencial nos tempos que sobrevivemos. Para concluir, a turma do Bumba meu Boi com estandarte e tudo. Muita cor, brilho e beleza. Estão dançando de verdade?

Agora a sala das oficinas e brincadeiras. Uma gigante vovó nos aguarda com dois baús cheios de surpresas. Quantas possibilidades! Tudo sob o olhar atento de peças de famosos escritores e até uma pequena boneca compenetrada em sua gravidez.

Valeu, Professora Liduína. Seu sonho solitário é um motor possante, gerador de magia, sonhos, memórias e belezas. Avante...

(*) Arquiteta. Especialista em história e conservação de monumentos antigos na França.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/07/24. Opinião, p.22.


 

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