Por Raimundo Padilha (*)
Parodiando a
Escolinha do Professor Raimundo, do maior humorista brasileiro, o cearense
Chico Anysio, estamos assistindo à Escolinha do Professor Vorcaro. Na Escolinha
do Chico, os alunos eram humoristas famosos, que interpretavam papéis que os
colocaram no patamar da fama. Chico era o titular da cátedra.
Na Escolinha do
Professor Vorcaro, os seus alunos são corruptos, que ocupam, com raras
exceções, o cardinalato da nossa República. Todos de maneira direta ou
indireta, por meio de familiares são personagens de tramas golpistas. Enquanto
na Escolinha do Chico o objetivo era fazer rir, na Escolinha do Professor
Vorcaro é de fazer chorar. Quanta tristeza está no rastro deste drama, onde o
seu professor é um pegajoso bandido, que atrai alunos mediante fartas propinas.
No Chico, o jogo
era limpo. No Vorcaro, o jogo é sujo. Em matéria de corrupção é a maior em
volume e em número de participantes. Três togados se tem notícia que tiveram
participações, um senador apresentou projeto ampliando vantagens para o Banco
Master do Sr. Vorcaro, além de outros cardeais que intermediaram operações para
aplicações de Fundos de Pensões no mesmo Master.
O banco oferecia
taxas aos seus investidores bem acima das praticadas pelo mercado e não
apresentando liquidez, levando os seus investidores a recorrer ao Fundo
Garantidor de Crédito (FGC), o qual chegou cobrir mais de R$ 50 milhões. Este é
o maior rombo da história do Sistema Financeiro Nacional.
É vergonhosa a
máscara dos seus participantes. E os seus poderes/cargos vão para lata do lixo.
Uns mais, outros menos, mas de modo geral os 3 poderes foram atingidos.
A pretexto de
produzir um filme de personagem que se tem dúvidas das suas virtudes, foi
orçado em mais de R$ 130 milhões e abocanhados mais de R$ 60 milhões,
quando o filme "O Agente Secreto", que concorreu ao Oscar, custou
pouco mais de R$ 26 milhões.
E a história
ainda está incompleta ou mal contada, pois se desconhece a estrada percorrida
pelo dinheiro, nem o seu real orçamento e muito menos a comprovação da sua
aplicação. Tudo muito obscuro e com historiadores falseando as suas narrativas.
Banquetes
luxuosos na Europa, com cardápios de finíssimo trato e bebidas do mais
requintado paladar foram promovidos pela Escolinha do Sr. Vorcaro.
Enquanto na
Escolinha do Chico o final era o aplauso, com o Sr. Vorcaro o final será o
xadrez. Aliás, o seu professor já estava vendo o sol quadrado e empulseirado.
Triste fim, triste drama.
Duas escolas com
objetivos bastante distintos. Vorcaro, professor esperto. Chico, professor
engraçado. Grande diferença.
(*)
Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de
Economia.
Fonte: O Povo, de 8/07/26. Opinião. p.15.

Nenhum comentário:
Postar um comentário