sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

FOLCLORE POLÍTICO LXVI: Porandubas Políticas 620

Abro a coluna com duas historinhas do Paraná contadas por Sebastião Nery.

Na latitude

Pedro Liberty, vendedor de loteria, elegeu-se deputado estadual pelo PTB. Foi à tribuna fazer um discurso contra o prefeito de Curitiba:

– As ruas estão esburacadas, sem luz, e, à noite, os cachorros soltos, numa latitude que não deixa ninguém dormir.

Xaxixo

Antônio Constâncio de Souza, deputado pelo PSP, pediu um aparte a Armando de Queiroz, líder de Ney Braga na Assembleia.

– Não dou o aparte, não. V. Exa. não está à altura de participar dos debates. V. Exa. não é capaz de citar uma palavra com 3 x. – Sou, sim. Xaxixo.

Queria dizer salsicha.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

ONDE ESTÁ O DINHEIRO?

Por Rev. Munguba Jr. (*)

Nos últimos anos recebemos, pelos meios de comunicação, notícias de pessoas que devolveram dinheiro - e muito dinheiro - aos cofres públicos. O mais interessante é que essas pessoas foram inocentadas pela justiça. Como devolvem milhões e milhões de reais e, mesmo assim, são inocentes? Será que são filantropos? Corações bondosos? Pense comigo. Todo roubo é terrível e execrável. Mesmo que esse dinheiro fosse revertido para a criação de empresas, empregos e ações proativas para geração do crescimento econômico, o ato cometido continuaria sendo errado. Mas a maior dor é saber que a maioria dos recursos desviados nunca será utilizada. Funcionam como uma segurança doentia, guardados em paraísos fiscais ou escondidos em apartamentos mofados.

Cada centavo desviado significa morte de brasileiros de bem. Morte na ausência de hospitais, UTIs e políticas públicas na prevenção de doenças; morte nas estradas inacabadas e sem manutenção; morte no boicote indouto a tudo que se chama progresso.

No nosso Nordeste, a falta de respiradores ocasionou mortes durante a pandemia. Aparelhos encomendados a empresas que trabalham em ramos bem diferentes do que chamamos saúde foram apenas encomendados e nunca entregues. Uma empresa de "muita sorte", em sua segunda nota fiscal, faturou milhões e milhões de reais.

Ora, se a justiça brasileira recebeu de volta tanto dinheiro de "inocentes", imagine o volume de dinheiro subtraído da nossa nação. Como é triste ler na música Reunião de Bacana, de Ari do Cavaco: "Se gritar 'pega ladrão', não fica um, meu irmão". Um certo galileu, ativista político, vendeu seu melhor amigo por 30 moedas de prata. Depois percebeu que, mesmo tendo "bons motivos", a morte tinha sido implantada. A dor do seu coração o levou a um sentimento de culpa que culminou em suicídio. As moedas foram devolvidas, mas a vida já tinha sido ceifada.

Oro para que nossos compatriotas tenham tempo hábil para reconhecer seus erros.

Todos podem errar e devolver tudo aos cofres públicos e realinhar sua vida em prol da vida de todos. No caso do galileu traído e morto, ele ressuscitou, está vivo hoje e traz vida para todos que o recebem. Mas nossos queridos que partiram só os encontraremos no céu. 

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Coreia do Sul Para a Implantação da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil.

Fonte: O Povo, 20/11/2021. Opinião. p.20.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

A MÃE DA MEDALHA MILAGROSA

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

São inúmeras as devoções marianas. A Igreja e o povo de Deus, de forma abundante e generosa, podem contar com a especial ação d'Aquela que é, ao mesmo tempo, Mãe de Jesus e nossa também.

Em 27 de novembro de 1830, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, na França, a noviça Irmã Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora. Em seu relato, Catarina Labouré afirmou que a Mãe de Deus baixou os olhos e disse, no íntimo de seu coração: "Este globo que vês representa o mundo inteiro (...) e cada pessoa em particular". Irmã Catarina também ouviu de Nossa Senhora o pedido para que cunhasse uma medalha e a garantia de que todas as pessoas que a trouxessem com devoção receberiam muitas graças.

Sofremos por muitas catástrofes climáticas e muitos profetizam um mundo fadado ao caos. De fato, é possível que o ser humano, por mal-uso de sua liberdade, acabe destruindo nossa casa chamada Terra, mas não por vontade de Deus.

Ao se revelar a uma noviça, na França, Nossa Senhora das Graças enfatizou sua missão incessante ao lado de seu Filho. De acordo com o relato da visão, a Virgem trazia em uma das mãos um globo terrestre que Ela oferecia ao Senhor, indicando as maravilhas de Sua criação, na qual cada pessoa é obra desdobrada de Sua natureza. Os raios luminosos que emanavam de suas mãos, por sua vez, indicavam ser Nossa Senhora intercessora das graças de que tanto necessitamos.

Nossa Senhora das Graças mostrou, por meio de sua aparição, que o mundo pertence a Deus e a vitória já foi conquistada por seu Filho na Cruz Redentora.

Particularmente, tenho imensa devoção por Nossa Senhora das Graças e sua medalha milagrosa. Conforta-me saber que, por intercessão de Maria, uma "torrente de luz" é derramada sobre um mundo de trevas, onde a guerra, a fome e a violência obscurecem a harmonia e a paz. A serpente calçada por Nossa Senhora das Graças é uma alusão à força real do Inimigo de Deus que tenta manter-nos fora do Paraíso, assim como fez com nossos pais, Adão e Eva. Por outro lado, enche-nos de esperança saber que a serpente é inofensiva para aqueles que têm Maria como mãe e seguem seu caminho para Jesus. 

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 6/11/2021. Opinião. p.20.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

MÁSCARA

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

"Um Pierrô apaixonado, que vivia só cantando, por causa de um Colombina acabou chorando acabou chorando..." (Noel Rosa 1932). Desde 1935 que os carnavais são animados pelos trios amorosos fantasiado de Pierrôs, Colombinas e Arlequins, numa sátira à Comédia Italiana Dell' Arte, que representou encontros desse triângulo amoroso, no século XVI. Personalizavam: o desalento de Pierrô rejeitado por Colombina e a alegria de Arlequim que a amava e era correspondido por ela. Gostei muito de usar a máscara negra da Colombina, que conquistava sempre algum Arlequim, nos bailes carnavalescos dos anos de 1960 e 1970.

Nos carnavais ou festa de Halloween, máscaras sempre foram catalizadoras de encontros expectantes, mas até de contestações e proteções identitárias pessoais ou sociais de todas as épocas. O Coringa, o Joke, do filme de mesmo nome, de 2019, apresenta-se travestido de Palhaço e protagoniza muitos crimes como reflexo de sua vida pouca significante, por ter sua identidade ofuscada por doença, doença da mãe, desprezos do pai e da sociedade para com sua existência.

Nossos ancestrais fincaram nas pedras desenhos rupestres de si, usando máscaras lembrando animais que caçavam, parecendo desejar, serem superiores àqueles. Já as máscaras dos Super-heróis, têm o poder de exibir elementos de comportamento justiceiro, transformadores daquilo que não se é, para o que se quer ser. Recentemente, A Marvel Comics, ajustou seus super-heróis a pessoas comuns, apresentadas no documentário "Marvel por trás da máscara" de Michael Jacobs, 2021. Gerou assim, mais simpatia do público, mostrando-os, como bons filhos, trabalhadores, estudiosos, amorosos. Por isso, ganharam mais simpatia do público.

As máscaras sempre tiveram suas funções, de acordo com as circunstâncias. Hoje, o mundo todo as usa, não para entretenimento ou mesmo contestações, mas para livrar-se do mais mortal dos vírus que já habitou entre nós. Usamos as mais poderosas de todas as máscaras conhecidas até então, pois aliviam e controlam o medo, o sofrimento e a morte pela Covid-19.

É uma das mais poderosas ferramentas que junta com o distanciamento social, higiene das mãos e adoção das vacinas, estão garantindo um estado de bonança saudável, que ora grassa sobre a humanidade. Mantenhamo-nos "mascarados", até que esses tempos sejam apenas história. 

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/11/2021. Opinião. p. 19.

CÂNCER INFANTIL - inimigo de todos

Por Eduardo Jucá (*)

Lucas parou de ir à escola. Laurinha tem dores intensas. Tiago esteve internado durante um mês. Os pais de Bianca não estavam preparados para a despedida. Todas essas narrativas têm em comum o impacto do câncer na vida de crianças e suas famílias.

Neste 23 de novembro, celebra-se o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil. O câncer apresenta características específicas na faixa etária pediátrica. Muitos deles são mais agressivos nos mais jovens justamente porque as células ainda em desenvolvimento apresentam maior potencial de multiplicação. Os tratamentos também são específicos, e toda uma estrutura direcionada ao atendimento das crianças é necessária em um contexto multidisciplinar.

Os tipos de câncer mais comuns na infância são as leucemias e os tumores cerebrais. Os sintomas mais importantes e que devem levar a família a procurar atendimento o mais breve possível são palidez, fraqueza, dores de cabeça, no abdome ou nos membros, aparecimento de nódulos, vômitos e perda de peso. Apesar dos estigmas e da carga emocional que a doença traz, as chances de cura são altas quando há acesso precoce aos cuidados e ao tratamento.

No sistema nervoso, além de representarem risco ao desenvolvimento neurológico, os tumores implicam a necessidade de cirurgias no cérebro ou na medula espinhal, com potencial risco de sequelas neurológicas. É fundamental, portanto, que existam estruturas muito bem equipadas e que contem com a atuação articulada de oncologistas pediátricos e neurocirurgiões com formação específica e dedicação ao atendimento de crianças. Os tipos de tumores e a localização preferencial no cérebro, inclusive, são totalmente diferentes do que ocorre quando se trata de adultos.

O combate ao câncer infantil envolve histórias de muita luta, mas também de vitórias cada vez mais frequentes à medida que a ciência avança e o acesso ao tratamento é facilitado. Profissionais de saúde, gestores e sociedade civil precisam intensificar esforços e articulações para proteger os seres humanos mais frágeis da doença mais desafiadora. 

(*) Médico neurocirurgião pediátrico, professor, pesquisador e palestrante.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/11/2021. Opinião. p.18.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

COVID-19, MOMENTO ATUAL E RISCO ÔMICRON

Por Thereza Maria Magalhães Moreira (*)

Quase dois anos de pandemia e ela continua sendo assunto na sociedade: devemos comemorar Natal, Réveillon e Carnaval? Comemorar sim, mas festejar com aglomeração não. Depois de tanto tempo trancados, afastados e amedrontados, devemos SIM comemorar por estarmos vivos, saudáveis, vacinados e também o aniversário daquele que nos ajudou a chegar até aqui: Jesus!

Isso é motivo suficiente para alimentar nossa certeza e fé de que essa história terá um final, mas ele ainda não chegou. Então, devemos manter uso de máscara, álcool 70º e continuar evitando aglomerações, como o carnaval. Estar vacinado ou testar negativo pra Covid-19 nas últimas 24-48 horas não dá 100% de certeza de não contaminação pelo SARS-CoV-2.

Prudência nunca fez mal e será benéfica nos próximos meses. É verdade que, no nosso Estado, o risco atual de Covid-19 é maior na capital cearense que no interior, pela maior quantidade e aproximação entre as pessoas, mas ainda há risco em todo lugar, em maior ou menor proporção, pois o vírus ainda circula e aprendemos com os países que nos antecedem na curva dessa doença que, mesmo com poucos casos, a onda pode recrudescer, sobretudo com a variante Ômicron.

O risco é maior para os não-vacinados e para aqueles que burlam o uso da máscara. O cenário epidemiológico revela 100% dos cadastrados e 90% da população absoluta do município como vacinados com, pelo menos, uma dose de vacina anti-Covid-19.

Fortaleza é a quarta capital do Nordeste e oitava do país em vacinados com duas doses. Isso é relevante na prevenção de casos da variante Ômicron, já confirmada no país. A grande lacuna é quem falta ser vacinado? Por que ainda não se vacinou? Os não vacinados estão no território municipal/estadual de forma concentrada? As duas primeiras respostas orientam o planejamento de ações de saúde para alcançar esse público e a última resposta elucida o real risco da Ômicron em Fortaleza e no Estado.

Assim, a decisão de iniciar a vacinação da terceira dose naqueles abaixo de 60 anos merece congratulações, assim como a adesão dos escolares à vacinação, que deveria inspirar os demais a ajudar a vencer esse jogo. Desse modo, o desafio repousa na adoção efetiva de medidas de mapeamento e inclusão dos ainda não cadastrados/vacinados. E que venha um 2022 mais tranquilo!

(*) Enfermeira, advogada, pesquisadora do CNPq e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/12/2021. Opinião. p.21.

EDUCAÇÃO

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

Os países emergentes, principalmente, vêm, apresentando ao longo do tempo, baixos índices educacionais. No Brasil, por exemplo, os níveis fundamental, médio e superior, apesar de algumas melhorias pontuais, ainda permanecem num estágio pouco satisfatório. Entra governo e sai governo, percebe-se que a educação brasileira continua baseada numa prioridade retórica e não em ações objetivas visando à realização de investimentos, nas múltiplas dimensões do acesso, equidade e qualidade. Todos sabem que uma estrutura de ensino eficaz é fundamental para melhorar as condições de vida do povo, nos aspectos do emprego, da saúde, da violência, dentre outros. Segundo o professor Albert Fishlow, conhecedor profundo da problemática dos países emergentes, “investir na educação é uma forma mais eficiente para se conseguir uma melhor e mais justa distribuição de renda”.  A pessoa com maior nível de escolaridade tem melhor possibilidade de acesso ao mercado de trabalho em constante evolução, característica desta era de globalização. Com o aperfeiçoamento da mão de obra há mais atração de investimentos, qualificação de empregos e dinamização do consumo. De fato, a educação melhora a qualidade de vida do cidadão; o que permite torná-lo um consumidor mais consciente e exigente. Com o desenvolvimento de novas tecnologias e métodos produtivos são requeridos novas aptidões. Não basta acompanhar as transformações, há que se ter a capacidade de antecipá-las daí a necessidade da educação ao longo de toda a vida. No Brasil já ouvimos falar em “choque de capitalismo”, “choque de crescimento”, “choque de esperança”, “choque de socialismo”, dentre outros, no entanto acreditamos ser o mais importante o “choque de educação”. Através do caminho da educação encontramos o verdadeiro desenvolvimento humano abrangendo a solidariedade, a liberdade e a igualdade de oportunidades. P.S. “Só há um problema nacional: a educação do povo” (Miguel Couto). A educação dos sentimentos e pensamentos garantem a felicidade (Gonzaga Mota).

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 10/12/2021.

Nota: O Dr. Luiz Gonzaga Fonseca Mota está de recesso de final de ano e somente voltará a publicar no DN em 14/01/22. Nesse período de sua ausência, o espaço das suas crônicas inclusas neste Blog será ocupado por crônicas do Prof. Meraldo Zisman.

 

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