Por
Vladimir Spinelli Chagas (*)
Como funcionário do BNB em Itabuna (BA),
estive em Fortaleza nos anos de 1970 e 1971 para participar de treinamentos
próprios das funções então exercidas - uma prática seguida, à época, por essa
exemplar instituição.
Em junho de 1973, após processo seletivo,
vim participar de mais um curso do BNB, em que a aprovação significaria
transferência definitiva para esta cidade. Confiei e já vim com a família.
Fortaleza contava com 950 mil habitantes,
uma pequena metrópole, com raros prédios com mais de três pavimentos e comércio
e serviços incipientes. As opções de lazer concentravam-se no Centro,
especialmente na Cidade das Crianças, Praça do Ferreira e cines São Luiz e
Diogo.
A orla contemplava os principais clubes
sociais, o Náutico, o Ideal e o Líbano. A Praia do Futuro era uma esperança no
próprio nome, mas o elevado índice de maresia não possibilitou a ocupação
imobiliária prevista.
O BNB, como motor de desenvolvimento, contribuía
para o crescimento das atividades econômicas e, pela visão de formação de
pessoas, colaborava com técnicos de elevado padrão, a ocuparem postos de
destaque, especialmente em instituições públicas nos três níveis de governo.
O sonho da Uece viria a se concretizar em
1975, com a visão de interiorização do ensino e formação de professores, mas já
demonstrando aptidão para outras áreas. Hoje, o curso de nível internacional de
Ciências Veterinárias, o elevado nível de pesquisa e a excelência em inovação são
conquistas que a colocam em destaque no Brasil e no mundo.
A nova Fortaleza, dos edifícios de mais de
150 metros e 2,6 milhões de habitantes, tem hoje uma orla revitalizada e
posição de destaque nacional na economia. O Estádio do Castelão de 1973,
transformado na Arena Castelão (padrão Fifa), e uma cidade policêntrica com
hubs de inovação e parques urbanos trazem-nos uma certa saudade daqueles
tempos.
Contudo, esse saudosismo não imobiliza o
presente; antes, permite-nos valorizar a fênix urbana em que Fortaleza se
tornou ao completar três séculos. O crescimento acelerado, iniciado na década
de 1970, não empana o seu carisma de "Loura Desposada do Sol".
Parabéns, Fortaleza!
(*) Professor aposentado
da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do
CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/04/26. Opinião. p.18.

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