Por Rev.
Munguba Jr. (*)
Existem dores que não estão
no presente, mas continuam vivas como se nunca tivessem passado. Elas não
aparecem o tempo todo nem dominam todos os momentos, mas permanecem guardadas
em algum lugar da alma, esperando apenas um estímulo para emergirem novamente.
Se ao lembrar de
determinado acontecimento você sente dor, desconforto ou uma reação emocional
intensa, isso revela algo importante: aquela ferida ainda não cicatrizou
completamente. O tempo, por si só, não cura tudo. Em muitos casos, apenas
ensina a pessoa a conviver com aquilo que nunca foi verdadeiramente resolvido.
A dor da alma raramente se
apresenta de forma clara. Ela assume diferentes formas, muitas vezes
mascaradas, dificultando sua identificação. Pode surgir como raiva
desproporcional, inveja silenciosa, vergonha, ansiedade constante, medo ou até
rejeição a pessoas, lugares e situações ligados a antigas experiências.
Uma pessoa pode perceber
uma irritação recorrente ao conviver com alguém da própria família sem
compreender sua origem. Em muitos casos, essa emoção está ligada à sensação de
ter sido menos valorizada ou comparada de forma injusta. Em outro contexto, alguém
que viveu uma experiência traumática pode não reviver conscientemente aquela
dor, mas encontrar enorme dificuldade para confiar nas pessoas e construir
vínculos afetivos saudáveis.
A mente humana possui
mecanismos complexos de proteção. Experiências carregadas de sofrimento podem
permanecer armazenadas em níveis inconscientes, influenciando emoções, escolhas
e comportamentos sem que a pessoa perceba claramente sua origem.
É nesse ponto que entram os
chamados gatilhos emocionais. Um gatilho é qualquer estímulo capaz de ativar
uma memória emocional não resolvida. Pode ser uma palavra, um tom de voz, um
ambiente ou uma situação específica. Quando isso acontece, a pessoa não reage
apenas ao presente, mas também à dor que continua associada àquela lembrança.
Você não precisa continuar
vivendo sob a égide da dor das lembranças. É possível ressignificar o passado.
A memória permanece, mas deixa de controlar as emoções, as escolhas e o
futuro.
(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador
Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.
Fonte: O Povo, 1/08/2026. Opinião. p.14.

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