Por Lauro Chaves Neto (*)
Dez anos após o
referendo que retirou o Reino Unido da União Europeia, o Brexit passou do campo
das promessas para o da avaliação empírica.
Antes do Brexit,
quase metade das exportações britânicas destinava-se ao mercado europeu. A
saída do bloco introduziu barreiras alfandegárias, custos regulatórios e maior
burocracia, especialmente pequenas e médias empresas. O resultado foi uma perda
de dinamismo comercial e uma redução da competitividade.
Estimativas do Office
for Budget Responsibility (OBR) indicam que o Brexit deverá reduzir, no
longo prazo, cerca de 4% do PIB potencial do Reino Unido em relação ao cenário
de permanência na União Europeia. Estudos do Banco da Inglaterra apontam que o
investimento empresarial permaneceu aproximadamente 15% abaixo do que seria
esperado sem a ruptura, refletindo a elevada incerteza institucional. O
comércio de bens com a União Europeia sofreu desaceleração, enquanto setores
como agricultura, logística, hotelaria e saúde passaram a enfrentar escassez de
mão de obra em razão das novas restrições migratórias.
É verdade que o
Reino Unido firmou novos acordos comerciais, recuperou autonomia regulatória e
fortaleceu o controle sobre sua política migratória. Entretanto, os ganhos
econômicos decorrentes dessas medidas ficaram muito aquém das perdas provocadas
pela redução da integração com seu principal parceiro.
A experiência
britânica revela um aspecto preocupante: decisões econômicas estruturais podem
ser fortemente influenciadas por agendas políticas e identitárias. O debate
público privilegiou temas como imigração e nacionalismo, relegando a segundo
plano questões centrais como produtividade, investimentos e crescimento de
longo prazo.
O maior
ensinamento do Brexit é que, na economia contemporânea, soberania e integração
não são conceitos antagônicos!
Em um mundo
organizado por cadeias globais de valor, inovação e fluxo internacional de
capitais, competitividade depende da capacidade de cooperar, e não apenas de
decidir de forma independente, independência só gera prosperidade quando é
acompanhada de produtividade, inovação e competitividade.
(*)
Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de
Economia.
Fonte: O Povo, de 20/07/26. Opinião. p.18.

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