segunda-feira, 24 de agosto de 2026

BREXIT: Dez anos depois, a economia avalia

Por Lauro Chaves Neto (*)

Dez anos após o referendo que retirou o Reino Unido da União Europeia, o Brexit passou do campo das promessas para o da avaliação empírica.

Antes do Brexit, quase metade das exportações britânicas destinava-se ao mercado europeu. A saída do bloco introduziu barreiras alfandegárias, custos regulatórios e maior burocracia, especialmente pequenas e médias empresas. O resultado foi uma perda de dinamismo comercial e uma redução da competitividade.

Estimativas do Office for Budget Responsibility (OBR) indicam que o Brexit deverá reduzir, no longo prazo, cerca de 4% do PIB potencial do Reino Unido em relação ao cenário de permanência na União Europeia. Estudos do Banco da Inglaterra apontam que o investimento empresarial permaneceu aproximadamente 15% abaixo do que seria esperado sem a ruptura, refletindo a elevada incerteza institucional. O comércio de bens com a União Europeia sofreu desaceleração, enquanto setores como agricultura, logística, hotelaria e saúde passaram a enfrentar escassez de mão de obra em razão das novas restrições migratórias.

É verdade que o Reino Unido firmou novos acordos comerciais, recuperou autonomia regulatória e fortaleceu o controle sobre sua política migratória. Entretanto, os ganhos econômicos decorrentes dessas medidas ficaram muito aquém das perdas provocadas pela redução da integração com seu principal parceiro.

A experiência britânica revela um aspecto preocupante: decisões econômicas estruturais podem ser fortemente influenciadas por agendas políticas e identitárias. O debate público privilegiou temas como imigração e nacionalismo, relegando a segundo plano questões centrais como produtividade, investimentos e crescimento de longo prazo.

O maior ensinamento do Brexit é que, na economia contemporânea, soberania e integração não são conceitos antagônicos!

Em um mundo organizado por cadeias globais de valor, inovação e fluxo internacional de capitais, competitividade depende da capacidade de cooperar, e não apenas de decidir de forma independente, independência só gera prosperidade quando é acompanhada de produtividade, inovação e competitividade.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 20/07/26. Opinião. p.18.


Nenhum comentário:

 

Free Blog Counter
Poker Blog