A
história me foi repassada pelo amigo Neném Justino.
"Eu vi um menino
correndo", e se chamava "Népu
-
O desafio de mais um final de ano era correr os tradicionais 660 metros da
"Maratona do Fiapo", realização da Paróquia local. Quem chegasse
"premêro" à bodega do Oliveira Caetano, partindo da bodega do Rael da
Gamboa, levaria a banda dum carneiro escalado, oferecimento do vereador De
Touro Gomes.
Ligeiro
à moda jumento inteiro - desembestado e estiloso, o menino mais velho do seu Zé
Coriolano foi o campeão de 2025. Quem? "Népu", carinhosamente
alcunhado aquele que, de batismo, se chama Nepomuceno. Dele pro segundo
colocado, o mano Gaudioso, quase 120 metros de diferença um pro outro; terceiro
e quarto colocados, os corriqueiros Thiago e Matheus. O quinto, contudo, irmão
caçula dos dois primeiros, de nome igualmente estranho, foi ninguém menos que
Epaminondas.
E
eu, cá com meus botões, fiquei a pensar, caro jornalista: se tu te chamasse
Conegundes ou Parsifal, acho que teria pernas pra ganhar a São Silvestre. Mas,
esse Tarcísio...
Carlos Alberto Torres? Conversa
é essa!?!
O
lateral-direito é Potengi, rapaz! Fui inventar de trazer a lume histórias reais
do futebol interiorano, sublinhando com afeto as escaramuças do ex-defensor do
Quixadá, e o homem se empolgou. Agora, em vez da esposa Claudinha contar os
causos, ele mesmo os escreve. O primeiro é "O nono desmaio do
Salles". Assim:
-
Fomos convidados a jogar na Aracoiaba, a seleção local se preparava para o
Intermunicipal. Nosso time se tacou pra lá na carroceria dum caminhão velho.
Ganhamos de 4 a 2. Ocorre que os torcedores da beira da estrada, insatisfeitos
com o resultado, gritavam ofensas contra nós, na medida em que cruzávamos a
vizinhança do estádio. E ainda diziam: "Ó! Tem volta, viu!?!"
Aquela
foi a maior atuação do goleiro Salles, o dito cujo que tomou Calmocitan e levou
9 a 1, certa vez. Inclusive, em Aracoiaba, ele defendeu dois pênaltis. O bom é
que, nesse amistoso, o time adversário tinha jogadores do Calouros do Ar, do
América e do Tiradentes, que, de folga, foram escalados pra contenda em tela. E
não bastassem as ofensas verbais - "magote de corno, ruma de caga pau,
bando de pustema!", ainda jogaram pedras na gente.
Um
desses "rebôlos" acertou a cabeça do Salles. Logo o Salles, sempre
muito nervoso, ele que tinha a mania de dar agonia, desmaiar. Ao passar a mão
na cabeça, que via o sangue escorrendo, caía durinho pra trás. E nós abanando
ele dentro do carro. Pedimos pro motorista pisar no acelerador, que era pra
chegar logo na Itapiúna, lá havia uma farmácia para o curativo. Nessa
brincadeirinha, o placar foi de 9 desmaios pro Salles.
A
gente pensou até que ele não ia tornar mais, já roncando numa rede.
Segunda: a profética banda dum
bode
Outro
jogo foi na Califórnia, interior de Quixadá, onde fomos fazer um amistoso (o
placar final foi 3x3). Fomos obrigados a ir pela Itapiúna, naquele dia, pois
chovia muito e a estrada estava ruim. Seguimos pro vizinho município em três
carros pequenos. No caminho, paramos numa bodega para beber refresco e comer
bolacha, enquanto os mais velhos tomavam cachaça com rapadura.
Um
dos nossos atletas, Chico Mago, reparou a banda dum bode 'dipindurado' num
armador da bodega e maquinou surrupiar a peça. Bodegueiro 'intirtido' com o
pessoal, Chico desatou o nó da corda, botou a banda do caprino nas costas e
saiu voado dali. Foi esperar a gente na beira do gramado. Por desculpa para o
furto, falou que o bicho era o tira-gosto pela comemoração do empate em 3 a
3...
-
Mas, como? Se o jogo nem havia começado?
Adivinha
quem comeu a banda desse bode, sozinho e Deus?
Fonte: O POVO, de 2/01/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

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