Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
Pensar é uma das características basilares
da criatura humana. Pensar nos molda ou nós o moldamos?
Muitas ideias, opiniões, considerações
passam pela nossa mente, todavia, há algumas em que nos fixamos, sobretudo, no
que se refere a problemas e situações embaraçosas, tarefas pendentes, medos e
inseguranças. E, a partir daí, filtramos a modalidade de ‘em que’ estamos a
pensar e escolhemos o ‘como’ estamos a pensar. É algo instantâneo, em resposta
às tantas investidas experienciais, que têm formatado nosso portfólio mental
estrutural.
Os modais de ‘como’ pensar desencadeiam
reações tanto gerais como direcionadas a certos órgãos, influenciando nosso
bem-estar, nossos relacionamentos, e nosso modus vivendi. Pensar demais (overthinking)
nem sempre é danoso, desde que favoreça seu mapeamento e estabeleça uma
análise, em vista de uma tomada de decisão, numa ligação lógica
epistemológico-cognitiva. Se o período fica demasiado longo, ou este ou aquele
pensar fica se repetindo, sem uma perspectiva de solução, o pensar assume
outros ares, com implicâncias nocivas.
Podemos imaginar um pensar ruminante
automático e descontrolado, que não produz soluções, senão induz mais pensares
conflitivos, não evolui e fecha-se sem perspectivas solucionáticas. O tempo
importa, sim, para a organização do contexto, avaliação de estratégias e não
proceder de maneira desorganizada, aleatória e desequilibrada. Como nos ensina
o provérbio latino, aqui cabe também o ’in médio virtus’, ou seja, um tempo
médio suficiente para identificar as causas, verificar inconsistências e rever
a práxis de princípios e valores.
O pensar, que se fecha num ciclo
recorrente, cria uma zona morta, desconecta-se da realidade e raquitiza o
processo, tanto pessoal, quanto social, tanto perquiritório quanto científico.
Há, todavia, que distinguir reiteração automática de repetição programada,
aquela geratriz de ansiedades, sofrimentos e, mesmo, depressão, e esta, a fim
de permitir melhor análise e ensejar decisão sensata e eficaz.
É notório que há insinuações emocionais,
dependentes do contexto fático, seja traumático ou experiências dolorosas e
perturbadoras. Tais situações necessitam de um ‘eu’ moderador que impeça
assalto à nossa mente, provocando uma disfunção existencial, que distorce a
nossa condução insubstituível de nossa vida. Uma reflexão, portanto, de nossa
existência permite-nos conhecer os meandros do rio que somos e sinaliza, como
afirma Mário Sérgio Cortella, a busca de maturidade.
Ao pensar impõe-se significar o próprio
pensar.
Pensar nos molda ou nós o moldamos?
Uma profícua e aprazível segunda-feira, com
as bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/06/26.

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