Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)
Há tempos venho
defendendo que são quatro os fatores essenciais que determinam o grau de
desenvolvimento de qualquer região do planeta. São os fatores naturais, os históricos,
os aleatórios e os que eu denominei de institucionais, os produzidos pelo
homem. Analisemos, agora, o "fenômeno", Brasil.
- Quanto aos fatores
naturais, nosso País tem abundância de terra, a maioria muito produtiva;
grandes bacias hidrográficas; climas normalmente amenos; não sofremos de
grandes desastres ecológicos. O fator natural não foi problema para o nosso
desenvolvimento;
- O fator
histórico mais importante foi ter sido descoberto por Portugal, que nunca se
preocupou em desenvolver a Colônia Brasil. O importante era extrair as riquezas
e levar para Portugal;
- O fator
aleatório digno de nota foi a revolução no Haiti em 1791-1804. Esta revolução
ganha pelos escravos que trabalhavam nos canaviais do Haiti, à época o maior
produtor de açúcar do mundo, teve consequências na produção açucareira do
Brasil, atuando como um catalisador para o seu crescimento. O vácuo deixado
pelo Haiti permitiu que o açúcar brasileiro supervalorizasse no mercado
internacional.
- Quanto aos fatores
institucionais, ah, esses são os maiores males deste País:
d.1) A Corrupção
- É o mais importante fator institucional que impede um desenvolvimento
socioeconômico em nosso País. E começou já no Brasil-Colônia: Pero Borges, que
havia sido condenado em Portugal por ladroagem, foi nomeado como Ouvidor-Geral
do Brasil, em 1549. Os escândalos do INSS e do Banco Master, atuais, comprovam
esta tese. Somos um País de Corruptos, essencialmente, os políticos.
d.2) A
Incompetência Político-Administrativa - Essa também é uma praga que sempre
contaminou a administração pública no Brasil. Vou citar alguns fatos que
demonstram esta tese. O primeiro plano de industrialização do Brasil, o do
Presidente Juscelino Kubitschek, criou a indústria automobilística brasileira,
mas cometeu erro terrível ao determinar que o nosso sistema de transporte de
carga se desse via rodoviária. Outro plano de desenvolvimento, desta vez em
relação ao Nordeste, foi o Plano da Sudene. Em Monografia de 1978,
"Desenvolvimento do Nordeste e Alternativas" (1º lugar em Prêmio do
BNB), demonstrei que o Plano de Desenvolvimento da Sudene para o Nordeste
embutia alguns erros crassos: uns na concepção; outros na execução.
Dado o caráter
teórico das demonstrações não cabe aqui repeti-las.
(*)
Economista e professor titular aposentado da UFC,
Fonte:
O Povo,
de 31/05/26. Opinião. p.18.

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