segunda-feira, 6 de julho de 2026

O que é preciso mudar no Brasil: políticos?

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Há tempos venho defendendo que são quatro os fatores essenciais que determinam o grau de desenvolvimento de qualquer região do planeta. São os fatores naturais, os históricos, os aleatórios e os que eu denominei de institucionais, os produzidos pelo homem. Analisemos, agora, o "fenômeno", Brasil.

- Quanto aos fatores naturais, nosso País tem abundância de terra, a maioria muito produtiva; grandes bacias hidrográficas; climas normalmente amenos; não sofremos de grandes desastres ecológicos. O fator natural não foi problema para o nosso desenvolvimento;

- O fator histórico mais importante foi ter sido descoberto por Portugal, que nunca se preocupou em desenvolver a Colônia Brasil. O importante era extrair as riquezas e levar para Portugal;

- O fator aleatório digno de nota foi a revolução no Haiti em 1791-1804. Esta revolução ganha pelos escravos que trabalhavam nos canaviais do Haiti, à época o maior produtor de açúcar do mundo, teve consequências na produção açucareira do Brasil, atuando como um catalisador para o seu crescimento. O vácuo deixado pelo Haiti permitiu que o açúcar brasileiro supervalorizasse no mercado internacional.

- Quanto aos fatores institucionais, ah, esses são os maiores males deste País:

d.1) A Corrupção - É o mais importante fator institucional que impede um desenvolvimento socioeconômico em nosso País. E começou já no Brasil-Colônia: Pero Borges, que havia sido condenado em Portugal por ladroagem, foi nomeado como Ouvidor-Geral do Brasil, em 1549. Os escândalos do INSS e do Banco Master, atuais, comprovam esta tese. Somos um País de Corruptos, essencialmente, os políticos.

d.2) A Incompetência Político-Administrativa - Essa também é uma praga que sempre contaminou a administração pública no Brasil. Vou citar alguns fatos que demonstram esta tese. O primeiro plano de industrialização do Brasil, o do Presidente Juscelino Kubitschek, criou a indústria automobilística brasileira, mas cometeu erro terrível ao determinar que o nosso sistema de transporte de carga se desse via rodoviária. Outro plano de desenvolvimento, desta vez em relação ao Nordeste, foi o Plano da Sudene. Em Monografia de 1978, "Desenvolvimento do Nordeste e Alternativas" (1º lugar em Prêmio do BNB), demonstrei que o Plano de Desenvolvimento da Sudene para o Nordeste embutia alguns erros crassos: uns na concepção; outros na execução.

Dado o caráter teórico das demonstrações não cabe aqui repeti-las.

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 31/05/26. Opinião. p.18.


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