Por Sofia Lerche Vieira (*)
Professores são importantes. Quanto a isso,
não há discordância. No entanto, não é de conhecimento geral que eles
representam "o recurso mais significativo das escolas" e são
"fundamentais para os esforços de aprimoramento dessas instituições",
como destaca relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) elaborado há duas décadas (2006, p. 7).
Na sociedade do conhecimento, o domínio de
habilidades humanas e técnicas constitui o principal ativo de um país, como
demonstram experiências de nações asiáticas, que reverteram sua história por
meio da educação.
O Brasil parece caminhar na contramão das
evidências sobre valorização docente. Segundo o Relatório Global Teacher Status
Index (GTSI, 2018), ocupamos a última posição (35º lugar) no que diz respeito
ao status social dos professores.
Embora tenha sido aprovada uma lei de piso
salarial nacional dos professores da educação básica (Lei n° 11.738, de 16 de
julho de 2008), o número de docentes concursados vem cedendo espaço a
professores temporários.
Artigo recente sobre indicadores docentes
nos 19 municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) confirma essa
tendência. Na última década, o quantitativo de professores com vínculo
permanente (concursados) diminuiu em relação àqueles com vínculo provisório
(temporários).
Considerando o conjunto dos municípios
analisados, os temporários representavam 29% da força de trabalho docente em
2014 e passaram a corresponder a 44% em 2024, sinalizando um processo de
precarização da profissão.
É verdade que a formação docente na região,
medida pelo indicador Adequação da Formação Docente (AFD), apresentou melhora
significativa. Ainda assim, a maioria dos municípios enfrenta desafios para
assegurar formação adequada a seus professores, sobretudo nos anos finais do
ensino fundamental.
Essas e outras evidências revelam que
avançar na reflexão sobre os complexos problemas da docência requer uma
compreensão cuidadosa do que mostram os números. (Observação: O artigo é de
Eloísa Maia Vidal, em coautoria com Sofia Lerche Vieira e Rafael Rabelo
Cavalcanti). (2.097 caracteres com espaço)
(*) Professora do
Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/06/26. Opinião. p.18.

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