quarta-feira, 8 de julho de 2026

FEIRANTES CARIRIENSES SOFREM COM PREÇOS DOS HORTIFRÚTIS

 Por Rita Fabiana Arrais (*)

A elevação dos preços dos alimentos ocupa a pauta da economia nacional em razão de pressionar o aumento da inflação, dificultando o cumprimento da meta central estipulada em 3% ao ano.

O grupo de hortifrúti encabeça os aumentos, desde o final de 2025, com a disparada dos preços da batata - inglesa (26,29%), tomate (12,97), cenoura (22.5%), pepino (48,60%), abobrinha (36,10%), alface (13,76%), cebola (27,47), brócolis (20,84) e a batata-doce (19,50%).

Dados compartilhados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destacam a prévia da inflação oficial –medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - sendo de 0,62% no mês de maio.

Os impactos socioeconômicos são diversos, porém o que de imediato se verifica é a redução do poder de compra das famílias, e o comprometimento de uma fatia maior do salário para alimentação.

No Cariri o hábito de ir as feiras-livres e ao mercado é uma tradição regional que permite o crescimento e o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, ao mesmo tempo em que fortalece a economia local.

É certo que o cenário apresentado afasta os demandantes destes espaços, como também reduz o volume das suas compras. Pelo lado dos ofertantes (permissionários e feirantes) os custos elevados- em razão da entressafra e das condições climáticas desfavoráveis - aquecem o mercado paralelo de atravessadores que inflam os preços para obterem uma margem de lucro maior.

Em visita in loco nas feiras-livres e mercados de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha verificou-se um aumento entre 15% e 20% sobre o valor das caixas de 25 kg de hortaliças (Cx de 25 Kg do Tomate Cajá por R$ 255,00 Reais e a Cx de 25 Kg da batata-inglesa por R$ 260,00 Reais) que chegam nas bancas e boxes do mercado.

É importante destacar que no Ceasa Cariri (Barbalha) os preços estão com valores bem mais acessíveis. No entanto a demanda constante e crescente do Crajubar que é estimulada por um calendário festivo de 12 meses, e um polo gastronômico consolidado permitem que as oscilações de preços ocorram com mais frequência.

Inseridos neste mercado competitivo, os ofertantes buscam agregar qualidade aos produtos a fim de diferenciar-se dos demais. Quanto a composição do preço final que chegará ao bolso dos consumidores, o objetivo é a fidelização da clientela, mesmo que para isso tenha que reduzir sua margem de lucro.

E quanto aos consumidores? O cenário é de aperto no orçamento familiar e de muita disposição física para transitar nas feiras em busca de melhores preços.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 5/06/26. Opinião. p.19.

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