Por
Carlos Farias (*)
O avanço dos veículos elétricos e híbridos
no Ceará revela uma mudança importante no comportamento de consumo e na
mobilidade urbana. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram
que a frota de veículos eletrificados no Estado cresceu 226,1% entre fevereiro
de 2024 e fevereiro de 2026, ultrapassando 17 mil unidades em circulação.
O crescimento acelerado do setor traz um
alerta importante: a infraestrutura elétrica de residências, condomínios e
empresas nem sempre está preparada para suportar esse novo perfil de consumo.
Existe um erro comum de acreditar que basta
instalar uma tomada ou adaptar um ponto de energia para carregar um veículo
elétrico. Na prática, carregadores exigem potência elevada, uso contínuo e
instalações dimensionadas corretamente. Quando isso não acontece, os riscos são
sérios.
Sobrecarga elétrica, sobreaquecimento de
cabos, curtos-circuitos e incêndios podem ocorrer em estruturas que não
passaram por avaliação técnica adequada. Em condomínios, o problema ganha
proporções ainda maiores, já que uma instalação irregular pode comprometer toda
a rede elétrica do prédio.
Um incêndio iniciado em uma instalação
inadequada pode causar perda de veículos, danos estruturais e prejuízos
materiais, além de colocar vidas em risco. Não se trata apenas de um problema
individual, mas de segurança coletiva.
Muitos edifícios antigos não foram
projetados para suportar a demanda energética gerada por carregadores
elétricos. Por isso, antes de qualquer instalação, é fundamental realizar
análise de carga, revisão do cabeamento, avaliação dos quadros elétricos e estudo
da capacidade.
A expansão dos veículos elétricos
representa um avanço importante para a mobilidade e sustentabilidade, mas o
crescimento do setor precisa vir acompanhado de responsabilidade técnica,
planejamento e prevenção.
Nos condomínios, esse debate precisa
envolver moradores, administração e gestão predial, para que as decisões sobre
instalação da infraestrutura elétrica aconteçam com acompanhamento técnico
adequado.
(*) Engenheiro eletricista.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/06/26. Opinião, p.18.

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