quarta-feira, 3 de agosto de 2022

A FEMINIZAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO

Por Talyta Martins Neves (*)

Desde o final da II GM, a presença de mulheres no mercado de trabalho aumentou significativamente, combinada ao fato de, no âmbito reprodutivo e doméstico, continuarem como principais responsáveis. Além do aumento quantitativo, é preciso atentar para as características sociais, econômicas e políticas da atuação feminina nesses espaços.

A economia capitalista vem sofrendo transformações que resultaram em expressivas mudanças nos campos laborais que, em sua maioria, prejudicam a classe trabalhadora. Atualmente, é possível identificar as flexibilizações das leis trabalhistas, violando as relações e os direitos do trabalho, com a justificativa de combater o desemprego estrutural e melhorar a situação econômica.

A crescente feminização do mercado de trabalho, nesse contexto, se inscreve em padrão cultural anterior e no novo processo de precarização. Mas, é inegável que as mudanças sociais no conceito de família, a perda de força do patriarcado e as diversas lutas feministas contribuíram para que as mulheres pudessem ter acesso a outros modos de trabalhar e viver.

Hoje, o trabalho campo da saúde tem as mulheres como maioria, sem a autonomia e a liberdade almejadas. Mesmo inseridas, as mulheres apresentam trajetórias diferentes e inferioridade hierárquica em relação aos homens. Por exemplo, no Brasil, apenas 37,4% dos cargos gerenciais na Saúde são ocupados por mulheres. A média global é menor. Nos hospitais, a mulher ocupa cargos de assessoria, coordenação e espaços de decisão, mas a principal representação político-administrativa lhe é quase sempre vedada.

A transformação social precisa continuar, pois as mulheres não são bem tratadas, na prática dos serviços, no campo dos direitos e na vulnerabilidade ao assédio moral. Urge a inclusão paritária das mulheres na política, para falarem, serem ouvidas e respeitadas. Que as organizações se adaptem ao fato de que menstruam, engravidam e têm climatério, mas podem ser tão criativas quantos os homens e desenvolveram particular experiência para o cuidado. Aquelas condições não justificam menores salários e menor credibilidade.

(*) Enfermeira intensivista. Mestranda em Saúde Coletiva da Uece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/07/2022. Opinião. p.18.

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