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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

SER PROFESSOR: sim ou não?

Por Sofia Lerche Vieira (*)

Aproximando-se o Dia do Professor é oportuno refletir sobre o complexo desafio do exercício desta profissão. Vamos lá... Em todo o mundo os docentes representam um elevado contingente do serviço e do orçamento público. Embora sejam muitos, em poucos países seus salários são semelhantes ao de profissionais com qualificação similar. Por isso mesmo, hoje o magistério é profissão de pouca atratividade. Baixos salários, sobrecarga de trabalho e falta de reconhecimento social são elementos de uma desvalorização que provoca uma crise no próprio recrutamento de docentes.

Há uma grave escassez de professores. A Unesco estima que até o ano de 2030 serão necessários 44 milhões de novos docentes para repor os profissionais da educação básica que abandonaram o magistério ou se aposentaram.

Sendo este o panorama mundial, o que dizer do Brasil? A situação é semelhante a outros contextos e tem especificidades. Somam-se aos fatores já referidos o agravamento das condições de trabalho, sobretudo em territórios de maior vulnerabilidade social e econômica, ameaçados pelo crime organizado. O antes protegido espaço da escola hoje está em risco...

Outro agravante da crise do magistério é o aumento de contratações provisórias, criando muros invisíveis entre duas categorias de professores - os efetivos e os temporários, cujos direitos raramente são os mesmos. Estudos mostram que o quantitativo de temporários tem aumentado significativamente nos últimos anos e hoje, já representa a maioria do corpo docente da educação básica. Muitos estados e municípios estão encontrando nessa estratégia uma forma de driblar compromissos previdenciários acarretados pela "Lei do Piso" (Lei nº 11.738/2008).

A despeito de todas as dificuldades, contribuir para formar cidadãos e cidadãs permanece sendo o sonho de homens e mulheres que abraçam o magistério. Para que mais jovens digam "sim" são necessárias e urgentes políticas públicas que reconheçam e valorizem a profissão. A imagem positiva da sociedade, por sua vez, é a pedra de toque para que pessoas competentes e comprometidas queiram ser professores.

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/10/25. Opinião. p.18.


domingo, 9 de novembro de 2025

Em nome do Pai

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Quando eu era pequena, tive um sonho. Vi meu avô Ari caminhando entre outras pessoas na rua. Ele não me via. Senti uma alegria imensa, mas também o receio de não encontrá-lo novamente. Era urgente contar ao papai que ele estava vivo.

Meu avô morreu antes de eu nascer. Cresci sabendo que era possível perder cedo demais alguém muito importante. Isso me angustiava. Por outro lado - talvez pela ausência precoce do meu avô - ganhei um pai amoroso, cuidadoso, que nos transmitiu o gosto e o valor da intimidade.

Embora não o tenha conhecido, o vovô sempre esteve presente em nossa mesa. Papai, um exímio contador de histórias, fez-nos imaginá-lo vividamente: um homem inteligente, culto, à frente de seu tempo, irônico, dedicado à família e extremamente corajoso.

Já adulta, numa tarde na Livraria da Vila, em São Paulo, tomávamos café quando papai me contou algo que eu não sabia:

- Minha filha, depois que o papai morreu, sempre que eu tinha alguma dúvida em um momento difícil, eu sonhava com ele. No sonho, ele me dava a solução. Depois, continuei a sonhar, mas ele já não falava nada. Com o tempo, deixei de sonhar.

Ah, como eu queria sonhar com ele de novo! - disse, rindo emocionado. Não sei se percebeu a minha comoção. Aquilo me atravessou: por um instante, senti a dor que ele carregava pela ausência precoce do pai. Mas o meu pai fez da ausência, presença. Há 25 anos, em um momento de recomeço profissional, homenageou o próprio pai dando o seu nome à Escola Ari de Sá Cavalcante.

Desde então, honra esse legado oferecendo um ensino de excelência e transformando o futuro de tantos jovens estudantes. Em 2025, recebeu o Troféu Sereia de Ouro, concedido pelo Grupo Edson Queiroz, e, com humildade, reconheceu que o prêmio pertence a todos os que fazem a escola.

Na vida íntima, preserva a memória do vovô através de um amor devotado. Talvez seja esse o sentido mais profundo do amor: o desejo - e a capacidade - de manter viva a lembrança do outro em nós.

"O beijo do meu pai, o primeiro que não teria em toda a vida. Ele também veio beijar--me. Não me deixou em um instante ainda. Mora em mim." Blanchard Girão.

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/10/2025. Opinião. p.18.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

O RISCO, O FRACASSO, O CINISMO...

Por Heitor Férrer (*)

Como médico e deputado estadual, não posso silenciar diante da criação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A iniciativa, embora travestida de preocupação com a qualidade dos profissionais de medicina, escancara o verdadeiro problema: a falência do poder público em garantir a formação adequada dos nossos futuros médicos. O Enamed, longe de ser uma solução, é, na verdade, um atestado de fracasso e, pior, um grave risco à saúde da nossa população.

A criação de uma prova nacional para avaliar os formandos é a confissão cínica de que o governo, que deveria zelar pela excelência do ensino médico, optou por lavar as mãos. Em vez de fiscalizar rigorosamente a abertura e funcionamento dos cursos de medicina, como exige o Conselho Federal de Medicina, que, há anos, estabelece critérios objetivos e sérios, como a necessidade de estrutura adequada, hospitais de ensino, corpo docente qualificado e laboratórios modernos, o MEC se omite e terceiriza a responsabilidade para uma avaliação ao final do curso.

A consequência dessa omissão é dramática. Cursos sem hospitais próprios, sem infraestrutura, sem professores experientes continuam a proliferar Brasil afora, empurrados por interesses econômicos e políticos. E quem paga a conta é a população, que corre o risco de ser atendida por médicos mal formados, sem a vivência clínica e o preparo necessário para lidar com a complexidade da prática médica.

Se o governo fosse, de fato, compromissado com a formação médica de qualidade, começaria pelo óbvio: fechar os cursos que não cumprem os padrões do Conselho Federal de Medicina. Não faltam normas técnicas! Falta decisão séria, responsável. Implementar um exame ao final da graduação é um atalho cômodo e ineficaz, que apenas disfarça a gravidade do problema. Gera uma falsa sensação de segurança, como se um simples teste pudesse corrigir anos de formação inadequada.

A medicina exige compromisso integral com a vida, formação contínua, responsabilidade ética e técnica desde o primeiro dia de faculdade. Reduzir a formação médica a um exame é nivelar por baixo a nobre missão dos médicos e tratar com desprezo a saúde dos brasileiros.

Não podemos compactuar com esse cinismo. O futuro da medicina brasileira e, sobretudo, a vida dos nossos cidadãos exige seriedade na formação médica. E seriedade se constrói com fiscalização, critérios rigorosos, investimento em educação de qualidade e respeito à ciência. O Enamed não é a solução. É a prova do fracasso do Estado na formação médica no Brasil.

(*) Médico e deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/05/2025. Opinião. p.19.


terça-feira, 15 de outubro de 2024

O IDEB E A EVOLUÇÃO DA APRENDIZAGEM

Por Estevão Rocha (*)

A educação brasileira tem procurado formas de se estruturar a fim de alcançar níveis consistentes de aprendizagem em sua população. É incontestável que os países com os melhores níveis educacionais têm obtido maiores resultados no desenvolvimento social e econômico de seus habitantes. Coréia do Sul, China, Singapura e os países escandinavos são exemplos disso. Nessa óptica, dificilmente, projetos atuais que aspirem a um forte impacto no desenvolvimento regional terão sucesso sem considerar a aprendizagem de conhecimentos significativos de qualquer população abrangida.

Um processo educacional de sucesso deve prover o ensino e a aprendizagem ao longo de grande parte da vida do cidadão, desde a mais tenra idade até a vida adulta. Pesquisadores da área, a exemplo de Martín e Ferrero, têm constatado que a evolução da aprendizagem do indivíduo tem forte influência dos conhecimentos prévios permanentes adquiridos em cada ciclo de formação educacional vivenciado por cada estudante.

A consistência dos conhecimentos adquiridos pode ser caracterizada em tipos de conhecimentos de aprendizagem de curto prazo ou de longo prazo. O processo adotado na formação educacional, que envolve metodologias, avaliações, motivação, entre outros recursos pedagógicos, impactará o tipo de conhecimento apreendido pelos estudantes.

Diante dos resultados do Ideb 2023, dividindo-se a estrutura da educação básica em três ciclos - ensino fundamental anos iniciais, ensino fundamental anos finais e ensino médio -, constatou-se que, embora o desempenho no segundo ciclo tenha diminuído em relação ao primeiro, ambos os ciclos da educação local obtiveram um resultado exemplar quando comparados com outros estados. No terceiro ciclo, o do ensino médio, percebe-se nova redução no desempenho dos estudantes.

Neste cenário, é possível detectar que os recursos pedagógicos aplicados no ensino fundamental possibilitaram melhor eficiência na aprendizagem. Contudo, é importante que os estudantes do ensino médio alcancem níveis de conhecimento com foco em aprendizagem de longo prazo. Dessa forma, conseguindo-se a permanência dos conhecimentos prévios adquiridos, há de se conseguir aumentar o nível da formação dos futuros profissionais nos ciclos de aprendizagem no percurso formativo do ensino superior. Boas propostas educacionais podem conseguir.

(*) Educador e diretor do Colégio Christus.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/09/24. Opinião, p.22.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

CONVITE: Lançamento de “Glória Façanha: consolidação do ensino de Enfermagem no Ceará”

 

A Academia Cearense de Enfermagem convida para o lançamento do livro “Glória Façanha: consolidação do ensino de Enfermagem no Ceará”, de autoria das professoras doutoras Sílvia Maria Nóbrega-Therrien e Vanessa de Carvalho Forte, fruto de tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (Uece) em 2021.

A obra, publicada pela Editora da Uece, será apresentada pelo Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva, membro titular da Academia Cearense de Medicina e professor titular do Curso de Medicina da Uece.

Local: Sede da ABEn-CE (Rua Paula Rodrigues, nº 55, Bairro de Fátima - Fortaleza).

Data: 30 de setembro de 2024 (segunda-feira) Horário: 15h.


quarta-feira, 24 de abril de 2024

EDUCAÇÃO NO CONGRESSO

Por Sofia Lerche Vieira (*)

O Congresso é importante cenário de definição de rumos da educação. Nele se travam os destinos da legislação, elemento estratégico da formulação de políticas. As diferentes proposições de parlamentares tramitam por comissões - algumas permanentes; outras, transitórias - cujo poder é inquestionável. A definição das relatorias nesse sentido é importante peça do jogo político-ideológico que se trava nas diferentes áreas de atuação do Congresso. Ao mesmo tempo, aponta tendências que prometem estar na pauta do debate nacional no período de vigência de seus mandatos.

A escolha de um deputado de 26 anos, de um partido de oposição ao atual governo e sem qualquer histórico no campo, para presidir a Comissão de Educação é sinal dos tempos que vivemos. A pauta de costumes dos segmentos conservadores, como escola sem partido e ensino domiciliar (homeschooling) nesse contexto, pode vir a preponderar sobre uma agenda de urgências no campo da educação, a exemplo do novo Plano Nacional de Educação (PNE) e do sistema nacional de educação. 

Vale lembrar que Legislativo é espaço de "convívio entre os diferentes" (Firmo, O POVO, 2024). Abriga múltiplas influências, partidos e correntes dos mais diversos matizes. Assim, as coisas não são tão simples quanto possam parecer. Se um clima de "direita, volver" ronda o debate, há que se notar a presença de um contraditório indicativo de que este não é um mero jogo de cartas marcadas. A eleição do deputado Idilvan Alencar (PDT-CE), ativo militante político da educação pública, para a segunda vice-presidência da Comissão de Educação, anima as expectativas de que as causas progressistas terão viva voz nesse fórum.

A luta por uma escola pública, gratuita e laica é histórica. Defender a educação como "função essencialmente pública", como fizeram os signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932), é tarefa inadiável do presente. Estar alerta, acompanhar e assumir posições em favor de uma educação pública de qualidade para todos os brasileiros e brasileiras é desafio democrático cotidiano. Que nossos representantes não nos faltem! 

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/03/24. Opinião. p.22.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

REFORMA DO ENSINO MÉDIO: texto e contexto

Por Sofia Lerche Vieira (*)

Contrariando o argumento de que a educação não entra na pauta dos grandes debates da sociedade, a reforma (Lei nº 13.415/2017) conhecida por Novo Ensino Médio (NEM) tem sido bastante discutida. Aprovada no governo Temer, começou a ser implantada no governo Bolsonaro. Em meio a um ambiente político mais propício ao debate, já no governo Lula, as críticas se acirraram. As redes sociais, por sua vez, ao repercutirem versões e narrativas a seu respeito, tendem a criar uma espécie de Torre de Babel, onde muitos falam e poucos se entendem. Nesse cenário, há que se considerar também os influenciadores digitais, que de suas tribunas tudo julgam e cujas vozes despertam atenção e mobilizam opiniões.

A dinâmica das reformas ensina que há um texto e um contexto propício, ou não, a seu avanço. Se o contexto atual tem sido permeado por turbulências, o que dizer do texto da reforma? Historicamente, o ensino médio sempre foi matéria controversa e objeto de inúmeras reformas. Estas sempre oscilaram entre a prevalência de uma formação básica ou a busca de uma formação profissional, raramente bem-sucedida.

Em tese o NEM foi proposto para promover maior flexibilidade curricular, ampliando o tempo de permanência dos estudantes na escola e aumentando a atratividade para jovens que dela têm se afastado. Na prática, a reforma esbarrou numa concepção de currículo incapaz de garantir a formação básica, ou assegurar escolhas consistentes através dos chamados "itinerários formativos".

Especialistas, professores, alunos e outros interessados têm denunciado a falácia da reforma e clamam por ser escutados. Para responder a tal demanda, o Ministério da Educação instituiu consulta pública onde alguns atores estratégicos estão sendo ouvidos. A proposição recente de um novo projeto de lei (PL nº 2601/2023) no Congresso sobre o tema indica que o assunto está longe de se esgotar. Ao contrário, os embates podem ter vida longa como ocorreu no passado com as leis de diretrizes e bases da educação nacional (1961 e 1996) e o Plano Nacional de Educação (2014). O que virá depois desse texto ainda é incerto. 

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/05/23. Opinião, p.18.

terça-feira, 20 de junho de 2023

OS NOVOS GENERALISTAS

Por Henrique Soárez (*)

"O especialista sabe tudo sobre nada e o generalista sabe nada sobre tudo." Este era um bom aforismo, até a chegada dos modelos de linguagem de larga escala. O GPT-4 é o verdadeiro generalista. Nenhum ser humano conhece sobre tantos assuntos ao mesmo tempo.

Tentando aprender a programar em Python, pedi ao GPT-4 e ao Google Bard para resolverem um problema clássico do estudo dos algoritmos: como colocar 10 cavalos em um tabuleiro de xadrez sem que nenhum deles esteja em condições de atacar um outro. Ao comparar as respostas dadas pelos dois modelos pude entender um pouco sobre a sintaxe da nova linguagem. Pude também perceber como a qualidade das respostas era errática: não só entre os dois modelos, mas também entre duas tentativas do mesmo modelo.

Não foi difícil ver que a primeira solução oferecida pelo Bard sequer entendia o significado de um tabuleiro de xadrez. Mais um aprendizado: limpei o chat, perguntei novamente, e a resposta veio bem melhor.

Para ter acesso ao Google Bard foi necessário contratar uma VPN. A minha surpresa ao perceber que o Brasil não estaria entre os 180 primeiros países da lista de lançamento durou até quando descobri que também não havia nenhum país da União Europeia na relação. Estávamos em boa companhia, afinal de contas. O Bard ainda não fala português, mas se mantém continuamente atualizado sobre as novidades da Internet. O GPT, por outro lado, torna-se cada dia mais esperto sobre todo o conhecimento disponível publicamente até setembro/2021.

Uma das novidades do recente lançamento do modelo da Google é a sua maior eficiência energética quando comparado ao GPT. Mas isso ainda não é motivo de festa: treinar um desses modelos consome a energia equivalente à produção mensal de uma usina nuclear de médio porte e custa algumas dezenas de milhões de dólares. Um humano, ainda que mais lentamente, chega a resultados comparáveis com uma fração deste investimento (as estatísticas americanas informam que criar um filho na classe média deles custa US$250.000). E nós humanos dependemos de pouco mais que um par de sanduíches por dia para seguir aprendendo.

(*) Engenheiro eletricista, diretor do Colégio 7 de Setembro e da Uni7.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/05/23. Opinião, p.20.

segunda-feira, 6 de março de 2023

UM NOVO ENEM

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Em 1998, uma tríplice equipe ministerial de elevada capacidade gestora inovou a Educação brasileira ao usar seus conhecimentos e sua criatividade.

Paulo Renato Souza, Maria Inês Fini e Maria Helena G. Castro compunham a tríade que, na era Fernando Henrique, implementou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A exemplo do Baccalauréat (Bac), na França, idealizado por Napoleão Bonaparte I, do SAT (Scholastic Assessment Test) e do ACT (American College Testing), nos EUA, o objetivo não era transformar o Enem em vestibular nacional, senão, após a Educação Básica, avaliar o aluno em 5 competências: domínio das linguagens, compreensão de fenômenos, enfrentamento de situações-problema, construção de argumentação sólida e elaboração de propostas coerentes.

As universidades federais faziam os processos seletivos de alto nível, com adequado número de questões por prova e raras fraudes. A logística era fácil, eficaz, a baixo custo.

Sabe-se que o bom gestor delega poderes, mas, em 2009, o Enem, ao contrário, tornou-se um vestibular nacional gerenciado de Brasília, num país com dimensões continentais e leniente legislação.

Por que tal modelo, se as Instituições de Ensino Superior (IES) da União já possuíam comissões de vestibular de alto desempenho e poderiam realizar exames superavitários com abordagem de aspectos regionais como dantes?

O Enem poderia constituir a 1ª fase das IES da União. O MEC usaria a avaliação para análises e pesquisas e entregaria as provas prontas às universidades federalistas, que as corrigiriam.

As IES federais dos respectivos estados responsabilizar-se-iam por redações e pela 2ª etapa, esta com questões discursivas, conforme as áreas do conhecimento e os itinerários formativos.

Teríamos uma avaliação melhor, com diminuição de custos, quesitos abertos em provas específicas do âmbito de interesse do candidato e menor probabilidade de fraudes.

Um novo governo é uma oportunidade para uma nova Educação, um novo MEC, um novo Enem. Para tanto, seria interessante que as autoridades considerassem as opiniões dos que estão próximos da sala de aula. 

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/2/23. Opinião, p.20.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

MENTALIDADE COLONIAL E ENSINO SUPERIOR


Por João Álcimo Viana Lima (*)
No período colonial, o Brasil foi penalizado com a decisão do governo português de não permitir a instalação do ensino universitário em suas colônias. Com efeito, seus primeiros cursos superiores somente foram instituídos a partir de 1808, após a instalação da corte portuguesa em terras brasileiras. A primeira universidade (a UFRJ) somente se efetivou em 1920, enquanto o regime universitário foi instituído com a Reforma Francisco Campos, em 1931.
No estado cearense, em que pese à criação do curso em Direito no limiar do século XX, sua primeira instituição universitária (a UFC) concretizou-se apenas em 1954, sob a persistência de Martins Filho. Quanto ao Sertão dos Inhamuns, o advento dos cursos superiores foi postergado para 1995, quando, não sem enfrentar resistências, o então reitor da Uece, Paulo Petrola, implantou o Centro de Educação, Ciências e Tecnologia (Cecitec), em Tauá. À época, Petrola argumentou que uma microrregião não pode ser condenada à ausência de instituições por conta de sua posição geográfica e socioeconômica; pelo contrário, são os investimentos estratégicos que contribuirão para a reversão de um quadro histórico de isolamento e de ausência de oportunidades.
Recentemente, deflagrou-se uma grande polêmica em decorrência do anúncio de previsões orçamentárias, por parte do atual relator do orçamento da União, deputado Domingos Neto, para a criação, em Tauá, de um campus da UFC (abrigando cursos da área de saúde) e do curso de Engenharia Civil, através do IFCE.
A despeito da portaria ministerial de abril de 2018, que suspendeu por cinco anos a autorização de novos cursos de Medicina, o que mais me entristece é a visão colonialista que concebe a universidade de forma elitizada, principalmente quando se tratam dos cursos que dão acesso a profissões historicamente mais valorizadas.
Longe de mim de defender uma política expansionista sem critérios qualitativos. Mas, é lamentável que no ano em que a universidade brasileira completa um século de existência, a mentalidade colonial ainda esteja a obstaculizar a democratização do acesso ao ensino superior.
(*) Professor da Uece.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/3/2020. Opinião. p.16.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

APELO À MÍDIA: Que fazer a respeito do despreparo dos nossos médicos?

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Exame reprova 54% dos futuros médicos de São Paulo. Mandatória pela primeira vez, prova do Cremesp avaliou alunos que se formaram neste ano. A avaliação é do Conselho Paulista de Médicos, que reprovou 54,5% dos alunos no exame deste ano da entidade, o primeiro obrigatório para tirar o registro profissional.
É considerado reprovado quem acerta menos de 60% da prova, de 120 questões, noticia a Folha de São Paulo (07.12.12). Em saúde mental e pediatria a média de acerto não atingiu 56%. Em suma, mais da metade dos quase 2.500 estudantes de medicina que se formaram neste ano no Estado de São Paulo não possuem condições mínimas para atender a população. Imaginem em outros estados da Federação!
Aqueles que adoram ser considerados politicamente corretos sabem que cálculos estatísticos, informáticos, científicos, qualquer que seja o nome que se use para designá-los, tem antes de ser pesquisados, para saber qual a hipótese que se deseja provar.
Verdade científica pode ser transitória, principalmente na Medicina. Vocação? Não significa levar uma vida de Madre Tereza de Calcutá. Ser fraterno não significa levar uma vida sem direito aos desejos de consumo ou a argumentos líricos.
Chega de dizer que a medicina é um sacerdócio ou vocação. O ato médico pressupõe cuidado, empatia, destreza e outros sinônimos dos sentimentos que levam a uma misteriosa relação com o paciente. Por não conhecer uma palavra que os defina, direi Humanismo, além de um longo preparo profissional com grandes Mestres. Tudo isto já sabemos.
O mais preocupante quanto a essa notícia é que a formação dos mais despreparados se concentra (grosso modo, como dizem os ‘estaticistas’) nas doenças das crianças (pediatras) e nos sofrimentos mentais (psiquiatras).
O meu apelo à mídia é para uma mudança de destaque, ou melhor, de foco, porque destaque é coisa de escola de samba e não é para quem ama seus semelhantes.
O foco das mídias sociais deveria estar concentrado na situação do ensino médico no Brasil. Por enquanto, só me resta dizer: “coitadas de nossas crianças e dos portadores de sofrimentos psíquicos”. Ajudem-nos, senhores da imprensa. Divulguem essa situação e abram o debate para deixarmos de ser um povo de coitadinhos.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O QUE APRENDI QUERO ENSINAR

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Seria interessante apresentar-me rapidamente para facilitar o entendimento do que pretendo escrever e dizer sobre o sentimento cívico de brasilidade.
Sou um professor de Medicina aposentado de Clinica Pediátrica Médica. Passei minha vida acadêmica cercado de jovens alunos e alunas, procurando repassar ensinamentos dos meus mestres brasileiros e não brasileiros e, sobretudo, o que posso de meu aprendizado sofrido e vivido até a minha hoje provecta existência, e agora como Psicoterapeuta.
Nas atividades acadêmicas e de pesquisas a minha tecla constante foi a fome ancestral que assola a população Nordestina. Dentre as mazelas da Pobreza a fome é uma das maiores violências que um ser humano pode causar ao outro. Assim aprendendo, passei a apertar o outro botão — o da violência. O som foi o mesmo. Fome e violência poderiam situar-se na mesma chave musical. Nasceram acordes univitelinos. Como veterano clínico de crianças passei, vi, sofri, ajudei, fui incompreendido, atacado, desconsiderado e relativamente reconhecido algumas vezes, fora do Brasil.
Mais eu sei que “nada molda” mais a criança do que a maneira como ela é educada (alimentar não significa apenas dar/ter comida no prato!). Pensava que a acomodação da pessoa começava no período de recém-nascido e depois, muito depois, aprendi com os chineses e com os meus profetas judeus, que a pessoa nasce muito antes do nascimento.
Continuo acreditando - e nada até agora me fez mudar – que a família, nas suas diversas metamorfoses, é o esteio da educação de um povo. O seu maior complemento é a escola.
Prossigo, para não me alongar, conclamando o Doutor Eudes Souza Leão Pinto e o Professor Antonio Rafael de Menezes (Presidente da Academia Pernambucana de Educação e Cultura), a continuar, como tantos outros alunos da mesma Escola Superior de Guerra, a postos com nosso ardor juvenil.
E como ex-alunos do curso de Altos Estudos Políticos e Estratégicos aprendemos como é importante a colaboração dos que “por sorte como nós” tivemos mais oportunidade educacional. E como é importante que nos congreguemos em busca do maior conhecimento da Nação Brasileira. Não é soldado apenas aquele que está na frente de combate e defende ambos os lados, esquerdo e direito, mas também aqueles que defendem as portas e permanecem em lugar menos perigoso, apesar de ser de menor perigo, assim como não é em vão servir como vigia e guardar o armamento.
Tais ocupações, embora não sejam sangrentas, também fazem parte dos serviços militares (Sêneca 4 a.C – 65 d.C.).
O que aprendemos, deixem-nos ensinar.
Muito bem Professor Antonio Rafael de Menezes, farmacêutico vindo da cidade de Alagoa do Monteiro, PB. Às ordens.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

terça-feira, 18 de abril de 2017

SEM ORÇAMENTO NÃO DÁ!


Por Jesualdo Farias (*)
No dia 29 de março passado, a Câmara dos Deputados rejeitou a PEC 395/14 que autorizava universidade pública a cobrar por curso de pós-graduação lato sensu. A proposta obteve 304 dos 308 votos necessários para a sua aprovação. De acordo com o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies), estão em funcionamento, em universidades públicas, pelo menos 1.112 cursos de especialização com mais de 40 mil estudantes matriculados.

No próximo dia 20 de abril, o Supremo Tribunal Federal deverá pôr fim a esta questão, que vem causando transtornos no ambiente universitário e em setores da sociedade que demandam esta modalidade de curso. Deve-se ressaltar que, no âmbito da sua autonomia, há décadas, universidades públicas ofertam cursos de especialização pagos. Os recursos arrecadados, além de custearem as suas despesas, na maioria dos casos destinam-se também ao pagamento de bolsas para estudantes carentes.
Instituições como a Academia Brasileira de Ciências, a Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior e a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais defendem o autofinanciamento destes cursos. A manifestação favorável do STF não comprometeria a gratuidade para os cursos de graduação, mestrado e doutorado, assegurada pela Constituição.
Da mesma forma, os programas de residência e de formação de profissionais na área de ensino continuariam gratuitos. É bom lembrar que o orçamento das universidades públicas se destina a cobrir apenas as despesas dos cursos de graduação e pós-graduação stricto sensu, sendo impossível, especialmente no momento atual de grave crise econômica, custear despesas com cursos de especialização.
Caso o entendimento do STF seja pela inconstitucionalidade da cobrança, haverá um incalculável prejuízo, uma vez que, sem aporte financeiro, os cursos em vigor teriam de ser interrompidos. Por sua vez, novos cursos só seriam ofertados, pelas universidades públicas, após um improvável reajuste orçamentário.
(*) Secretário estadual das Cidades e professor titular da UFC.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/04/2017. Opinião. p.10.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A EDUCAÇÃO ENJEITADA


Por Cláudio de Moura Castro (*)
As escolas acadêmicas têm uma cultura organizacional hostil a áreas técnicas. Alunos e professores de classe média desdenham essas carreiras
Entra ano, sai ano, nossa educação técnica permanece atrofiada. Como não temos estudos equivalentes. vale notar que nos Estados Unidos apenas 20% da força de trabalho necessita de bacharelado de quatro anos. Em contraste, é muito maior a proporção dos que necessitam de algum tipo de formação técnica ou profissional. Lá, essa formação é predominantemente oferecida nos Community Colleges, cujos formandos são mais numerosos do que os bacharéis de quatro anos.
Na Europa, pode chegar a 70% da coorte a proporção de jovens na idade do ensino médio que cursam formações técnico-profissionais. No Brasil, dos que se formam no médio, somente cerca de 10% cursaram escolas técnicas.
Por que estaríamos tão fora dos padrões internacionais? Há várias causas, mas uma parece predominar. Sendo o ensino técnico uma combinação de ensino médio com um complemento profissionalizante, pela nossa legislação, somam-se as 1000 horas de carga horária do técnico à duração regular do médio. Somos diferentes de todos os países conhecidos, em que as disciplinas do técnico substituem outras disciplinas do ciclo acadêmico. Ou seja, obtêm-se os diplomas técnicos com a mesma carga horária do médio regular.
Têm pouca motivação para cursar um técnico os brasileiros mais modestos e mais pressionados para entrar no mercado de trabalho. Além da duração excessiva, o currículo do ensino médio é chato, distante e já hipertrofiado. Resta a alternativa de fazer um ano adicional de estudos. É absurdo que um aluno, para entrar no ITA, precise estudar 1 000 horas a menos do que para se formar em técnico de administração.
Neste momento em que se reformula o ensino médio, não devemos perder a oportunidade de corrigir esse equívoco vergonhoso. Como se busca limitar os conteúdos da nova base curricular, com o objetivo de possibilitar uma diversificação nesse nível, a maneira mais prática de resolver o problema do técnico é considerá-lo como mais uma modalidade de diversificação.
Se assim for feito, quem optar por um curso técnico poderá cursá-lo como se fora uma das opções da diversificação – que a nova legislação tenta viabilizar. Por exemplo, em vez de ciências biológicas ou humanidades, pode fazer um currículo técnico de eletrônica.
Especialização prematura! Adestramento! Onde está a formação humanista? A essas críticas bobocas, cabem duas respostas. A primeira: o currículo técnico equivale a apenas um ano de estudos, em uma escolaridade de doze. A segunda: assim se faz nos países de melhor educação e com democracia mais consolidada. Esperamos que a nova lei estimule a adoção de currículos experimentais, considerando a rápida evolução e segmentação das ocupações técnicas. Em certas áreas, em um par de anos, o currículo se torna defasado.
Na prática, as escolas acadêmicas têm uma cultura organizacional hostil a certas áreas técnicas, sobretudo as manufaturas. Alunos e professores de classe média desdenham ou discriminam essas carreiras. Nesses casos, é mais apropriado e eficiente que as horas do técnico sejam oferecidas em outras instituições mais afinadas com o trabalho industrial. Mas essas são opções que devem permanecer abertas. O espírito da lei deve ser liberdade e flexibilidade valores que andam na contramão da nossa cultura.
Nem sempre se justifica uma formação profissional de 1000 horas ou até mais. Há inúmeros casos de cursos que podem ser muito mais curtos. Pela lei, não podem justificar o diploma de técnico, mas estão em linha com o que o mercado de trabalho valoriza. Portanto, na parte diversificada do currículo do ensino médio, deverá ser possível incluir programas mais curtos, sobre quaisquer assuntos que possam enriquecer o perfil profissional dos graduados. A título de exemplo, o Senai e o Senac oferecem centenas de cursos profissionalizantes, de duração variada. Entre muitas outras, são possibilidades interessantes para alunos do médio.
No fundo, o técnico é vítima do mito da “Universidade para todos” e do preconceito atávico de nossa sociedade contra aquelas ocupações em que se usam as mãos. Precisamos parar de vender sonhos irrealistas e ao arrepio do mercado de trabalho. Nesses assuntos, tudo sai torto, porque a sociedade vê torto.
(*) Economista. Expert em Educação. Articulista da Veja.

Fonte: Veja, Ed 2456. Ano 48, n.50, 16/12/15 p.24.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

FORMAÇÃO DE BONS MÉDICOS: um imperativo social


Lúcio Flávio Gonzaga Silva (*)
O Brasil possui 257 escolas de medicina, 2º no mundo, perde apenas para a Índia (381), que tem uma população seis vezes maior. São Paulo (44), Minas Gerais (39), Rio de Janeiro (19). O Ceará tem oito, quatro em Fortaleza.
Do total das escolas médicas brasileiras, 60% são privadas, com prestações mensais que variam de R$ 3.0140 a R$ 11.706,15, média de R$ 5.399,17.
Nos últimos quatro anos, foram abertas 81 escolas de medicina (60% privadas). Quase igual à quantidade em 186 anos (82), desde a primeira, a Faculdade de Medicina da Bahia (1808).
Qual é a preocupação? As entidades médicas, o Conselho Federal de Medicina, a AMB e a Abem preocupam-se com a qualidade da formação daquele médico que atende e que atenderá por muitos anos o paciente brasileiro.
Ninguém é contra a criação de boas faculdades de medicina. Exemplo, as de Fortaleza, que têm estruturas adequadas para formar bem. São quatro, uma federal (UFC), uma estadual (Uece), duas privadas, Unichristus e Unifor, todas com boa estrutura e adequado quadro de professores.
O que preocupa são aquelas sem a condição mínima para formar um bom médico. O momento e o local ideal para o futuro médico aprender com bases sólidas é na faculdade de medicina. Oportunidade única, não há outra: depois, quase impossível.
É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática (Paulo Freire, “Pedagogia da autonomia”).
É o cenário de prática principalmente, mas também a qualificação dos professores, o foco maior de nossa inquietação. Há 36 cidades autorizadas a criar novas escolas privadas no Brasil, a maioria não atendendo às condições mínimas exigidas pelo próprio MEC.
Um último edital, recentemente, pré-selecionou outras 22 cidades do Norte, Nordeste e Centro Oeste [5 do Ceará (Crateús, Iguatu, Itapipoca, Quixeramobim e Russas)], para ofertarem escolas privadas. Não somos radicalmente contra, absolutamente, discutirmos a necessidade de estrutura adequada ao ensino (hospitais de ensino com infraestrutura a receber acadêmicos para aulas práticas) e, obviamente, professores qualificados.
A sociedade exige bons médicos. Às escolas, a obrigação de formá-los bem. Primeira preocupação, enquanto assistimos a essa desmedida proliferação de faculdades de medicina.
O futuro médico aprende na beira do leito do paciente, ao lado do professor. É assim há séculos.
(*) Médico, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e conselheiro do Conselho Federal de Medicina.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/09/2015. Opinião. p.9.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

PLATICÉFALOS NO VESTIBULAR DO ITA DE 2015


O engenheiro aeronáutico Felipe Bastos Gurgel, iteano de 2006, em painel da Embraer de 2007.

O jornal O Povo, de 31/12/2014, estampou em suas páginas 7, 9 e 19 anúncios publicitários de três renomadas escolas de Fortaleza sobre os resultados de seus respectivos alunos no vestibular de 2015 do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Uma escola anunciava 11 aprovações, outra reportava 25 aprovados e a terceira propagava 20 alunos exitosos. A comparação entre os três anunciantes, recorrendo tão somente ao número absoluto de aprovados, pode ser enganosa, porque a apreciação mais criteriosa deveria ter em conta o número de inscritos por instituição para calcular a taxa de aprovação específica.
Um dos anúncios confrontava a sua cifra com a quantidade aprovada nas capitais brasileiras de realização dos exames, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília etc., indicando que o seu desempenho, isoladamente, as superava, com a exceção do obtido em Fortaleza, até porque seus alunos já fazem parte desse rol.
São José dos Campos, a cidade-sede do ITA, foi contemplada com 45 aprovações, o que não surpreende, pois nela há um tradicional curso preparatório, que funciona em tempo integral, recebendo alunos estudiosos, de alto nível socioeconômico, e procedentes de todo o Brasil, ansiosos para ingressarem no ITA, aos quais oferece alojamento e suporte pedagógico diuturno.
No último vestibular do ITA, foram inscritos 7.792 candidatos, com uma concorrência de 45,84 candidatos por vaga, redundando na taxa final de aprovação de apenas 2,18%. A capital paulista participou com 1.627 candidatos (20,88%), mas assegurou só 14 vagas (8,24%) ao registrar uma taxa de sucesso de 0,86%, enquanto Campinas-SP não teve qualquer aprovado entre os seus 438 inscritos.
A supremacia dos cabeças-chatas cearenses nesse certame fica evidente diante da constatação de que Fortaleza, com os seus 783 postulantes, representando o terceiro maior contingente de inscritos (10,05%), amealhou 61 vagas, ou seja, mais de um terço da oferta (35,88%), fruto da mais elevada taxa de êxito (7,79%) alcançada, da ordem de 3,6 vezes a média nacional.
São José dos Campos tomou parte com o segundo maior grupo, formado por 803 (10,31%) inscritos, apropriando-se de 45 (26,47%) vagas; contudo, em que pese as excelentes condições de estudo propiciadas aos seus assistidos, logrou uma taxa de aproveitamento de 5,60%, inferior a que foi auferida pelos concorrentes da capital cearense. Note-se que Fortaleza e São José dos Campos abocanharam 62,35% dos lugares da nova turma de iteanos.
Os locais de aplicação com taxa de aprovação superior à média do País foram: Fortaleza (7,79%), São José dos Campos (5,60%,), Teresina (3,36%) e Rio de Janeiro (2,42%).
Por certo, o cearense Casemiro Montenegro, marechal-do-ar e fundador do ITA, se vivo fosse, estaria hoje jubiloso com o feito dos seus conterrâneos platicéfalos.

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico)

* Publicado In: O Povo, de 12/01/2015. Opinião. p.9.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

CE aprova exigência de pós-graduação para professor de universidade pública



Por Iara Guimarães Altafin
Com 14 votos favoráveis e apenas um contrário, o projeto de lei do Senado que estabelece a exigência de titulação em nível de pós-graduação para ingresso por concurso na carreira de magistério superior federal foi aprovado nesta quarta-feira (24/4/13) na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). O texto, do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, se não for apresentado recurso para votação em Plenário.
De acordo com a relatora, senadora Ana Amélia (PP-RS), o projeto (PLS 123/2013) corrige equívoco contido no artigo oitavo da Lei 12.772/2012, o qual impede as universidades federais de exigir, nos editais de concurso para professores, títulos de mestrado ou doutorado. Pela legislação em vigor, as universidades públicas podem exigir apenas a graduação.
Para a relatora, o projeto acerta ao modificar a lei e voltar a permitir a exigência de titulação de pós-graduação nos concursos para o magistério público federal. Conforme explicou, a mudança prevista no PLS 123/2013 restabelece exigência de pós-graduação já contida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB - Lei 9.394/1996).
– O projeto tem o mérito de buscar a qualificação cada vez maior para o ensino superior em nosso país – disse.
Ana Amélia informou ainda que a norma contida na Lei 12.772/2012 tem sido criticada pelas instituições federais de ensino superior, considerada como retrocesso no processo de contratação de docentes das universidades públicas.
A relatora acatou duas emendas apresentadas pelo próprio Aloysio Nunes. A primeira suprime, dos requisitos para ingresso no cargo de Professor Titular-Livre do Magistério Superior, a exigência de 20 anos de experiência ou de obtenção do título de doutor.
A outra altera dispositivo que trata de retribuições pecuniárias e gratificações por docentes em regime de dedicação exclusiva.
Vista
Única a votar contra o projeto, a senadora Ana Rita (PT-ES) solicitou mais tempo para analisar o relatório de Ana Amélia, mas seu pedido de vista foi negado, por ter sido apresentado após o presidente da CE, senador Cyro Miranda (PSBB-GO), ter colocado a matéria em votação.
Ana Rita disse não ser contrária ao mérito da proposta e que pedia vista para atender solicitação do ministro da Educação, Aloysio Mercadante, que eventualmente poderia apresentar sugestões ao texto.
Fonte: Agência Senado (25/4/13)
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

DICAS PARA ESCREVER BEM – COM HUMOR!

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??… então valeu!
9. Palavras de baixo calão, carac@, podem transformar o teu texto numa m&rd@.
10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem idéias próprias".
13. Frases incompletas podem cansar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação ?
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P., nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não acabar com a língúa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões uai, que acabem por denunciar a região onde tu moras, nada de mandar esse trem… vixi… entendeu bichinho?
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e sem autoria definida).

segunda-feira, 7 de março de 2011

A VINGANÇA DA DECOREBA

Por Hélio Schwartsman

Esta vai deixar alguns pedagogos de cabelos em pé. Trabalho publicado anteontem na "Science" mostra que alunos que estudam por métodos do tipo decoreba aprendem mais do que os que utilizam outras técnicas.
O "paper", que tem como autor principal o psicólogo Jeffrey Karpicke, da Universidade Purdue, comparou o desempenho de voluntários que estudaram um texto científico se valendo de um método que enfatiza a memória (leitura seguida de um exercício de fixação mnemônica) com o de alunos que usaram a técnica do mapa conceitual, na qual leem o texto e depois desenham diagramas relacionando os conceitos apresentados.
Desenvolvido por Joseph Novak nos anos 70, o mapa conceitual tem como pressuposto a teoria da aprendizagem significativa, segundo a qual aprender é estabelecer relações relevantes entre ideias.
Uma semana depois, os estudantes fizeram um exame para descobrir quanto haviam aprendido. O grupo da decoreba teve um índice de acertos 50% maior do que o do mapa. A grande surpresa, porém, foi que os memorizadores se saíram melhor tanto nas perguntas que envolviam a mera reprodução das ideias originais como também nas questões que exigiam que eles fizessem inferências, estabelecendo novas conexões entre os conceitos.
Um segundo experimento aprofundou um pouco mais esses achados, explorando, por exemplo, o desempenho de um mesmo estudante com os dois métodos de estudo. Em todas as situações, a decoreba apresentou melhores resultados que o mapa conceitual.
Evidentemente, ainda é cedo para generalizar as conclusões desse trabalho, que ainda precisa ser reproduzido em outros centros para ganhar nível de evidência. Mas já é certo que ele cairá como uma bomba na guerra pedagógico-ideológica que opõe os entusiastas da educação construtivista aos defensores de métodos tradicionais.

* Publicado In: Folha de São Paulo, Opinião, de 22/01/2011.

domingo, 15 de agosto de 2010

VIAGEM A BRASÍLIA: reunião no Ministério da Educação

Estarei em Brasília, dias 17 e 18 de agosto corrente, para participar de reunião no Ministério da Educação, que tratará sobre o ensino superior no Brasil, devendo retornar a Fortaleza, na manhã da quinta-feira.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
 

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