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quarta-feira, 15 de julho de 2026

MAHLER E A PAIXÃO PELA TRANSITORIEDADE

 Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Há um momento na vida em que passamos a revisitar o passado.

Não se trata de saudosismo, tampouco de arrependimento. É algo profundo e silencioso. O ato de reviver nossas memórias parece fazer parte de uma preparação para a passagem. Inicia-se de uma forma quase imperceptível, como um reencontro marcado desde sempre pela própria condição humana.

Assim como as células carregam em si a programação da morte, a memória parece organizar uma despedida previsível. Em instantes, quando a vigilância da razão relaxa por um breve momento, imagens do passado retornam com insistência. Surgem sem propósito aparente, afastando-nos da realidade imediata para nos conduzir a uma espécie de lucidez superior.

Talvez nenhuma obra musical tenha traduzido essa trajetória com tanta profundidade quanto a Sinfonia "Ressurreição", de Mahler. Nela, o compositor percorre os caminhos da existência humana desde o confronto inicial com a morte até a possibilidade de uma transformação espiritual.

Nos movimentos iniciais, os "Ritos Fúnebres" apresentam a inevitabilidade do fim. Em seguida, emergem lembranças de um olhar nostálgico para os tempos de inocência, beleza e paz.

Depois, Mahler nos conduz a percepção da futilidade de muitas das nossas inquietações. A vida aparece como um movimento circular, onde os esforços frequentemente carecem de sentido duradouro. Mas a obra se completa com a "Luz Primordial". É o instante em que a alma aspira à redenção. Entre sonoridades quase apocalípticas e momentos de delicadeza, a música aponta para uma transfiguração. A ressurreição de Mahler não é apenas religiosa; é sobretudo a transformação espiritual do ser humano diante do mistério da finitude.

Foi ouvindo essa obra, repetidamente, que passei a resgatar reflexões que marcaram minha vida de médico e minhas próprias contradições humanas. Aos poucos, percebi que as decepções perdiam importância. Permaneciam apenas as lembranças da juventude, dos afetos e dos encontros que moldaram quem sou.

Há algo semelhante a uma despedida silenciosa daqueles que continuarão a caminhada. Uma sensação quase distônica, na qual os acontecimentos do mundo parecem distanciar-se da tormenta cotidiana. Como um movimento centrífugo, afastamo-nos do círculo das urgências para observar a existência sob outra perspectiva.

Passei, então, a preparar o reencontro comigo mesmo. Descobri que não temo a morte. Ao contrário, confesso guardar uma certa fascinação por esse encontro inevitável. Não de forma apoteótica ou narcísica, mas a aceitação serena de um retorno à matéria primordial.

Talvez seja essa a maior lição de Mahler: compreender que a finitude não representa uma derrota, mas uma etapa da grande metamorfose da existência.

Ao final, somos todos pó, poeira carregada pelos ventos do tempo. E há uma estranha beleza nessa condição.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/06/2026. Opinião. p.25.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

EROS, QUEM ÉS TU?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Eros surge com Hesíodo, como Procriação, a força de atração que viria a unir imortais e mortais entre si e uns com os outros. Mais tarde, no período Alexandrino, assume um garoto com asas que dispara flechas amorosas. Cupido é ele denominado.

Platão descreve-o com duas características: a pobreza e a carência da mãe Pênia e a sagacidade, audácia e coragem do pai Poros, à espreita dos belos de corpo e de alma. Da contemplação da beleza física chega-se à contemplação de todo o belo.

Para Hesíodo, porém, Eros era filho de Afrodite, formada pelos testículos de Urano, e com seus irmãos eram chamados de Erotes, com as suas diversas faces do amor.

Eros, com sua flecha sempre pronta a disparar, é assumido 'correio' do amor.

Platão apresenta este amor ‘como uma doença mental grave’ e, ao mesmo tempo, como caminho para a sabedoria, através do que ele denomina ascese.

Mais tarde, no Romantismo, surge um amor melancólico e nostálgico, com a paixão sobrepondo-se à razão, quando Eros aproxima-se de Tanatos. Os sentimentos explodem no prazer sexual, gerando tristeza e sofrimento na sua carência.

Em nossos dias, o amor tende a ceder a instâncias genitais, com seu efêmero prazer, como se fora mera paixão. “Amor é apenas instinto de sobrevivência da espécie.” – Arthur Schopenhauer. Erich From assim fala do amor: "O amor é uma força ativa no homem; uma força que irrompe pelas paredes, que separam o homem de seus semelhantes, que o une aos outros; o amor leva-o a superar o sentimento de isolamento e de separação, permitindo-lhe, porém, ser ele mesmo, reter sua integridade. No amor, ocorre o paradoxo de que dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois."

O historiador Will Durant conta que "o amor romântico existia entre os gregos, mas raramente determinava os casamentos".

Pra Zygmunt Bauman, vive-se hoje o ‘amor líquido’: o simples apertar de uma tecla rompe laços e os relacionamentos tornam-se irrelevantes e efêmeros, com ainda mais riscos num encontro físico.

O amor jamais será uma invenção ou uma criação. O amor é expressão do próprio ser humano, cujo ônus é encontrá-lo no seu recôndito para amá-lo ou assumir penúrias de sórdida contradição ou traumática rejeição.

Tenhamos uma boa segunda-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 23/02/26.


quinta-feira, 12 de março de 2026

HUMILDADE: riqueza de espirito, ousadia da inteligência

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Não sei de onde vens. Mas sei onde nasceste.

Quando a terra apareceu, no mundo criado, o cheiro do Humus esparramou-se pelo planeta, fez primeiro o Homo e deu nome à Humanidade.

E foi daí que se fez ’humilis’, ‘humilitas’, a humildade.

Somos terra, da terra viemos.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Antes de tudo, é preciso ter clareza de que humildade nunca foi sinônimo de humilhação, de ignomínia, tão pouco de renúncia à dignidade humana.

Considera-se um sentimento a ser cultivado, diante das nossas limitações, fragilidades, sem autodesprezo e também de nossos dons e valores, com modéstia e ausência de orgulho e presunção.

Qual húmus, singelo, rústico, porém de alta fertilidade, que faz brotar vida, do chão se eleva sem arrogância, sem prepotência, sem vaidade, não se sobrepondo a ninguém, nem exorbitando qualidades e virtudes.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Humildade cultiva-se na consciência do conhecimento de si mesmo, de seus limites. Conhecimento sincero que as entranhas não maquiam.

Humildade não é subordinação, nem alienação, é sabedoria do bem viver, da simplicidade e da pujança do crescer, crescer sempre. Não se opõe à riqueza, nem é característica da pobreza, é o sopro da alma a alçar voo altaneiro da sabedoria.

Nutre-se a humildade da simplicidade de pobres em espírito e de ricos de justiça e paz, de fraternidade de mente e coração. Associada à gratidão, traz os pajens da compaixão, da bondade e da generosidade. Fortalece laços familiares e consolida relacionamentos e promove um ambiente de suporte e de compreensão mútua.

Ao afirmar ‘só sei que nada sei’, expõe-se Sócrates, no que podemos nominar ‘humildade intelectual’: sua abertura ao conhecimento proporciona-lhe espaço para novas ideias, para novas aprendizagens, prontidão para aprender sempre e disposição para admitir seus erros. Erros, que a humildade corrige, mas o orgulho despreza e aniquila, no lodaçal de sua vaidade.

A humildade tem ouvidos ‘ativos’, palavras equilibradas, espirito sereno, cria saudável convivência, num ambiente de respeito, de ética e de valorização de todos, sem supremacia, nem desrespeito à dignidade de quem quer que seja.

Nos escritores latinos, encontramos, entre outros, em César ‘turris humilis’ (torre baixa) e em Virgílio ‘domus humilis’ (casa térrea). A conotação de miserável, de baixa condição veio do latim clássico. No entanto, foi o Cristianismo que nos legou essa visão de reconhecimento de nossas fragilidades e limitações contingentes.

Enfim, a humildade dá o sentimento exato do nosso bom senso, ao nos avaliarmos, em relação às outras pessoas.

E um líder humilde inspira confiança e enobrece lealdade. Cria um legado de empatia, respeito e colaboração.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Tenhamos um bom dia, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/02/26.


quinta-feira, 5 de março de 2026

PROTAGONISMO DA DIVERSIDADE

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Sem liberdade, perde-se a essência da existência, perde-se a dignidade de filhos de Deus, perde-se o direito à autodeterminação, perde-se o direito a escolhas e o encontro do sentido da vida esvai-se como fumaça. A paz torna-se um pesadelo. A cidadania vai para o ralo e a gente deixa DE SER GENTE, de ser humano, se nos extirparem o direito de pensar, de decidir, de ser.

Esse ponto não é o calcanhar de Aquiles, mas é o fio condutor da coexistência humana, nos seus princípios, valores, direitos e deveres, em vista do bem comum – para todos e não para castas e elites, cada pessoa com capacidade e oportunidade de desenvolver seus potenciais de sobrevivência, de existência e de convivência.

Dizem que a diversidade é uma riqueza da humanidade e o é. Todavia, diversidade sem universidade, ou seja, sem algum polo de convergência, torna-se ‘Homo homini lupus’, como dizia Thomas Hobbes, fundamentado na Asinaria do dramaturgo romano Plauto. Parodiando-o, ouso afirmar “Diversitas homini ac vitae lupus”.

A diversidade de flores, árvores, montes e colinas, de animais e toda sorte de seres vivos, não apenas forma ecossistemas e assegura a vida deles e do planeta, mas nos fala de uma harmonia que mantém a dinâmica da natureza. Diferentemente dessas classes, que denominamos de irracionais e são movidas pelo instinto de sobrevivência da ‘struggle for life’, como expressava Darwin, referindo-se à sobrevivência das espécies, a criatura humana é o protagonista da história do planeta, com a diversidade de culturas, de raças, de hábitos e de crenças. Com sua capacidade de pensar, de discernir e de decidir, o ser humano pode optar pela vida ou pela morte, pela paz ou pelo ódio, pela tolerância ou pelo preconceito, pela exclusão ou pela inclusão, pelo todo ou pelas partes, pelo diálogo ou pela submissão, pelo diálogo ou pelo confronto, pela ruptura, pela beligerância ou pela harmonia da interdependência, pela honradez ou pela bandidagem, pela virtude ou pelo vício, pelo prazer ou pelo amor, pela convivência ou pela divergência, pela constatação ou contestação, pela confraternização ou pela conflagração, pela liberdade ou pela escravidão. Enfim, pela cidadania, que nos irmana e nos faz todos cidadãos e cidadãs do mundo, com direitos inalienáveis e deveres inextinguíveis, ambos inegociáveis.

Não se podem confundir sobrevivência e consciência por subserviência, fé com irracionalidade, livre arbítrio com libertinagem.

Fala-se em riqueza de diversidade, mas se golpeiam cultos, crenças e opiniões divergentes. Fala-se de tolerância, mas invadem-se liberdade e dignidade de princípios e valores. Fala-se de respeito, mas confunde-se fidelidade com fundamentalismo e extremismo.

Precisamos de um ponto comum, numa reflexão profunda, séria e verdadeira, para nos situarmos com justiça, verdade, respeito, tolerância. Assim, construiremos, deveras, o respeito que merecem as diversidades, no concerto sereno, justo e convivencial de todas as nações, de todos os povos. Ou, então, continuaremos a nos ‘hipocritar’, enquanto dança estranha torna-se vírus mortal de toda a riqueza e beleza e magnanimidade da diversidade e da própria vida.

E paz e amor e justiça exorcizam-se da humanidade.

No final, uma pequena reflexão pessoal.

Creio que não somos produtos do acaso. Mas, uma Sabedoria incriada, absoluta e poderosa proporcionou-nos ‘vida plena’ de pujantes dons de ser e de viver, colocando-os dentro de nós, à espera de os descobrimos e deles fazermos nossos condutores, conselheiros e companheiros essenciais de nossas decisões, atitudes e gestos. Denomino-O Deus, Criador de todas as coisas, a Quem devemos, como humanidade, como indivíduos e como pessoas, reconhecimento, gratidão e responsabilidade de cuidar com amor, carinho e determinação de nossa ‘casa comum e de todos os seus habitantes’.

Independentemente de qualquer postura, que deve ser respeitada, a afirmação de Benjamin Franklin ainda pulula, gritante e contundente, em nossas mentes e nos arremete a sérias e profundas reflexões: “Achar que o mundo não tem um Criador é o mesmo que afirmar que um dicionário é o resultado de uma explosão numa tipografia.”

Deus é bom!

Tenhamos uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 6/02/26.

sábado, 30 de novembro de 2024

A FILOSOFIA DO CAMELO

Uma mãe e um bebê camelo, estavam por ali, à toa, quando de repente o bebê camelo perguntou:

— Por que os camelos têm corcovas?

— Bem, meu filhinho, nós somos animais do deserto, precisamos das corcovas para reservar água e por isso mesmo somos conhecidos por sobreviver sem água.

— Certo, e por que nossas pernas são longas e nossas patas arredondadas?

— Filho, certamente elas são assim para permitir caminhar no deserto. Sabe, com essas pernas longas eu mantenho meu corpo mais longe do chão do deserto que é mais quente que a temperatura do ar e assim fico mais longe do calor. Quanto às patas arredondadas, eu posso me movimentar melhor devido à consistência da areia! - disse a mãe.

— Certo! Então, por que nossos cílios são tão longos? De vez em quando eles atrapalham minha visão.

— Meu filho! Esses cílios longos e grossos são como uma capa protetora para os olhos. Eles ajudam na proteção dos seus olhos quando atingidos pela areia e pelo vento do deserto! - respondeu a mãe com orgulho.

— Tá. Então a corcova é para armazenar água enquanto cruzamos o deserto, as pernas para caminhar através do deserto e os cílios são para proteger meus olhos do deserto. Então o que é que estamos fazendo aqui no Zoológico???

Moral da história: Habilidade, conhecimento, capacidade e experiências, só são úteis se você estiver no lugar certo!

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.


domingo, 19 de maio de 2024

JOÃOZINHO, O FILÓSOFO

Um professor de filosofia parou na frente da classe e, sem dizer uma palavra, pegou um vidro de maionese vazio e o encheu com pedras de uns 2 centímetros de diâmetro. Olhou para os alunos, e perguntou se o vidro estava cheio.

Todos disseram que sim.

Ele então pegou uma caixa com pedregulhos bem pequenos, jogou-os dentro do vidro agitando-o levemente, e os pedregulhos rolaram para os espaços entre as pedras. E aí tornou a perguntar se o vidro estava cheio.

Os alunos concordaram: agora sim estava cheio!

Dessa vez, pegou uma caixa com areia e despejou dentro do vidro, preenchendo o restante. Olhando calmamente para as crianças, o professor disse:

— Quero que entendam que isto simboliza a vida de cada um de vocês. As pedras maiores são as coisas mais valiosas e importantes: família, amigos, saúde, filhos, coisas que preenchem a vida. Os pedregulhos são outras coisas importantes: o emprego, a casa e um carro. Já a areia representa o resto, coisas pequenas, como os problemas que precisamos enfrentar. Experimentem colocar a areia primeiro no vidro, e verão que não caberão as pedras e os pedregulhos. O mesmo vale para suas vidas. Priorizem cuidar das pedras, do que realmente importa. Estabeleçam suas prioridades. O resto é só areia!

Após ouvirem a mensagem tão profunda, o Joãozinho perguntou ao professor se poderia pegar o vidro, que todos acreditavam estar cheio, e fez novamente a pergunta:

— Vocês concordam que o vidro está realmente cheio?

Todos responderam que sim, inclusive o professor.

Então, ele pega uma lata de cerveja, abre e despeja o conteúdo todo dentro do vidro. A areia ficou toda ensopada, pois a cerveja foi preenchendo todos os espaços restantes, e fazendo com que desta vez o vidro ficasse realmente cheio. Todos ficaram surpresos e pensativos com a atitude do aluno, incluindo o professor.

Então o Joãozinho explica:

— Não importa o quanto a sua vida esteja cheia de coisas e problemas, sempre sobra espaço para uma cervejinha!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

FRANCISCO JOSÉ LOYOLA RODRIGUES: homenagem póstuma

Um grande amigo, o Dr. Francisco José Loyola Rodrigues; mas não apenas isso, era uma pessoa a quem eu admirava muito pela sua competência em vários ramos do conhecimento.

Nasceu em 19 de novembro de 1943, em um local do município de Sobral, que posteriormente se tornou município de Forquilha-CE. Isaías Teodoro de Loyola Rodrigues e Rosa Alves Pereira da Silva foram seus pais. Faleceu em Fortaleza, na sua casa residencial, na rua General Piragibe, 106, na noite entre o dia primeiro e o segundo dia de janeiro de 2024.

Estudou inicialmente no Seminário da Betânia, em Sobral, posteriormente no Seminário Maior da Praínha, em Fortaleza, e depois na Faculdade de Filosofia do Ceará, pela qual se licenciou em História e em Filosofia. Estudou também em celebrados centros no exterior: na Universidade de Paris – Sorbonne - e no Instituto Católico de Paris. Lá obteve, com distinção, o grau de Doutor em Ciência Sociais. Foi filósofo, historiador, cientista político, sociólogo e economista do desenvolvimento por sua formação acadêmica. Foi professor da Universidade Estadual do Ceará e de outras universidades cearenses.

Além destas conquistas mais técnicas e acadêmicas, o Francisco José foi um grande poeta. Publicou muitos livros de poesia em inglês e em francês, mas sobretudo em português. De acordo com ele próprio, em conversa que mantivemos em novembro de 2023, seu livro mais divulgado no Ceará foi “De Sobral Saem os Rumos - 99 poemas essenciais de Loyola Rodrigues”, publicado pela Prefeitura Municipal de Sobral, que também o divulgou. O próprio fato desse livro ter sido publicado e divulgado pela Prefeitura Municipal de Sobral já diz da magnitude da envergadura cívica do Dr. Francisco José Loyola Rodrigues.

Acima de todos esses feitos e merecendo ainda mais encômios do que todos os outros, está a sua envergadura moral e religiosa. O Dr. Francisco José Loyola Rodrigues era um homem honesto e íntegro na mais verdadeira e exigente acepção da palavra. Não apenas gostava das coisas corretas; se comprazia em ser correto! Não inventava meias verdade ou desculpas fantasiosas para indultar possíveis passos fora da trilha reta da honestidade. À “fora da trilha”, acrescentarei, fora da trilha reta do Senhor Jesus Cristo, pois Loyola Rodrigues era um cristão praticante fervoroso.

Assim, é com grande pesar que comunico e comento o falecimento do Dr. Francisco José Loyola Rodrigues. O Ceará e o Brasil perdem um grande poeta. Mais lamentável ainda, perdem um intelectual e um professor universitário criativo, competente e honesto.

Fortaleza, 6 de janeiro de 2024

Prof. José Henrique Leal Cardoso

Docente aposentado da UFC e da Uece

Nota do Blog: A Missa Ressurreição pela alma do Prof. Francisco José Loyola Rodrigues está marcada para hoje (8/01/2024), às 17 horas, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, à Av. 13 de Maio, no Bairro de Fátima, em Fortaleza.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva – Editor do Blog

segunda-feira, 24 de julho de 2023

FUNDAMENTOS DA MORAL

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

Observando-se o pensamento de filósofos clássicos, neoclássicos e modernos, como Pitágoras, Aristóteles, Platão, Max Weber, Kant, Heidegger, Hegel, Marx e mais recentemente Sartre, nota-se uma preocupação básica com a verdade e a existência. Por isso, todos foram formadores de Escolas que serviram e ainda servem de orientação a muitas pessoas. Apesar das controvérsias, todos buscaram formas para justificar, de acordo com suas teses e convicções, o sentido da vida, da moral, da ética, etc. Detendo-se na análise do comportamento moral, a máxima maquiavélica, “o fim justifica os meios”, no nosso entender não vale, pois para uma ação ser julgada moralmente boa é preciso que seja alcançada com nenhum outro objetivo além daquele a cumprir o próprio dever. A moral e a política, por exemplo, deslocam-se dentro do âmbito de dois sistemas éticos distintos. A política é mutável ou dinâmica, conforme o Estado e o Governo, já a moral é permanente. O importante é compatibilizar a política e a moral dentro de princípios éticos que respeitem a lei e a liberdade com responsabilidade. Tanto Platão como Aristóteles afirmaram que o objetivo da política não é o viver, mas o viver bem, ou seja, a convivência ordenada. Já Kant, faz a distinção entre o moralista político e o político moral, condenando o primeiro e enaltecendo o segundo. Merece reflexão e cuidado a afirmativa de que por “razão de Estado”, será aceito um conjunto de princípios baseados nas ações que não seriam justificadas se cumpridas por um indivíduo isolado. Mas exaltadas e enaltecidas se cumpridas pelo governante, ou por qualquer pessoa que exerça o poder em nome do Estado. Em qualquer sociedade é importante observar o que é moralmente lícito ou ilícito ressaltando-se a ética política, profissional, familiar, sexual, enfim a ética comportamental. Devemos obedecer a um código de regras e normas compatíveis com a verdade divina. Não estamos nos referindo a uma religião, doutrina ou seita, mas fundamentalmente à espiritualidade representada pelo amor, solidariedade, perdão, compaixão dentre outros sentimentos. A vida é mais agradável e bela quando percebemos a presença de amor e a ausência da inveja. Torna-se básico a exaltação dos valores internos e morais, para que possamos buscar a felicidade e a esperança. Por sua vez, o conceito de violência está ultrapassado. A destruição de nossos semelhantes é a nossa própria destruição. O sentido da vida é ser feliz e útil.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, 26/05/2023. Ideias.

domingo, 15 de janeiro de 2023

FILOSOFIA DE BOTECO III

“Estudos comprovam que a posição sexual que os casais mais usam é a de cachorrinho: o marido senta e implora... a mulher rola e finge de morta....”

"Passado de mulher é igual a cozinha de restaurante: melhor não conhecer senão você não come."

“Não beba dirigindo! Você pode derrubar a cerveja.”

“Não se ache horrível pela manhã: acorde ao meio dia!!!”

"Aprenda uma coisa: o mundo não gira em torno de você.. .. Só quando você bebe demais."

"Em dia de tempestades e trovoadas o local mais seguro é perto da sogra, pois não há raio que a parta."

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). (Autor desconhecido).

FILOSOFIA DE BOTECO II

“Eu bebo pouco, mas o pouco que bebo me transforma em outra pessoa, e essa outra pessoa sim, bebe pra cacete"

"Qual é a principal diferença entre frustração e desespero? Frustração é quando você pela primeira vez não consegue dar a segunda. Desespero é quando você pela segunda vez não consegue dar a primeira..."

"Se sua sogra é uma joia..... Nós temos a caixinha!!!!!!!!!" Funerária São José

“As mulheres são como o vinho, com o passar dos anos, umas se tornam ainda mais doces, outras, azedam. As que azedam é por falta de "rolha"!

"Devo tanto que, se eu chamar minha mulher de bem, o banco toma!!"

"O melhor negócio do mundo é abrir um puteiro. Se você falir, ainda pode comer o estoque!"

“Um dia li que fumar era mau e deixei de fumar. Li que beber era mau e deixei de beber. Li que comer gorduras era mau e deixei de comer. Li que sexo era mau e ... deixei de ler!!!!”

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). (Autor desconhecido).

FILOSOFIA DE BOTECO I

“Se você ainda não encontrou a pessoa certa, vai comendo a errada mesmo.”

"A pretinha mais feliz do mundo é a jabuticaba, que nasce agarrada no pau e morre sendo chupada..."

"Não dê risada de tudo, porque quem acha tudo gozado é faxineira de motel".

"Homem é igual a caixa de isopor: é só encher de cerveja que você leva pra qualquer lugar."

"A diferença entre a mulher e o homem???? A mulher está sempre pronta para o que der e vier e o homem está sempre pronto para quem vier e der."

“O café excessivamente quente, em copo plástico, reduz em dois terços a potência sexual do homem: primeiro, queima os dedos; depois a língua..."

“Queria ser pobre um dia na vida, porque ser todo dia é foda!!

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). (Autor desconhecido).

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

GREGOS, DEUSES, MITOS E NOSSOS DIAS

Por Paulo Roberto Carvalho de Almeida (*)

A Grécia antiga tem influenciado muitos povos, desde a antiguidade até os dias atuais. Os gregos tinham uma mitologia muito rica, inúmeros deuses e deusas, que também eram mitos. Entre eles, havia um, considerado deus supremo, senhor dos céus e da luz, que despejava raios e fazia chover, o que fazia brotar, na terra, a vida. Seu nome era Zeus. Daí alguns dizem, ter se originado a palavra Deus. Outro deus-mito – parente do primeiro, pois eram da mesma natureza – controlava o mundo subterrâneo, da escuridão e das sombras. Era chamado Hades, senhor do que depois se chamou inferno. Era o mito da morte, que se opunha à vida. Houve muitas versões desses mitos/deuses ao longo da história. Hitler foi um deles. Alguém tem dúvida de qual foi sua inspiração?

Na alegoria da caverna de Platão, seres prisioneiros de si mesmos enxergam eles próprios e objetos do mundo real como sombras, pois o fogo que ilumina a caverna está distante e rodeado de obstáculos. Assim, aquelas imagens distorcidas e veladas pareciam-lhes ser a primeira e única representação do mundo possível.

A Psicologia, principalmente junguiana, traz os conceitos de luz e sombra como elementos da Psique. Cada um de nós porta em si arquétipos milenares que, de alguma forma não completamente compreendida pelo racionalismo científico, fazem parte de nós, nos constroem e/ou, nos destroem. A tomada da consciência da sombra que existe em todos nós é um passo essencial no caminho do autoconhecimento. O desafio é tentar compreendê-la e integrá-la à luz da consciência, na realização de si mesmo.

Numa variação antropológica do mesmo tema, há a lenda dos dois lobos, dos índios cherokees. Nela, o pequeno índio sente-se confuso em situações do dia a dia, dividido entre sentimentos conflitantes: de um lado, ódio, raiva, crueldade, inveja, egoísmo, ressentimento, intolerância e desejo de violência; do outro, amor, serenidade, humanidade, empatia, generosidade, compaixão e desejo de paz. Pergunta, então, ao ancestral nativo:

– Vô, disseram que tenho dentro de mim dois lobos, um bom e um mau. Mas como vou saber qual o lobo que vai ser o mais forte? O que vai me dominar?

E a resposta do ancestral:

– O que você alimentar!

Nos tempos atuais (como em todos os tempos), temos uma escolha. Qual alimentar?

(*) Médico patologista e professor da UFC. Musicólogo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/09/2022. Opinião. p.19.

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

QUEM DISSE?

Por Rev. Munguba Jr. (*)

Será que vamos viver em nosso país a implantação do "Ministério da Verdade"? Imaginei que seria somente uma ficção, algo impensável em nossa realidade. Mas o que começamos a presenciar é algo que devemos, no mínimo, questionar.

No clássico 1984, de George Orwell, o autor apresenta o "Ministério da Verdade" dentro da distopia sobre um mundo totalitário que controla cada cidadão em tudo. Porém, a função principal desse ministério é validar a mentira, reinterpretar os fatos implantando a versão conveniente ao poder instituído.

Agências de "checagem de fatos" começam a proliferar em nossa nação e quando observamos uma alta corte atraindo para si a responsabilidade de afirmar o que é verdade ou mentira sentimos um grande risco pairando sobre nossa democracia.

O direito de expressar seu pensamento e a sua opinião são inegociáveis. As injúrias, calúnias e narrativas falaciosas são passíveis de processos e indenizações, mas o direito de livre opinião é fundamental.

Fico imaginando a questão das facetas da verdade. A verdade absoluta é aquilo que não podemos refutar, como o fato de Jesus Cristo ter vindo ao mundo. O nosso calendário é dividido em antes e depois de Cristo, mas existem pessoas que entregam suas vidas por Cristo, outras vivem sem sua influência direta dele e outras odeiam até pronunciar o Seu Nome.

Todos têm o direito de manifestar-se pela ótica da sua verdade e respeitosamente explanar a sua percepção.

Quem disse que podem balizar o nosso pensamento? Quem disse que pode normatizar as nossas vidas? Não podemos calar a nossa voz e obscurecer o que pensamos, principalmente porque o debate saudável de ideias é fundamental para o desenvolvimento humano. Mudar de ideias, repensar posicionamentos é nobre e nos lembra que podemos observar novos conhecimentos, novos argumentos e reconfigurar rotas. Postulados que defendíamos anos atrás hoje podem parecer até mesmo posturas infantis. Se sabemos que estamos em construção e que o dogmatismo afasta pessoas, por que ser tão intransigente? Obrigado, Platão, pelos conselhos sobre a República.

Não queremos obrigar pessoas a pensarem dentro de uma caixa. Quem disse que não somos livres?

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Coreia do Sul Para a Implantação da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil.

Fonte: O Povo, 6/08/2022. Opinião. p.14.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

PENSAMENTO POLÍTICO

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

A ganância de determinados países motiva uma desconfiança que prejudica o entendimento, de um lado, e gera desigualdades e desequilíbrios políticos, econômicos, sociais e culturais, de outro. Nessa linha de raciocínio, surgem a exploração desordenada dos recursos naturais não renováveis, a miséria crescente de milhões de pessoas, a corrida armamentista, a falta de solidariedade humana, a ausência de uma paz estável, dentre outros problemas. O radicalismo tem influenciado de forma negativa as alterações de comportamento e de organização social, nos países socialistas e capitalistas. Crises decorrem de movimentos radicais que não buscam soluções, mas modelos errôneos do ponto de vista socioeconômico e político. Observando-se pensamentos de filósofos clássicos, neoclássicos e modernos, como Pitágoras, Aristóteles, Platão, Max Weber, Kant, Heidegger, Hengel, Marx e mais recentemente de Satre e Maritaim, nota-se uma preocupação básica com a verdade e a existência. Por isso, todos foram verdadeiros formadores de escolas que serviram e ainda servem de orientação a muitas pessoas. Apesar das controvérsias, todos buscaram formas para justificar, de acordo com suas teses e convicções, o sentido da vida, da moral, da ética etc. Segundo Shakespeare, “A política está acima da consciência”. A hipocrisia é a chaga maior dessa atividade. A coerência programática, baseada em princípios cristãos, é o único remédio capaz de combater com eficácia essa doença. De acordo com Jacques Maritain: “O Cristianismo ensinou aos homens que o amor vale mais do que a inteligência”. A arte de pensar é o segredo da vida. Conforme Spencer, “É a mente que faz a bondade e a maldade. Que faz a tristeza ou a felicidade, a riqueza e a pobreza”. Procuremos o sucesso, mediante o pensamento positivo, isolando as ideias inerentes aos sentimentos de ódio, de inveja, do desamor, dentre outros, e não apenas digitando números e letras nem também procurando, sem esforço mental, informações existentes numa máquina. Lembremo-nos de Victor Hugo: “Amo as pessoas que pensam, mesmo aquelas que pensam de maneira diferente de mim”. P.S. O pensamento é a base de qualquer doutrina, numa análise filosófica.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, 25/03/2022. Ideias.

segunda-feira, 21 de março de 2022

DOIS FILÓSOFOS

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

René Descartes (1956-1650) nasceu na França e faleceu na Suécia. Considerado o pai da filosofia moderna, destacou-se como o primeiro grande representante do Racionalismo, seguido então por Leibniz. David Hume (1711-1776), nasceu e faleceu na Escócia, foi um dos mais célebres filósofos da Época Moderna, fundador da escola cética ou agnóstica. Hume possuía muitos seguidores, dentre os quais se destacou Locke. Os pensamentos de Descartes e Hume deram origem a duas correntes filosóficas, respectivamente: o Racionalismo e o Empirismo. Enquanto a primeira diz que a razão é a fonte do conhecimento, a segunda afirma que o conhecimento é adquirido em face da experiência baseada nos sentidos (audição, visão, olfato, tato e paladar). Kant iniciou suas observações filosóficas tentando conciliar as duas correntes, causando muita tensão, o que levou Hegel a conceber com profundidade o seu sistema dialético, desenvolvido por tese, antítese e síntese. A filosofia cartesiana tem por base dois pontos opostos: a coisa pensante (res cogitans), relacionada com o espírito, e a coisa extensa (res extensa) inerente à matéria. Espírito e matéria seriam criações de Deus, cuja existência era essencial à filosofia de Descartes, embora seus seguidores, em épocas posteriores, procuraram omitir qualquer referência a Deus, porém mantendo a divisão entre o espírito e a matéria. Por sua vez, as relações matemáticas, segundo a teoria cartesiana, deveriam proporcionar uma descrição racional de todos os fenômenos naturais, objetivando descobrir a verdade. Descartes escreveu livros famosos como Regras para a conduta do espírito, Le Monde, Discurso do Método, Meditações, dentre outros. Defendeu que o início seria a dúvida e não a fé. Por outro lado, vale ressaltar que o argumento “Penso, logo existo” não foi original, pois fora dito, em outras palavras, por Santo Agostinho há mais de doze séculos. Já Hume desenvolveu suas teses tendo por base o Empirismo, como mencionado. Escreveu textos controvertidos como o “Tratado da Natureza Humana”, “Ensaios”, “Discursos Políticos” etc. No tocante à lógica, analisou a relação de causa e efeito, o que nos leva além dos nossos sentidos. Todavia, Hume nega que não há conexão entre o que existe e o que não existe.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias.4/03/2022.

segunda-feira, 14 de março de 2022

O ESTUDO DA ECONOMIA

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

O pensamento econômico, ao longo do tempo, apresentou modificações significativas. Escolas como a Mercantilista, a Clássica, a Marxista, a Neoclássica, a Keynesiana, a Liberal, dentre outras, mostraram a importância da Filosofia e da Matemática na formação dos princípios e propostas de cada uma delas. Sem dúvida, em todas as escolas, destacaram-se as bases filosóficas objetivando o entendimento da realidade. Já a Matemática foi utilizada, não em todas, com vistas a investigar relações abstratas e lógicas. Com certeza, o progresso econômico e a conscientização das pessoas motivaram o surgimento de teses na área econômica, abrangendo, também, conceitos de ordem política e social. Cientistas e estudiosos, cada um em sua época, como Adam Smith, Ricardo, Stuart Mill, Marx, Marshall e mais recentemente Keynes, Samuelson e Galbraith desenvolveram teorias fundamentadas em diretrizes filosóficas. Por outro lado, Petty, Quesnay, Walras e Leontief, por exemplo, deram ênfase a conceitos matemáticos nas suas teses do equilíbrio econômico geral. A rigor, a Filosofia é dialética, ou seja, analisada como um processo que pode conduzir a discussões profundas, chegando até mesmo a rupturas. A Matemática, no entanto, por ser uma ciência exata, é lógica, possuindo normas de raciocínio. Tanto a Filosofia como a Matemática são importantes na formação das pessoas responsáveis pela formulação de políticas econômicas. Vale lembrar Amatya Sen, em seu livro Desenvolvimento como Liberdade. Com relação ao Brasil dos últimos anos, a Ciência Econômica está mais próxima da Matemática do que da Filosofia. O que não é bom. As discussões e os debates estão se tomando instrumentos de retórica, não ampliando de forma desejada e adequada o pensamento existente. O pragmatismo, com raras exceções, tomou conta dos centros de estudo e pesquisa nacionais. Talvez o processo de globalização, comandado por oito países ricos, bem como a influência de instituições financeiras internacionais, estejam levando o restante do planeta Terra para uma situação indesejável, na base de centro-periferia. Como disse Celso Furtado: “O debate é saber se o Estado vai sobreviver no País, como suprir seu esvaziamento e que consequências esse processo terá para a sociedade”.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias.25/02/2022.

segunda-feira, 7 de março de 2022

PARA ONDE VAMOS?

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

No momento atual, sem querermos ser pessimistas, fatores como a globalização perversa; a busca do poder pelo poder, não respeitando princípios éticos; o fundamentalismo religioso; o corporativismo não solidário e autoritário; o capitalismo selvagem, priorizando os compromissos financeiros especulativos em relação aos gastos nos setores sociais básicos; os estelionatos eleitorais e administrativos motivados por alguns mecanismos de marketing e da falsa mídia, dentre outros elementos, estão conduzindo nações ricas, emergentes e pobres para uma crise que abrange aspectos morais, socioeconômicos, de desesperança, de irresponsabilidade, de justiça, de violência, políticos etc. Para aonde vamos? O que queremos? Eis as grandes questões do século XXI. Se o avanço científico e tecnológico, apoiado quase sempre num propósito egoísta, para certos segmentos da humanidade proporcionou melhores condições de vida, para outros não aconteceu o mesmo. Não somos contra o progresso, todavia não concordamos quando, em consequência, ocorre uma expansão no número de pessoas excluídas e oprimidas. Tais inquietações fazem nos lembrar de Gandhi: “A força de um homem e de um povo está na não violência”, bem como de Santo Tomás de Aquino: “Há homens cuja fraqueza de inteligência não lhes permite ir além das coisas corpóreas”. Precisamos, estrategicamente, pensar o futuro. Para tanto, sem preconceitos, é fundamental a leitura de filósofos e cientistas como Aristóteles, Santo Agostinho, Kant, Hegel, Engels, Ricardo, Weber e tantos outros. Cremos que a grande crise mundial é consequência do aumento do pragmatismo tático e da redução das correntes de pensamento filosófico. Assim disse Confúcio: “Se você quiser prever o futuro, olhe o passado”. Qual o modelo? Não obstante as diferenças culturais dos povos, existem características básicas que devem ser comuns: a justiça; o fim da impunidade; a perspectiva de mobilidade social; a soberania popular, evidenciada por convicções democráticas e não por forças autoritárias; também a busca permanente da paz. Nunca procuremos a subserviência para alcançarmos uma pseudofelicidade, mas sim a inquietação sincera como forma de chegar à liberdade.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias.11/02/2022.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

IDEOLOGIA E PRAGMATISMO

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

Para entendermos doutrinas e princípios inerentes à política, à economia, à história, dentre outras ciências, é fundamental possuir algum conhecimento das filosofias socrática, platônica e aristotélica. A ideologia pode ser vista como um conjunto de verdades definidas por uma pessoa ou grupo de pessoas. Já o pragmatismo é a interpretação das coisas mediante teses visando resultados nem sempre duradouros. A ideologia, quando verdadeira, encontra estratégias para vencer os obstáculos. Já o pragmatismo, procurando resultados de curto prazo, não consolida uma situação racional. A história nos mostra que as manifestações ideológicas, quando consistentes, levam-nos a caminhos pacifistas, éticos, de liberdade, de solidariedade e democráticos. Por outro lado, o pragmatismo de resultados poderá conduzir uma sociedade para desencontros de objetivos, bem como para regras de conduta moral duvidosas. Neste século XXI, os países, quer sejam desenvolvidos ou emergentes, estão em busca de melhores condições materiais, levando-se em conta, principalmente, o chamado processo de globalização. Tal quadro criou teorias confusas misturando teses liberais com teses autoritárias; propostas capitalistas com propostas socialistas; atitudes pacifistas com atitudes bélicas, até mesmo manifestações democráticas com manifestações totalitárias. Dentro deste quadro de referência, é sempre saudável ter a convicção de que a pior democracia é preferível a qualquer ditadura, como também, em qualquer país, o objetivo da atividade estatal deve ser o bem comum e não a vantagem de uma minoria ou de quem governa. As manifestações sinceras e coerentes de apoio e desaprovação a um governo constituem os pilares básicos de sustentação de um sistema democrático. São sinceras, quando não se aproveitam de fatores circunstanciais como também não buscam vantagens eleitoreiras ou de outra natureza, numa visão puramente tática. Por outro lado, são coerentes quando rejeitam o pragmatismo alienado e procuram propostas compatíveis com as diretrizes programáticas baseadas em ideias estratégicas. Ademais, é fundamental ter em mente a defesa de princípios éticos e morais, bem como a importância dos direitos individuais e sociais.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 4/02/2022.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

MUNDO TOLERÁVEL

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

Nosso objetivo é refletir sobre algumas questões que preocupam a opinião pública mundial em nossos dias. A ganância de determinados países motiva uma desconfiança que prejudica o entendimento, gerando desigualdades e desequilíbrios políticos, econômicos, sociais e culturais. Nessa linha de raciocínio, surgem a exploração desordenada dos recursos naturais não renováveis, a miséria crescente de milhões de pessoas, a corrida armamentista, a falta de solidariedade humana, a ausência de uma paz estável, dentre outros problemas. O ideal decadente traduz a falta de perspectiva das novas gerações deixa num clima de perplexidade os mais velhos. Precisamos renascer a cada dia. O ideal se conquista com o trabalho sério, a verdade e os mecanismos justos de colaboração. Segundo Gandhi, “Nada tenho de novo para ensinar o mundo; a verdade (satyagraha) e a não violência (ahimsa) são tão antigas quanto as montanhas. Tudo o que tenho feito é tentar praticar as duas na escala mais vasta que me é possível”. Necessitamos de fé e esperança para sermos tolerantes. O radicalismo tem influenciado de forma negativa as alterações de comportamento e de organização social. Crises, desemprego, miséria, endividamento e violência decorrem de movimentos radicais que não buscam soluções, mas modelos errôneos do ponto de vista socioeconômico e político. Todavia, é extremamente difícil e controvertido encontrar um modelo sociológico, filosófico e ideológico, capaz de gerar uma unanimidade. Enfim, qual o mundo tolerável? Na nossa opinião, pelo menos, não deverão prevalecer a ganância, a falta de ideal, o fundamentalismo e o ódio. Por sua vez, conforme Noberto Bobbio, “A primeira grande distinção no universo das doutrinas políticas é a que contrapõe teorias idealistas do Estado perfeito, ou da melhor forma de governo, e teorias realistas”. Assim, a ideologia pode ser vista como um conjunto de verdades definidas por uma pessoa ou grupo de pessoas. A ideologia, quando é verdadeira, torna-se estratégica, vence os obstáculos, alcançando a certeza da existência de Deus. P.S. O amor sempre vencerá o ódio.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 28/01/2022.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

GOVERNABILIDADE

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

Entendemos por ética a parte da filosofia que trata de disciplinar e orientar o comportamento humano, ou seja, é a ciência da moral. Esta, por sua vez, representa os bons costumes e a boa conduta, de acordo com os preceitos socialmente fixados pela sociedade. Já a governabilidade pode ser entendida pela qualidade intrínseca do governante, significando a importância da tranquilidade política e socioeconômica para que um governo possa desempenhar suas atividades básicas. Em todos os tempos e sob qualquer regime a governabilidade só alcançou sucesso na medida em que se apoiou em princípios éticos. “O fim justifica os meios”, conforme Maquiavel, não é uma atitude estratégica e muito menos ética, mas uma conduta incorreta que não leva uma sociedade a uma situação de justiça, bem como baseada na essência da democracia. Nos dias atuais existem muitos países ditos democráticos; elegem seus governantes, todavia, não apresentam uma sincera e clara harmonia entre os aspectos éticos e de governabilidade. Esses países são subdesenvolvidos, estão em fase de desenvolvimento ou, até mesmo, podem ser considerados desenvolvidos. Acreditamos que eles fazem parte de um contexto que é a nova versão do colonialismo primitivo e do imperialismo industrial, isto é, a globalização perversa, dominada pelo sistema financeiro internacional. Não é justo atender exigências monetárias e financeiras significativas, deixando o povo desempregado, com fome, sem esperança, com problemas de educação, saúde e violência etc., em função da falsa governabilidade. Os dirigentes de tais países chegam a rejeitar a ética, argumentando a necessidade da governabilidade. Lamentavelmente, cremos que alguns governantes não sabem distinguir os dois conceitos. Por sua vez, defendemos que ética e governabilidade caminhem juntas, buscando uma sociedade politicamente aberta, soberana, de economia forte e socialmente justa. A globalização não perversa é importante, porém, sem explorados e exploradores; sem discriminação; vinculada a um debate amplo sobre tecnologia, pobreza, crescimento, meio ambiente e políticas sociais. P.S. Numa Democracia é fundamental a harmonia e a independência dos Poderes Constituídos.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 19/11/2021.

 

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