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terça-feira, 29 de setembro de 2026

O deus Pã e a Arcádia

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Queres conhecer a história de um ‘locus amoenus’, onde a paz escondia-se do frenesi da vida urbana e era buscada na harmonia da convivência com a natureza?

Na região montanhosa do Peloponeso, onde rochas escavadas espreitam grandes abismos, vegetação campestre, sem o dossel de florestas, tocada pelo vento que sopra do Mediterrâneo, era ali que Pã se deliciava, ao lado de pastores e ninfas, numa paz bucólica. Um mito nasceu, com o deus da natureza e dos pastores, em idílica harmonia.

Arcádia, uma unidade regional da Grécia, que ainda hoje existe com sua capital Trípoli, é uma região da península do Peloponeso, situação geográfica, que ensejou a mitologia bucólica, exaltando a calmaria e a beleza da natureza, em harmonia com a simplicidade dos pastores. Eles apascentavam seus rebanhos, compondo canções campesinas, nascidas do cenário natural da montanha e encostas, bem distante dos burburinhos e dos contratempos citadinos.

Esta mitologia de uma visão idílica de harmonia da criatura com a natureza, decantada como reino da felicidade, da simplicidade e da paz em comunhão com a natureza e onde os vícios da civilização não punham os pés, ensejou o nascimento do Arcadismo a cultivar tal harmonia, o qual espalhou-se pela Europa, tendo o primeiro movimento literário surgido em Roma, em 1690, a Arcádia de Roma, cujo lema era inutilia truncat (corte as coisas inúteis).

Encontram-se, porém, referências a este mito, nas Bucólicas de Virgílio, com seu gênero pastoril.  Também chamadas Éclogas, escritas acerca de 39 a.C., Virgílio apresenta cenário pastoril com cantos de amores e lamentos, servindo de inspiração ao Arcadismo. Ele, segundo alguns, foi o primeiro latino a criar poesia bucólica, com base na poesia neotérica de Calímaco, cujo ‘sopro’ introduz a Bucólica VI: “Quando eu cantava reis e batalhas, Cíntio [isto é, Apolo] puxou-me a orelha e admoestou-me: ‘Ao pastor, ó Títiro, convém apascentar a gorda ovelha e cantar um poema ligeiro’”.

No Renascimento, também há citações de escritores, como Garcilaso de la Vega que assemelha Arcádia à felicidade e harmonia do Paraíso.

Mas, foi somente nos séculos XVII e XVIII, que se cunhou a nomenclatura Arcadismo, também denominada Setecentismo ou Neoclassicismo e começaram a surgir Arcádias – academias literárias, sendo a segunda a Arcádia Lusitana, fundada em 1756, com seus membros assumindo nomes de pastores, inspirados na antiga Grécia, e estimulando o retorno ao classicismo. Nesses clubes, poetas e intelectuais eram assíduos em ler obras, cultuar literatura clássica.

Entre várias obras marcantes, cita-se Marília de Dirceu de Tomás Antônio Gonzaga, sob o pseudônimo de Dirceu – publicado nos anos de 1792, 1799, 1812 e, no Brasil, destaca-se o mineiro e inconfidente Cláudio Manuel da Costa (1729–1789), sob pseudônimo Glauceste Satúrnio, que marcou o Arcadismo no Brasil, com Obras Poéticas (1768). 

E qual a etimologia de Arcádia?

Arcádia deriva do grego Αρκαδία, (no latim Arcas, Arcadis) e remete ao latim ‘fugere urbem’ (fugir da cidade). O termo pode também ter relação ao semideus Arcas, filho de Zeus e de sua amante, a ninfa Calisto. Arcas remete a Arktos, com a significação de ‘urso, em grego. Diz a mitologia que a ninfa Calisto, mãe de Arcas, teria sido transformada em uma ursa por ciúme de Hera, esposa de Zeus, e, por isso, seu filho levou o nome que significa “urso”. Hermes, então, salva a criança, por ordem de Zeus, o qual, depois, teria transformado sua mãe na constelação de Ursa Maior e Arcas na constelação de Ursa Menor.

Em resumo, pode-se dizer que o Arcadismo se baseia, nos postulados:

1. Inutilia truncat. Este lema da Arcádia Romana colimava o objetivo maior: extirpar todo o excesso inútil, que, mais tarde, inspirou o neoclassicismo a romper com o requintado do estilo barroco;

2. Fugere urbem. Deixar o bulício e a corrupção da cidade para encontrar o ‘locus amoenus’: inocência e conexão com a vida campestre, refúgio de harmonia.

3. Carpe diem. Desfrutar o hoje, mergulhar na realidade que se está vivendo, nas circunstâncias, sem se inquietar demasiado, nem se angustiar com o amanhã.

Devido ao desejo de uma vida rústica e bucólica, poetas renascentistas tornaram a Arcádia um mito literário: um lugar utópico de inocência, simplicidade, amor e prazeres simples.

Um abençoado domingo, com as bênçãos de Deus!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 5/07/26.


quarta-feira, 26 de outubro de 2022

GREGOS, DEUSES, MITOS E NOSSOS DIAS

Por Paulo Roberto Carvalho de Almeida (*)

A Grécia antiga tem influenciado muitos povos, desde a antiguidade até os dias atuais. Os gregos tinham uma mitologia muito rica, inúmeros deuses e deusas, que também eram mitos. Entre eles, havia um, considerado deus supremo, senhor dos céus e da luz, que despejava raios e fazia chover, o que fazia brotar, na terra, a vida. Seu nome era Zeus. Daí alguns dizem, ter se originado a palavra Deus. Outro deus-mito – parente do primeiro, pois eram da mesma natureza – controlava o mundo subterrâneo, da escuridão e das sombras. Era chamado Hades, senhor do que depois se chamou inferno. Era o mito da morte, que se opunha à vida. Houve muitas versões desses mitos/deuses ao longo da história. Hitler foi um deles. Alguém tem dúvida de qual foi sua inspiração?

Na alegoria da caverna de Platão, seres prisioneiros de si mesmos enxergam eles próprios e objetos do mundo real como sombras, pois o fogo que ilumina a caverna está distante e rodeado de obstáculos. Assim, aquelas imagens distorcidas e veladas pareciam-lhes ser a primeira e única representação do mundo possível.

A Psicologia, principalmente junguiana, traz os conceitos de luz e sombra como elementos da Psique. Cada um de nós porta em si arquétipos milenares que, de alguma forma não completamente compreendida pelo racionalismo científico, fazem parte de nós, nos constroem e/ou, nos destroem. A tomada da consciência da sombra que existe em todos nós é um passo essencial no caminho do autoconhecimento. O desafio é tentar compreendê-la e integrá-la à luz da consciência, na realização de si mesmo.

Numa variação antropológica do mesmo tema, há a lenda dos dois lobos, dos índios cherokees. Nela, o pequeno índio sente-se confuso em situações do dia a dia, dividido entre sentimentos conflitantes: de um lado, ódio, raiva, crueldade, inveja, egoísmo, ressentimento, intolerância e desejo de violência; do outro, amor, serenidade, humanidade, empatia, generosidade, compaixão e desejo de paz. Pergunta, então, ao ancestral nativo:

– Vô, disseram que tenho dentro de mim dois lobos, um bom e um mau. Mas como vou saber qual o lobo que vai ser o mais forte? O que vai me dominar?

E a resposta do ancestral:

– O que você alimentar!

Nos tempos atuais (como em todos os tempos), temos uma escolha. Qual alimentar?

(*) Médico patologista e professor da UFC. Musicólogo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/09/2022. Opinião. p.19.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

O TEMPO TRÁGICO DA PANDEMIA

Por Cláudia Leitão (*)

“És um senhor tão bonito... compositor de destinos... E quando eu tiver saído para fora do teu círculo, tempo, tempo, tempo, tempo, não serei nem terás sido..." Na sua Oração ao Tempo, Caetano Veloso profetiza a essência dos tempos em que vivemos.

Eles simbolizam a fadiga de uma razão linear e evolucionista da vida social. Enquanto tempo trágico, inverso ao tempo comum, a pandemia demonstra que é uma ilusão acreditar que caminhamos em direção ao futuro.

Pelo contrário, voltamos sempre ao ponto de partida. Impossível lutar contra o tempo trágico. Somos espectadores impotentes diante do desfile de imagens de um filme invertido. Quando chegamos ao começo, ou quando o começo chega até nós, somos nós que acabamos.

A dramaturgia do Édipo Rei, que revela a tragédia da condição humana. A história começa com um sacerdote de Tebas que vem implorar pela ajuda do rei Édipo, pois a cidade está assolada pela peste.

Édipo foi condenado à morte quando ainda era recém-nascido. Laio, rei de Tebas e seu pai, ouviu do oráculo de Delfos que o filho o mataria e desposaria sua mãe, Jocasta.

Diante da revelação, o rei decide mandar matar o filho. Um pastor é convocado para a tarefa, mas apieda-se e o leva para casa, oferecendo-o posteriormente a Políbio, rei de Corinto, para adoção.

O desenrolar da peça conduz Édipo a realizar a profecia do oráculo. Ao levantar das cortinas, o drama já está consumado.

Todos os personagens parecem livres para agir, mas, na verdade, somente vivem ilusões de futuro. No início, sabe-se o fim, e no final, compreende-se o início.

A essência da tragédia de Sófocles está no entrecruzamento e tensionamento do tempo real com o tempo trágico. A alegoria de uma cidade adoecida é o pano de fundo da tragédia.

A peste é o início e o fim de uma narrativa, processo e produto dos desvarios humanos. "Salva Tebas hoje para todo o sempre! Se tens de ser o governante dessa terra, que é tua, é preferível ser senhor de homens que de um deserto," diz o sacerdote ao rei Édipo.

Impossível não pensarmos sobre a atualidade do texto de Sófocles... 

(*) Professora da Uece. Diretora do Observatório de Governança Municipal do Iplanfor.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/6/21. Opinião, p.22.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Palestra da ACEMES: “Mitologia Grega”


O Presidente da Academia Cearense de Médicos Escritores (ACEMES), o médico e professor José Maria Chaves, convida para a Palestra “Mitologia Grega”, a ser proferida pelo professor e escritor José Alves, ilustre acadêmico da ACEMES e sócio da Sobrames/CE.
Data: 24 de julho de 2017 (segunda-feira).
Horário: 19h30min.
Local: Auditório da Clínica do Obeso – Avenida Antônio Sales, 1.540, em frente ao Carrefour, em Fortaleza-CE.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Membro da Sobrames-CE e da ACEMES

domingo, 18 de janeiro de 2015

A CONFUSÃO É GRANDE NO OLIMPO IV


21. Oráculo de Delfos vaza números do orçamento e provoca pânico nas Bolsas.
22. Vênus de Milo promete dar uma mãozinha a desempregados.
23. Áries, deus da guerra, foi pego em flagrante desviando armamento para a milícia carioca.
24. Sócrates, Aristóteles e Platão negam envolvimento na rebelião da USP: "Estamos na pindaíba, mas ainda não descemos a esse ponto".
25. A caverna de Platão está abrigando milhares de sem teto.
26. Descobri o porquê da crise: os economistas estão falando grego!!!
Fonte: Internet (circulando por e-mail). Autoria ignorada.

A CONFUSÃO É GRANDE NO OLIMPO III


14. Lula recomenda demissão de Zeus e indica Zéus Dirceu para o cargo.
15. Hermes está entregando o currículo para trabalhar nos correios. Especialidade: entrega rápida.
16. Caronte anuncia que a partir da próxima semana passará a aceitar o bilhete único.
17. Afrodite aceitou posar para a Playboy.
18. Sem dinheiro pra pagar os salários, Zeus libera as ninfas pra trabalharem na Eurozona.
19. Ilha de Lesbos abre resort hétero.
20. Para economizar energia, Diógenes apaga sua lanterna.
Fonte: Internet (circulando por e-mail). Autoria ignorada.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A CONFUSÃO É GRANDE NO OLIMPO II

8. O Minotauro está puxando carroça para ganhar a vida.
9. Acrópole é vendida e em seu lugar é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de Zeus.
10. Afrodite teve que montar uma banquinha de produtos afrodisíacos para pagar as contas.
11. Eurozona rejeita Medusa como negociadora grega: "ela tem minhocas na cabeça".
12. Sócrates inaugura Cicuta's Bar para tentar ganhar uns trocados.
13. Dioniso vende seus vinhos na beira da estrada de Marathónas.
Fonte: Internet (circulando por e-mail). Autoria ignorada.

A CONFUSÃO É GRANDE NO OLIMPO I

1. Zeus vende o seu trono para uma multinacional coreana.
2. Medusa faz bico na ala dos ofídios em um zoológico local.
3. Narciso vende seus espelhos para pagar a sua dívida do cheque especial.
4. Aquiles vai tratar o seu calcanhar no SUS.
5. Eros e Pan inauguram um prostíbulo.
6. Hércules suspende os seus 12 trabalhos por falta de pagamento.
7. Medusa transforma pessoas em pedra e vende na Cracolândia.
Fonte: Internet (circulando por e-mail). Autoria ignorada.
 

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