quinta-feira, 5 de março de 2026

PROTAGONISMO DA DIVERSIDADE

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Sem liberdade, perde-se a essência da existência, perde-se a dignidade de filhos de Deus, perde-se o direito à autodeterminação, perde-se o direito a escolhas e o encontro do sentido da vida esvai-se como fumaça. A paz torna-se um pesadelo. A cidadania vai para o ralo e a gente deixa DE SER GENTE, de ser humano, se nos extirparem o direito de pensar, de decidir, de ser.

Esse ponto não é o calcanhar de Aquiles, mas é o fio condutor da coexistência humana, nos seus princípios, valores, direitos e deveres, em vista do bem comum – para todos e não para castas e elites, cada pessoa com capacidade e oportunidade de desenvolver seus potenciais de sobrevivência, de existência e de convivência.

Dizem que a diversidade é uma riqueza da humanidade e o é. Todavia, diversidade sem universidade, ou seja, sem algum polo de convergência, torna-se ‘Homo homini lupus’, como dizia Thomas Hobbes, fundamentado na Asinaria do dramaturgo romano Plauto. Parodiando-o, ouso afirmar “Diversitas homini ac vitae lupus”.

A diversidade de flores, árvores, montes e colinas, de animais e toda sorte de seres vivos, não apenas forma ecossistemas e assegura a vida deles e do planeta, mas nos fala de uma harmonia que mantém a dinâmica da natureza. Diferentemente dessas classes, que denominamos de irracionais e são movidas pelo instinto de sobrevivência da ‘struggle for life’, como expressava Darwin, referindo-se à sobrevivência das espécies, a criatura humana é o protagonista da história do planeta, com a diversidade de culturas, de raças, de hábitos e de crenças. Com sua capacidade de pensar, de discernir e de decidir, o ser humano pode optar pela vida ou pela morte, pela paz ou pelo ódio, pela tolerância ou pelo preconceito, pela exclusão ou pela inclusão, pelo todo ou pelas partes, pelo diálogo ou pela submissão, pelo diálogo ou pelo confronto, pela ruptura, pela beligerância ou pela harmonia da interdependência, pela honradez ou pela bandidagem, pela virtude ou pelo vício, pelo prazer ou pelo amor, pela convivência ou pela divergência, pela constatação ou contestação, pela confraternização ou pela conflagração, pela liberdade ou pela escravidão. Enfim, pela cidadania, que nos irmana e nos faz todos cidadãos e cidadãs do mundo, com direitos inalienáveis e deveres inextinguíveis, ambos inegociáveis.

Não se podem confundir sobrevivência e consciência por subserviência, fé com irracionalidade, livre arbítrio com libertinagem.

Fala-se em riqueza de diversidade, mas se golpeiam cultos, crenças e opiniões divergentes. Fala-se de tolerância, mas invadem-se liberdade e dignidade de princípios e valores. Fala-se de respeito, mas confunde-se fidelidade com fundamentalismo e extremismo.

Precisamos de um ponto comum, numa reflexão profunda, séria e verdadeira, para nos situarmos com justiça, verdade, respeito, tolerância. Assim, construiremos, deveras, o respeito que merecem as diversidades, no concerto sereno, justo e convivencial de todas as nações, de todos os povos. Ou, então, continuaremos a nos ‘hipocritar’, enquanto dança estranha torna-se vírus mortal de toda a riqueza e beleza e magnanimidade da diversidade e da própria vida.

E paz e amor e justiça exorcizam-se da humanidade.

No final, uma pequena reflexão pessoal.

Creio que não somos produtos do acaso. Mas, uma Sabedoria incriada, absoluta e poderosa proporcionou-nos ‘vida plena’ de pujantes dons de ser e de viver, colocando-os dentro de nós, à espera de os descobrimos e deles fazermos nossos condutores, conselheiros e companheiros essenciais de nossas decisões, atitudes e gestos. Denomino-O Deus, Criador de todas as coisas, a Quem devemos, como humanidade, como indivíduos e como pessoas, reconhecimento, gratidão e responsabilidade de cuidar com amor, carinho e determinação de nossa ‘casa comum e de todos os seus habitantes’.

Independentemente de qualquer postura, que deve ser respeitada, a afirmação de Benjamin Franklin ainda pulula, gritante e contundente, em nossas mentes e nos arremete a sérias e profundas reflexões: “Achar que o mundo não tem um Criador é o mesmo que afirmar que um dicionário é o resultado de uma explosão numa tipografia.”

Deus é bom!

Tenhamos uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 6/02/26.

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