Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
Sem liberdade, perde-se a essência da
existência, perde-se a dignidade de filhos de Deus, perde-se o direito à
autodeterminação, perde-se o direito a escolhas e o encontro do sentido da vida
esvai-se como fumaça. A paz torna-se um pesadelo. A cidadania vai para o ralo e
a gente deixa DE SER GENTE, de ser humano, se nos extirparem o direito de
pensar, de decidir, de ser.
Esse ponto não é o calcanhar de Aquiles,
mas é o fio condutor da coexistência humana, nos seus princípios, valores,
direitos e deveres, em vista do bem comum – para todos e não para castas e
elites, cada pessoa com capacidade e oportunidade de desenvolver seus
potenciais de sobrevivência, de existência e de convivência.
Dizem que a diversidade é uma riqueza da
humanidade e o é. Todavia, diversidade sem universidade, ou seja, sem algum
polo de convergência, torna-se ‘Homo homini lupus’, como dizia Thomas Hobbes,
fundamentado na Asinaria do dramaturgo romano Plauto. Parodiando-o, ouso
afirmar “Diversitas homini ac vitae lupus”.
A diversidade de flores, árvores, montes e
colinas, de animais e toda sorte de seres vivos, não apenas forma ecossistemas
e assegura a vida deles e do planeta, mas nos fala de uma harmonia que mantém a
dinâmica da natureza. Diferentemente dessas classes, que denominamos de
irracionais e são movidas pelo instinto de sobrevivência da ‘struggle for
life’, como expressava Darwin, referindo-se à sobrevivência das espécies, a
criatura humana é o protagonista da história do planeta, com a diversidade de
culturas, de raças, de hábitos e de crenças. Com sua capacidade de pensar, de
discernir e de decidir, o ser humano pode optar pela vida ou pela morte, pela
paz ou pelo ódio, pela tolerância ou pelo preconceito, pela exclusão ou pela
inclusão, pelo todo ou pelas partes, pelo diálogo ou pela submissão, pelo
diálogo ou pelo confronto, pela ruptura, pela beligerância ou pela harmonia da
interdependência, pela honradez ou pela bandidagem, pela virtude ou pelo vício,
pelo prazer ou pelo amor, pela convivência ou pela divergência, pela
constatação ou contestação, pela confraternização ou pela conflagração, pela
liberdade ou pela escravidão. Enfim, pela cidadania, que nos irmana e nos faz
todos cidadãos e cidadãs do mundo, com direitos inalienáveis e deveres
inextinguíveis, ambos inegociáveis.
Não se podem confundir sobrevivência e
consciência por subserviência, fé com irracionalidade, livre arbítrio com
libertinagem.
Fala-se em riqueza de diversidade, mas se
golpeiam cultos, crenças e opiniões divergentes. Fala-se de tolerância, mas
invadem-se liberdade e dignidade de princípios e valores. Fala-se de respeito,
mas confunde-se fidelidade com fundamentalismo e extremismo.
Precisamos de um ponto comum, numa reflexão
profunda, séria e verdadeira, para nos situarmos com justiça, verdade,
respeito, tolerância. Assim, construiremos, deveras, o respeito que merecem as
diversidades, no concerto sereno, justo e convivencial de todas as nações, de
todos os povos. Ou, então, continuaremos a nos ‘hipocritar’, enquanto dança
estranha torna-se vírus mortal de toda a riqueza e beleza e magnanimidade da
diversidade e da própria vida.
E paz e amor e justiça exorcizam-se da
humanidade.
No final, uma pequena reflexão pessoal.
Creio que não somos produtos do acaso. Mas,
uma Sabedoria incriada, absoluta e poderosa proporcionou-nos ‘vida plena’ de
pujantes dons de ser e de viver, colocando-os dentro de nós, à espera de os
descobrimos e deles fazermos nossos condutores, conselheiros e companheiros
essenciais de nossas decisões, atitudes e gestos. Denomino-O Deus, Criador de
todas as coisas, a Quem devemos, como humanidade, como indivíduos e como
pessoas, reconhecimento, gratidão e responsabilidade de cuidar com amor,
carinho e determinação de nossa ‘casa comum e de todos os seus habitantes’.
Independentemente de qualquer postura, que
deve ser respeitada, a afirmação de Benjamin Franklin ainda pulula, gritante e
contundente, em nossas mentes e nos arremete a sérias e profundas reflexões:
“Achar que o mundo não tem um Criador é o mesmo que afirmar que um dicionário é
o resultado de uma explosão numa tipografia.”
Deus é bom!
Tenhamos uma boa sexta-feira, com as
bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 6/02/26.

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