sábado, 12 de junho de 2021

LOCKDOWN, A MASMORRA DO VAREJO

Por Freitas Cordeiro (*)

Ontem, alta madrugada, apanhei-me transitando na terra do nunca, em meio a uma pandemia que dizimava grande massa da população, condenada ao isolamento e distanciamento social de calabouços, a pretexto de lhe ser oferecida proteção. Revoltou-me que inocentes, sem culpa formada, estivessem sendo submetidos a um dos piores castigos gerados na época medieval.

A penalidade, em momentos de modernidade, recebeu a denominação pomposa de Lockdown, preservando, contudo, a sua cota de barbárie, impingindo pena desproporcional aos condenados, eis que submetidos à morte por inanição.

Ancorando-se tão e só em indicativos científicos, atropelam os direitos constitucionais de locomoção, reunião e os fundamentos dos valores sociais do trabalho, da livre iniciativa e da liberdade de manifestação.

Sob o pálio de proteger a vida, supremo bem do homem, tripudiam sobre aqueles direitos, esquecendo que as garantias constitucionais só podem sofrer quaisquer limitações mediante duas medidas para a restauração da ordem em momentos de anormalidade: Estado de Defesa e Estado de Sítio, sempre sob o crivo das Casas do Povo.

Todos esses decretos, jorrados da pena solitária de um executor desavisado, atentam contra os direitos fundamentais do homem, máxime o da vida, porquanto remetem ao calabouço, sem garantia do mínimo de sobrevivência, as pessoas e as empresas, dentre estas se destacando o comércio varejista.

Como sair da Crise? Abram as portas das masmorras. Vamos desenvolver "ritos de passagem", numa construção coletiva. A solução somente virá com a participação efetiva da sociedade. O Governo precisa assumir o seu papel de executor das políticas públicas, evitando as aglomerações e construindo uma solução efetiva para o desafio do transporte público.

Quem não precisa sair à luta, todos os dias, para assegurar a própria subsistência e da família não é a pessoa mais indicada para estar ditando regulamentos restritivos nestas horas de extrema anormalidade.

Acordei, de sobressalto. Assustou-me a sensação de que estamos caminhando para o Estado de Necessidade, onde tudo se consente e a anarquia encontra campo propício à sua instalação.

Decidi!

"Vou-me embora pra Passárgada, lá sou amigo do rei."

Pensem nisto.... 

(*) Presidente da FCDL.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/4/21. Opinião, p.23.


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