quinta-feira, 24 de junho de 2021

COOPERAR OU MORRER, O MUNDO EM TESTE COM A COVID-19

Por Marcus Vinicius Amorim de Oliveira (*)

Cooperar ou morrer. Ulrich Beck, muito conhecido pela teoria do risco nas sociedades pós-industriais, colocou desse modo, sem tirar nem pôr, o desafio dos Estados-nações diante da mudança climática.

Ele defende o reconhecimento do fato de que o princípio da soberania, independência e autonomia nacionais é um obstáculo à sobrevivência da humanidade e que a "declaração de independência" precisa ser trocada pela "declaração de interdependência".

O texto foi publicado em 2016, pouco depois de sua prematura morte, e nele se toma como exemplo outro risco global, para o qual Harari acredita que a pandemia de Covid-19 servirá como teste e que nos aponta a importância das escolhas políticas.

De fato, a capacidade de cooperação da humanidade está sendo posta à prova. Temos visto muitos acertos mas também outros tantos erros nas escolhas feitas.

É que, apesar dos inegáveis avanços do conhecimento científico, ninguém tem a receita infalível para lidar com a pandemia. Os vírus, afinal, sofrem mutações e a ciência mesma, que tem se mostrado ainda mais importante, é feita de tentativa e erro.

Esta pandemia é um risco global que exige coordenação e cooperação no mesmo nível, uma situação talvez inédita no mundo.

Dá para perceber claramente que há aqueles que erram tentando acertar e aqueles que erram porque querem mesmo errar, visando outros interesses, dos geopolíticos até os mais mesquinhos.

E especialmente por aqui, como anda faltando racionalidade comunicativa, o que observamos é o reavivamento de uma polarização ideológica absurda - logo, o inverso daquilo de que mais precisamos - de tal maneira que nenhum dos lados que ora se antagonizam alcança o que pretende.

No Brasil, quem almeja confinar as pessoas para conter a infecção não recebe suficiente adesão delas; e quem quer deixar rolar para a economia não parar de girar tampouco consegue evitar sua desaceleração.

Faltam-nos liderança e confiança uns nos outros para superar essa falsa dicotomia. Passou da hora do bom senso e do diálogo voltarem à cena política. Enquanto isso, à míngua de cooperação, seguimos todos morrendo. 

(*) Promotor de justiça.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/04/21. Opinião, p.20.

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