quinta-feira, 3 de junho de 2021

A TRAGÉDIA NA SAÚDE CEARENSE

Por Marcelo Affonso (*)

Equipes exaustas, psicológica e fisicamente afetadas. Conviver diariamente, de forma ininterrupta, com o crescente número de casos de Covid-19 tornou a vida dos profissionais de Saúde do Ceará ainda mais difícil. Diante dessa ameaça mortal e nebulosa, encontram-se médicos dedicados e corajosos, mas pouco valorizados. Presenciar o sofrimento humano e a morte é tarefa para fortes; mas, mesmo os fortes desanimam. Superlotação de unidades, falta de recursos e insumos básicos para a manutenção da vida e a omissão das autoridades competentes são aliados do vírus mortal.

Recentemente, publicações na imprensa expõem a falta de oxigênio, especialmente nos municípios menores do Ceará. A escassez acontece após denúncias de empresas que disponibilizavam o oxigênio não hospitalar para uso humano. O que causa questionamento pela sociedade é a falta de fiscalização de contratos pelo poder público nesses supostos crimes cometidos. Sofro em pensar a agonia das equipes na luta por salvar pessoas que, na verdade, recebiam oxigênio usado para soldar metais.

Cada centavo gasto em corrupção e desvio de dinheiro público fortalece a COVID-19. As inúmeras denúncias de má utilização dos recursos públicos provocam no cidadão comum a sensação de impunidade. Equipamentos públicos como o Hospital Regional do Vale do Jaguaribe, com início de construção em 2017, investimento inicial de cerca de 120 milhões de reais e até o momento não disponibilizado à população, poderiam estar atendendo milhares de pessoas nas localidades mais carentes do Estado. Outro exemplo é o do Hospital Regional de Itapipoca, com cerca de 20 milhões de investimento e concluído desde 2014, a unidade encontra-se indisponível à população.

Mas a desvalorização também é percebida na relação entre profissionais médicos e operadoras de saúde privadas. Atualmente, a maioria das operadoras de saúde no Ceará utilizam tabelas de remuneração médicas defasadas. Resta apelar à sociedade e ao poder público que compreendam os riscos à vida derivados de uma gestão que não valoriza o profissional de saúde. Escutem nossos médicos! 

(*) Médico ortopedista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/4/21. Opinião, p.20.

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