terça-feira, 24 de março de 2026

Investimentos tangível e intangível no Ceará

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Na economia, a aplicação de capital em bens materiais, físicos e essenciais à produção, à operação e à geração de valor de uma empresa, ou à reserva de valor pessoal, caracteriza os investimentos tangíveis.

Os intangíveis são representados por pesquisa e desenvolvimento, software, base de dados, design e marcas e patentes. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) produziu o estudo "O Brasil no cenário global de investimentos intangíveis", que complementa o relatório World Intangible Investment Highlights 2025, divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), incluindo dados brasileiros pela primeira vez.

O INPI analisou a inserção do Brasil nas tendências do estudo da OMPI. Entre os destaques, observou-se que, entre 2010 e 2021, os investimentos intangíveis cresceram 2% ao ano, superior aos tangíveis que caíram 0,8%. Além disso, a participação dos investimentos intangíveis no PIB chegou a 8,5%, acima de setores como a agropecuária (7,7%) e a indústria extrativa mineral (5,5%).

Entretanto, esse descasamento não deve ocorrer, pois a falta de investimentos tangíveis pode limitar os efeitos da digitalização, da pesquisa e desenvolvimento e das inovações, gerando um descompasso entre as capacidades tecnológica e produtiva física.

No contexto da retomada de obras federais, com articulação direta do governador Elmano de Freitas, destacam-se três iniciativas de alto impacto sobre os investimentos tangíveis: a Transnordestina, a duplicação da BR 116 e a duplicação do Eixão das Águas.

No Ceará, os municípios de Quixadá, Maranguape, Missão Velha, Iguatu, Quixeramobim, além do terminal de cargas do Porto do Pecém, funcionarão como terminais intermodais, integrando a produção oriunda dos 36 Arranjos Produtivos Locais (APLs) do estado, e os 108 arranjos e aglomerados produtivos mapeados pelo Centro de Ensino Tecnológico (Centec).

A Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag-CE), junto com a Casa Civil, o Centec e a UFC, desenvolve, no âmbito do programa Cientista-Chefe, uma linha de atuação voltada à estruturação e à otimização da logística dessa capacidade produtiva. Para ilustrar, o terminal de Maranguape integrará as BR-116, BR-020 e BR-222, podendo receber 50% da produção desses APLs.

Portanto, este é o caminho do desenvolvimento e para a redução das desigualdades no Brasil. O Ceará consolida-se como referência em inovação e transformação digital, com data centers e localização estratégica que ampliam as conexões por meio de cabos submarinos, enquanto fortalece a produção física de bens, abrindo novos mercados internacionais. Assim, a convergência de investimentos tangíveis e intangíveis elevará o desenvolvimento territorial do Estado.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 19/02/26. Opinião. p.11.

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