Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)
Na economia, a
aplicação de capital em bens materiais, físicos e essenciais à produção, à
operação e à geração de valor de uma empresa, ou à reserva de valor pessoal,
caracteriza os investimentos tangíveis.
Os intangíveis
são representados por pesquisa e desenvolvimento, software, base de dados,
design e marcas e patentes. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial
(INPI) produziu o estudo "O Brasil no cenário global de investimentos
intangíveis", que complementa o relatório World Intangible Investment
Highlights 2025, divulgado pela Organização Mundial da Propriedade
Intelectual (OMPI), incluindo dados brasileiros pela primeira vez.
O INPI analisou a
inserção do Brasil nas tendências do estudo da OMPI. Entre os destaques,
observou-se que, entre 2010 e 2021, os investimentos intangíveis cresceram 2%
ao ano, superior aos tangíveis que caíram 0,8%. Além disso, a participação dos
investimentos intangíveis no PIB chegou a 8,5%, acima de setores como a
agropecuária (7,7%) e a indústria extrativa mineral (5,5%).
Entretanto, esse
descasamento não deve ocorrer, pois a falta de investimentos tangíveis pode
limitar os efeitos da digitalização, da pesquisa e desenvolvimento e das
inovações, gerando um descompasso entre as capacidades tecnológica e produtiva
física.
No contexto da
retomada de obras federais, com articulação direta do governador Elmano de
Freitas, destacam-se três iniciativas de alto impacto sobre os investimentos
tangíveis: a Transnordestina, a duplicação da BR 116 e a duplicação do Eixão
das Águas.
No Ceará, os
municípios de Quixadá, Maranguape, Missão Velha, Iguatu, Quixeramobim, além do
terminal de cargas do Porto do Pecém, funcionarão como terminais intermodais,
integrando a produção oriunda dos 36 Arranjos Produtivos Locais (APLs) do
estado, e os 108 arranjos e aglomerados produtivos mapeados pelo Centro de
Ensino Tecnológico (Centec).
A Secretaria do
Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag-CE), junto com a Casa Civil, o
Centec e a UFC, desenvolve, no âmbito do programa Cientista-Chefe, uma linha de
atuação voltada à estruturação e à otimização da logística dessa capacidade
produtiva. Para ilustrar, o terminal de Maranguape integrará as BR-116, BR-020
e BR-222, podendo receber 50% da produção desses APLs.
Portanto, este é
o caminho do desenvolvimento e para a redução das desigualdades no Brasil. O
Ceará consolida-se como referência em inovação e transformação digital, com
data centers e localização estratégica que ampliam as conexões por meio de
cabos submarinos, enquanto fortalece a produção física de bens, abrindo novos
mercados internacionais. Assim, a convergência de investimentos tangíveis e
intangíveis elevará o desenvolvimento territorial do Estado.
(*) Mestre em
Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e
Planejamento do Eusébio-Ceará.
Fonte:
O Povo,
de 19/02/26. Opinião. p.11.

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