Por Emanuel
Freitas da Silva (*)
Nesta quarta começa a Quaresma, tempo
litúrgico do catolicismo. Constitui-se de quarenta dias de preparação para a
celebração da Páscoa, ponto alto da fé cristã. Na liturgia de hoje, lê-se a
passagem de Marcos 1, versículo 15: "O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo.
Convertei-vos e crede no Evangelho!"
Sim, o chamado maior do Cristo foi, e é,
o da conversão, a metanóia. Seguir a Cristo é "nascer novamente", "renunciar-se
a si mesmo", ser "outro": "Eis que faço novas todas
coisas".
Lembrei disso ao ver, na volta dos
trabalhos à Alece, o discurso proferido por uma deputada para mostrar desacordo
com o Plano de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado pelo governo federal.
Segundo ela, por não ter "chamado as igrejas", o plano não merecia
ser considerado; daí a performance de rasgá-lo para "sair no jornal"
- nisso, foi ela prontamente atendida, pois nossos jornais publicaram a cena,
viralizando-a.
Mas, a deputada
evangélica, esquecendo-se que Cristo veio "para que todos tenham
vida, e vida em abundância", desejou às feministas "três crises de
convulsão e AVC". Em vez de conversão, desejou doença (grave). Em vez de
vida, padecer.
A retórica não é deslocada: pelo
contrário, como nos lembra declaração captada por este jornal, ano passado, da
boca de um outro deputado, também evangélico, falando a políticos de seu grupo,
admoestando-os de que desejar a morte de Lula “não funciona”, pois ele mesmo já
orou "muito".
"Fazei bem aos que vos perseguem e orai
pelos vossos inimigos" é ordem dada pelo Cristo, a quem dizem seguir; ordem
que se junta a tantas outras, às quais os nobres deputados parecem desconhecer.
Nas proximidades de sua
"paixão", segundo relato do Evangelho de João, lê-se o que seria a
"oração sacerdotal" que Cristo fez ao Pai, com um desejo: que olhando
para seus seguidores, "o mundo creia". O testemunho que tais falas
nos dão nos permitem crer no Cristo? O leitor veria Jesus, Maria, os apóstolos,
os profetas e os santos desejar "crises de convulsão",
"AVC" e "oração pela morte" de desafetos? Como esquecer a
ordem de Jesus para que Pedro guardasse sua espada, que desejava usar contra o
soldado romano?
Nobres excelências, "convertei-vos
e crede no Evangelho". Em nome de Jesus, "até por uma coroa
trocar!".
(*) Professor adjunto
de teoria política da Uece/Facedi.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/02/26. Opinião. p.10.

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