Por Diego Capibaribe (*)
Quando falamos em câncer masculino, a
maioria das pessoas se lembra do câncer de próstata. No entanto, existe outro
tumor, menos frequente, mas potencialmente grave, que afeta principalmente
homens jovens: o câncer de testículo. Apesar de raro, representa o tumor sólido
mais comum em homens de 15 a 35 anos, uma faixa etária que, por se considerar
saudável, muitas vezes negligencia a própria saúde.
Um ponto animador é o câncer de testículo
ser altamente curável na maioria dos casos, mesmo quando diagnosticado em
estágios avançados. Mas, para isso, é preciso que o homem esteja atento aos
sinais. O sintoma mais frequente é o aparecimento de um nódulo endurecido ou
aumento do volume em um dos testículos, geralmente indolor. Para nós,
urologistas, a ausência de dor é traiçoeira, pois leva muitos pacientes a
retardarem a procura por atendimento.
Embora não exista uma causa única, sabemos
que fatores como o histórico de criptorquidia (testículo que não desceu para a
bolsa escrotal na infância), antecedentes familiares e algumas condições
genéticas aumentam o risco. Por este motivo, sempre reforço a importância do
autoexame testicular mensal (que pode ser feito durante o banho, quando a pele
do escroto está mais relaxada), um gesto simples, que leva menos de um minuto e
pode salvar vidas.
O tratamento da doença depende do tipo e do
estágio do tumor, mas normalmente começa com a remoção cirúrgica do testículo
afetado. Em seguida, podem ser indicadas quimioterapia ou radioterapia, com
excelentes índices de sucesso. E aqui está a mensagem fundamental aos leitores:
perder um testículo não afeta necessariamente a fertilidade nem a produção
hormonal de forma significativa, e hoje há próteses testiculares que restauram
a estética e a autoestima do homem.
Como médico, penso que precisamos quebrar o
tabu em torno da saúde masculina. A vergonha e a desinformação ainda são
barreiras perigosas, que podem custar caro. O diagnóstico precoce é nossa arma
mais poderosa, e começa com a atenção do próprio homem ao seu corpo. Cuidar de
si não é sinal de fragilidade, mas de responsabilidade.
(*) Médico urologista.
Especialista em cirurgia robótica.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/01/2026. Opinião. p.22.

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