segunda-feira, 2 de março de 2026

Um alerta aos homens de todas as idades

Por Diego Capibaribe (*)

Quando falamos em câncer masculino, a maioria das pessoas se lembra do câncer de próstata. No entanto, existe outro tumor, menos frequente, mas potencialmente grave, que afeta principalmente homens jovens: o câncer de testículo. Apesar de raro, representa o tumor sólido mais comum em homens de 15 a 35 anos, uma faixa etária que, por se considerar saudável, muitas vezes negligencia a própria saúde.

Um ponto animador é o câncer de testículo ser altamente curável na maioria dos casos, mesmo quando diagnosticado em estágios avançados. Mas, para isso, é preciso que o homem esteja atento aos sinais. O sintoma mais frequente é o aparecimento de um nódulo endurecido ou aumento do volume em um dos testículos, geralmente indolor. Para nós, urologistas, a ausência de dor é traiçoeira, pois leva muitos pacientes a retardarem a procura por atendimento.

Embora não exista uma causa única, sabemos que fatores como o histórico de criptorquidia (testículo que não desceu para a bolsa escrotal na infância), antecedentes familiares e algumas condições genéticas aumentam o risco. Por este motivo, sempre reforço a importância do autoexame testicular mensal (que pode ser feito durante o banho, quando a pele do escroto está mais relaxada), um gesto simples, que leva menos de um minuto e pode salvar vidas.

O tratamento da doença depende do tipo e do estágio do tumor, mas normalmente começa com a remoção cirúrgica do testículo afetado. Em seguida, podem ser indicadas quimioterapia ou radioterapia, com excelentes índices de sucesso. E aqui está a mensagem fundamental aos leitores: perder um testículo não afeta necessariamente a fertilidade nem a produção hormonal de forma significativa, e hoje há próteses testiculares que restauram a estética e a autoestima do homem.

Como médico, penso que precisamos quebrar o tabu em torno da saúde masculina. A vergonha e a desinformação ainda são barreiras perigosas, que podem custar caro. O diagnóstico precoce é nossa arma mais poderosa, e começa com a atenção do próprio homem ao seu corpo. Cuidar de si não é sinal de fragilidade, mas de responsabilidade.

(*) Médico urologista. Especialista em cirurgia robótica.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/01/2026. Opinião. p.22.


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