terça-feira, 17 de março de 2026

Por que relacionamentos definham?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Relacionamentos de amizade e, sobretudo, de amor, começam com muito elã, com muito aconchego, mas, com o passar do tempo, muitas vezes, esse elã e esse aconchego vão diminuindo, por vários motivos. A rotina instala a mesmice, a casa emudece, as paredes ensurdecem, e os ambientes, cegos, monologam. As conversas diminuem e os encontros tornam-se frios.

Esse ramerrão, que anula sentimentos e mata relacionamentos, pode descambar para um afastamento, que, aos poucos, vai configurando uma separação de corpos, de afetos, de atenção, de cuidados até um rompimento total e irrecuperável.

Às vezes, acontece uma solidão discreta, surda e invisível aos outros, mas sentida e demonstrada através de sorrisos amarelos e palavras, que não implicam a força real de um relacionamento. Esse mal-estar silencioso instala um distanciamento erosivo e a dimensão emocional começa a desmilinguir-se, a partir de uma dissonância interior acerca da validade da continuidade do relacionamento; perdem-se a espontaneidade convivencial, a alegria do sabor do encontro e o ambiente torna-se mais do que frio, por vezes, tempestuoso.

O espirito também ressente-se e começa a encolher-se, não encontrando guarida coloquial de partilha e de reciprocidade.

É importante considerar que as pessoas não renunciam àquilo que são, elas continuam sendo o que elas são. E, quando buscam apresentar máscaras apenas de qualidades e virtudes, a realidade cobra alto preço do estorvo do ‘si mesmo’ de cada um, pois, a sua farsa impede qualquer tipo de correção, de adaptação e de ajustes e parte para acusar e cobrar mudanças do outro.

Tanto na vida social, familiar e relacional, o autogerenciamento e o autocontrole precisam ser aprendidos e ativados, no sentido de que ninguém se relaciona com pedaços, tampouco com máscaras, se o objetivo é estabilidade, serenidade e paz; sem ocultar nem fugir, nem menosprezar a ‘si mesmo’, senão cultivar o equilíbrio e a autoestima, com humildade e sinceridade e abertura. É impossível tentar burlar a identidade pessoal, sem infames sequelas traumáticas.

O elã, que motivou o relacionamento, volto a dizer, pode amainar um pouco, ou mesmo debilitar-se, mas pode ser reavivado pela prudência, pela gestão das emoções e atitudes, pela adaptação respeitosa de caracteres e o autocontrole, em vista de construir ou reificar o sentido do relacionamento e da amizade.

Não se trata de ‘renunciar’ à sua identidade, aos seus sonhos, senão de aprender que não há paz com máscaras, nem amor sem abertura ao outro.

Não é o outro que deve mudar, são os dois que precisam se entender e se adaptar.

Tenhamos uma boa terça-feira,  com as bênçãos de Deus!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 17/02/26.


Nenhum comentário:

 

Free Blog Counter
Poker Blog