Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
José, filho de Jacó, descendente de Davi,
nascido em Belém, teve uma boa formação, no seio de sua família. Radicado em
Nazaré, conhecia de perto a família de Maria e admirava a firmeza de educação
que Joaquim e Ana ministravam a Maria, sua futura esposa.
Isso posto, algumas considerações:
A história ignota de José pulsa, visível e
vibrante, em suas atitudes como homem, esposo e pai adotivo, sediada no
caráter, na lealdade, na humildade e na fé.
Embora não se saiba, em que idade, mudou-se
para Nazaré, José conhecera a família de Maria, talvez, no seu mister de fabro
e dedicava-lhe profunda admiração.
O silêncio, que perpassa toda a sua
história, desenhou a grandeza de seus feitos, que os fatos revelam. E, diante
de fatos, ideias, opiniões e tudo se calam, porque a luz, que brilha, clareia e
atrai.
Imaginar um homem, cheio de amor por uma
mulher, em véspera de casamento, deparar-se com uma súbita e inexplicável
gravidez, é não ceder à fragilidade natural, é não se dar a um juízo
apriorístico, é ser mais forte que os sentimentos e pensamentos que pretendem
vaguear pelos meandros da mente.
José sentiu esse espinho, mas pensou na
rosa, cujo perfume fez-se mais possante que o incômodo do espinho.
Sentindo-se impotente de compreender o que
lhe parecia incompreensível, sua mente inquieta e atormentada, adormece-lhe o
corpo cansado e, naquele sono irrequieto, uma visão o acalma e ratifica o
parecer, que sua alma sempre lhe dizia de sua noiva.
Uma visão onírica e não uma aparição foi
suficiente para a humildade da fé de José.
Ora, acreditar em visões não é tão fácil,
pelas diversas circunstâncias e situações em que ocorrem, quanto mais dar
crédito a sonhos.
E José acreditou, pois, no fundo de sua
alma, essa fé já havia criado raízes e o amor da mulher amada falava-lhe de
afeto, carinho e pureza virginal.
Eles provêm de insensibilidade invisível,
que ultrapassa o além do visível, podem ser sintomas, premonições ou avisos e,
muitas vezes, padecem de frustrações, sentimentos calcados e refugados. Sonhos
levam a uma dimensão, onde a liberdade de devaneios, de imaginação não se
prende a limites, onde a liberdade espraia-se além das fronteiras contingentes.
Sonhos são sonhos e podem não ser nada
mais.
Para José, assim como para outros
personagens bíblicos, em outros tempos e situações, sonhos foram linguagem de
Deus e a esta linguagem sua fé curvou-se, incontinenti. No silêncio de sua
alma, José escutou, nada perguntou, nem questionou, apenas obedeceu.
O mistério do DNA de Deus guardou-o
consigo, tomou Maria como esposa e assumiu-se paladino do Salvador, até seus
últimos dias, quando adormeceu, acolitado por ambos.
Seu silêncio ficou silenciado no seio da
Igreja, por séculos, até que sua grandeza brilhou, intensamente, quando, em 8
de dezembro de 1870, a Sagrada Congregação dos Ritos promulgou o decreto QUEM
AD MODUM DEUS (Da mesma maneira que Deus), que comunicou a decisão do Papa
Pio IX de declarar São José como Patrono da Igreja Universal.
A inexcedível e extraordinária grandeza de
São José põe-no acima de todos os santos, somente abaixo de Maria Santíssima.
São José, rogai por nós, pela Igreja, pelos
sacerdotes e religiosos, por todos os cristãos, pelo mundo e pela Pátria
Brasileira.
Tenhamos uma boa sexta-feira, com as
bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 20/03/26.

Nenhum comentário:
Postar um comentário