sexta-feira, 20 de março de 2026

São José, paladino de nossa salvação

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

José, filho de Jacó, descendente de Davi, nascido em Belém, teve uma boa formação, no seio de sua família. Radicado em Nazaré, conhecia de perto a família de Maria e admirava a firmeza de educação que Joaquim e Ana ministravam a Maria, sua futura esposa.

Isso posto, algumas considerações:

A história ignota de José pulsa, visível e vibrante, em suas atitudes como homem, esposo e pai adotivo, sediada no caráter, na lealdade, na humildade e na fé.

Embora não se saiba, em que idade, mudou-se para Nazaré, José conhecera a família de Maria, talvez, no seu mister de fabro e dedicava-lhe profunda admiração.

O silêncio, que perpassa toda a sua história, desenhou a grandeza de seus feitos, que os fatos revelam. E, diante de fatos, ideias, opiniões e tudo se calam, porque a luz, que brilha, clareia e atrai.

Imaginar um homem, cheio de amor por uma mulher, em véspera de casamento, deparar-se com uma súbita e inexplicável gravidez, é não ceder à fragilidade natural, é não se dar a um juízo apriorístico, é ser mais forte que os sentimentos e pensamentos que pretendem vaguear pelos meandros da mente.

José sentiu esse espinho, mas pensou na rosa, cujo perfume fez-se mais possante que o incômodo do espinho.

Sentindo-se impotente de compreender o que lhe parecia incompreensível, sua mente inquieta e atormentada, adormece-lhe o corpo cansado e, naquele sono irrequieto, uma visão o acalma e ratifica o parecer, que sua alma sempre lhe dizia de sua noiva.

Uma visão onírica e não uma aparição foi suficiente para a humildade da fé de José.

Ora, acreditar em visões não é tão fácil, pelas diversas circunstâncias e situações em que ocorrem, quanto mais dar crédito a sonhos.

E José acreditou, pois, no fundo de sua alma, essa fé já havia criado raízes e o amor da mulher amada falava-lhe de afeto, carinho e pureza virginal.

Eles provêm de insensibilidade invisível, que ultrapassa o além do visível, podem ser sintomas, premonições ou avisos e, muitas vezes, padecem de frustrações, sentimentos calcados e refugados. Sonhos levam a uma dimensão, onde a liberdade de devaneios, de imaginação não se prende a limites, onde a liberdade espraia-se além das fronteiras contingentes.

Sonhos são sonhos e podem não ser nada mais.

Para José, assim como para outros personagens bíblicos, em outros tempos e situações, sonhos foram linguagem de Deus e a esta linguagem sua fé curvou-se, incontinenti. No silêncio de sua alma, José escutou, nada perguntou, nem questionou, apenas obedeceu.

O mistério do DNA de Deus guardou-o consigo, tomou Maria como esposa e assumiu-se paladino do Salvador, até seus últimos dias, quando adormeceu, acolitado por ambos.

Seu silêncio ficou silenciado no seio da Igreja, por séculos, até que sua grandeza brilhou, intensamente, quando, em 8 de dezembro de 1870, a Sagrada Congregação dos Ritos promulgou o decreto QUEM AD MODUM DEUS (Da mesma maneira que Deus), que comunicou a decisão do Papa Pio IX de declarar São José como Patrono da Igreja Universal.

A inexcedível e extraordinária grandeza de São José põe-no acima de todos os santos, somente abaixo de Maria Santíssima.

São José, rogai por nós, pela Igreja, pelos sacerdotes e religiosos, por todos os cristãos, pelo mundo e pela Pátria Brasileira.

Tenhamos uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 20/03/26.


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