Por Lauro Chaves Neto (*)
A Economia
Circular deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se consolidar como
estratégia essencial de competitividade para a indústria. Em um cenário de
escassez de recursos, aumento de custos e pressão por sustentabilidade,
reaproveitar materiais, reduzir desperdícios e redesenhar processos produtivos
não é mais opção - é necessidade.
Para que essa
transformação aconteça de forma consistente, é fundamental promover a
colaboração integrada entre os diferentes níveis de governo, os elos da cadeia
produtiva e os trabalhadores do setor industrial. A atuação conjunta permite
superar barreiras regulatórias, alinhar políticas públicas e criar um ambiente
favorável à inovação. Cabe ao poder público criar incentivos, atualizar
legislações e oferecer segurança jurídica.
A indústria ocupa
papel central nesse processo. É nela que surgem as maiores oportunidades de
redução de impactos ambientais, economia de insumos e aumento da produtividade.
A adoção de modelos circulares possibilita às empresas reduzir custos
operacionais, otimizar o uso de energia, reaproveitar resíduos e desenvolver
novos produtos a partir de materiais antes descartados, ampliando também a
competitividade nacional e internacional.
Nesse contexto, a
colaboração público-privada é decisiva. Parcerias estratégicas estimulam o
desenvolvimento de tecnologias limpas, a modernização dos processos produtivos
e a criação de novos modelos de negócio. Reconhecer e divulgar experiências
bem-sucedidas é fundamental para inspirar outras indústrias a adotarem práticas
sustentáveis.
Além dos ganhos
ambientais, esse modelo gera impactos sociais positivos, com a criação de
empregos, valorização do trabalho local e fortalecimento das cadeias produtivas
regionais. Investir em Economia Circular é apostar em desenvolvimento econômico
com responsabilidade social.
Para a indústria
brasileira, a Economia Circular não é uma escolha, é uma imposição do presente.
Permanecer preso a modelos ultrapassados significa perder competitividade,
mercados e oportunidades. O futuro da produção exige inovação e uso inteligente
dos recursos.
(*)
Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de
Economia.
Fonte: O Povo, de 2/02/26. Opinião. p.20.

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