Por Rita Fabiana Arrais (*)
A cidade de
Juazeiro do Norte é um dos campos mais fecundos das variadas manifestações
religiosas populares do Brasil. A sua religiosidade parece distante de tudo que
achamos sacrificial e místico.
O calendário
religioso local distribui-se entre dez romarias por ano, permitindo o fluxo
constante de romeiros, ao mesmo tempo em que fortalece a economia com o aumento
da circulação de moedas, e a geração de empregos.
Ocorreu entre os
dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro a Romaria das Candeias, conhecida como a
"procissão luminosa". Dados disponibilizados pela Secretaria de
Desenvolvimento Econômico Turismo e Inovação de Juazeiro do Norte (Sedetur)
informam que mais de 250 mil pessoas visitaram a cidade.
Não há
informações concretas de quando iniciou-se a romaria, mas um fato importante e
conhecido como a narrativa mais popular e fiel, é que no "[...] o
crescimento do povoado no final do século XIX, em busca de alento espiritual e
material, surgiu a necessidade de gerar emprego. Um serralheiro, passando por
dificuldades, pediu ajuda ao Padre Cícero, que o orientou a fabricar
candeeiros. [...] e aproveitando-se da comunhão com o povo os instruiu a
comprar candeeiros para utilizar na data da procissão' (MARINHO, R. 2023).
A excelente
resolutiva empreendedora do Padre reverbera por todo o Nordeste, relacionando
as romarias aos efeitos do mercado econômico local.
A exploração dos
preços de bens e serviços em tempos de romarias reflete a ausência de
estratégias entre os empreendedores locais, (que precisam vender seus
produtos), e o poder público que poderia negociar medidas em forma de
incentivos promovendo a estagnação de preços, ou aumentos reduzidos e
fragmentados anualmente para setores específicos da romaria, como os ranchos e
pousadas.
É notório que as
elevações de preços de diárias em 300%, com oferta de um quarto modesto com
banheiro no corredor por uma bagatela de R$ 500,00 reais por pessoa é imoral.
Outros produtos chamaram atenção pelo preço, como por exemplo: 300 ml de água
por R$ 4,00, o café com leite e o pão de sal por R$ 7,00, o almoço estava o
quilo por R$ 59,90, o prato de sopa ou caldo no jantar era vendido a R$ 15,00.
Diante desta
realidade muitos romeiros passaram a substituir a alimentação, e a pernoitar
dentro dos ônibus, em praças ou arredores das igrejas.
Perolina Lins,
uma romeira de Maceió que durante a missa na Basílica Nossa Senhora das Dores,
cantou assim o seu bendito da carestia: "Meu padrinho Ciço Romão nos ajude
por favor. É grande a exploração na cidade do Senhor! Nas pousadas e racharia
os valores são altos demais. E os romeiros sofrendo sem poder viajar mais.
(*) Economista.
Fonte: O Povo, de 13/02/26. Opinião. p.19.

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