domingo, 22 de março de 2026

Ariosto Holanda morre e o Ceará chora

Por Marcelo Bloc (*)

O falecimento aconteceu na manhã deste sábado, 21, e o ex-deputado deixa legado das estratégias de desenvolvimento da Ciência e Tecnologia para o País e sobretudo para o Ceará

O engenheiro, ex-deputado federal e ex-secretário do governo estadual, Francisco Ariosto Holanda, morreu na manhã deste sábado, 21 de março, em Fortaleza, aos 87 anos, por complicações da doença de Parkinson.

O velório de Ariosto ocorreu a partir das 10h, na Funerária Ternura, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O sepultamento foi realizado às 16h, no cemitério Parque da Paz, no bairro Passaré, na capital cearense. Nascido no dia 11 de outubro de 1938, em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, Ariosto era filho de Francisco Holanda de Oliveira e Raimunda Chagas Oliveira.

Ele foi estratégico para o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia do Ceará. Semeou a ideia da educação técnica e profissional como uma ferramenta de transformação e inclusão social para os jovens, que resultou nas Escolas Estaduais de Educação Profissional, hoje espalhadas por todo o Ceará. Também criou o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec).

Suas principais contribuições acadêmicas e políticas, para a inovação tecnológica no Nordeste, foram a criação de "bancos de soluções" e o fomento ao biodiesel como ferramentas de emancipação econômica para o pequeno produtor e para o trabalhador regional. Os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) também foram criados sob a liderança de Ariosto Holanda.

Ariosto concebeu os CVTs como uma ferramenta para levar a Ciência e a Tecnologia ao pequeno produtor e ao jovem. Levava como um dos lemas que o acesso ao conhecimento técnico é um direito fundamental e essencial para a dignidade humana.

Citando o filósofo britânico Karl Popper, em uma entrevista ao documentário do O POVO+, Memórias O POVO, Ariosto defendeu a "audácia intelectual" e criticou a falta de políticas públicas voltadas a dignidade da pessoa humana e para o pequeno produtor, o que considerou uma omissão grave. "O que está em jogo nas regiões subdesenvolvidas é a dignidade da pessoa humana, é o direito à vida. Então isso aí resume tudo, né? É o direito à vida. Nós não temos mais direito à vida. (...) E eu não aceito, não aceito você ter projetos que podem mudar a vida das pessoas e não plantar. Então eu não aceito isso", disse ele.

Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também foi professor, trabalhou na distribuidora de energia elétrica, Companhia Energética do Ceará (Coelce) e Petrobras. Ariosto Holanda foi parlamentar por cinco mandatos e recebeu diversos prêmios relacionados à Ciência e Tecnologia.

Iniciou a vida política assumindo a Secretaria da Indústria e Comércio do Estado do Ceará (1987-1989) no primeiro governo Tasso Jereissati. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo partido PSB e conseguiu ser eleito na última colocação dentre os elegíveis (22ª posição).

Um dos filhos de Ariosto, Paulo André Holanda, atua como superintendente regional do Serviço Social da Indústria (Sesi) Ceará e diretor Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Ceará). Na gestão de Educação e Tecnologia, ele frequentemente representa o legado do pai em eventos de inovação no Estado.

O Instituto Iracema Digital criou uma honraria com seu nome. Em 2025, já chegou à III Comenda Ariosto Holanda de Ciência, Tecnologia e Inovação, que premia pessoas que têm contribuído para o fortalecimento da inovação tecnológica no Ceará. Na ocasião, todos os homenageados no evento exaltaram o legado do ex-deputado Ariosto Holanda, pelo pioneirismo de adotar estratégias voltadas ao desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no Ceará nos anos nos quais não se debatia o assunto.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/03/26. Notícias p.10.


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