De sua Limoeiro natal, Ariosto Holanda,
morto no último sábado, aos 87 anos, costumava dizer que havia aprendido o dom
da fraternidade, levando-o para o mundo. Essa qualidade era conjugada no seu
dia a dia de professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), deputado federal
ou missionário da ciência, sempre a serviço de um horizonte no qual a justiça
social era mestra e definidora de seus passos.
Parlamentar de seis mandatos, com
experiência tanto pelo Executivo (foi secretário nos governos de Tasso
Jereissati) quanto pela academia, onde ocupou-se da docência por décadas,
Ariosto era vocacionado para o trabalho de partilha do conhecimento.
Daí que tenha se especializado nesse papel
de estabelecer pontes entre áreas que normalmente se mantêm distantes,
associando técnica e humanismo com o propósito de encontrar respostas para
problemas concretos. Nele o saber era mais valioso se pudesse ajudar a
contornar as dificuldades cotidianas.
A tecnologia, por exemplo, só tinha
serventia se auxiliasse na redução do fosso das desigualdades. Desse espírito
politicamente comprometido com o bem-comum nasceram os Centros Vocacionais
Tecnológicos (CVTs) e o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), ambos
instrumentos de disseminação da educação em modalidades diversas.
Esse era o norte da trajetória de Ariosto,
que cuidou em aproximar o Ceará de uma perspectiva moderna sem negligenciar a
correção dos desníveis econômicos e sociais. Como titular da Secretaria de
Ciência e Tecnologia, lançou sementes que ainda hoje operam como diretriz dos
projetos concebidos no estado, o que só reforça uma visão de desenvolvimento de
longo prazo que não se media por colorações partidárias. Pelo contrário, a
política não era um fim em si mesma, tampouco meio para enriquecimento e permanência
no poder.
No Legislativo, empenhou-se na tarefa de
fazer avançar o Ceará mediante somatório de esforços orientados para um mesmo
objetivo, fosse o de ampliar a rede de ensino técnico, fosse o de criar
soluções inteligentes para vencer as dificuldades mais agrestes que o
território impunha, tal como a escassez hídrica.
Nisso se vê como Ariosto se guiava por um
compromisso inarredável com os cearenses e com o Nordeste, região na qual
depositava plena confiança quando se tratava de apostar no futuro.
Nascido Francisco Ariosto Holanda, falava
com orgulho da simplicidade dos pais. Logo chegou à universidade, onde se
formou em Engenharia Civil. De lá seguiu para vida sortida em experiências na
esfera privada e também na pública, onde fez carreira como gestor. Essa
caminhada está fartamente documentada nas páginas do O POVO, que sempre soube
reconhecer-lhe os méritos.
A propósito de suas ideias e sonhos, dele
se dizia com frequência, a título de elogio: é "homem à frente do seu
tempo". Não era. Ariosto era fruto de sua época, com raízes fincadas no
mesmo presente que dividia com seus conterrâneos, atento aos desafios que a
realidade apresentava e pronto a encontrar respostas para os impasses que
afligiam sua gente.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Editorial, p.20.

Nenhum comentário:
Postar um comentário