Por Sofia Lerche Vieira (*)
A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF),
instituída em 1973, agrega um conjunto de 19 municípios (Aquiraz, Cascavel,
Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, Guaiúba, Horizonte, Itaitinga,
Maracanaú, Maranguape, Pacajus, Pacatuba, Paracuru, Paraipaba, Pindoretama, São
Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu e Trairi). Sua criação coincidiu com
iniciativas semelhantes voltadas à integração do planejamento e da organização
de municípios espacialmente próximos das capitais. Um dos objetivos era mitigar
o crescimento desordenado resultante de fatores diversos, dentre eles o êxodo
rural e a industrialização.
Passados mais de 50 anos de seu surgimento,
imensos desafios persistem na região, a maioria dos quais associados às
desigualdades de infraestrutura e desenvolvimento entre a capital e os
municípios adjacentes. Dentre esses cabe assinalar a segurança pública, a
mobilidade e o transporte urbano, o saneamento básico, habitação e educação.
Aprofundemos este último aspecto.
Em termos de matrículas na educação básica,
a RMF responde por 42% da oferta total do Estado, com 913.559 alunos em 2024
(INEP, 2024). Das matrículas públicas, 51% situam-se nas redes municipais e 19%
na rede estadual.
No que se refere ao número de
estabelecimentos de ensino, a RMF possui 2.466 escolas, sendo 1.132 (46%)
municipais e 284 (12%) estaduais. O quadro docente é composto de 28.781
professores, sendo 21.054 pertencentes às redes municipais e 8.067 docentes da
rede estadual. Quanto ao vínculo de trabalho, 56% dos professores das redes
municipais e 48% da rede estadual são concursados.
Os dados apresentados mostram a
complexidade do recorte territorial, seja em termos de quantidade de municípios
com contextos socioeconômicos, territoriais e educacionais diversos, como no
que diz respeito as capacidades estatais para implementação de políticas
educacionais.
Estudos sobre aspectos relacionados aos
indicadores educacionais mais relevantes como taxas de rendimento, distorção
idade-ano, organização da oferta por rede, permitirão melhor compreender os
desafios educacionais dessa complexa região.
(*) Professora do
Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/02/26. Opinião. p.18.

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