Por Tales de Sá Cavalcante (*)
O iteano (engenheiro formado no ITA) Sílvio
Meira, em uma de suas brilhantes conferências, solicitou: "Por favor,
levante o braço quem estiver com celular." Todos ergueram. Em seguida,
indagou: "Quem aceita passar meia hora com todos a ficarem com um telefone
de outro?" Quase ninguém aceitou.
Meira demonstrou que o chamado telefone
móvel não é tão móvel. Ou: só é móvel quando o seu portador se move. Silvio
mostrou: a máquina já se integra ao corpo humano. Estamos em tempos de
"cyborg" e a antiga ficção da TV "O Homem de Seis Milhões de
Dólares" já é real.
Sempre com seu celular, Darilane seguia
Chico Buarque em "Cotidiano" e fazia tudo sempre igual. Findo o
trabalho, ingressou na van topic que a levava ao seu lar, cotidianamente.
Naquele dia, havia um passageiro destoante. Em uma das paradas, furtou o
telefone de Dari e saiu a correr.
A vítima o perseguiu. O assaltante entrou
num ônibus. Dari ingressou no coletivo que vinha a seguir e contou o ocorrido
ao motorista. O condutor acalmou-a, ao dizer: ambos os veículos irão parar no
terminal de Messejana, já próximo.
Lá, o meliante desceu e correu. Dari
disparou atrás, a ecoar o conhecido grito de guerra "pega ladrão" e a
solicitar companhia na perseguição. Os transeuntes a acompanharam, dominaram o
bandido e o entregaram à polícia.
Duas lições foram dadas: a primeira quando
Dari, ao correr perigo de vida, ignorou a orientação da polícia para não
reagir. A segunda deu-se quando Dari, ao invés de acomodar-se, perseguiu o
ladrão e convocou à ação os que ali estavam.
E por qual motivo não nos revoltamos ao
saber dos desvios de dinheiro comunitário?
Devemos nos conscientizar de que os haveres
públicos não são de uma pessoa chamada União, governo, prefeitura, et cetera. O
bem público é nosso. Se nos incomoda o roubo de um simples celular, por que não
nos revoltamos com os nossos bilhões desviados atualmente, no maior escândalo
financeiro de nossa História?
Ao reconhecermos todo o dinheiro desviado na
atual e imensa fraude, como nosso, dos brasileiros, provavelmente seguiremos o
exemplo de Dari. Como? 2026 é ano de eleição. Que tal iniciar pelo voto?
(*) Reitor do FB UNI e
Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia
Cearense de Letras.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/06/26. Opinião, p.16.

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