Por Kleber Carvalho, jornalista de O Povo.
Medidas de
acompanhamento gestacional e cuidados com recém-nascidos são apontados como
peças-chave para redução. Estado busca reduzir taxa de mortalidade para menos
de 10 óbitos a cada mil nascidos vivos
RESUMO A mortalidade infantil no Ceará caiu 68% desde o início do
século. Entre 2000 e 2025, o número de óbitos entre recém-nascidos (até um ano
de idade) regrediu de 3.8 mil para 1.2 mil por ano no Estado.
Os dados fazem parte do Boletim
Epidemiológico Óbitos Infantis e Fetais Evitáveis no Ceará, documento divulgado
pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e que mostra a evolução da prevenção à
mortalidade infantil no Estado.
No início dos anos 2000, o Ceará tinha uma
média de 26,5 bebês mortos a cada mil nascidos vivos. Pouco mais de duas
décadas depois, a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) está em 11,2 crianças
mortas a cada mil nascimentos, índice 57% menor.
De acordo com a Sesa, a redução evidenciada
pelo boletim é resultado de parceria com os municípios para a qualificação da
atenção primária em saúde na capital e no interior cearense.
Com mais recursos de acompanhamento em
saúde antes, durante e depois do nascimento, as crianças do
Estado enfrentam cada vez menos com problemas que antes eram determinantes
para o falecimento, como erros no pré-natal e baixa assistência ao bebê nos
primeiros dias de vida.
"Quando eu fortaleço a saúde da família eu tenho expansão no
pré-natal, qualifico mais essa gestante, a puérpera e a criança. Essas
estratégias fazem com que haja essa redução, porque eu garanto parto seguro e
humanizado, cobertura vacinal maior, acompanho o desenvolvimento dessa criança
e controle de doenças crônicas", explica a orientadora da Célula de Atenção Primária e
Promoção da Saúde da Sesa, Sheila Santiago.
Com mais recursos de acompanhamento em
saúde antes, durante e depois do nascimento, as crianças do
Estado enfrentam cada vez menos com problemas que antes eram determinantes
para o falecimento, como erros no pré-natal e baixa assistência ao bebê nos
primeiros dias de vida.
"Quando eu fortaleço a saúde da família eu tenho expansão no
pré-natal, qualifico mais essa gestante, a puérpera e a criança. Essas
estratégias fazem com que haja essa redução, porque eu garanto parto seguro e
humanizado, cobertura vacinal maior, acompanho o desenvolvimento dessa criança
e controle de doenças crônicas", explica a orientadora da Célula de Atenção
Primária e Promoção da Saúde da Sesa, Sheila Santiago.
Essas investigações permitem determinar por
exemplo se a morte ocorreu nos períodos neonatal precoce, neonatal tardio ou
pós-neonatal.
Essa especificação é importante porque cada
uma dessas fases do recém-nascido tem motivos recorrentes de mortalidade. Se há
muitas crianças morrendo nos seis primeiros dias de vida, a causa dessas mortes
pode estar relacionada ao pré-natal feito pelas gestantes.
Essa ciência permite que ações preventivas
sejam intensificadas e possam e diminuam as mortes classificadas pela
Secretaria de Saúde como "óbitos evitáveis", ou seja, aqueles que
poderiam não ter acontecido se a atenção à gestante e à criança fosse melhor
executada.
"A investigação de óbito vê justamente essas falhas e começa a
trabalhar nessas falhas. Assistência ao pré-natal e ao neonatal são
fundamentais para a redução desses óbitos", conclui Santiago.
Mais da metade
dos óbitos infantis ocorre nos primeiros seis dias de vida
Mais de 52% dos óbitos de recém-nascidos no
Ceará ocorrem ainda nos seis primeiros dias de vida. Segundo a Sesa, as
principais causas desses falecimentos são problemas na formação da criança
durante a gravidez, como transtornos de baixo peso e desconfortos
respiratórios.
Em 2025, 104 crianças faleceram vítimas de
baixo peso no Ceará, enquanto outras 67 tiveram problemas de respiração ao
longo da primeira semana.
Ainda conforme o boletim, os riscos
diminuem no período neonatal tardio, quando as complicações estão relacionadas
especialmente à septicemias e problemas de formação do coração.
Entretanto, são as mortes do neonatal
tardio que chamam a atenção das autoridades de saúde, com algumas de suas
causas relacionadas à falta de vacinação dos recém-nascidos, além de
septicemias e más-formações, também.
"Esse é um ponto importantíssimo e que nosso sistema de saúde tem
se debruçado. O Brasil sempre foi exemplar em termos de cobertura vacinal,
desde o SUS. Nos últimos anos temos observado o crescimento de um discurso
antivacina, e que tem comprometido a decisão dos responsáveis em garantir os
esquemas vacinais. Essa hesitação pode ter efeitos importantes para agravamento
de adoecimentos e repercussão nas taxas de óbitos pós-neonatal", pontua Lima.
No Ceará, esse acompanhamento do
cumprimento dos esquemas de vacinais é realizado pelas equipes da saúde
primária, que fiscalizam o calendário de imunizantes da criança e realizam
busca ativa e campanhas de saúde.
"É de extrema importância a gente estar acompanhando o cartão de
vacina. A atenção primária é quem tem um papel primordial, com monitoramento
pela Sesa e acompanhamento de todas as crianças", finaliza Santiago.
Investigação de
óbitos exerce papel fundamental
O caminho adotado pelo Ceará para reduzir o
número de óbitos das crianças de até um ano foi saber como essas mortes
aconteciam.
Nesses 25 anos, o número de mortes de
recém-nascidas investigadas saltou de 14% em 2000, para 94% em 2025. A partir
desses dados foi possível transformar a realidade de locais como o Sertão
Central, que detinha os maiores índices de óbito no Estado ao início do século
e hoje é a região com menor TMI em todo o Ceará.
"Você olha para o passado. Quando a gente começa a investigar, a
gente começa a buscar prontuário, ver as fichas, quantas vezes foi na unidade,
como estava o cartão de vacina, como foi o pré-natal... Logicamente se você
detectar nessa investigação uma falha de processo, isso gera um novo plano de
ação. Quando vou investigando óbitos eu vou descobrindo as não conformidades e
melhorando",
ressalta a orientadora da Célula de Atenção Primária e Promoção da Saúde da
Sesa, Sheila Santiago.
Essas investigações permitem determinar por
exemplo se a morte ocorreu nos períodos neonatal precoce, neonatal tardio ou
pós-neonatal.
Essa especificação é importante porque cada
uma dessas fases do recém-nascido tem motivos recorrentes de mortalidade. Se há
muitas crianças morrendo nos seis primeiros dias de vida, a causa dessas mortes
pode estar relacionada ao pré-natal feito pelas gestantes.
Essa ciência permite que ações preventivas
sejam intensificadas e possam e diminuam as mortes classificadas pela
Secretaria de Saúde como "óbitos evitáveis", ou seja, aqueles que
poderiam não ter acontecido se a atenção à gestante e à criança fosse melhor
executada.
"A investigação de óbito vê justamente essas falhas e começa a
trabalhar nessas falhas. Assistência ao pré-natal e ao neonatal são
fundamentais para a redução desses óbitos", conclui Sheila.
Fonte:
Publicado In: O Povo, de 7/08/2026. Cidades.
p.14.

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