Por José Nelson Bessa Maia (*)
A 18ª Cúpula do
Brics foi realizada em Nova Délhi, Índia, nos dias 12 e 13 de setembro de 2026.
O encontro ocorreu sob a presidência rotativa da Índia. A agenda abordou temas
como cooperação econômica e financeira, inovação, sustentabilidade, governança global
e o fortalecimento da cooperação entre os países do Brics e do Sul Global.
Criado em 2009, o
Brics consolidou-se como um dos mais importantes espaços diplomáticos de
articulação entre países do chamado Sul Global. Originalmente formado por
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o grupo ampliou progressivamente
sua influência internacional, tornando-se uma expressão relevante da busca por
uma ordem mundial multipolar.
Sua principal
importância geopolítica está na possibilidade de ampliar a representação dos
países do Sul Global nas decisões internacionais. Durante décadas, instituições
como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e outros organismos
multilaterais refletiram predominantemente o peso econômico e político das
potências ocidentais.
O Brics procura
criar mecanismos que permitam maior participação das economias emergentes na
definição das regras da governança global.
Outro aspecto
importante é a dimensão econômica do grupo. Os 11 países do BRICS reúnem uma
parcela expressiva da população mundial, dos recursos naturais, da produção
industrial e do crescimento econômico global. O PIB conjunto de US$ 70 trilhões
(no conceito PPP) supera o PIB dos membros do G-7.
A criação do Novo
Banco de Desenvolvimento (NDB) representa uma tentativa concreta de ampliar as
fontes de financiamento para projetos de infraestrutura e desenvolvimento,
reduzindo a dependência das instituições financeiras ocidentais.
O Brics enfrenta
desafios. Seus membros têm diferentes sistemas políticos, interesses nacionais,
estruturas econômicas e prioridades estratégicas. Há rivalidades e disputas
geopolíticas regionais entre alguns de seus integrantes, o que dificulta o
consenso.
Outro desafio é
transformar o peso econômico do grupo em maior capacidade efetiva de
coordenação geopolítica. A ampliação do número de membros aumenta a
representatividade do Brics, mas também torna mais complexa a definição de
acordos e prioridades.
A Declaração da
18ª Cúpula do Brics defendeu o multilateralismo, o crescimento econômico
inclusivo e o fortalecimento do Sul Global e o consenso em torno da necessidade
de "máxima contenção" nos conflitos no Oriente Médio.
Na ocasião, o
Brasil colocou o seu sistema de pagamentos (o PIX), como um modelo tecnológico
para discussões sobre a interligação de pagamentos e a redução da dependência
do dólar, além de reiterar pleitos históricos, como a reforma do Conselho de
Segurança da ONU, do FMI e da OMC.
(*)
Ex-secretário de Assuntos Internacionais do
Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela
Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.
Fonte:
O Povo,
de 18/09/26. Opinião. p.19.

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