quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Ceará é o potencial Data Center Valley brasileiro

Por Lauro Chaves Neto (*)

O Ceará pode estar diante de uma oportunidade que vai muito além da instalação de grandes data centers. A combinação entre localização geográfica, conectividade internacional, infraestrutura portuária, disponibilidade de energia renovável e ambiente industrial cria condições para que o Estado se transforme em uma das principais plataformas brasileiras de infraestrutura digital e inteligência artificial.

A referência internacional mais evidente é a Virgínia, nos Estados Unidos. A região de Northern Virginia tornou-se o maior polo de data centers do mundo ao combinar, ao longo de décadas, conectividade, energia, infraestrutura, terrenos, capital e proximidade de grandes mercados. Hoje, esse ecossistema movimenta dezenas de bilhões de dólares e sustenta mais de cem mil empregos.

O Ceará não precisa copiar a Virgínia. Pode construir um modelo próprio. Se, no curto prazo, os data centers movimentarão construção civil, engenharia, energia, telecomunicações, refrigeração e serviços especializados, no médio prazo poderão estimular uma cadeia de fornecedores locais, ampliar a demanda por profissionais qualificados e criar novos mercados para empresas cearenses.

A energia poderá ser um dos nossos maiores diferenciais com uma proposta de valor diferente: computação de alta capacidade alimentada por energia limpa e competitiva. Outro desafio - e oportunidade - será a água. Data centers exigem sistemas sofisticados de refrigeração, e o Ceará precisa incorporar desde o início tecnologias de baixo consumo hídrico, reuso e eficiência.

No longo prazo a conexão entre data centers, universidades, empresas e empreendedores pode criar um ecossistema tecnológico capaz de gerar valor muito além do investimento inicial.

O sonho não deveria ser simplesmente ter grandes data centers instalados no Ceará. O verdadeiro objetivo deveria ser muito mais ambicioso: transformar o Ceará em um Data Center Valley brasileiro, capaz de converter energia renovável em computação, computação em inteligência artificial e inteligência artificial em empresas, conhecimento, empregos qualificados e desenvolvimento econômico.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 18/09/26. Opinião. p.18.


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