Por
Vladimir Spinelli Chagas (*)
Em outubro de 2024, neste espaço, tecemos
considerações sobre as questões envolvendo eleições municipais e a saúde
pública de Fortaleza, em continuação ao trabalho de divulgação que realizamos
durante nossa gestão à frente da Santa Casa de Fortaleza.
Agora, estamos em um momento ainda mais
propício para retomar o tema, pois elegeremos os governantes nos âmbitos
estadual e federal, além de dois senadores e dos deputados, num movimento muito
rico para essas discussões.
Na apresentação de metas de governo e de
atuação parlamentar, a saúde sempre ocupa uma posição privilegiada, que nem
sempre se concretiza após os pleitos realizados. No caso das entidades
filantrópicas, as incertezas continuam.
O aumento dos custos da Saúde a partir da
pandemia, somado à defasagem de mais de 20 anos da Tabela SUS, afora outros
aspectos pontuais que atingiram essas instituições, vêm representando riscos
cada vez maiores de descontinuidade de prestação de serviços pelas
filantrópicas.
Não tendo finalidade lucrativa, as
filantrópicas conseguem operar com menores custos e muita dedicação,
desempenhando função pública de fato, como sustentação ao SUS, mas não são
vistas, na maioria das vezes, como parceiras reais para o atendimento ao cidadão
mais carente, tendo que cobrir com doações e outras ações os custos em que
incorrem.
Em inúmeros ofícios, relatórios,
apresentações, artigos, entrevistas e outras formas de publicizar a situação da
Santa Casa de Fortaleza, por exemplo, apresentamos ideias para que se
proporcione esse apoio, mais do que merecido. Um dos exemplos foi a proposta de
que, sendo o SUS tripartite, Estados e Municípios deveriam atuar
financeiramente no fortalecimento das filantrópicas, em um trabalho conjunto,
como veio a ocorrer em São Paulo.
Lembramos aqui uma fala da então ministra
Nísia Trindade, quando no Ministério da Saúde: "A causa da saúde é a causa
da democracia e da justiça social". Então, não podemos mais assistir a
discursos, mas exigir que a área da saúde tenha a atenção que merece, quando
milhares de cidadãos e cidadãs buscam um atendimento que se torna cada vez mais
distante.
(*) Professor aposentado da Uece,
membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE.
Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/09/26.
Opinião. p.14.

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