Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)
Agosto é conhecido, na
Igreja no Brasil, como o Mês das Vocações. Mais do que uma sequência de
homenagens aos diferentes estados de vida, este é um tempo privilegiado para
recordar que toda existência humana nasce de um chamado. Antes de qualquer
profissão, ministério ou missão, Deus dirige a cada pessoa um convite único:
viver com sentido, amar com liberdade e colocar os próprios dons a serviço da
vida.
Vivemos em uma sociedade
marcada pela pressa, pelo excesso de estímulos e pela dificuldade de escutar.
Há muito ruído ao nosso redor e, por vezes, também dentro de nós. A vocação,
porém, nasce justamente da escuta. Deus não costuma gritar. Sua voz se manifesta
na delicadeza da consciência, no desejo profundo de fazer o bem, na inquietação
que nos move para além de nós mesmos e na experiência de encontro com o outro.
Por isso, falar de vocação
é falar de discernimento. Na tradição inaciana, aprendemos que discernir é
reconhecer os movimentos do coração para identificar aquilo que mais nos
aproxima do projeto de Deus. Não se trata apenas de escolher um caminho, mas de
descobrir o modo mais autêntico de amar e servir.
Ao longo deste mês, a
Igreja nos convida a rezar pelas vocações ao ministério ordenado, à vida
consagrada, à vocação matrimonial, às famílias, aos leigos e leigas
comprometidos com a evangelização e às inúmeras formas de serviço que sustentam
silenciosamente a comunidade. Todas são indispensáveis. Nenhuma vocação existe
para si mesma. Toda vocação é dom que se transforma em missão.
Talvez uma das maiores
urgências do nosso tempo seja ajudar crianças, jovens e adultos a compreenderem
que suas vidas possuem um propósito. Quando uma pessoa encontra sua vocação,
deixa de viver apenas para responder às expectativas do mundo e passa a responder,
com liberdade, ao chamado de Deus. É nesse encontro que a esperança ganha
rosto, o serviço encontra sentido e a felicidade deixa de ser apenas uma busca
para tornar-se consequência de uma vida vivida com fidelidade.
Que o Mês das Vocações
renove em cada um de nós a coragem de escutar, discernir e responder. Afinal,
Deus continua chamando. E o mundo continua precisando de homens e mulheres
dispostos a dizer, com generosidade: "Eis-me aqui".
(*) Sacerdote jesuíta e
mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do
Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.
Fonte: O Povo, de 22/08/2026.
Opinião. p.14.

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