Por José Nelson Bessa Maia (*)
O desenvolvimento
consiste em mudança estrutural contínua em sistemas econômicos e sociais. Ele
ocorre por meio da superação de desequilíbrios e integração entre inovação
tecnológica, adaptação institucional e melhoria na qualidade de vida, exigindo
ajustes coordenados entre Estado, mercado e sociedade. Uma combinação difícil
de ocorrer conforme destaca a literatura econômica.
Dentre os fatores
que geram esse processo virtuoso estão: i) a migração de atividades de baixa
produtividade (como agricultura de subsistência e terciário informal) para
setores de maior valor agregado (indústria e serviços avançados); ii) a
acumulação de capital, com investimentos em infraestrutura física, máquinas e
novas tecnologias produtivas e iii) a inovação, que reflete a capacidade local
de gerar e absorver conhecimento para elevar a eficiência geral da economia.
Crucial para o
desenvolvimento é a capacitação pela elevação dos níveis de educação, saúde e
qualificação profissional da força de trabalho, além da melhoria na governança,
dada pelo aprimoramento de leis, regulações e instituições que garantam
segurança jurídica e transparência. De resto, mas não menos importante, a
redistribuição de renda que reduz disparidades, reforça a coesão social, amplia
o mercado interno e gera estabilidade política.
Em que pesem as
notórias restrições ainda existentes após 40 anos de reformas modernizantes, no
Ceará atual respira-se transição acelerada e protagonismo regional. O estado
registra crescimento econômico acima da média nacional, impulsionado pela
consolidação de uma matriz energética limpa, atração de investimentos globais
de alta tecnologia e por descentralização econômica voltada para o interior,
inclusive no Sertão Central.
Apesar do ciclo
virtuoso atual no Ceará, a dinâmica da transformação enfrenta barreiras
críticas, como o clima semiárido, que exige gestão hídrica de precisão para
evitar que estiagens travem o avanço da agropecuária, da industrialização e do
abastecimento urbano, e a persistente desigualdade, que impede que a riqueza
gerada no Complexo do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza e nos hubs
tecnológicos em formação, resulte em rápida redução da pobreza e em melhorias
diretas na segurança pública e na renda de toda a população.
O desafio atual
que o Ceará enfrenta em sua dinâmica de transformação, além das limitações de
unidade subnacional num país de baixo crescimento, é superar a armadilha do
crescimento sem mudança de patamar, o que exige converter bons indicadores
fiscais, educacionais e de energia renovável em alteração profunda na renda
média e no bem-estar da população, com aumento de sua participação para muito
além dos parcos 2,1% na economia brasileira. Um desafio que precisa ser de vez
enfrentado e superado!
(*)
Ex-secretário de Assuntos Internacionais do
Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela
Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.
Fonte:
O Povo,
de 22/08/26. Opinião. p.15.

Nenhum comentário:
Postar um comentário