Por Sofia Lerche Vieira (*)
Os resultados do Índice de Desenvolvimento
da Educação Básica (IDEB) de 2025, recentemente divulgados pelo Ministério da
Educação, revelam algumas surpresas instigantes. Uma primeira aproximação aos
dados mostra que o Paraná foi o único estado a liderar as três etapas (anos
iniciais do ensino fundamental, anos finais do ensino fundamental e ensino
médio) do Ideb 2025.
Confirmando uma tendência acumulada de
êxito no ensino fundamental, o Ceará ocupa o 2º lugar nas duas etapas do ensino
fundamental. Goiás também expressa sua liderança, empatando com o Ceará nos
anos finais do ensino fundamental. Santa Catarina ocupa a 3ª posição na
primeira etapa do ensino fundamental, enquanto o Piauí e o Espírito Santo se
destacam pela 2ª e 3ª posições no ensino médio.
O sucesso dos estados com liderança no Ideb
não é um acaso; ao contrário, é fruto de iniciativas deliberadas e consistentes
de melhoria da qualidade da educação, de que tal índice é uma expressão.
Inovador estudo realizado pela FGV,
apresentado no livro "Estados Eficazes na Gestão da Aprendizagem,
publicado em 2023", focalizou o Paraná e o Piauí, ao lado de São Paulo e
Mato Grosso do Sul, por bons resultados em suas respectivas regiões.
O que não se explica pelos números é o
desempenho dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que juntos
representam 51,1% do PIB nacional (IBGE, 2023). São Paulo ocupa a 6ª, a 5ª e a
7ª posição em relação às três etapas; Minas Gerais, por sua vez, está em 5ª, 4ª
e 8ª posição; enquanto o Rio de Janeiro ocupa a 13ª, a 10ª e a 20ª posição.
Os dados dos estados mais ricos da
federação parecem ensinar que a relação entre capacidade econômica não é
diretamente proporcional à competência em gerenciar sistemas de ensino, como,
aliás, já mostram, há décadas, países que se destacam no Programa Internacional
de Avaliação de Estudantes (PISA).
Se não é recomendável extrair conclusões
simplistas de tais resultados, algo há a aprender com os estados que estão à
frente dos indicadores nacionais, em particular o Ceará e o Piauí, como bem
expressou o presidente Lula em recente entrevista.
(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora
da FGV-RJ.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/09/26.
Opinião. p.14.

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