sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

27 DE JANEIRO, TRISTE DIA (alusivo ao Holocausto judeu durante a II Guerra Mundial)

Por Marcos L Susskind (*)

Você conseguiria pensar em 72.000.0000 de brasileiros assassinados por terem nascidos Brasileiros? Um terço de nossa nação?

Em 27 de janeiro o mundo deveria parar para chorar os 6.000.000 de Judeus queimados, metralhados, enforcados, colocados em câmaras de gás, afogados vivos - enfim, eliminados por um único motivo: sua ascendência, sua fé.

Este é o dia declarado mundialmente “Dia de Lembrança do Holocausto”, que infelizmente começa a ser esquecido por muitos e ignorado por outros.

Mas, eu me lembro e não me esquecerei. Eu sou uma das vítimas deste horrendo momento da humanidade. Se você acha que eu passei por esta fase escura e vergonhosa, respondo que não. Eu nem era nascido, mas mesmo assim sou vítima.

Meu pai chegou ao Brasil em 1927, minha mãe em 1925. No entanto, suas famílias ficaram na Europa. A fera nazista, a inominável besta, matou meus avós, meus tios, meus primos a quem nunca conheci. Eu carrego o nome de meu avô, morto pelos nazistas alemães e seus colaboradores. Minha irmã leva o nome de minha avó. Meu irmão carrega o nome de meu tio. Foi a forma que meus pais e encontraram para manter viva a memória familiar.

Nós, judeus, éramos 18.000.000 antes da guerra. Ao fim dela éramos 12.000.000. Hoje, decorridos quase 75 anos do fim daquele massacre, somos apenas 15.000.000. Ou seja, ainda não conseguimos atingir o número de judeus antes daquela matança. Volte ao primeiro parágrafo, releia-o! Afinal, foi o que aconteceu conosco – um terço de nossos irmãos assassinados, TODAS nossas academias de estudo destruídas, nossas bibliotecas queimadas, nossas sinagogas depredadas, nossa intelectualidade dizimada, nossas propriedades confiscadas, nossa história apagada e nossa memória maculada.

Meu povo não ficou mundo afora se sentindo refugiado necessitado de apoio permanente. Ao contrário, meu povo criou um Estado Nacional que é considerado o 5º país mais desenvolvido do mundo, meu povo conseguiu 82 prêmios Nobel, criou o Waze e a irrigação por gotejamento e o Mobileye, o Telefone Celular e o conector USB. Meu povo inventou a medicina não invasiva, o aquecimento solar e a dessalinização da água do mar. A comunicação por internet (VoIP) só existe graças a meu povo. O Copaxone foi inventado por Ruth Arnon, o Google e o Facebook, o ICQ.

Agora imagine como estaria o mundo se um terço deste povo não tivesse sido exterminado? E antes do extermínio? Singer inventou a máquina de costura, Mahler era judeu, o inventor da Estreptomicina também. A penicilina teve Boris Chain como parceiro de Fleming. Einhorn inventou a Procaína e Einstein… precisa falar dele?

Felix Haber sintetizou a amônia, Arthur Korn inventou o fax, Montefiori Levi inventou o bronze fosfórico. Basta, para não cansar.

Pois foi este povo que Hitler e seus colaboradores alemães, poloneses, húngaros e austríacos queriam eliminar. Provavelmente entre as 1.200.000 crianças assassinadas havia quem viria a ser músico, inventor, engenheiro, pensador, diretor de cinema, médico ou pesquisador - mortos antes da puberdade por terem nascidos judeus.

O dia 27 de janeiro tem ainda, para mim e meus irmãos, mais um significado imenso. Foi neste dia, em 1913, que nasceu Isak Hersch Susskind, o “Seu Armando”, meu pai - quem me ensinou, em sua curtíssima vida, a ser abnegado, ético, bondoso e leal.

Assim, na memória de toda a Humanidade, o dia 27 de janeiro deveria ser sagrado. Para mim, o é duplamente!

(*) Jornalista e escritor brasileiro.


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