quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

UM NOVO MOMENTO PARA A PARADIPLOMACIA NO CEARÁ

Por José Nelson Bessa Maia (*)

A história da inserção internacional do Ceará é oscilante. Ondas ascenderam e baixaram em conjunturas diferentes. Ora é um caso de internacionalização exemplar de paradiplomacia no Brasil, ora impera um olhar sonolento e equidistante das possibilidades externas. Apesar dos avanços recentes (como o Ceará 2050), há uma percepção de que o Estado deveria explorar melhor as oportunidades que se abrem em um mundo que reconfigura os canais da globalização produtiva e no momento em que o Brasil, após quatro anos de isolamento, volta a se inserir de forma ativa na rede societária internacional.

O Ceará foi pioneiro na busca de captação de recursos externos e assistência técnica para ajudar a financiar seu desenvolvimento em 1963 quando o então governador Virgílio Távora visitou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington, assim como na promoção de exportação quando criou-se o Promoexport em 1968. O Estado também foi um dos primeiros na federação a atrair investimentos com a criação do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI) em 1979, a estabelecer sua secretaria de assuntos internacionais (em 1995) e a formular uma vigorosa estratégia de inserção internacional com a implantação do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) em 1998.

O Ceará mudou muito nos últimos 30 anos e transformou sua economia e gestão pública. Os bons resultados estão aí em diversos campos, como a educação, energias alternativas, logística, recursos hídricos e indústria de base. Mas mesmo assim somos pouco mais de 2% da economia brasileira, contra 1,5% em 1987. Uma economia ainda pequena (US$ 35,3 bilhões) e de baixo ritmo de crescimento para superar de vez as chagas da pobreza e da vulnerabilidade às secas que nos assolam desde os tempos da colonização portuguesa.

Os avanços de internacionalização da economia cearense poderiam ter sido muito maiores se não tivesse havido o desmonte feito nas instituições e organizações voltadas para as relações externas durante os dois mandatos de Cid Gomes (2007-2014). Com esse desmonte o Ceará perdeu participação nas exportações nacionais e inúmeras oportunidades de negócios e investimento com a Europa, África e China. Afortunadamente o governo Camilo Santana restabeleceu o aparato de articulação paradiplomática e o Ceará voltou a atrair investimentos externos e ampliar as exportações graças à Siderúrgica do Pecém.

No entanto, agora é o momento de reforçar o desenvolvimento do estado e aumentar o seu potencial de crescimento por meio de uma estratégia mais agressiva, profissional e sustentada de paradiplomacia. A promoção de exportações e de investimentos exige uma postura mais ativa das autoridades estaduais para captar recursos em escala suficiente para atender as necessidades do estado, reduzir a pobreza rural, diminuir as desigualdades espaciais de renda e potencializar a geração de empregos. A nova secretaria de Assuntos internacionais do governo do estado pode contribuir e muito nessa tarefa. Avança Ceará!

(*) Mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela UnB e rx-secretário de Assuntos Internacionais do governo do Ceará.

Fonte: O Povo, de 5/1/23. Opinião. p.15.

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