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quarta-feira, 8 de julho de 2026

SEU PRÉDIO ESTÁ PREPARADO PARA O CARRO ELÉTRICO?

Por Carlos Farias (*)

O avanço dos veículos elétricos e híbridos no Ceará revela uma mudança importante no comportamento de consumo e na mobilidade urbana. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que a frota de veículos eletrificados no Estado cresceu 226,1% entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2026, ultrapassando 17 mil unidades em circulação.

O crescimento acelerado do setor traz um alerta importante: a infraestrutura elétrica de residências, condomínios e empresas nem sempre está preparada para suportar esse novo perfil de consumo.

Existe um erro comum de acreditar que basta instalar uma tomada ou adaptar um ponto de energia para carregar um veículo elétrico. Na prática, carregadores exigem potência elevada, uso contínuo e instalações dimensionadas corretamente. Quando isso não acontece, os riscos são sérios.

Sobrecarga elétrica, sobreaquecimento de cabos, curtos-circuitos e incêndios podem ocorrer em estruturas que não passaram por avaliação técnica adequada. Em condomínios, o problema ganha proporções ainda maiores, já que uma instalação irregular pode comprometer toda a rede elétrica do prédio.

Um incêndio iniciado em uma instalação inadequada pode causar perda de veículos, danos estruturais e prejuízos materiais, além de colocar vidas em risco. Não se trata apenas de um problema individual, mas de segurança coletiva.

Muitos edifícios antigos não foram projetados para suportar a demanda energética gerada por carregadores elétricos. Por isso, antes de qualquer instalação, é fundamental realizar análise de carga, revisão do cabeamento, avaliação dos quadros elétricos e estudo da capacidade.

A expansão dos veículos elétricos representa um avanço importante para a mobilidade e sustentabilidade, mas o crescimento do setor precisa vir acompanhado de responsabilidade técnica, planejamento e prevenção.

Nos condomínios, esse debate precisa envolver moradores, administração e gestão predial, para que as decisões sobre instalação da infraestrutura elétrica aconteçam com acompanhamento técnico adequado.

(*) Engenheiro eletricista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/06/26. Opinião, p.18.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Aos bilionários do Ceará - sugestões II

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Em artigo publicado neste conceituado Jornal, em 10/4/2022, fiz uma sugestão aos bilionários do Ceará. A ideia nasceu de uma reportagem sobre a compra de um iate feita pelo homem mais rico do mundo: o iate custou US$ 500 milhões e isso tinha representado, apenas, 0,03% de sua riqueza.

Àquela época, os bilionários cearenses eram 16 ou 17, segundo os jornais. A diferença talvez seja porque um deles não mora em Fortaleza. Sugeri que usassem 0,03% de suas fortunas para doarem casas populares para os sem-teto de Fortaleza. Em 2025 estes números mudaram: passou de 18 ou 19 e suas fortunas somaram R$ 58 bilhões, conforme os dados publicados na imprensa.

Por que voltei ao tema? Este ano a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica tem como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema "Ele veio morar entre nós". O que significa o vocábulo "Fraternidade"? Antigamente era a expressão de um valor fundamental de união entre as pessoas. Hoje, seu sentido é de um ideal de que todos os seres humanos devem ser tratados com igual dignidade e afeto.

Temos aqui dois dos temas fundamentais do artigo já publicado: o poder econômico e o problema da moradia para os "sem-teto". O que, na minha opinião, justifica este artigo.

Primeiro, ser bilionário não é ser um "Tio Patinhas". Suas fortunas são constituídas mais de bens valiosos do que de moedas. Por outro lado, os bens físicos têm a propriedade de envolver o sentimento de pertencimento, do apego, o que às vezes prejudica seu comércio.

Também se deve ter em conta que regras do IR permitem que um percentual do Imposto de Renda devido pelo contribuinte seja utilizado para doações. E isso é muito usado pelas pessoas que têm posse. Entretanto, neste caso, a doação é do Governo Federal, e não do contribuinte, pois esse recurso não mais lhe pertencia. Mas, em termos monetários, de quanto estamos falando?

Para responder, utilizarei os dados do artigo de 10/4/2024: àquela época, conforme dados fornecidos por um construtor: o custo da construção de uma casa popular seria em torno de R$ 80 mil. Como a inflação no período 2022-2025 foi de, aproximadamente, 5,63%, a construção de uma casa popular passou para algo em torno de R$ 83 mil. Dessa forma, 0,03% da fortuna de R$ 58 bilhões corresponderia a um valor em torno de R$ 17,4 milhões. O que equivaleria ao valor de, aproximadamente, 209 casas ao preço de R$ 83 mil cada uma,

Considerando que as estatísticas indicam um déficit de 2.863 casas necessárias para abrigar a população de rua de Fortaleza, isso representaria, apenas, 7% do déficit habitacional da cidade.

São dados aproximados, pois poder-se-ia construir casas mais baratas, em bairros distantes. Mas já seria uma grande ajuda para a Campanha da Fraternidade! Que Deus ilumine nossos bilionários!

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 3/05/26. Opinião. p.18.


 

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