segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

COVID-19, A PANDEMIA NÃO DEVERIA TER ACABADO?

Por Lígía Kerr (*)

Após mais de dois anos e meio do seu início, muitos esperavam que a pandemia tivesse acabado. Joe Biden, presidente dos EUA, até "anunciou" seu "fim" nos EUA e o diretor da OMS disse que o fim parecia próximo.

O aumento de casos de Covid-19 em vários países e no Brasil mostrou que não. Novas variantes da Ômicron foram identificadas como responsáveis por este aumento. As mutações do Sars-CoV-2, teoricamente, procuram fazer o vírus mais transmissível, causar doenças mais graves e evitar a proteção das vacinas, reinfectando pessoas que já tiveram a doença ou que estão imunizadas.

Para a maior parte do mundo, a infecção pelo Sars-CoV-2 foi naturalizada e o vírus se replica livremente aumentando a chance de mutações. Chamaram a estratégia da China, que economicamente vai muito bem, de suicida, porque sempre fez testagens massivas, isolamentos, lockdowns, uso de máscaras e controlou a pandemia no país. Mas para o ocidente, parece que a Covid-19 finalmente se tornou uma "gripezinha".

A vacinação foi, sem dúvida, um grande sucesso na Covid-19, reduzindo as chances de internação e de óbitos. A chance de um não vacinado ter um destes eventos é inúmeras vezes maior que um vacinado. A maioria dos casos graves não tomou nenhuma dose da vacina ou dose de reforço.

A Covid-19 pode afetar a maioria dos nossos órgãos. Casos repetidos da infecção aumentam significativamente o risco de morte, hospitalização e sérios problemas de saúde, independentemente de serem pessoas não vacinadas, vacinadas e com doses de reforços.

O mundo e o Brasil reduziram enormemente a testagem e isolamento diante de sintomas suspeitos. Também paramos de usar máscaras e muitos não tomaram as doses de reforço. E além do Sars-CoV-2, temos o vírus da influenza e o vírus sincicial circulando em uma tripla epidemia.

Não podemos varrer a Covid-19 para baixo do tapete. As pessoas passaram a pensar e avaliar seus riscos de forma individual. E se for jovem e sem fator de risco, melhor nem pensar no assunto. Estas atitudes permitem a alta transmissão e a quase garantia de mutações, e devem impactar no aumento de casos nos próximos meses, resultando em milhares de novas infecções e reinfecções com seus riscos associados. Urge que as autoridades divulguem os números, tornem o uso de máscaras obrigatório e chamem a população com vacinas faltantes. 

(*) Médica epidemiologista e professora da UFC. Vice-presidente da Abrasco.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/11/2022. Opinião. p.19.

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