sábado, 26 de novembro de 2011

HAROLDO JUAÇABA E SEUS ESCRITOS


São 240 páginas, contendo uma vasta experiência de vida. A capa, em escala monocromática, com predomínio do azul, destaca a figura do autor dos cinquenta textos embutidos na obra. À esquerda, como se fosse um filmete, cinco momentos da sua trajetória terrena: médico recém-formado, pós-residência cumprida nos Estados Unidos, em atividade profissional no consultório, como cirurgião no Hospital das Clínicas, e no auge da sua maturidade, vencidas as muitas etapas que o fizeram um “Gran-Senhor”.
Na contracapa, duas reproduções de fotos colhidas no dia da inauguração do Hospital do Câncer (26/11/1999). Uma é a do casal Haroldo – Heloísa Juaçaba, ele o responsável pela construção da unidade hospitalar do Instituto do Câncer do Ceará, ela, então Presidente da Rede Feminina do Instituto do Câncer do Ceará; a outra, é resultado do trabalho criativo do artista plástico Descartes Gadelha, que conseguiu transmudar para a tela, a imagem de São Pellegrino, o protetor dos doentes de câncer.
O livro, em si, é um daqueles “achados”, que não podem sofrer descarte. Nada nele se perde, até porque o conhecimento independe do tempo: se é profundo, torna-se eterno. Isso é o que se deduz de todo esse material que se encontrava sob a guarda de D. Heloísa, e que só com a sua permissão veio à tona, para seleção, organização e publicação.
O editor do trabalho, médico Marcelo Gurgel Carlos da Silva, ex-discípulo de Haroldo Juaçaba, compreendeu, de pronto, que tinha em suas mãos uma preciosidade. Como tal, tratou de separar os textos, obedecendo, em parte a uma ordem cronológica.
O mais importante, neste livro, é a revelação de que Haroldo Juaçaba não era só um médico, um pesquisador, um mestre de reconhecidos méritos. Ele era também um intelectual. Quando escrevia, fazia jorrar conhecimento e sabedoria, em alto estilo. Uma pena leve, é verdade, sem agressões, mas com uma firmeza própria de quem sabe o que quer e o que está fazendo. O culto à língua inglesa, era mais uma faceta desse admirador de Shakespeare, com espírito aberto às artes e que no entanto se mantinha reservado, com relação às suas crenças e à sua vida privada.
Como se vê, o tempo passa, enquanto as gerações vão se sucedendo, e os feitos e as pessoas que marcaram uma época acabam por cair no vazio. Resgatar a memória, como fez o organizador desta obra, é antes de tudo, um dever. Morrer, não significa sair de cena, literalmente, mas continuar vivendo, em outra dimensão, inspirando iniciativas espelhadas no exemplo de quem soube fazer com que as coisas acontecessem.
Mais uma homenagem a esse grande médico: Hospital Haroldo Juaçaba passou a ser - desde ontem, dia 25 - a nova denominação do Hospital do Câncer do Ceará (ICC). A alteração no nome do hospital é um reconhecimento à trajetória de dr. Haroldo Juaçaba, que foi o responsável pela criação do Internato em Cirurgia da Residência Médica em Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da implantação da Residência em Medicina Preventiva e Social no Inamps, além de ter sido um dos fundadores do primeiro Banco de Sangue de Fortaleza e do Instituto do Câncer do Ceará.
ElsieStudart Gurgel de Oliveira
Técnica em assuntos educacionais aposentada do Dnocs
* Publicado In: O Povo, de 25/11/11. Jornal do Leitor, p.3.

Um comentário:

Camila Oliveira disse...

Gostaria de saber onde são vendidos esses livros. Já li três livros de sua autoria professor Marcelo mas todos foram alugados na biblioteca da ufc. Gostaria de saber onde se pode comprá-los. Obrigada :)
P.S. o doutor Juaçaba foi um homem extraordinário realmente. :)

 

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