quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

CPI DA LEI ROUANET


Chargista: Indecifrável.
Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

CELA TRIPLEX PARA LULA


Chargista: Cabalan.
Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A ÁRVORE QUE MAIS CRESCE NO BRASIL


Chargista: Sponholz. (sponholz.arq.br)
Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

CAIXA DOIS LIVRE


Chargista: Jean Galvão.
Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

A SENHA DO CASAMENTO

 

Chargista: Indecifrável.
Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

CEARÁ: história e desenvolvimento

Cláudio Ferreira Lima (*)
O desenvolvimento é fruto, necessariamente, da intervenção planejada na realidade. Daí, tem-se de buscar na história, a ciência do tempo e da mudança, o material básico para se entender essa realidade, a fim de orientar, de forma consciente e consistente, as ações em prol do desenvolvimento.
Nesse sentido, auspiciosa foi a decisão do Instituto do Ceará – IC de retomar o Plano Pompeu Sobrinho, estruturado em 1941 com 26 monografias a serem elaboradas pelos consócios: sete dedicadas a introdução geral; panorama físico e social; pré-história, proto-história e história nos períodos colonial, monárquico e republicano. As 19 restantes tratavam de temas específicos.
De 1946 a 1953, o IC editou: pré-história e proto-história, de Pompeu Sobrinho; história econômica, de Raimundo Girão; história militar, de Eusébio de Souza; história da literatura, de Dolor Barreira; história da educação, de Plácido Castelo; e história das secas, de Joaquim Alves e Pompeu Sobrinho. Após esse esforço inicial, porém, o Plano interrompeu-se.
A sua retomada, proposta pelo grupo designado pelo presidente Lúcio Alcântara com essa finalidade (Paulo Elpídio de Menezes Neto, José Filomeno e Cláudio Ferreira Lima), será nos moldes do vitorioso projeto editorial da História Geral da Civilização Brasileira – HGCB (1960 a 1984), da Difusão Europeia do Livro – Difel.
Assim, consistirá em obra de equipe mista, de membros do IC e pesquisadores da Academia não só no campo historiográfico, mas também no das ciências próximas à história, sob a coordenação geral de um profundo conhecedor do assunto.
De igual modo, estruturada em forma de coletânea e dividida em tomos e volumes, constará de um tomo com um volume sobre a pré-história cearense e, nele, a introdução geral sobre o Plano; um tomo com um volume sobre a proto-história cearense; e um tomo, com um ou mais volumes, para cada período: Ceará colonial, Ceará monárquico e Ceará republicano.
Haverá novo trato dos velhos temas e enfoques inovadores, como a “história do Ceará fora do Ceará”, a diáspora do cearense que, por força da seca e de outras mazelas, buscou longes terras para viver e, conforme Gilberto Freyre, nelas exerceu papel de relevo na formação da unidade nacional (O Jornal, Rio de Janeiro, 9 set. 1944).
Enfim, registre-se a feliz coincidência de estar em curso a construção da Plataforma Estratégica de Desenvolvimento de Longo Prazo – Ceará 2050, pactuação entre governo do Estado, municípios, sociedade civil e movimentos sociais para planejar e executar, desde já, o Ceará do futuro. Portanto, é fácil ver quanto poderá ser fecundo o diálogo nos próximos anos entre o Plano Pompeu Sobrinho e o Ceará 2050 para o desenvolvimento do nosso Estado.
(*) Economista e membro do Instituto do Ceará: Histórico, Geográfico e Antropológico.
Fonte: O Povo, de 25/2/2018. Opinião. p.25.

RECEITAS X DESPESAS

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Não necessita conhecer finanças para que se tenha uma noção preliminar de orçamento. Todos fazem, de uma maneira empírica, as estimativas de gastos e arrecadações. Porém, nem sempre os resultados alcançados são satisfatórios, ou seja, surgem desequilíbrios, conforme o caso, nas contas pessoais, das empresas ou do governo. De maneira resumida e simples, o chamado balanço patrimonial, apresenta, de um lado, o Ativo (Disponível, Realizável e Imobilizado) e, de outro, o Passivo (Não Exigível e Exigível). Ademais, os grupos de contas do Ativo e do Passivo são decrescentes, respectivamente, à liquidez e à exigibilidade. Com base neste elementar resumo teórico, pode-se ter uma ideia das contas financeiras. Examinando-se, por exemplo, as contas públicas do Brasil torna-se necessário fazer algumas observações. Para se conseguir um saldo positivo são mencionadas duas alternativas óbvias: aumentar receitas ou reduzir despesas. No atual estágio da economia brasileira, aumentar receitas, mediante elevação de tributos, é de uma incompetência extrema e reduzir despesas sacrificando, mais ainda, a população é algo inconcebível. Existem formas mais rápidas e justas, sem precisar de Emenda Constitucional. Com respeito à arrecadação: priorizar os impostos diretos e não os indiretos, reduzir a corrupção e a sonegação, combater o contrabando, dar ênfase à tributação progressiva e não à regressiva, dentre outras formas. Do lado da despesa: implantar uma gestão eficaz e socialmente correta, eliminar a corrupção, definir prioridades desenvolvimentistas, compatibilizando emprego e renda, etc. É difícil, mas temos que fazer.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 23/2/2018.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

FRASES E PENSAMENTOS DE SIGMUND FREUD III


15 “Cada um de nós tem a todos como mortais menos a si mesmo.”
16 “Disse Platão que os bons são os que se contentam com sonhar aquilo que os maus fazem na realidade.”
17 “Nenhum crítico é mais capaz do que eu de perceber claramente a desproporção que existe entre os problemas e a solução que lhes contribuo.”
18 “Todo anedota, no fundo, encobre uma verdade.”
19 “A verdade a cem por cento é tão rara como o álcool a cem por cento.”
20 “A humanidade progride. Hoje somente queimam meus livros; séculos atrás teriam queimado a mim.”
21 “Qualquer um que desperto se comportasse como nos sonhos seria tomado por louco.”
22 “O homem pode defender-se dos ataques; contra o elogio se está sempre indefeso.”
Fonte: gingaronline.com

FRASES E PENSAMENTOS DE SIGMUND FREUD II


8 “Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fossemos feitos de ferro.”
9 “O caráter de um homem é formado pelas pessoas que escolheu para conviver.”
10 “Qualquer coisa que encoraje o crescimento de laços emocionais tem que servir contra as guerras.”
11 “Se queres poder suportar a vida, estás disposto a aceitar a morte.”
12 “O que se precisa para ser feliz? Trabalho e amor.”
13 “Às vezes um charuto é somente um charuto.”
14 “O narcisismo das pequenas diferenças é a obsessão por diferenciar-se daquilo que resulta mais familiar e parecido.”
Fonte: gingaronline.com

FRASES E PENSAMENTOS DE SIGMUND FREUD I


1 “Existem duas maneiras de ser feliz nesta vida, uma é fazer-se de idiota e a outra sê-lo.”
2 “Se dois indivíduos estão sempre de acordo em tudo, posso assegurar que um dos dois pensa por ambos.”
3 “A grande pergunta que nunca foi contestada e à qual ainda não pude responder, apesar de meus trinta anos de investigação da alma feminina, é: o que quer uma mulher?”
4 “Fui um homem afortunado; na vida nada me foi fácil.”
5 “O homem é dono do que cala e escravo do que fala.”
6 “A ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como o são umas poucas palavras bondosas.”
7 “O pensamento é a ação a ensaiar.”
Fonte: gingaronline.com

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Homenagem do PPSAC (UECE) à Profa. Maria Salete Bessa Jorge

Aconteceu na manhã de ontem (23/2/18), na Universidade Estadual do Ceará, logo após a reunião mensal do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da (PPSAC) da UECE, uma homenagem à Profa. Maria Salete Bessa Jorge, que recentemente deixou a coordenação do PPSAC.
Flagrante da homenagem à Profa. Maria Salete Bessa Jorge com a presença de alguns docentes e representantes discentes. (Foto cedida pela Secretaria do PPSAC).
A homenagem foi organizada pela nova coordenação desse Programa, tendo à frente   os Profs. Drs. Antônio Rodrigues Ferreira Junior e Maria Rocineide Ferreira da Silva.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor do PPSAC-UECE

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Fevereiro/2018


A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de FEVEREIRO/2018, que será realizada HOJE (24/2/2018), às 18h30min, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.
Na ocasião será também conduzida a confraternização natalina da SMSL.
CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!
MUITO OBRIGADO!
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Sociedade Médica São Lucas

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Uece recebe visita de uma das primeiras alunas da Escola de Enfermagem




O Núcleo de Documentação, Informação, História e Memória da Enfermagem no Ceará (Nudhimen) e o Laboratório de Educação, História e Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará (Uece) receberam, na manhã desta quarta-feira (21/02), a visita da irmã Ana Martins Duarte - hoje com 93 anos -, da Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Ela foi, entre os anos de 1950 e 1954, aluna da Escola de Enfermagem mantida pela Congregação.
Criada em 1943, a instituição era a primeira no ensino de Enfermagem no Nordeste e a terceira no País. Em 1975, a Escola foi incorporada, junto com outras unidades e faculdades, à Uece, onde permanece até os dias atuais.
"Eu já tinha a inclinação para isso (enfermagem). Desde criança, era eu que fazia meus curativos. A coisa que mais me realizou foi ser enfermeira", comentou irmã Ana, ao lembrar os tempos em que atuou na Santa Casa de Misericórdia, na Assistência Municipal (hoje Instituto Doutor José Frota) e no Hospital da Polícia Militar, além do trabalho em unidades de saúde em Baturité.
Durante a visita, a freira também contribuiu com o acervo do Núcleo, com a doação de diploma, fotos e entrevistas sob a guarda dela, além de narrar sobre o período em que fez parte da Escola.
De acordo com a professora Silvia Nóbrega, diretora do Laboratório de Educação, História e Saúde Coletiva da Uece e coordenadora do Nudhimen, o Núcleo "recupera esse passado recente do ensino de enfermagem no Ceará" - entre os anos de 1943 a 1975. O objetivo do espaço é ser um local de "guarda, aquisição, preservação, socialização, mas também um espaço de pesquisa e formação."
Apesar de já possuir materiais e equipamentos em exposição, o Núcleo será oficialmente inaugurado em maio deste ano, durante as comemorações da Semana Brasileira de Enfermagem, além de celebrar os 75 anos do ensino de Enfermagem no Ceará. O Nudhimen está localizado no campus Itaperi e é gerenciado por meio de parceria entre a Uece e a Academia Cearense de Enfermagem (Acen).
Participaram também da visita a vice-coordenadora do curso de Enfermagem da Uece, Saiwori Bezerra dos Anjos; a professora da graduação e pós-graduação em Enfermagem da Uece, Veraci Oliveira Queiroz; a presidente da Acen e professora aposentada da Uece, Eucléa Gomes Vale; a enfermeira e auditora da Secretaria da Saúde de Fortaleza, Maria Sueuda Costa; a professora do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC), Maria Dalva Santos Alves; a aluna de mestrado Sarlene Gomes de Souza; e a secretária do Núcleo, Silvana Monteiro Nóbrega.
Mais informações sobre o Nudhimen podem ser obtidas pelo telefone: (85) 3101 9809.
Fonte: Uece/ Assessoria de Comunicação, de 22/02/2018.

Quando o amigo é amigo mesmo...


Um camarada levou para casa, seu melhor amigo para jantar, sem aviso prévio. Então...
A esposa começou a gritar com ele, assim que soube que seu amigo já estava sentado no sofá. E o amigo, surpreso e constrangido, escutou:
- Meu cabelo, minhas unhas e a maquiagem não estão feitos. A casa está uma bagunça, as louças não estão lavadas e nem fiz compras. Eu já estou de pijama, estou de TPM, não posso ser incomodada e nem vou cozinhar porra nenhuma à noite! E, porque diabos, você foi trazê-lo para casa logo essa noite?
O marido responde:
- É porque ele está pensando em casar! Trouxe ele pra ver como é... Nenhum amigo fez isso por mim.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Piada sem autoria definida.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

SARCASMO CIENTÍFICO


Um homem estava sentado no avião, ao lado de um nordestino, morador de Tauá-CE. O cara olhou para o matuto e lhe disse:
- Vamos conversar? Tenho certeza que a viagem parecerá mais rápida. O que você acha?
O matuto respondeu:
- Qual vai ser o tema seu moço?
- Bom, não sei... - disse o homem. - Que tal física nuclear? - e mostrou um grande sorriso sarcástico.
- Bem, - disse o matuto - Esse parece ser um tema interessante. Mas, antes, gostaria de lhe fazer uma pergunta:
- O cavalo, a vaca e a ovelha comem a mesma coisa: capim, não é mesmo? Porém, o excremento da ovelha é um monte de pequenas bolinhas, o da vaca é uma pasta e o do cavalo é um monte de pelotas secas. Por que o senhor acha que isto acontece?
O cara, visivelmente surpreso com a inteligência do Matuto, pensou durante uns momentos e respondeu:
- Hmmm, não faço a menor ideia...
E então, o nordestino disse:
- Sinceramente, como o senhor se sente qualificado para discutir física nuclear, se não entende de bosta nenhuma???
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Piada sem autoria definida.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

EXPERIÊNCIA COMO PRESIDENTE

Por João Soares Neto (*)
As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele.” Carlos Drummond de Andrade.
Fui, há alguns anos, presidente de uma Academia de Letras, cujo nome não vem ao caso. Intrigado, publiquei, recentemente, um livro de 138 páginas. O nome é direto ao ponto: “Experiência como Presidente” (ISBN 978-85-923210-0-0). Retrato, inclusive, com fotos, os dois anos da gestão com todos os detalhes legais, culturais, sociais. Necessários e talvez alguns supérfluos.
Uma entidade de letras ou similar deve incentivar os seus membros a publicar livros e a frequentá-la. Para isso, criei selo editorial específico e, durante esses dois anos alguns livros foram lançados por consócios, participamos de duas Bienal de Livros e procuramos estimular a criação de Academias estudantis, em conjunto com a Secult e alguns colégios. Tivemos êxito. A cada ano, fizemos uma “Semana Cultural Viajando nos Livros” e uma Exposição de Livros Raros, ambos com a participação de dezenas de colégios públicos e privados. Públicos acima de mil pessoas.
Realizamos festas natalinas e no aniversário da Academia. Sem dinheiro alheio. Idealizamos e criamos, com a ajuda de Regina Fiúza, de Murilo Martins e de Pedro Henrique Saraiva Leão, grupo para planejar e dar o “startup” no restauro do Palácio da Luz. Depois, concretizada por José Augusto Bezerra.
A par disso, consultados os colegas e pedir-lhes colaboração para a confecção de novo Estatuto, mourejei solitário na minha gávea. Produzi documento que, através de assembleia geral convocada, foi lido e relido, pois distribuídas cópias.
Na Assembleia, em 16 de junho de 2010, o Estatuto, levado à discussão, foi aprovado por unanimidade. Possui 37 artigos. Neles, estão claros os direitos e obrigações. Além do Estatuto, submeti aos pares um Regimento Interno com 22 artigos, igualmente aprovado na sobredita Assembleia.
Três colegas faleceram nesses dois anos e foram devidamente pranteados. Após o período do luto oficial, significaram eleitos novos membros, sendo recomposto o quadro social.
Criamos boletim mensal eletrônico e blog para noticiar os eventos, mas poucos acessos aconteceram, mercê da carência de interesse de alguns por esse mundo esquisito e definitivo da Internet.
O boletim possuía conteúdo definido: palavra do presidente, acontecimentos do mês e do seguinte, pensamento de autor ilustre e a prestação de contas do mês anterior.
A entidade foi homenageada com placa de prata, em sessão solene, na Câmara Municipal de Fortaleza-CMF, em outubro de 2009, por iniciativa do vereador Paulo Facó. Apresentamos ao presidente da CMF, Salmito Filho, a intenção de participar do “Pacto por Fortaleza, a cidade que queremos para 2020.”
Com a Secretaria da Cultura do Ceará, parceira da gestão, sem que a ela fossem exorados recursos, criamos a ideia do “Anuário da Cultura”, aprovado pelo secretário Auto Filho. O belo Anuário saiu em 2010. Os secretários da cultura e os presidentes que nos sucederam não o levaram avante. Pena.
Fizemos publicar um número da revista da entidade, com colaboração de acadêmicos. Distribuímos, gratuitamente, broches (bottons) e carteiras de identidade social. As reuniões foram descrevidas pelo secretário Eduardo Fontes. Culminamos com a eleição de nova diretoria, sem esquecer de deixar a tesouraria com caixa positivo de R$ 13.750,51. Referimos que nessa gestão não solicitamos quaisquer ajudas financeiras a pessoas ou instituições privadas ou órgãos públicos. Não homenageamos nenhuma pessoa, empresa ou entidade, pública ou privada. Foi assim.
Pergunta final: Por que pessoas concorrem a eleição, às vezes duras, em Academias de Letras ou similares e, logo em seguida, após a desejada assunção, sessão de posse e coquetel, deixam de frequentá-la?
Alguns, sentem-se até incomodados com a cobrança da mensalidade devida e necessária para a precária manutenção dessas entidades. Esse é um drama comum e atual de quase todas e pode servir de base para discussões e providências que urgem.
(*) João Soares Neto é escritor e membro da Academia Cearense de Letras.
Fonte: Publicado, provavelmente, no jornal Diário do Nordeste, Ideias, 8/09/17.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

APELO À MÍDIA: Que fazer a respeito do despreparo dos nossos médicos?

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Exame reprova 54% dos futuros médicos de São Paulo. Mandatória pela primeira vez, prova do Cremesp avaliou alunos que se formaram neste ano. A avaliação é do Conselho Paulista de Médicos, que reprovou 54,5% dos alunos no exame deste ano da entidade, o primeiro obrigatório para tirar o registro profissional.
É considerado reprovado quem acerta menos de 60% da prova, de 120 questões, noticia a Folha de São Paulo (07.12.12). Em saúde mental e pediatria a média de acerto não atingiu 56%. Em suma, mais da metade dos quase 2.500 estudantes de medicina que se formaram neste ano no Estado de São Paulo não possuem condições mínimas para atender a população. Imaginem em outros estados da Federação!
Aqueles que adoram ser considerados politicamente corretos sabem que cálculos estatísticos, informáticos, científicos, qualquer que seja o nome que se use para designá-los, tem antes de ser pesquisados, para saber qual a hipótese que se deseja provar.
Verdade científica pode ser transitória, principalmente na Medicina. Vocação? Não significa levar uma vida de Madre Tereza de Calcutá. Ser fraterno não significa levar uma vida sem direito aos desejos de consumo ou a argumentos líricos.
Chega de dizer que a medicina é um sacerdócio ou vocação. O ato médico pressupõe cuidado, empatia, destreza e outros sinônimos dos sentimentos que levam a uma misteriosa relação com o paciente. Por não conhecer uma palavra que os defina, direi Humanismo, além de um longo preparo profissional com grandes Mestres. Tudo isto já sabemos.
O mais preocupante quanto a essa notícia é que a formação dos mais despreparados se concentra (grosso modo, como dizem os ‘estaticistas’) nas doenças das crianças (pediatras) e nos sofrimentos mentais (psiquiatras).
O meu apelo à mídia é para uma mudança de destaque, ou melhor, de foco, porque destaque é coisa de escola de samba e não é para quem ama seus semelhantes.
O foco das mídias sociais deveria estar concentrado na situação do ensino médico no Brasil. Por enquanto, só me resta dizer: “coitadas de nossas crianças e dos portadores de sofrimentos psíquicos”. Ajudem-nos, senhores da imprensa. Divulguem essa situação e abram o debate para deixarmos de ser um povo de coitadinhos.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

UNIÃO FAMILIAR

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
A Sagrada Família representa um exemplo para nós, mediante os sentimentos do amor, da humildade, da esperança, enfim, da solidariedade humana. É difícil viver fora do ambiente familiar. Na medida em que tenhamos uma família bem constituída, com certeza, as dificuldades e os problemas da vida cotidiana serão ultrapassados com mais facilidade e menos sofrimento. Dentro desta linha de pensamento, é básico re­conhecermos a importância dos valores espirituais sobre os materiais. Aqueles são duradouros e nos conduzirão, sem dúvida, à vida eterna. Estes são efêmeros e, nem sempre, nos proporcionam, apesar do conforto, a alegria permanente. Os bons pais sabem a oportunidade de aconselhar, perdoar, compreender, a importância da paciência e da sinceridade, os momentos de repreensão - sem denegrir a imagem dos filhos, a prudência nos julgamentos, bem como a liberdade com responsabilidade. Os ensinamentos e os exemplos paternos são fundamentais para uma educação saudável. Quando ressaltamos educação, estamos nos referindo ao conhecimento formal cognitivo, bem como aos aspectos comportamentais. A união familiar é importante para que possamos educar nossos filhos dentro de um ambiente de paz e concórdia. Segundo Coelho Neto, "é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais." Por sua vez, os filhos devem respeitar a autoridade dos pais, sem contudo apresentar uma atitu­de de subserviência, mas de amor e carinho. Podemos dizer que uma família bem constituída segue a palavra de Deus, pois semeia o amor.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 16/2/2018.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

BÊBADOS NA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA


Chegam 5 bêbados na estação ferroviária, um pior que o outro.
Quando chega o trem, quatro deles entram e um deles, de tão bêbado, fica para trás.
Daí, o guarda, vendo aquilo, foi lá e disse:
- Ficou tão bêbado que não conseguiu pegar o trem com seus colegas hein?
O bêbado então responde:
- Pro cê ver, seu guarda, e eu era o único que ia viajar.. o resto veio só se despedir de mim ...
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

QUE CÉU NÓS QUEREMOS?

Por Erasmo Miessa Ruiz (*)
Certa feita ouvi duas crianças conversando numa sala de espera de consultório pediátrico. Deveriam ter entre cinco e seis anos. O tema era a morte.
- Meu cachorrinho morreu.
- Você ficou triste?
- Eu fiquei sim. Mas ele foi pro céu.
- Mas como ele saiu voando se ele estava morto?
- Não, não foi assim, foi a alma dele, uma coisa que vivia dentro dele e que foi embora quando ele morreu.
- Ah, minha mãe já me falou dessa história de alma. Acontece a mesma coisa com a gente, sabia?
- Eu sei. E quando a gente morrer vamos pro céu.
- Sério? Então vamos contar estrelas?
- Talvez, mas é como se a gente tivesse em outro lugar.
- E o que vai ter nesse lugar?
- Não me falaram sobre isso. Mas eu acho que vai ter tudo o que tem aqui.
- Tudo? Ah, tudo eu não quero.
- Por que?
- Eu não quero ter que levantar cedinho pra ir na escola. É muito chato. Também não quero tomar injeção nem ter que ir na casa da minha avó antes de ir no Shopping.
- Nossa, será que vai ter escola no Céu?
- Se disseram pra você que vai ter tudo o que tem aqui....
- Olha, esse negócio de morrer não é legal. Se esse céu tiver tudo que tem aqui, vai continuar também as coisas ruins. Eu não quero não!
- É simples resolver então.
- O que a gente vai fazer?
- Ora, é só não morrer e pronto. Esse lugar a gente conhece, vai saber se o céu é pior.
Ainda meio tonto pelo diálogo, fomos chamados para a consulta do meu filho. Enquanto discutia com o médico os sintomas de uma presumível virose, fiquei martelando o cérebro sobre aquela conversa toda. lembrei-me então do poema "Morte Absoluta" de Manoel Bandeira que nos ilustra as muitas mortes que podemos ter.
Lá pela metade do poema, ele nos afronta com a dúvida sobre o céu:
"Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?"
Já pensaram em responder a essa pergunta? As crianças encontraram uma resposta a partir de sua negação da morte, empoderadas que ainda estavam por verem na morte algo que pode ser objetivamente controlado.
Mas nós adultos nos deparamos com nossa verdade misteriosa. Não há como contornar a morte. Então, o que virá? O nada? Um lugar pior ou melhor do que esse? Se existir um algo que podemos pensar em chamar de céu, isso pode satisfazer o nosso sonho de céu como pergunta o poeta?
Um dia saberemos...ou não.
(*) Psicólogo. Professor da Universidade Estadual do Ceará. Diretor da Editora da Uece.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

CONVITE: XV Semeando Cultura da Sobrames-CE


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE) convida para o 15º SEMEANDO CULTURA, evento bimestral promovido pela Sobrames-CE, a realizar-se no dia 19/02/2018, às 19h30, no Espaço Cultural Dra. Nilza dos Reis Saraiva, na Av. Rui Barbosa, n° 1.880, Aldeota (Altos da Clínica São José Moscati).
O palestrante do evento será o advogado e escritor Dr. André Bastos Gurgel, que abordará o tema: AS GRANDES EPOPEIAS DA HUMANIDADE. O expositor é professor, intérprete e tradutor autônomo de inglês, italiano, francês, espanhol e alemão e estudioso de idiomas clássicos: latim, sânscrito e grego antigo.
Contamos com a nobre participação dos colegas, amigos e familiares neste aprazível momento cultural.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Presidente da Sobrames-CE

CURSO DE ENFERMAGEM FAZ 75 ANOS NO CEARÁ


Escola de Enfermagem São Vicente de Paulo. (Foto cedida pela Profa. Sílvia Nóbrega-Thérrien).
Por Carlos Viana (*)
Em 1943, por iniciativa da irmã Margarida Breves e apoio do arcebispo da época, Dom Almeida Lustosa, era fundada a primeira escola de Enfermagem do Ceará, que completa hoje (13/2/18) 75 anos.
A Enfermagem está diretamente ligada à Igreja Católica e à caridade. Em vários locais do mundo, era comum que pessoas pobres buscassem auxílio em conventos ou hospitais mantidos pela Igreja. A Enfermagem surgiu assim, da necessidade de ajudar o próximo”, explica Francisca Montezuma, coordenadora do curso de enfermagem da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Fortaleza foi a primeira cidade do Norte/Nordeste a receber um curso de Enfermagem e a terceira do País. “Isso só foi possível com a luta incansável da irmã Margarida Breves, que à época era diretora do Patronato Nossa Senhora Auxiliadora, instituição mantenedora da escola”, explica a professora.

Em 1975, o curso passou a ser de responsabilidade da Uece, proporcionando assim uma melhor formação dos alunos, evitando que eles deixassem o Estado para completar os estudos.

Irmã Breves, acompanhada de docentes e discentes da Escola de Enfermagem São Vicente de Paulo, em fotografia comemorativa do dia do reconhecimento com Escola Padrão Anna Nery em 1946. (Foto cedida pela Profa. Sílvia Nóbrega-Thérrien).
Para o médico e professor do curso de Medicina da Uece, Marcelo Gurgel, a Enfermagem é de vital importância para a Medicina. “O médico faz a prescrição do medicamento, mas é o profissional da enfermagem que fica 24 horas com o paciente, aplicando a medicação e prestando todo tipo de cuidado,” disse.
De acordo com Montezuma, o principal problema da Enfermagem atualmente é a falta de reconhecimento. “Por estar ligado à caridade, somente moças de famílias mais humildes tornavam-se enfermeiras. E isso ficou arraigado na sociedade. Muitas pessoas, principalmente de famílias ricas confundem o papel da babá com o da enfermeira”, declara.

Para ela, a profissão sofre uma precarização no Estado, por não ter uma legislação que defina um piso salarial. Ela alega que, pela falta dessa legislação, muitos profissionais têm salários baixos, tendo, inclusive, que trabalhar em vários locais. Outro ponto criticado pela coordenadora é a falta de concursos na área.
Para Marcelo, a grande oferta de cursos de Enfermagem no Ceará também precariza a profissão. “São quase 3000 vagas ofertadas em todo o Estado, sem falar nos cursos à distância, sem muita qualidade. O profissional da Enfermagem merece respeito, tanto por parte do poder público como das empresas privadas,” completou.
(*) Jornalista. Editoria de Redação de O Povo.
Fonte: O Povo Online, de 15/02/2018.
https://www.opovo.com.br/noticias/fortaleza/2018/02/curso-de-enfermagem-faz-75-anos-no-ceara.html

Nota do Blog: As informações de cunho histórico estão em artigo de autoria da Profa. Sílvia Nóbrega-Thérrien, imortal da Academia Cearense de Enfermagem e docente da Uece, a ser postado na íntegra oportunamente neste blog. Marcelo Gurgel


 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

FAMÍLIA E MAL-ESTAR PSICOSSOCIAL

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
(NÃO BASTA SABER OU QUERER É PRECISO SABER AGIR)
A vida nunca foi tão fácil como é hoje, em nenhuma época da civilização. Não tenho a intenção, nestes artigos, de repetir a história das famílias e suas transformações. Elas ocorrem, ocorreram e vão ocorrer em determinadas circunstâncias.
Sem tirar a importância dos fatores socioeconômicos ou culturais, paradoxos ou contradições do mundo contemporâneo, acredito que não deva abordar mais do que o necessário sobre tais aspectos. Creio serem esses aspectos assuntos suficientemente discutidos em um Mundo que está intoxicado pela Informação e por especuladores do futuro.
Permanecer alardeando que existe um vácuo na liderança da família ou discutindo sobre quem deveria ser o chefe, que não necessariamente precisa ser o pai. Que a expectativa de vida aumentou. Que a emancipação feminina é uma realidade. Que a religião fracassou. Que há casamentos homossexuais. Que o número de divórcios está aumentando. Que os lares comandados por mulheres estão aumentando. Que as doenças e distúrbios psicopatológicos encontram-se em ascensão ou que a organização mental torna-se fraca, incerta, instável devido a um sistema de organização familiar deficiente ou disfuncional. Do bullyng à internet, crise mundial, refugiados e terrorismo. São fatos muito importantes, sem dúvida, porém repetitivos nos noticiários e parece que disso, todos não sabem, nem querem saber como esses acontecimentos influenciarão as gerações seguintes e a atual, os jovens.
Poucos sabem que a ascendência, quando incapaz de fornecer um suporte satisfatório aos seus participes, propícia a desorganização ao não aceitar nem resguardar as diversidades culturais e outras questões básicas para a sobrevivência das pessoas.
Venho, durante os últimos 10 anos, destacando a importância da organização e da dinâmica familiares, da disciplina doméstica, do tratar diferentemente um irmão do outro; essas variáveis estão fortemente associadas à eclosão de neuroses que hoje são por alguns denominadas de transtornos de internalização traumática.
A falta da presença, no sistema familiar, de elementos adequados de segurança durante a infância acaba por formar indivíduos de personalidade desacorde. Não poucas vezes são pessoas inseguras, agressivas, tímidas, violentas, indo além dessas atitudes antissociais: perdem a capacidade de elaboração onírica ou de fantasiar diante das adversidades da vida e passam a ter uma propensão aos diferentes distúrbios psíquicos e somáticos, principalmente na classe média urbana no Brasil. Relações marcadas pela descontinuidade (mãe-filho), principalmente no primeiro ano de vida, estão presentes, com frequência no atual mal-estar social generalizado. (VOLTAREI AO ASSUNTO)
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

120 x 80


Weiber Xavier (*)
Este era o número há bem pouco tempo considerado ideal para a pressão arterial. No final do ano passado, após uma nova diretriz da American Heart Association os valores mudaram e a ideia é que o indivíduo tenha sua pressão controlada mais precocemente e, dessa forma, possa prevenir as complicações associadas à pressão elevada ou hipertensão arterial, uma doença que mata silenciosamente e está associada a um risco aumentado de um ataque cardíaco por infarto do miocárdio, doença vascular cerebral (derrame ou “AVC”) ou insuficiência renal terminal, dentre outras complicações potencialmente graves.
É muito importante verificar a PA (Pressão Arterial) de maneira apropriada e saber os seus valores de forma correta, para que com o diagnóstico preciso possam ser tomadas as devidas medidas. Há a preocupante banalização da medida da PA de forma errônea, apressada e, essa medida imprecisa, pode levar a sérios prejuízos em alguns pacientes. Os aparelhos para medir a PA precisam estar devidamente calibrados e pelo menos duas medidas em duas diferentes ocasiões precisam ser realizadas a fim de se minimizar o erro e ter-se uma estimativa da pressão arterial mais acurada, evitando-se assim taxar a pessoa de hipertensa de maneira equivocada.
Ter a sua pressão arterial controlada não obrigatoriamente necessita do uso de medicamentos, a mudança de hábitos pode ajudar como: alimentar-se com restrição de sal e gordura saturada, mais rica em potássio, frutas, legumes e grãos, exercício físico regular, diminuir a ingestão de álcool, manter o peso adequado, evitar o cigarro, manejar o estresse excessivo, controlar o colesterol elevado e o diabetes mellitus.
Considera-se normal uma PA <120 120-129="" 130-139="" 1="" 2="" 80-89="" e="" elevada="" est="" gio="" hg.="" hg="" hipertens="" mm="" o="" ou="" pa:="" pa="" span="" uma="">
Estima-se que cerca de 25% da população brasileira possa ter hipertensão arterial, com os “novos” critérios esse número pode ser ainda maior, por isso é preciso estar atento e verificar os valores da sua pressão arterial,120 por 80 não caracteriza que você seja hipertenso mas certamente é um número que precisa ser observado e melhorado.
(*) Médico e professor de Medicina.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 31/1/2018. Opinião. p.22.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

CERVANTINA

Pedro Henrique Saraiva Leão (*)
Quisera escrever uma crônica dezembrina, mas sem os cediços chavões sazonais. Sem neve, renas, ou papai-noel. Sem trenós, apenas carros–pipa. Não havia avelãs, pinheiros, mas xiquexique e mandacarus. Viera transformar o agreste em pomar. Recolher facas e distribuir pão. Vinha de longe... tangendo velhas ovelhas, cavalgando trôpego pangaré. Apresentava profundos vincos no rosto, quais talhados a golpes de faca. Suara muitos sóis, irrigando aquele chão gretado. Muitas luas prateavam seus cabelos. Transpirava o sangue do sofrimento.
No gibão de couro tocos de pão, nacos de fumo, pedaços de rapadura e resto de farinha, lembravam o estirão percorrido. Lutara contra seca, aluvião, fome, fauna e flora, enfrentara leões, moinhos de vento, desafiara a sorte, o amor e a morte. Provara até “um certo contato com a lua”, evocando o poeta Antônio Girão Barroso. Escapara de areias movediças. Bárbaros e bérberes. Fora picado pela cobra que criara; indabém que Deus, ao concebê-lo, vedara-lhe o corpo para os vírus, vícios e venenos da vida.
Peregrinando por ínvias vias, atravessara rios, vadeara riachos, escalara serras, penedias e noites sem fim. Certa feita, embora cogitando desistir, descumprir promessas, pedir meças ao homem lá de cima, pensou mais. Carregando sua cruz, preferiu aguardar o último trem. Esperar, ia. Acreditava valer a pena, pois tinha a alma grande. Só, carecia de mais paciência. Tê-la-ia! O tempo não tarda. Alexandre Dumas (1802-1870), aquele do “Conde de Montecristo”, já dissera estar a sabedoria contida em duas palavras: paciência e esperança. Sabia que vida é véspera. Aliás, a água da chuva não era preta como aparentavam as nuvens, repetia o professor Newton Gonçalves, na Faculdade de Medicina do meu tempo (1958-1963).
Cuidava agora fosse nascer de novo, novamente. Vencidos os demais perigos da existência, as incertezas das esquinas, o desamor dos amigos, os desacertos do destino, domadas as dores da consciência, chegava, afinal. Não soaram sinos à sua chegada, mas balidos de ovelha, e guizos de cascavel. Bois berravam o contraponto. Não trazia ouro, mas pedaços de mica e galhos de mirra por incenso.
Contudo, trazia esperança. Viera adorar o divino infante Jesus, terno, tenro e eterno ramo de fé, para plantarmos no coração e embalar nos nossos braços cansados. Já vemos uma estrela grande no céu. Chegou a hora da estrela. Renovemo-nos para o novo Natal. Esperamos que Cristo perdoe nossos pecados, nossas dúvidas e dívidas, e mande pagar nossos precatórios. Lembrou-se da volta dos mortos para a consoada (ceia) natalina. Chorou. Aleluia. Feliz Natal!
(*) Professor Emérito da UFC. Titular das Academias Cearense de Letras, de Medicina e de Médicos Escritores.
Fonte: O Povo, 13/12/2017. Opinião, p.14.
 

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