domingo, 20 de abril de 2014

SEMANA SANTA 2014


Padre Brendan Coleman (*)
Neste ano de 2014 a Semana Santa começa no Domingo de Ramos no dia 13 de abril e termina no Domingo da Páscoa no dia 20 de abril. Com grande reverencia celebramos, mais uma vez, os acontecimentos fundamentais de nossa fé, isto é, a Páscoa de Cristo, a qual compreende tanto o mistério da cruz e da morte, quanto à alegria do triunfo da Ressurreição.

A Semana Santa é a semana maior no calendário cristão, que nos faz recordar e reviver os passos mais decisivos da jornada terrestre de Jesus. A Semana Santa começa no Domingo de Ramos com sua entrada messiânica em Jerusalém. Na Quinta-feira Santa, há a sagração dos Santos Óleos e a união das paróquias da Arquidiocese de Fortaleza em torno da Igreja-Mãe, a Catedral, onde é sagrada a matéria que será utilizada em alguns sacramentos durante todo o ano. À tarde celebramos a Ceia do Senhor, o Sacrifício Eucarístico, enlace o momento atual com a primeira missa. E o Lava-pés repete, na humildade e no perdão a necessidade de imitar o Senhor.
Na Sexta-feira Santa a morte de Cristo na cruz, que trouxe ao mundo a esperança e a redenção. O Sábado Santo com o silêncio do Senhor que repousa no túmulo novo aberto na rocha. No Domingo da Páscoa celebramos a gloriosa Ressurreição de Cristo. Morto numa cruz e sepultado, ressuscitou dos mortos. Sua Ressurreição até hoje e para sempre alimenta as esperanças de um mundo melhor e mais humano. Agora em nossa cidade de Fortaleza tudo isso se repete.

Entre as recomendações para a Semana Santa está a valorização da missa do Crisma com a benção dos santos óleos e com a participação de todos os padres da Arquidiocese, além dos fiéis. Na Quinta-feira Santa “Jesus se dá como alimento aos Doze com as próprias mãos”. As leituras deste dia ilustram o profundo sentido desta frase. Elas formam uma espécie de triplico: a instituição da Eucaristia, a sua prefiguração do Cordeiro Pascal e a sua tradução existencial no amor e no serviço fraterno.
Na Sexta-feira Santa ao lado do exercício da Via Sacra, próprio deste dia, não devem ser omitidos os exercícios da celebração das Dores de Nossa Senhora e da procissão do Enterro do Senhor. Na Vigília Pascal o toque dos sinos anunciando a ressurreição, precede a leitura do Evangelho, homilia e a liturgia batismal que se segue. Seria lamentável reduzir a Semana Santa um mero feriadão com muito futebol, praia e passeio.
Desejo a todos os leitores deste artigo as melhores bênçãos e as maiores alegrias da Páscoa.

(*) Padre Brendan Coleman Mc Donald é Redentorista e assessor da CNBB.
Fonte: O Povo, Caderno Espiritualidade, 20/04/2014.

AS PROVAS DA RESSURREIÇÃO DE JESUS


Por Prof. Felipe Aquino (*)

A Igreja não tem dúvida em afirmar que a Ressurreição de Jesus foi um evento histórico e transcendente. No §639 o Catecismo afirma: “O mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. Já S. Paulo escrevia aos Coríntios pelo ano de 56: “Eu vos transmiti… o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze” (1Cor 15,3-4). O apóstolo fala aqui da viva tradição da Ressurreição, que ficou conhecendo após sua conversão às portas de Damasco.

 O primeiro acontecimento da manhã do Domingo de Páscoa foi a descoberta do sepulcro vazio (cf. Mc 16, 1-8). Ele foi a base de toda a ação e pregação dos Apóstolos e foi muito bem registrada por eles. São João afirma: “O que vimos, ouvimos e as nossas mãos apalparam isto atestamos” (1Jo1,1-2). Jesus ressuscitado apareceu a Madalena (Jo 20, 19-23); aos discípulos de Emaús (Lc 24,13-25), aos Apóstolos no Cenáculo, com Tomé ausente (Jo 20,19-23); e depois, com Tomé presente (Jo 20,24-29); no Lago de Genezaré (Jo 21,1-24); no Monte na Galiléia (Mt 28,16-20); segundo S. Paulo “apareceu a mais de 500 pessoas” (1 Cor 15,6) e a Tiago (1 Cor 15,7).

 S. Paulo atesta que Ele “… ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e foi visto por Cefas, e depois pelos Onze; depois foi visto por mais de quinhentos irmãos duma só vez, dos quais a maioria vive ainda hoje e alguns já adormeceram; depois foi visto por Tiago e, em seguida, por todos os Apóstolos; e, por último, depois de todos foi também visto por mim como por um aborto” (1 Cor 15, 3-8).

 “Deus ressuscitou esse Jesus, e disto nós todos somos testemunhas” (At 2, 32), disse São Pedro no dia de Pentecostes. “Saiba com certeza toda a Casa de Israel: Deus o constituiu Senhor (Kýrios) e Cristo, este Jesus a quem vós crucificastes” (At 2, 36). “Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos” (Rm 14, 9). No Apocalipse, João arremata: “Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos, e tenho as chaves da Morte e da região dos mortos” (Ap 1, 17s).

 Toda a pregação dos Discípulos estava centrada na Ressurreição de Jesus. Diante do Sinédrio Pedro dá testemunho da Ressurreição de Jesus (At 4,8-12). Em At 5,30-32 repete.  Na casa do centurião romano Cornélio (At 10,34-43), Pedro faz uma síntese do plano de Deus, apresentando a morte e a ressurreição de Jesus como ponto central. S. Paulo em Antioquia da Pisídia faz o mesmo (At 13,17-41).

 A presença de Jesus ressuscitado era a manifestação salvífica definitiva de Deus, inaugurando uma nova era na História humana; era a força dos Apóstolos. Jesus ressuscitado caminhou com eles ainda quarenta dias e criou a fé dos discípulos e não estes que criaram a fé no Ressuscitado.

A primeira experiência dos Apóstolos com Jesus ressuscitado, foi marcante e inesquecível: “Jesus se apresentou no meio dos Apóstolos e disse: “A paz esteja convosco!” Tomados de espanto e temor, imaginavam ver um espírito. Mas ele disse: “Por que estais perturbados e por que  surgem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu! “Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, como, por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam surpresos, disse-lhes: “Tendes o que comer?” Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado. Tomou-o então e comeu-o diante deles” (Lc 24, 34s).

Os Apóstolos não acreditavam a principio na Ressurreição do Mestre. Amedrontados, julgavam ver um fantasma, Jesus pede que o apalpem e verifiquem que tem carne e ossos. Nada disto foi uma alucinação, nem miragem, nem delírio, nem mentira, e nem fraude dos Apóstolos, pessoas muito realistas que duvidaram a principio da Ressurreição do Mestre. A custo se convenceram. O próprio Cristo teve que falar a Tomé: “Apalpai e vede: os fantasmas não têm carne e osso como me vedes possuir” (Lc 24,39). Os discípulos de Emaús estavam decepcionados porque “nós esperávamos que fosse Ele quem restaurasse Israel” (Lc 24, 21).

 Estes depoimentos “de primeira hora”, concebidos e transmitidos pelos discípulos imediatos do Senhor, são argumentos suficientes para dissolver qualquer teoria que quisesse negar a ressurreição corporal de Cristo, ou falar dela como fraude. Esta fé não surgiu “mais tarde”, como querem alguns, na história das primeiras comunidades cristãs, mas é o resultado da missão de Cristo acompanhada dia a dia pelos Apóstolos.

Com  os Apóstolos aconteceu o processo exatamente inverso do que se dá com os visionários. Estes, no começo, ficam muito convencidos e são entusiastas, e pouco a pouco começam a duvidar da visão. Já com os discípulos de Jesus, ao contrário, no princípio duvidam. Não creem em seguida na Ressurreição. Tomé duvida de tudo e de todos e quer tocar o corpo de Cristo ressuscitado. Assim eram aqueles homens: simples, concretos, realistas. A maioria era pescador, não eram nem visionários nem místicos. Um grupo de pessoas abatidas, aterrorizadas após a morte de Jesus. Nunca chegariam por eles mesmos a um auto-convencimento da Ressurreição de Jesus. Na verdade, renderam-se a uma experiência concreta e inequívoca.

Impressiona também o fato de que os Evangelhos narram que as primeiras pessoas que viram Cristo ressuscitado são as mulheres que correram ao sepulcro. Isto é uma mostra clara da historicidade da Ressurreição de Jesus; pois as mulheres, na sociedade judaica da época, eram consideradas testemunhas sem credibilidade já que não podiam apresentar-se ante um tribunal. Ora, se os Apóstolos, como afirmam alguns, queriam inventar uma nova religião, por que, então, teriam escolhido testemunhas tão pouco confiáveis pelos judeus? Se os evangelistas estivessem preocupados em “provar” ao mundo a Ressurreição de Jesus, jamais teriam colocado mulheres como testemunhas.

Os chefes dos judeus tomaram consciência do significado da Ressurreição de Jesus, e, por isso,  resolveram apaga-la: “Deram aos soldados uma vultosa quantia de dinheiro, recomendando: “Dizei que os seus discípulos vieram de noite, enquanto dormíeis, e roubaram o cadáver de Jesus. Se isto chegar aos ouvidos do Governador, nós o convenceremos, e vos deixaremos sem complicação”. Eles tomaram o dinheiro e agiram de acordo com as instruções recebidas. E espalhou-se esta história entre os judeus até o dia de hoje” (Mt 28, 12-15). A ressurreição corporal de Jesus era professada tranquilamente pela Igreja nascente, sem que os judeus ou outros adversários a pudessem apontar como fraude ou alucinação.

 Os Apóstolos só podiam acreditar na Ressurreição de Jesus pela evidência dos fatos, pois não estavam predispostos a admiti-la; ao contrário, haviam perdido todo ânimo quando viram o Mestre preso e condenado; também para eles a ressurreição foi uma surpresa.

 Eles não tinham disposições psicológicas para “inventar” a notícia da ressurreição de Jesus ou para forjar tal evento. Eles ainda estavam impregnados das concepções de um messianismo nacionalista e político, e caíram quando viram o Mestre preso e aparentemente fracassado; fugiram para não ser presos eles mesmos (Cf. Mt 26, 31s); Pedro renegou o Senhor (cf. Mt 26, 33-35). O conceito de um Deus morto e ressuscitado na carne humana era totalmente alheio à mentalidade dos judeus.

 E a pregação dos Apóstolos era severamente controlada pelos judeus, de tal modo que qualquer mentira deles seria imediatamente denunciada pelos membros do Sinédrio (tribunal dos judeus). Se a ressurreição de Jesus, pregada  pelos Apóstolos não fosse real, se fosse fraude, os judeus a teriam desmentido, mas eles nunca puderam fazer isto.

Jesus morreu de verdade, inclusive com o lado perfurado pela lança do soldado. É ridícula a teoria de que Jesus estivesse apenas adormecido na Cruz.

Os vinte longos séculos do Cristianismo, repletos de êxito e de glória, foram baseados na verdade da Ressurreição de Jesus. Afirmar que o Cristianismo nasceu e cresceu em cima de uma mentira e fraude seria supor um milagre ainda maior do que a própria Ressurreição do Senhor.

 Será que em nome de uma fantasia, de um mito, de uma miragem, milhares de fiéis enfrentariam a morte diante da perseguição romana? É claro que não. Será que em nome de um mito, multidões iriam para o deserto para viver uma vida de penitência e oração? Será que em nome de um mito, durante já dois mil anos, multidões de homens e mulheres abdicaram de construir família para servir ao Senhor ressuscitado? Será que uma alucinação poderia transformar o mundo? Será que uma fantasia poderia fazer esta Igreja sobreviver por 2000 anos, vencendo todas as perseguições (Império Romano, heresias, nazismo, comunismo, racionalismo, positivismo, iluminismo, ateísmo, etc.)? Será que uma alucinação poderia ser a base da religião que hoje tem mais adeptos no mundo (2 bilhões de cristãos)? Será que uma alucinação poderia ter salvado e construído a civilização ocidental depois da queda de Roma?  Isto mostra que o testemunho dos Apóstolos sobre a Ressurreição de Jesus era convincente e arrastava, como hoje.

 Na verdade, a grandeza do Cristianismo requer uma base mais sólida do que a fraude ou a debilidade mental. É muito mais lógico crer na Ressurreição de Jesus do que explicar a potência do Cristianismo por uma fantasia de gente desonesta ou alucinada. Como pode uma fantasia atravessar dois mil anos de história, com 266 Papas, 21 Concílios Ecumênicos, e hoje com cerca de 4 mil bispos e 416 mil sacerdotes? E não se trata de gente ignorante ou alienada; muito ao contrário, são universitários, mestres, doutores.

 (*) O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 6/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.

 

sábado, 19 de abril de 2014

Prossegue a Semana Santa na Paróquia de São Vicente de Paulo - 2014

“Ressuscitei, ó Pai, e sempre estou contigo:
pousaste sobre mim a tua mão, tua sabedoria é admirável”.
 
“Mais que comum dos dias,
olhei o mais que pude os rostos
dos pobres, gastos pela fome,
esmagados pelas humilhações,
e neles descobri teu rosto,
Cristo Ressuscitado!”

Dom Hélder Câmara

 Hoje, sábado, dia 19/04/2014, às 18h, na Paróquia de São Vicente de Paulo, em Fortaleza, haverá a Solene Vigília Pascal.
Amanhã, domingo, às 6h, acontecerá a Procissão do Cristo Ressuscitado, seguida de Missa, às 6h30min. Haverá também missas nos seguintes horários: 9h, 11h30min, 17h30min e 19h30min. não A Missa de 11h30min terá orquestra de câmara, com acompanhamento do Coral “Cantate Dominum”, diferentemente do que aconteceu no ano pretérito.
Feliz Páscoa a todos!
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Paroquiano de S. Vicente de Paulo - Fortaleza

 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Semana Santa na Paróquia São Vicente de Paulo - 2014


Ontem à noite, na Paróquia São Vicente de Paulo, em Fortaleza, aconteceu a Missa da Ceia do Senhor – Missa do Lava-pés, com a transladação do Santíssimo Sacramento. Hoje, dia 18/04/2014, às 15h, haverá a Solene Comemoração da Paixão e Morte do Senhor.
Feliz Páscoa a todos!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

quinta-feira, 17 de abril de 2014

SUPERSALÁRIOS NO BRASIL

Uma reportagem publicada no ano passado na revista britânica "Economist" afirmava que altos salários pagos a parte dos funcionários públicos do Brasil são um "roubo ao contribuinte". Na época, os dados sobre a remuneração dos servidores haviam sido revelados por meio da Lei de Acesso à Informação.
A "Economist" cita como exemplo de abuso o fato de mais de 350 funcionários da prefeitura de São Paulo ganharem mais que o presidente da Câmara, cujo salário líquido é de R$ 7.223.
A publicação compara o salário de uma enfermeira-chefe da prefeitura do município, de R$ 18.300, com a média salarial da iniciativa privada, e conclui que o salário da servidora é 12 vezes mais alto que o pago pelo mercado.
A reportagem lembra ainda que, por lei, nenhum funcionário público pode ganhar mais que R$ 26.700 - a remuneração dos juízes de instâncias federais superiores.
Porém, um terço dos ministros e mais de 4.000 servidores federais teriam rendimentos superiores a esse teto. Incluindo o presidente do Senado, José Sarney, cujo salário chegaria a R$ 62 mil, devido a um acúmulo de pensões.
A revista também classifica como um "roubo ao contribuinte" o fato de membros do Congresso receberem 15 salários por ano, enquanto a maioria dos brasileiros recebe 13.

Fonte: Do UOL, em São Paulo, 24/04/2013.

Nota do Blog: A notícia é antiga, mas permanece atual.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

CAFÉS SUSPENSOS

Entramos num pequeno café na Bélgica com um amigo meu e fizemos o nosso pedido. Enquanto estamos a aproximar-nos da nossa mesa duas pessoas chegam e vão para o balcão:
- "Cinco cafés, por favor. Dois deles para nós e três suspensos."
Eles pagaram a sua conta, pegaram em dois e saíram.
Perguntei ao meu amigo:
- "O que são esses cafés suspensos?"
O meu amigo respondeu-me:
- "Espera e vais ver."
Algumas pessoas mais entraram. Duas meninas pediram um café cada, pagaram e foram embora. A ordem seguinte foi para sete cafés e foi feita por três advogados - três para eles e quatro "suspensos". Enquanto eu ainda me pergunto qual é o significado dos "suspensos" eles saem. De repente, um homem vestido com roupas gastas que parece um mendigo chega na porta e pede cordialmente:
- "Você tem um café suspenso?"
Resumindo, as pessoas pagam com antecedência um café que servirá para quem não pode pagar uma bebida quente. Esta tradição começou em Nápoles, mas espalhou-se por todo o mundo e em alguns lugares é possível encomendar não só cafés "suspensos" mas também um sanduíche ou refeição inteira.
Partilhem no sentido de divulgar esta bela ideia.
Fonte: Internet (circulando por e-mail).

terça-feira, 15 de abril de 2014

EVANGELLI GAUDIUM


Brendan Coleman Mc Donald (*)

No dia 26 de novembro, próximo passado, o Papa Francisco entregou à Igreja sua primeira Exortação Apostólica que ele intitulou Evangelii Gaudium - A Alegria do Evangelho. Exortação Apostólica é uma Carta Pastoral dirigida pelo Papa a toda a Igreja, tratando, no caso presente, sobre o anúncio do evangelho no mundo atual. Este documento como os demais documentos Pontifícios sempre tomam o título a partir das primeiras palavras do seu texto em latim, assim esta Exortação Apostólica será conhecida pelas palavras “Evangelii Gaudium”. O tema principal é o anúncio missionário do Evangelho e sua relação com a alegria cristã, mas fala também sobre a paz, a homilética, a justiça social, a família, a ecologia, o ecumenismo, o diálogo inter-religioso, e o papel das mulheres na Igreja.

O Documento é dividido em cinco capítulos: Capítulo l - A transformação Missionária da Igreja (Uma Igreja “em saída”); Capítulo ll – Na crise do compromisso comunitário (Alguns desafios do mundo atual); Capítulo lll – O Anúncio do Evangelho (Todo o povo de Deus anuncia o Evangelho); Capítulo lV – A dimensão social da Evangelização (As repercussões comunitárias do querigma); e Capítulo V – Evangelizadores com Espírito Novo (Motivações para um renovado impulso missionário).

Após uma introdução, vem logo o tema da “transformação missionária da Igreja onde o Papa fala da “conversão missionária” urgindo os fiéis para que se coloquem “em saída” e “em estado permanente de missão”. Neste primeiro capítulo, O Papa Francisco destaca a importância dos bispos de cada diocese para fortalecer o anúncio cristão por novos caminhos. No segundo capítulo dividido em duas partes, trata de alguns desafios do mundo atual e aborda a atual crise de compromisso comunitário e das tentações que os evangelizadores precisam evitar. O terceiro capítulo trata da evangelização como missão de todo o povo de Deus e dá um destaque à homilia e ao anúncio querigmático (isto é, a primeira proclamação de Jesus como Senhor e Salvador). É neste trecho que o Pontífice considera um pregador que não prepara a homilia, um irresponsável. Quase 10% do Documento tratam de homilias! O capítulo lV fala da dimensão social da evangelização e dos pobres, dos excluídos, dos toxicodependentes, dos povos indígenas como primeiros destinatários do Evangelho. Trata também do diálogo entre fé e razão e do diálogo ecumênico e inter-religioso. O último capítulo trata dos “novos evangelizadores” que precisam ser animados de espírito novo. O encerramento da Exortação Apostólica retoma o encontro das pessoas com Cristo e coloca para nossa imitação a Virgem Maria como um ícone e um exemplo da atitude do anúncio missionário

O texto destes cinco capítulos reúne as contribuições geradas pelos trabalhos realizados no Sínodo dos Bispos de 2012. “As moções vieram do Sínodo para a Nova Evangelização e Transmissão da Fé, presidido por Bento XVl, com outra ênfase e em outro momento da Igreja”. É interessante e feliz a referência à Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi de Paulo Vl que marcou o período pós-conciliar (cf. p. 107). Porém, o Papa Francisco ressalta que a evangelização não se dá apenas no anúncio, mas também no encontro. O encontro missionário é sair de si e ir para o outro.

Há uma grande expectativa em torno do pontificado do Papa Francisco, em relação a temas delicados da fé católica, como a obrigatoriedade do celibato do clero, a situação do divorciado recasado, problemas na área moral da concepção, problemas relacionados à homossexualidade etc. Porém, para o Papa Francisco, o Bispo de Roma é aquele que confirma seus irmãos na fé. É um bispo que tem o primado de Pedro para servir a Igreja, especialmente os fracos, os abandonados e os excluídos e enfatizar a comunhão. Talvez não seja a reforma que se está imaginando, mas o Papa está chamando para mudanças de atitudes e posturas, de convicções e iniciativas, para que a Igreja, entendida como a inteira comunidade dos batizados, recobre a alegria da fé e do empenho missionário.

O lançamento de Evangelii Gaudium com suas 167 páginas (cf. Edições CNBB, 1ª. Edição, Brasília, 2013) foi bastante noticiado causando grande repercussão na mídia secular. Os bispos e padres já receberam as 38 perguntas para o Sínodo da Família. Eles e os leigos que vão preencher este comprido questionário terão que pensar muito bem antes de responder. Evangelii Gaudium é escrita em linguagem acessível com grande clareza e deve ser leitura obrigatória para católicos comprometidos com sua fé.

(*) Brendan Coleman Mc Donald é padre redentorista e assessor da CNBB Reg. NE1.

Fonte: O Povo, Espiritualidade, de 11/01/2014
 

Free Blog Counter
Poker Blog