sexta-feira, 24 de outubro de 2014

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Outubro/2014

A DIRETORIA DA SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) CONVIDA todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de OUTUBRO/2014, que será realizada AMANHÃ (25/10/2014), às 18h30min, na Igreja de N. S. das GRAÇAS, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 - Aldeota.
CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!
MUITO OBRIGADO!

DILMA VIU A UVA DO VOVÔ


Por Arnaldo Jabot (*)

Imagine um automóvel quebrado; em vez de chamar um mecânico, chamam um marceneiro. É isso que estão fazendo. Esta é a causa do desastre atual de economia.
É necessária uma cartilha bem clara para a população que se perde nesse sarapatel de mentiras e manipulações da candidata a presidenta. Por exemplo, o povo não entende frases como: “Nosso produto interno bruto é mínimo por falta de corte nos gastos fiscais”. Ninguém sabe o que é isso, principalmente no Nordeste-Norte. Ao contrário do que diz Dilma, os pobres que não puderam estudar são, sim, absolutamente ignorantes sobre os reais problemas brasileiros. Vamos ao diálogo da cartilha:
— Dilma viu a uva. Dilma viu o vovô. Dilma diz que viu o povo, mas não viu. Dilma viu Maduro, Dilma viu Chávez... Dilma viu o ovo. Mas não viu o novo.
— Por que ela gosta de governos como Cuba, Venezuela, Argentina?
— Porque para ela, no duro, a sociedade é composta de imbecis e de empresários imperialistas. Dilma pensa igual a eles. Ela e a “Cristina botox”.
— Por que ela pensa igual a eles?
— Porque é possuída por uma loucura antiga chamada “revolução socialista”, que fracassou no mundo todo. Imagine um automóvel quebrado; em vez de chamar um mecânico, chamam um marceneiro. É isso que estão fazendo. Esta é a causa do desastre atual de economia e da crise política. Para eles, quanto pior, melhor. O problema é que eles é que estão no governo, e essas ideias são tiros no pé. Mais uma vez, repito o filósofo Baudrillard: “O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação brutal”. Por isso, erram tudo, por incompetência. O governo ataca e quer mudar o Estado para possuí-lo.
— Por quê?
— Para o PT, as instituições não valem nada (burguesas) e têm de ser usadas para o projeto do PT.
— Qual é o projeto do PT?
— Fundar uma espécie de bolivarianismo tropical e obrigar o povo a obedecer o Estado dominado por eles.
— Que é bolivarianismo?
— É um tipo de governo na Venezuela que controla tudo, que controla até o papel higiênico e carimba o braço dos fregueses nos supermercados para que eles só comprem uma vez e não voltem, porque há muito pouca mercadoria.
— Por que os petistas não fazem reforma alguma?
— Porque não querem. A reforma da Previdência não existirá, pois, segundo o PT, “ela não é necessária”, pois “exageram muito sobre sua crise”, não havendo nenhum “rombo” no orçamento. Só de 52 bilhões. Por isso, a inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a “inflação neoliberal”.
— O que é inflação?
— Ahhh... é sinônimo de “carestia”.
— Por que o PT ataca tanto os adversários?
— Porque eles têm medo de perder as 100 mil “boquinhas” que conquistaram no Estado. Essa gente não larga o osso. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos. Eles também têm medo que suas roubalheiras sejam investigadas. Vejam o caso do “Petrolão.” Perto dele, o “mensalão” é um troco.
— Por quê?
— A Petrobras foi predada e destruída pela metade porque essa empresa sempre foi vista como propriedade de uma esquerda psicótica.
— Este roubo foi feito por vagabundos sem moral?
— Não. A Petrobras foi assaltada pelos próprios diretores para que o dinheiro fosse dividido entre o PT, PP e PMDB, para seus políticos apoiarem o governo Dilma e para novos malfeitos.
— Por que Dilma diz que não viu nada?
— Para negar que viu. Claro que viu. É necessário mentir para o “bem” do povo. Sim. Eles acham que são “mentiras revolucionárias.” Aliás, você sabe o que é Pasadena?
— Não...
— É o nome da refinaria da qual Dilma autorizou a compra.
— Por que Dilma assinou a compra da refinaria?
— Ela afirma que não sabia… Mas como é possível que, sendo a presidente do Conselho da Petrobras, tenha autorizado (apenas informada por duas folhas de papel) a compra de uma refinaria por um preço 300 vezes mais caro do que vale?
— Não sei.
— Você compraria uma casa que vale 100 mil reais pelo preço de 1 bilhão e duzentos mil?
— Só eu fosse louco ou mal-intencionado.
— Ela comprou. Comprou também pelo desprezo que os comunas têm por “administração”, coisa de empresários burgueses… Ou por pura incompetência…
— Por que a Dilma e PT não mudam de ideia, vendo tantos erros?
— Ó, ingênuo eleitor! Porque a Dilma e PT são sacramentados por Deus e não erram nunca. Quem erra somos nós. Quem discordar é inimigo. E querem se eternizar no poder.
— E por que nós do povo acreditamos nisso?
— Porque acham que Dilma “ama” o povo. Precisam ver como Dilma trata os garçons do Palácio...
— Por que, então, tantos intelectuais informados vão votar na Dilma mesmo assim?
— Porque acham que o PT ainda tem um grãozinho de romantismo social e também porque temem ser chamados de reacionários, neoliberais. O nome “esquerda” ainda é o ópio dos intelectuais.
— Por que não mudam de ideia?
— Porque essa ideologia é um tumor inoperável em suas cabeças. É espantoso que não vejam o óbvio: a desconstrução do país.
— Por que Dilma e Lula aparecem juntinhos do Collor?
— Porque o Collor pode trazer votos de Alagoas... o estado mais rico de pobres.
— Por que eles querem tanto os votos dos pobres?
— Porque, em geral, têm Bolsa Família. Mas o que não sabem é que com a volta da carestia..
— Inflação...
— Isso. Com a volta da inflação, a graninha do Bolsa Família vai mirrar, sumir, perder o valor. Isso eles não explicam.
— E por que eles dizem que a luta eleitoral é entre ricos e pobres? Pobres do Norte-Nordeste contra os riquinhos do Sudeste e Sul?
— Porque eles falam assim para esconder que a luta é entre pobres analfabetos x pessoas mais sensatas e informadas. Quem sabe disso, não vota nela.
— Mas, afinal, o que é o projeto do PT?
— O programa do PT é um plano de guerra. Eles odeiam a democracia (eles sempre usaram a democracia para negá-la depois). Eu me lembro do Partidão. Eles diziam: “Apoiaremos a democracia como tática. Depois a gente vê”. Dilma também pensa assim: a democracia é um meio, não um fim. Por isso, tem de haver uma cartilha para explicar o programa do PT: Dilma diz que viu o povo, mas não viu. Dilma viu o ovo. Mas não viu o novo.
(*) Arnaldo Jabot é jornalista e comentarista político.
Fonte: Publicado no jornal O Globo.

CARTA DE AÉCIO NEVES AOS MÉDICOS

Caro amigo,

Todas as pesquisas de opinião revelam que o acesso a um sistema de  saúde qualificado é a prioridade dos brasileiros. Tanto na saúde  pública quanto na saúde complementar, o Brasil avançou muito desde a  década de 90. Mas, com certeza, há muito a fazer.
Assegurar os direitos de cidadania na saúde previstos na Constituição  brasileira é tarefa complexa e trabalhosa. Exige liderança,  experiência e clareza estratégica, e demanda capacidade de diálogo  para a construção das parcerias necessárias, principalmente com os  médicos brasileiros que são e serão protagonistas insubstituíveis na  construção, no Brasil, do sistema de saúde dos nossos sonhos. Desafio  como esse não comporta amadorismo, não demanda aventuras, requer liderança política e capacidade de gestão.
Como presidente da República, irei aumentar os investimentos do  Governo Federal, apoiando o projeto de lei de iniciativa popular  endossado por entidades da sociedade civil que arrecadou mais de 3  milhões de assinaturas em defesa da aplicação de 10% da Receita  Corrente Bruta da União exclusivamente para a saúde. Vamos  profissionalizar a gestão do Ministério da Saúde, da ANS, da ANVISA e de todos os órgãos ligados ao sistema, qualificar a atenção primária e  ampliar o acesso aos serviços ambulatoriais e hospitalares.
O atual governo, na discussão e implantação do programa que ganhou o  nome de MAIS MÉDICOS, atropelou o diálogo, mistificou a discussão,  desrespeitou os profissionais brasileiros e tentou jogar a população  brasileira contra nossos médicos.
Ninguém pode ser contra mais médicos para atender a nossa população.  Mas dizer, como o fez a candidata à reeleição, que o grande legado dos  médicos cubanos será ensinar como se trata a população de forma  humanizada é desrespeitar os médicos brasileiros, construindo no  imaginário popular uma caricatura injusta.
Ora, por que juízes e promotores vão para o interior e os médicos não?  Porque não há carreira, retaguarda, segurança e parceria estratégica.
Como presidente, vou viabilizar a Carreira Médica Nacional do SUS,  assim como para os demais profissionais de saúde, e manter um diálogo  permanente com as categorias, assegurar agências regulatórias regidas  pela meritocracia e pela eficiência para garantir o bom convívio entre  operadoras, prestadores e profissionais da saúde complementar. Também  vamos criar um programa de financiamento pelo BNDES para que jovens  profissionais de saúde tenham acesso a consultórios.
O atual governo rompeu com os médicos brasileiros, expondo-os a uma  tentativa de execração diante da opinião pública brasileira, como se  bastasse importar médicos cubanos para encontrar as respostas que há  26 anos o SUS procura. Sabemos todos que isso é mentira e uma fuga da  busca de soluções sólidas e duradouras.
É preciso dar um basta nessa situação! O Brasil e o nosso sistema de  saúde exigem mudanças profundas. Introduzimos avanços importantes em  Minas e conheço os caminhos para a mudança necessária.
Por isso, venho pedir o seu apoio, o de seus colegas de trabalho,  familiares e pacientes.
O atual governo faz mal à saúde. Vamos juntos, com diálogo e parceria,  avançar na construção do sistema de saúde que os brasileiros desejam e  merecem.
Um abraço fraterno,
Aécio Neves
06/10/14

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Convite: DIGNO DE NOTA



A Presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará, Dra. Celina Côrte Pinheiro, convida para o lançamento de “Digno de Nota”, a trigésima primeira antologia anual da Sobrames-CE. O evento contará com o patrocínio da Célula de Arte e Cultura da Unicred Ceará Centro Norte.
O livro será apresentado pelo escritor Cid Carvalho, membro da Academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará.
Local: Restaurante Dallas Grill/ Espaço de Eventos.
Av. Dom Luís, 1.219 - Meireles.
Data: 24 de outubro de 2014 (sexta-feira) Horário: 19h30.
Traje: Esporte fino.
Confirmar Presença: 4012-1125 (Rannielle).

OS SAQUEADORES


Por Ives Gandra da Silva Martins
Ayn Rand (1905-1982) foi uma filósofa, socióloga e romancista com aguda percepção das mudanças que ocorreram na comunidade internacional, principalmente à luz do choque entre o sucesso do empreendedorismo privado e o fracasso da estatização populista dos meios de produção, na maior parte dos países de ideologia marxista. Seu romance A Revolta de Atlas, escrito há mais de 50 anos, talvez seja o que melhor retrata a mediocridade da corrente de assunção do poder por despreparados cidadãos que têm um projeto para conquistá-lo e mantê-lo com slogans contra as elites em "defesa do povo", o que implica a destruição sistemática, por incompetência e inveja, dos que têm condições de promover o desenvolvimento.
No romance, os medíocres ameaçam o governo dos Estados Unidos e começam a controlar e assumir os empreendimentos que davam certo, sob a alegação de que os empreendedores queriam o lucro, e não o bem da sociedade. Tal política tem como resultado a gradual perda de competitividade dos americanos, o estouro das finanças, a eliminação das iniciativas bem-sucedidas e a fuga dos grandes investidores e empresários, que são perseguidos, grande parte deles desistindo de administrar suas empresas, com o que os governantes se tornam ditadores e o povo passa a ter os serviços públicos e privados deteriorados. Não contarei mais do romance, pois o símbolo mitológico de Atlas, que sustenta o globo, é lembrado na revolta dos verdadeiros geradores do progresso da Nação.
O que de semelhante vejo na mediocridade reinante no governo federal do Brasil, loteado em 39 ministérios e 22 mil amigos do rei não concursados, vivendo regiamente à custa da Nação, sob o comando da presidente da República, é a destruição sistemática que, nos últimos anos, ocorreu com a indústria brasileira, abalada em seu poder de competitividade por um Estado mastodôntico, que sufoca a Nação com alta inflação, elevada carga tributária, saldo desprezível na balança comercial, superávit primário ridículo e maquiado, rebaixamento do nível de investimento exterior, desvio em aplicações de capitais que deixam de ser colocados no País para serem destinados a outras nações emergentes, perda de qualidade no ensino universitário e na assistência social. Por outro lado, os programas populistas, que custam muito pouco, mas não incentivam a luta por crescimento individual, como o Bolsa Família (em torno de 3% do Orçamento federal), mascaram o fracasso da política econômica. O próprio desemprego, alardeado como grande conquista - leia-se subemprego -, começa a ruir por força da queda ano após ano do produto interno bruto (PIB), que cresce pouco e cada vez menos, e muito menos que o de todos os países emergentes de expressão.
É que o projeto populista de governo, que o leva a manter um falido Mercosul com parceiros arruinados, como Venezuela e Argentina, sobre sustentar Cuba e Bolívia, enviando recursos que seriam mais bem aplicados no Brasil, fechou portas para o País celebrar acordos bilaterais com outras nações. Prisioneiro que é do Mercosul, são poucos os acordos que mantemos. Tal modelo se esgotou e, desorientados, os partidários de um novo mandato não sabem o que dizem e o que devem fazer. Basta dizer que o "ex-ministro da Fazenda em exercício" declarou, neste mês de eleição, que em 2015 continuará com a mesma política econômica, que se revelou, no curso destes últimos anos, um dos mais fantásticos fracassos da História brasileira. Parece que caminhamos para uma estrada semelhante à trilhada por Argentina e Venezuela.
No romance de Ayn Rand, quando os verdadeiros empreendedores, que tinham feito a nação crescer e a viam definhando, decidiram reagir, denominaram os detentores do poder, nos Estados Unidos imaginário da romancista, de "os saqueadores". Estes, anulando as conquistas e os avanços dos que fizeram a nação crescer para se enquistarem no poder, por força da corrupção endêmica, da incompetência, de preconceitos e do populismo, levaram o país à ruína.
À evidência, não estou alcunhando os 39 ministérios e os 22 mil não concursados de integrantes de um grupo de "saqueadores", como o fez Ayn Rand. Há, todavia, na máquina burocrática brasileira - com excesso de regulamentação inibidora de investimentos, assim como de desestímulo ao empreendedorismo, e escassez de vontade em simplificar as normas que permitem o empreendedorismo, apesar do esforço heroico e isolado de Guilherme Afif Domingos, uma gota no oceano -, algo de muito semelhante entre o descrito em seu romance há mais de 50 anos e o Brasil atual. Basta olhar o "mar de lama" da corrupção numa única empresa (Petrobrás). O que mais impressiona, todavia, é que, detectada a ampla corrupção na empresa - são bilhões e bilhões de dólares -, o governo tudo faça para congelar a CPI e não desventrar para o público as entranhas dos mecanismos deletérios e corrosivos que permitiram tanto desvio de dinheiro público e privado. O simples fato de não querer apurar a fundo, de desviar a atenção desse terrível assalto à maior empresa pública privada, procurando dar-lhe diminuta atenção, como se o governo nada tivesse de responsabilidade, torna suspeita a gestão, pelo menos na denominada culpa in vigilando.
Precisamos apenas saber se o eleitor brasileiro está consciente de que, se não houver mudança de rumos, o Brasil de país do futuro, como escreveu Stefan Zweig, se tornará, cada vez mais, o país do passado, vendo o desfile das outras nações passando-lhe à frente, por se terem adaptado às mudanças de uma sociedade cada vez mais complexa e competitiva, em que apenas os países que se prepararem terão chances.
* Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UNIFMU, do Ciee/O Estado de S. Paulo, da Eceme e da ESG. É presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomércio-SP, fundador e presidente honorário do Centro de Extensão Universitária.
Fonte: Publicado In: O Estado de S.Paulo, em 25 de setembro de 2014.

 

A DÍVIDA POLÍTICA DO LULISMO


Por Ricardo Alcântara (*)
2002. ‘Agora’ – era dito, prenunciando a vitória – ‘É Lula lá’. ‘Lá’, no imaginário dos eleitores, era uma cidadela blindada onde representantes das elites econômicas em nome exclusivo de seus  interesses tomavam as decisões que ferravam a plebe.
Pois bem. Era o ano de 2002 e Lula chegou lá. E, chegando lá, fez o diabo para que pudesse fazer também um pouco pelos mais pobres. Se não vendeu a mãe, passou perto. Abriu mão de muito do que vinha prometendo há mais de vinte anos.  
Quando ele chegou lá, a Reforma Política já estava em pauta. Muitos esperavam que Lula fosse buscar nas ruas a força necessária para fazê-la por compreender a Democracia como a principal causa popular: afinal, para mudar, é preciso ter voz.
Tratava-se de dotar a democracia brasileira de uma representatividade efetiva: submeter os partidos a ritos de decisão coletiva e, a seus membros eleitos, fidelidade programática.  E conter a força do interesse privado em suas posições.
Somente assim a cultura patrimonialista cederia espaço à imposição do interesse comum. Sem isso, a manifestação da vontade popular só seria percebida quando não ferisse os privilégios dos donos do poder no Brasil. Raras oportunidades.
Tratava-se e se trata ainda, como afirma o programa da Rede Sustentabilidade, de ‘democratizar a democracia’. Tirar do conceito nobre de representação popular o constrangimentos das aspas que colocamos no termo ‘democracia’ brasileira.
Mas a realidade tem pouco apreço pelas boas intenções. Para vencer uma herança pesada, Lula adotou medidas conservadoras e, por maioria parlamentar, curvou-se aos maus costumes. Caso contrário, dizia, a menor vítima seria ele e a maior, o país.
Quando saiu do governo, oito anos depois, a Reforma Política continuava ‘lá’, sempre muita discutida e nunca votada. Era como uma mulher ao mesmo tempo bela e problemática: todos gostavam dela, mas ninguém queria levar para casa.
Pois saindo do governo, e compreendendo o preço de sua omissão, Lula disse que, já então livre das imposições pragmáticas da presidência, se dedicaria a mobilizar a sociedade por ela. Bem Lula: disse-o logo que saiu e nunca mais tocou no assunto.
A fatura veio pelas ruas, no ano passado. O governo, ao perceber a mensagem subjacente às queixas por um Brasil ‘padrão FIFA’, propôs a Constituinte exclusiva sob o correto saber de que o poder (o congresso, no caso) não muda o poder.
Mas se haveria que mudar a constituição e a matilha logo percebeu no refluxo das ruas, agora ocupadas pelo ‘vandalismo’, a boa ocasião para à presidente lembrar quem é que realmente manda. Como surgiu, a proposta evaporou e aqui estamos.
Domingo, saberemos se ainda terá o Lulismo uma nova oportunidade para reparar sua primeira dívida com o país (o aprimoramento da representatividade popular), já que a segunda dívida (a adesão faminta à corrupção) está na casa do sem jeito.
(*) Jornalista e escritor. Publicado In: Pauta Livre.
Pauta Livre é cão sem dono. Se gostou, passe adiante.

 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A LISTA DOS PERIGOS


* texto de ARNALDO JABOR*

Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma
*O que acontecerá com o Brasil se a Dilma for eleita?*
*Aqui vai a lista:*
 
*A catástrofe anunciada vai chegar pelo desejo teimoso de governar umpaís capitalista com métodos "socialistas". Os "meios" errados nos levarão a "fins" errados. Como não haverá outra "reeleição", o PT no governo vai adotar medidas bolivarianas tropicais, na "linha justa" de Venezuela, Argentina e outros.*

*Dilma já diz que vai controlar a mídia, economicamente, como faz a Cristina na Argentina. Quando o programa do PT diz: "Combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento", leia-se, como um velho petista deixou escapar: "Eliminar o esterco da cultura internacional e a "irresponsabilidade "da mídia conservadora". Poderão enfim pôr em prática a velha frase de Stalin: "As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que tenham ideias?"*

*As agências reguladoras serão mais esvaziadas do que já foram para o governo PT ter mais controle sobre a vida do país. Também para "controlar", serão criados os "conselhos" de consulta direta à população, disfarce de "sovietes" como na Rússia de Stalin. *

*O inútil Mercosul continuará dominado pela ideologia bolivariana e "cristiniana". Continuaremos a evitar acordos bilaterais, a não ser com países irrelevantes (do "terceiro mundo") como tarefa para o emasculado Itamaraty, hoje controlado pelo assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia. Ou seja, continuaremos a ser um "anão diplomático" irrelevante, como muito acertadamente nos apelidou o Ministério do  xterior de Israel.*

*Continuaremos a "defender" o Estado Islâmico e outros terroristas do "terceiro mundo", porque afinal eles são contra os Estados Unidos,  "inimigo principal" dos bolcheviques que amavam o Bush e tratam o grande Obama como um "neguinho pernóstico".*

*Os governos estaduais de oposição serão boicotados sistematicamente, receberão poucas verbas, como aconteceu em São Paulo.*

*Junto ao "patrimonialismo de Estado", os velhos caciques do "patrimonialismo privado" ficarão babando de felicidade, como Sarney, Renan "et caterva" voltarão de mãos dadas com Dilma e sua turminha de brizolistas e bolcheviques.*

*Os gastos públicos jamais serão cortados, e aumentarão muito, como já formulou a presidenta.*

*O Banco Central vai virar um tamborete usado pela Dilma, como ela também já declarou: "Como deixar independente o BC?"*

*A inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a "inflação neoliberal".*

*Quanto aos crimes de corrupção e até a morte de Celso Daniel serão ignorados, pois, como afirma o PT, são "meias verdades e mentiras, sobre supostos crimes sem comprovação...". *

*Em vez de necessárias privatizações ou "concessões", a tendência é de reestatização do que puderem. A sociedade e os empresários que constroem o país continuarão a ser olhados como suspeitos.*

*Manipularão as contas públicas com o descaro de "revolucionários" --- em 2015 as contas vão explodir. Mas ela vai nomear outro "pau-mandado" como o Mantega. Aguardem.*

*Nenhuma reforma será feita no Estado infestado de petistas, que criarão normas e macetes para continuar nas boquinhas para sempre.*

*A reforma da Previdência não existirá pois, segundo o PT, "ela não é necessária", pois "exageram muito sobre sua crise", não havendo nenhum "rombo" no orçamento. Só de R$ 52 bilhões.*

*A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada por medidas atenuantes --- prefeitos e governadores têm direito de gastar mais do que arrecadam, porque a corrupção não pode ficar à mercê de regras da época "neoliberal". Da reforma política e tributária ninguém cogita.*

*Nossa maior doença --- o Estado canceroso --- será ignorada e terá uma recaída talvez fatal; mas, se voltar a inflação, tudo bem, pois, segundo eles, isso não é um grande problema na política de "desenvolvimento".*

*Certas leis "chatas" serão ignoradas, como a lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, que já foi esquecida de propósito.*

*Aliás, a evidente tolerância com os ataques do MST (o Stédile já declarou que se Dilma não vencer, "vamos fazer uma guerra") mostra que, além de financiá-los, este governo quer mantê-los unidos e fiéis, como uma espécie de "guarda pretoriana", como a guarda revolucionária dos "aiatolás " do Irã.*

*A arrogância e cobiça do PT aumentarão. As trinta mil boquinhas de "militantes" dentro do Estado vão crescer, pois consideram a vitória uma "tomada de poder." Se Dilma for eleita, teremos um governo de vingança contra a oposição, que ousou contestá-la. Haverá o triunfo "existencial" dos comunas livres para agir e, como eles não sabem fazer nada, tudo farão para avacalhar o sistema capitalista no país, em nome de uma  revolução imaginária. As bestas ficarão inteligentes, os incompetentes ficarão mais autoconfiantes na fabricação de desastres. Os corruptos da Petrobras, do próprio TCU, das inúmeras ONGs falsas vão comemorar. Ninguém será punido --- Joaquim Barbosa foi uma nuvem passageira.*

*Nesta eleição, não se trata apenas de substituir um nome por outro. Não é Fla x Flu. Não. O grave é que tramam uma mutação dentro do Estado democrático. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos, alianças com a direita mais maléfica. *

*E, claro, eles têm seus exércitos de eleitores: os homens e mulheres pobres do país que não puderam estudar, que não leem jornais, que não sabem nada. Parafraseando alguém (Stalin ou Hitler?) --- "que sorte para os ditadores (ou populistas) que os homens não pensem".*

*Toda sua propaganda até agora acomodou-se à compreensão dos menos inteligentes: "Quanto maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada" --- esta é do velho nazista.*

*O programa do PT é um plano de guerra. Essa gente não larga o osso. Eles odeiam a democracia e se consideram os "sujeitos", os agentes heroicos da História. Nós somos, como eles falam, a "massa atrasada".*

*É isso aí. Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma. Se ela for eleita.*

Fonte:. Publicado nos jornais O GLOBO e ESTADO DE S.PAULO, em suas edições de 30.09.2014.

 

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