domingo, 28 de agosto de 2016

TEMPORADA DE CAÇA ELEITORAL II




Chargista: indecifrável.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

TEMPORADA DE CAÇA ELEITORAL I




Autoria: fb.com/relinchosdopedepano.
Fonte: Fotomontagem circulando por e-mail (internet).

sábado, 27 de agosto de 2016

MELHOR IDADE



Por Ruy Castro (*)
Melhor idade é a puta que te pariu – a melhor idade é de 18 aos 40 anos… A voz em Congonhas anunciou: "Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.". Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a "melhor idade" – algo entre os 60 anos e a proximidade da morte.
Para os que ainda não chegaram a ela, "melhor idade" é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.
Privilégios da "melhor idade" são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da "melhor idade", estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.
Outra característica da "melhor idade" é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.
Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo (que têm os dedos ligados por uma membrana) da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: "Voltando da farra, Ruy?".
Respondi, eufórico: "Que nada! Estou voltando da farmácia!". E esta, de fato, é uma grande vantagem da "melhor idade": você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir.
Primeiro, a aposentadoria é pouca, quase uma esmola, e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois vem a condução.
Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te veja e por caridade pare o veículo e espere pacientemente você subir antes de arrancar com rapidez como costumam fazer.
No outro dia entrei no ônibus e fui dizendo:
– "Sou deficiente".
O motorista me olhou de cima em baixo e perguntou:
– "Que deficiência você tem?"
– "Sou broxa!"
Ele deu uma gargalhada e eu entrei.
Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo… Eu disse bem baixinho para uma delas:
– "Uma mentirinha que me economizou R$ 3,00, não fica triste não", foi só para viajar de graça.
Bem… fui até a pedra do Arpoador ver o por do sol.
Subi na pedra e pensei em cumprir o ritual que costuma ser feito pelos mais jovens no local. Logicamente velho tem mais dificuldade. Querem saber?
Primeiro, tem sempre alguém que quer te ajudar a subir: "Dá a mão aqui, senhor!!!"
Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça.
Sentar na pedra e olhar a paisagem era tudo o que eu queria naquele momento.
É, mas a pedra é dura e velho já perdeu a bunda e quando senta sente os ossos em cima da pedra, o que me faz ter que trocar de posição a toda hora.
Para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos se não, nada vê.
Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz:
– "O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair."
Resmungo entre dentes: … "só se cair em cima da sua mãe"… mas, dou um risinho e digo que esta tudo bem.
Esta titica deste sol esta demorando a descer, então eu é que vou descer, meus pés já estão doendo e nada do por do sol.
Vou pensando – enquanto desço e o sol não – "Volto de metrô é mais rápido…"
Já no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, e lá esta um puto de um guarda que fez curso, sei eu em que faculdade, que tem um olho crítico de consegue saber a idade de todo mundo.
Olha sério para mim, segura a roleta e diz:
– "O senhor não tem 65 anos, tem que pagar a passagem."
A esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas quando ele me reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe comprar o ingresso.
Com os pés doendo fico em pé, já nem lembro do sol, se baixou ou não dane-se. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos… Lá estou eu mergulhado em meus profundos pensamentos, uma ligeira dor de barriga se aconchega… Durante o trajeto não fui suficientemente rápido para sentar nos lugares que esvaziavam… Desisti… lá pelo centro da cidade, eu me segurando, dei de olhos com uma menina de uns 25 anos que me encarava… Me senti o máximo.
Me aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem.
Quando já contente, pelo menos com o flerte, ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou.
É agora…
Joguei um olhar 32 (aquele olhar de Zé Bonitinho) ela pegou na minha mão e disse:
– "O senhor não quer sentar? Me parece tão cansado?"
Melhor Idade ??? – Melhor idade é a puta que te pariu!

(*) Ruy Castro é escritor e jornalista, trabalhou nos jornais e nas revistas mais importantes do Rio e de São Paulo. Considerado um dos maiores biógrafos brasileiros, escreveu sobre Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda.
Fonte: Internet. (Circulando por e-mail).

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Agosto/2016

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de AGOSTO/2016, que será realizada HOJE (27/08/2016), às 18h30min, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.
CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!
MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Sociedade Médica São Lucas

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

CLÁSSICO E JOVEM



Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Sei que as gerações mais jovens fazem “brincadeiras” com tudo e de todos, para logo se acomodar e enxergar os verdadeiros valores da humanidade. O Papiro de Erbs (documento egípcio descoberto, em 1873, pelo egiptólogo alemão Georg Erbs escrito há mais de 1500 anos a.C.) já falava na rebelião da juventude e das suas revoltas contra os costumes da geração precedente. Apesar de lamentar tais arroubos juvenis, sem eles perderíamos o direito de ser avós.
Razão possuía Marcel Proust (1871-1922), quando afirma na novela ‘A Prisioneira’:
Quando passamos de uma certa idade, a alma da criança que fomos e a alma dos mortos de quem saímos vêm jogar-nos à mão-cheia suas riquezas e os maus fados, pretendendo cooperar nos novos sentimentos que experimentamos e, nos quais, apagando-lhes as antigas efígies, os refundem numa criação original.
Retorno ao título desta crônica, que é sobre a importância da Literatura e das suas obras consideradas clássicas. Alguns, mais irônicos, dizem do livro clássico ser um título que se elogia, cita-se com frequência, mas não se lê. Será isso verdade? Bem sei que a vida moderna não deixa tempo para a leitura de livros tipo compêndio. Tornamo-nos por demais práticos.
Leia caro leitor, o que encontrei eu um sítio muito popular da Internet que deletei sem querer.
Leon Tolstoi: Guerra e Paz. Paris, Ed. Chartreuse. 300 páginas.
Resumo: - Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.
Marcel Proust: À La Recherche du Temps Perdu. (Em Busca do Tempo Perdido) Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas.
Resumo: - Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI) tem um ataque.
Gustave Flaubert: Madame Bovary. 778 páginas
Resumo: - Uma dona de casa insatisfeita põe chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre. Fim
William Shakespeare: Romeo and Juliet. Londres Oxford Press. 685 páginas
Resumo: - Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma ideia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero.  Fim.
William Shakespeare: Hamlet. Londres, Oxford Press. 950 páginas.
Resumo: - Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que, entretanto, suicida-se ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelos irmãos da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Fim.
Sófocles: Édipo-Rei - tragédia grega. Várias edições. 105 páginas.
Resumo: - Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a Psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, arranca-lhe os olhos da cara em cada consulta. Fim.
William Shakespeare: Othelo. 750 páginas.
Resumo: - Um rei otário, tremendo zé ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal "amigo" não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro.  O zé mané acredita e mata a rainha. Depois, descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Fim.
Mas, como não posso fugir dessas minhas ideias sedimentadas pela experiência, aconselho os jovens a lerem os clássicos, pois é neles que descobrimos o que há de moderno. A literatura clássica está em situação mais confortável que os novos títulos, já superaram a barreira do Tempo, quando foram escritas. São sempre atuais.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).
 

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