quinta-feira, 30 de outubro de 2014

DILMA 2014: RETRATO DE UMA VITÓRIA.


Por Ricardo Alcântara (*)
É verdade: a presidente Dilma fez, no todo, uma campanha muito agressiva. Agressiva nos termos em que colocou sua definição sobre os adversários e, mais ainda, na desproporção entre temas propositivos, quase inexistentes, e a virulência de sua ação desconstrutiva.
Responda depressa: qual a principal proposta de campanha da candidata governista? Não houve. A resposta, muito vaga, às mudanças que os sinais das pesquisas indicavam, veio no formato simbólico de um slogan: ‘Governo Novo, Novas Ideias’. Sim, mas quais? Nenhuma.
A campanha governista tratou, basicamente, de descredenciar os adversários e reafirmar o legado dos doze anos de Lulismo, inclusive recorrendo muitas vezes ao mérito de índices cuja relevância fora alcançada nos governos anteriores, do ex-presidente Lula da Silva.
Excluídos os pudores da boa ética para a qual o PT não se vê mais devendo obrigações, Dilma soube fazer uma campanha calibrada: escolheu as emoções certas e, dos riscos, ficou com os menores. O posicionamento estratégico a colocou em melhor condição de disputa.
Se Dilma Rousseff governar o Brasil com a mesma competência dedicada por João Santana à sua campanha, estaremos todos muito bem em 2018, embora tenham caído as últimas máscaras para que a distorção grosseira dos fatos fosse a efeito – um alto preço, creia.
Campanha agressiva, mas, também, defensiva: seu mérito maior foi saber se descolar, perante parcelas do eleitorado (mais fiéis ao seu partido ou mais beneficiadas pelo seu governo), das pesadas denúncias relacionadas à Petrobras. Entre eles, poucas baixas.
Nordeste? Governista como sempre. Foi assim na ditadura. Foi assim com Collor e FHC. E será assim, enquanto houver aqui legiões de cidadãos em condições de vida vulneráveis, para quem as políticas públicas, compensatórias, são uma questão crucial de vida ou morte.
Dilma só teria perdido se Aécio Neves a tempo visse que, apesar de seu bem avaliado governo, Minas Gerais já houvera negado maioria aos tucanos por três vezes nas eleições presidenciais. Pois veio de lá e do Rio de janeiro o aval mais forte à continuidade.
Olhe o mapa. Fácil perceber: não foi só Bolsa família. Colheu o governo, na sua hora mais delicada, de inflação com estagnação, um voto de confiança assentado também em salários maiores, empregabilidade e acesso ao crédito: Renda e Consumo decidiram a parada.
(*) Jornalista e escritor. Publicado In: Pauta Livre.
Pauta Livre é cão sem dono. Se gostou, passe adiante.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O SANGUE QUE FECUNDOU A IGREJA


Por padre Geovane Saraiva *
Pedro e Paulo, duas pessoas profundamente marcadas pela a graça de Deus, que no decorrer dos séculos, foram imprescindíveis, ao marcar e personificar à Igreja, de um modo ininterrupto, em toda sua história. De imediato, compreenderam que o Reino de Deus, anunciado por Jesus de Nazaré, tem uma característica bem definida e própria: o serviço da justiça e a caridade para com os irmãos. A ilusão de um poder messiânico, de um Messias triunfalista, conquistador e guerreiro, que logo iria restaurar o poder temporal em Israel, com certeza, não foram as maiores as preocupações deles.
São Pedro e São Paulo, homens que fundaram a Igreja primitiva, tendo por base o resto, a herança do povo Israel. O martírio destes dois grandes Apóstolos e amigos de Nosso Senhor Jesus Cristo se deu em Roma, mais ou menos, pelo ano de 67. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, julgando-se indigno de morrer, assemelhando a seu Mestre e Senhor. Já Paulo que “combateu o bom combate terminou sua corrida e guardou a fé” (2Tm 4), foi preso e depois decapitado. Portanto, um morreu pela cruz e o outro pela a espada, fecundando e tronando a Igreja cheia de graças.
Pedro foi escolhido por Cristo como fundamento do edifício eclesial, como portador das chaves do Reino dos céus (Mt 16, 19), pastor do rebanho santo, com a missão de confirmar os irmãos na fé, e também, de ser sinal visível de unidade, na comunhão, na fé e na caridade. Conviveu com o Mestre e fez parte do colégio dos apóstolos, testemunhando com os próprios olhos a vida, a morte e a ressurreição do Senhor Jesus, e confessando: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”. Recebendo, da parte de Jesus, um grande elogio: “Feliz és tu, Simão, porque não foi à carne nem o sangue que te revelou isso, mas o meu Pai que está nos céus” (Mt 16, 16-17).
Pedro nos recorda a Igreja Instituição, com o poder de Deus que ele recebeu, de ficar à frente da exigente e fascinante missão de continuar, com dignidade e responsabilidade, o trabalho de santificar, ensinar e governar o rebanho do Senhor.
Paulo, missionário por excelência, não conviveu pessoalmente com o Mestre. No início, de perseguidor ferrenho da Igreja e dos cristãos, abraçou a fé na viagem de Damasco e se transformou totalmente, testemunhando a partir de então, que Jesus Cristo é o enviado do Pai. A sua missão, doravante, é ser instrumento para levar o nome de Deus a todos os povos da terra (cf. At 9, 15). A evangelização e a pregação não se separam da vida do mestre e doutor das nações, o maior missionário de todos os tempos; tornando-se advogado dos pagãos e apóstolo dos gentios.
O seu encontro com o Filho de Deus foi algo maravilhoso! Mudou por completo a sua vida, a ponto de suportar tudo por causa do Reino, agradando e sendo sempre fiel ao seu Mestre e Senhor, vivendo o que anunciava, dizendo com humildade e coração aberto: “Pela graça de Deus, sou o que sou (…)”.
Paulo nos lembra o anúncio do Evangelho, os carismas e a missão das comunidades que abraçam a fé. Anunciar a boa nova do Senhor Jesus Cristo, foi para ele um exigência. Por isso mesmo está disposto a tudo, até a sua própria vida por causa do Evangelho. “Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da libertação se aproxima” (2Tm 4, 6).
Pedro e Paulo receberam do próprio do Filho de Deus a fascinante missão de fazer acontecer a Igreja no seu início, fecundado-a e regando-a com o próprio sangue. Eles beberam do mesmo cálice e tornaram-se assim grandes amigos de Deus. A exigente missão de beber o mesmo cálice e de confirmar os irmãos na fé, hoje, é confiada ao Papa Bento XVI. Que a nossa oração suba aos céus na intenção do Papa e de toda a Igreja, espalhada por toda extensão da terra, que nos nossos dias, têm missão construir e edificar o Reino de Deus.
* Pe. Geovane Saraiva, sacerdote da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE), e da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza.
Autor dos livros: “O peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores” (centenário de Dom Helder Câmara), “A Ternura de um Pastor” (homenagem ao Cardeal Lorscheide), “A Esperança Tem Nome” (espiritualidade e compromisso),“Dom Helder – Sonhos e Utopias”.
Republicado In O Povo, de 28/09/3014. Espiritualidade p.18.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A DESTRUIÇÃO DA INTELIGÊNCIA

Por Olavo de Carvalho
Aprender, imitar e introjetar o vocabulário, os tiques e trejeitos mentais e verbais da escola de pensamento dominante na sua faculdade é, para o jovem estudante, um desafio colossal e o cartão de ingresso na comunidade dos seus maiores, os tão admirados professores.
A aquisição dessa linguagem é tão dificultosa, apelando aos recursos mais sutis da memória, da imaginação, da habilidade cênica e da autopersuasão, que seria tolo concebê-la como uma simples conquista intelectual. Ela é, na verdade, um rito de passagem, uma transformação psicológica, a criação de um novo “personagem”, apoiado no qual o estudante se despirá dos últimos resíduos da sentimentalidade doméstica e ingressará no mundo adulto da participação social ativa.
É quase impossível que essa identificação profunda com o personagem aprendido não seja interpretada subjetivamente como uma concordância intelectual, ao ponto de que, no instante mesmo em que repete fielmente o discurso decorado, ou no máximo faz variações em torno dele, o neófito jure estar “pensando com a própria cabeça” e “exercendo o pensamento crítico”.
A imitação é, com certeza, o começo de todo aprendizado, mas ela só funciona porque você imita uma coisa, depois outra, depois uma infinidade delas, e com a soma dos truques imitados compõe no fim a sua própria maneira de sentir, pensar e dizer.
No aprendizado da arte literária isso é mais do que patente. O simples esforço de assimilar auditivamente a maneira, o tom, o ritmo, o estilo de um grande escritor já é uma imitação mental, uma reprodução interior daquilo que você está lendo. A imitação torna-se ainda mais visível quando você decora e declama poemas, discursos, sermões ou capítulos de uma narrativa. Porém nas suas primeiras investidas na arte da escrita é impossível que você não copie, adaptando-os às suas necessidades expressivas, os giros de linguagem que aprendeu em Machado de Assis, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Balzac, Stendhal e não sei mais quantos. Esse exercício, se você é um escritor sério, continua pela vida a fora. Quando conheci Herberto Sales – que Otto Maria Carpeaux julgava o escritor dotado de mais consciência artística já nascido neste país --, ele estava sentado no saguão do Hotel Glória com um volume de Proust e um caderninho onde anotava cada solução expressiva encontrada pelo romancista, para usá-la a seu modo quando precisasse. Já era um homem de setenta e tantos anos, e ainda estava praticando as lições do velho Antoine Albalat.[1] É assim, por acumulação e diversificação dos recursos aprendidos, que se forma, pari passu com a evolução natural da personalidade, o estilo pessoal que singulariza um escritor entre todos. T. S. Eliot ensinava que um escritor só é verdadeiramente grande quando nos seus escritos transparece, como em filigrana, toda a história da arte literária.
Em outros tipos de aprendizado, a imitação é ainda mais decisiva. Nas artes marciais e na ginástica, quantas vezes você não tem de repetir o gesto do seu instrutor até aprender a produzi-lo por si próprio! Na música, quantas performances magistrais o pianista não aprende de cor até produzir a sua própria!
Nas ciências e na tecnologia, o manejo de equipamentos complexos nunca se aprende só em manuais de instrução: o aluno tem de ver e imitar o técnico mais experiente, num processo de assimilação sutil que engloba, em doses consideráveis, a transmissão não-verbal. [2]
Por que seria diferente na filosofia? Compreender uma filosofia não se resume nunca em ler as obras de um filósofo e julgá-las segundo uma reação imediata ou as opiniões de um professor. É impregnar-se de um modo de ver e pensar como se ele fosse o seu próprio, é olhar o mundo com os olhos do filósofo, com ampla simpatia e sem medo de contaminar-se dos seus possíveis erros. Se desde o início você já lê com olhos críticos, buscando erros e limitações, o que você está fazendo é reduzir o filósofo à escala das suas próprias impressões, em vez de ampliar-se até abranger o “universo” dele. Erros e limitações não devem ser buscados, devem surgir naturalmente à medida que você assimila novos e novos autores, novos e novos estilos de pensar, pesando cada um na balança da tradição filosófica e não da sua incultura de principiante. Não seria errado dizer que, entre outros critérios, um professor de filosofia deve ser julgado, sobretudo, pelo número e variedade dos autores, das escolas de pensamento, das vias de conhecimento que abriu em leque para que seus estudantes as percorressem. [3]
Não é preciso mais exemplos. Em todos esses casos, a imitação é o gatilho que põe em movimento o aprendizado, e em todos esses casos ela não se congela em repetição servil porque o aprendiz passa de modelo a modelo, incorporando uma diversidade de percepções e estilos que acabarão espontaneamente se condensando numa fórmula pessoal, irredutível a qualquer dos seus componentes aprendidos.
Mas o que acontece se, em vez disso, o aluno é submetido, por anos a fio, à influência monopolística de um estilo de pensamento dominante, aliás muito limitado no seu escopo e na sua esfera de interesses, e adestrado para desinteressar-se de tudo o mais sob a desculpa de que “não é referência universitária”?
Se durante quatro, cinco ou seis anos você é obrigado a imitar sempre a mesma coisa, e ainda temendo que o fracasso em adaptar-se a ela marque o fim da sua carreira universitária, a imitação deixa de ser um exercício temporário e se torna o seu modo permanente de ser – um “hábito”, no sentido aristotélico.
É como um ator que, forçado a representar sempre um só personagem, não só no palco mas na vida diária, acabasse incapaz de se distinguir dele e de representar qualquer outro personagem, inclusive o seu próprio. Pirandello explorou magistralmente essa situação absurda na peça Henrique IV, onde um milionário louco, imaginando ser o rei, obriga os empregados a comportar-se como funcionários da côrte, até que eles acabam se convencendo de que são mesmo isso.
Toda imitação depende de uma abertura da alma, de uma impregnação empática, de uma suspension of disbelief em que o outro deixa de ser o outro e se torna uma parte de nós mesmos, sentindo com o nosso coração e falando com a nossa voz. Se praticamos isso com muitos modelos diversos, sem medo das contradições e perplexidades, nossa mente se enriquece ao ponto do nihil humanum a me alienum, daquela universalidade de perspectivas que nos liberta do ambiente mental imediato e nos torna juízes melhores de tudo quanto chega ao nosso conhecimento. Não é errado dizer que o julgamento honesto e objetivo depende inteiramente da variedade dos pontos de vista, contraditórios inclusive, que podemos adotar como “nossos” no trato de qualquer questão.
Em contrapartida, o enrijecimento da alma num papel fixo abusa da capacidade de imitação até corrompê-la e extingui-la por completo, bloqueando toda possibilidade de abertura empática a novos personagens, a novos estilos, a novos sentimentos e modos de ver.
Habituado a tomar como referência única o conjunto de livros e autores que compõe o universo mental da esquerda militante, e a olhar com temerosa desconfiança tudo o mais, o estudante não só se fecha num provincianismo que se imagina o centro do mundo, mas perde realmente a capacidade de aprendizado, tornando-se um repetidor de tiques e chavões, caquético antes do tempo.
Quem não sabe que, no meio acadêmico brasileiro, a receita uniforme, há mais de meio século, é Marx-Nietzsche-Sartre-Foucault-Lacan-Derrida, não se admitindo outros acréscimos senão os que pareçam estender de algum modo essa tradição, como Slavoj Zizek, Istvan Meszaros ou os arremedos de pensamento que levam, nos EUA, o nome de “estudos culturais”?
Daí a reação de horror sacrossanto, de ódio irracional, não raro de repugnância física, com que tantos estudantes das nossas universidades reagem a toda opinião ou atitude que lhes pareça antagônica ao que aprenderam de seus professores. Não que estejam realmente persuadidos, intelectualmente, daquilo que estes lhes ensinaram. Se o estivessem, reagiriam com o intelecto, não com o estômago. O que os move não é uma convicção profunda, séria, refletida: é apenas a impossibilidade psicológica de desligar-se, mesmo por um momento, do “eu” artificial aprendido, cuja construção lhes custou tanto esforço, tanto investimento emocional.
Justamente, a convicção intelectual genuína só pode nascer da experiência, do longo demorado com os aspectos contraditórios de uma questão, o que é impossível sem uma longa resignação ao estado de dúvida e perplexidade. A intensidade passional que se expressa em gritos de horror, em insultos, em afetações de superioridade ilusória, marca, na verdade, a fragilidade ou ausência completa de uma convicção intelectual. A construção em bloco de um personagem amoldado às exigências sociais e psicológicas de um ambiente ideologicamente carregado e intelectualmente pobre fecha o caminho da experiência, portanto de todo aprendizado subsequente.
A irracionalidade da situação é ainda mais enfatizada porque o discurso desse personagem o adorna com o prestígio de um rebelde, de um espírito independente em luta contra todos os conformismos. Poucas coisas são tão grotescas quanto a coexistência pacífica, insensível, inconsciente e satisfeita de si, da afetação de inconformismo com a subserviência completa à autoridade de um corpo docente.
No auge da alienação, o garoto que passou cinco anos intoxicando-se de retórica marxista-feminista-multiculturalista-gayzista nas salas de aula, que reage com quatro pedras na mão ante qualquer palavra que antagonize a opinião de seus professores esquerdistas, jura, depois de ler uns parágrafos de Bourdieu para a prova, que a universidade é o “aparato de reprodução da ideologia burguesa”. Aí já não se trata nem mesmo de “paralaxe cognitiva”, mas de um completo e definitivo divórcio entre a mente e a realidade, entre a máquina de falar e a experiência viva.
Se, conforme se observou em pesquisa recente, cinqüenta por cento dos nossos estudantes universitários são analfabetos funcionais [4] – não havendo razão plausível para supor que a quota seja menor entre seus professores mais jovens --, isso não se deve somente a uma genérica e abstrata “má qualidade do ensino”, mas a um fechamento de perspectivas que é buscado e imposto como um objetivo desejável.
Não que a presente geração de professores que dá o tom nas universidades brasileiras tenha buscado, de maneira consciente e deliberada, a estupidificação de seus alunos. Apenas, iludidos pelo slogan que os qualificava desde os anos 60 do século XX como “a parcela mais esclarecida da população”, tomaram-se a si próprios como modelos de toda vida intelectual superior e acharam que, impondo esses modelos a seus alunos, estavam criando uma plêiade de gênios. Medindo-se na escala de uma grandeza ilusória, incapazes de enxergar acima de suas próprias cabeças, tornaram-se portadores endêmicos da síndrome de Dunning-Kruger[5] e a transmitiram às novas gerações. Os cinqüenta por cento de analfabetos funcionais que eles produziram são a imagem exata da sua síntese de incompetência e presunção.
Notas:

[1] V. Antoine Albalat, La Formation du Style par l'Assimilation des Auteurs (Paris, Alcan, 1901).
[2] V. sobre isso as considerações de Theodore M. Porter em Trust in Numbers. The Pursuit of Objectivity in Science and Public Life,  Princeton University Press, 1995, pp. 12-17.
[3] Digo isso com a consciência tranqüila de haver cumprido esse dever. Ao longo dos anos, introduzi no espaço mental brasileiro mais livros e autores essenciais  do que todos os corpos docentes de faculdades de filosofia neste país, somados aos “formadores de opinião” da mídia popular. Em vez de me agradecer, ou de pelo menos ter a sua curiosidade despertada pela súbita abertura de perspectivas, estudantes e professores, com freqüência, me acusaram de “citar autores desconhecidos” – dando por pressuposto que tudo o que é ignorado no seu ambiente imediato é desconhecido do resto do mundo e não tem a mais mínima importância.
[5] Efeito Dunning-Kruger: incapacidade de comparar objetivamente as próprias habilidades com as dos outros. “Quanto menos você sabe sobre um assunto, menos coisas acredita que há para saber.” V. David McRaney, You Are Not So Smart, London, Oneworld Publications, 2012, pp. 78-81.

Publicado no Digesto Econômico. 19 Julho 2014.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

SANTA BERNADETE: a simples e humilde camponesa de Lourdes


Santa Bernadete, também conhecida como Santa Maria Bernadete e Santa Bernadete Soubirous, nasceu no moinho de Boly, perto de Lourdes, na França, em 7 de janeiro de 1844. Era a primogênita de Francisco Soubirous e Luise Castérot.
Seu pai era um pobre moleiro, que vivia em condições precárias. Para piorar a situação, a região, com a quebra das colheitas, passou a enfrentar uma grave crise financeira, deixando a família Soubirous endividada, o que a levou a perder a pequena propriedade. Por isso, expulsos de sua terra, os Soubirous se mudaram para Lourdes, em condição de miséria.
Em 1855, Bernadete foi vítima da cólera, sobrevivendo à doença, com a saúde comprometida, ainda sofria com os constantes episódios de crise de asma brônquica, para os quais não se contava com tratamento efetivo.
A infância de Bernadete foi uma longa noite de trevas, marcada por fome, privações, doenças, desprezo. Para ser uma boca a menos a alimentar, dos 12 aos 14 anos, ela trabalhou como empregada doméstica, e depois foi pastora de ovelhas, sem qualquer remuneração. Ela não pode frequentar a escola, permanecendo analfabeta até aos 14 anos, o que dificultou o aprendizado do Catecismo e a realização da Primeira Comunhão.
Em 11 de fevereiro de 1858, ela recebeu uma visão da Virgem, assim descrita: Bernadete, sua irmã Toinette e a amiga Baloume foram buscar lenha na gruta de Massevieille ou Massabielle (no dialeto local). Nesse dia, Bernadete viu uma mulher de branco, com um rosário na mão e um cinto brilhante. No instante dessa visão, Bernadete disse que ficou temerosa e começou a rezar o terço. Então seu coração se acalmou e ela teve serenidade para saber que realmente se tratava de uma aparição de Nossa Senhora.
A partir desse momento, Bernadete teve 18 aparições de Nossa Senhora, acontecidas entre 11 de fevereiro e 16 de julho de 1858. Na aparição do dia 25 de fevereiro, Nossa Senhora determinou que Bernadete cavasse o chão na gruta Massabielle. No local que ela cavou, brotou uma fonte de água pura que jorra até os dias de hoje. Desse dia em diante, milhares de curas extraordinárias já aconteceram a enfermos que se banharam nas águas abençoadas da gruta de Lourdes.
Mais tarde, na 16ª aparição, essa mulher se revelaria ao mundo: Eu sou a Imaculada Conceição. Na verdade, Bernadete desconhecia o Dogma da Imaculada Conceição, proclamado pelo Papa Pio IX, em 1854, quatro anos antes das aparições em Lourdes.
Em uma das aparições, Nossa Senhora falou a Bernadete: Não prometo fazer-te feliz nesse mundo, mas sim no outro. E, com efeito, Bernadete foi submetida a incontáveis interrogatórios, dúvidas e questionamentos efetivados por autoridades eclesiais e por pessoas céticas ou incrédulas. Contudo, para surpresa e admiração de todos, Bernadete defendeu as aparições de Imaculada Conceição com plena força e inteira convicção, sem perder de vista suas caras virtudes: a simplicidade e a humildade.
Numerosos milagres aconteceram na gruta de Lourdes desde o tempo das aparições até os dias atuais. Santa Bernadete realizou muitos milagres em vida e mais ainda após a sua morte. Por causa dos milagres e das visões, a fama de Bernadete se disseminou e, de todas as partes, muitas pessoas vinham a sua procura.
Para escapar do assédio dessa gente, Bernadete, que tanto aspirava ser freira, refugiou-se em uma casa do Convento das Irmãs de Caridade em Nevers, Lourdes, onde ela recebeu aulas, aprendeu a ler e escrever, e, de próprio punho, fez o primeiro relato das aparições de Lourdes.
No convento de Saint Gildad, Bernadete sentiu ratificada sua vocação para a vida religiosa, iniciando seu noviciado em 1866, quando foi admitida na Ordem. Em 30 de outubro de 1867, fez a profissão religiosa nas Irmãs da Caridade de Nevers, na França.
Bernadete dedicou sua vida ao cuidado dos necessitados, como enfermeira, pois, desse modo, ela se sentia realizada, podendo demonstrar o amor de Deus aos doentes e aos indigentes, dando-lhes alento, conforto e esperança. Assim viveu até sua morte.
Santa Bernadete, portadora de tuberculose, sofria de uma doença que a deixou inteiramente paralisada em seus últimos anos de vida. Ela faleceu, enquanto orava a Virgem Maria, em 16 de abril de 1879, estando totalmente imobilizada na cama.
Os milagres atribuídos à intercessão de Bernadete foram estudados e confirmados pela Igreja. Assim, em 8 de dezembro de 1933, festa da Imaculada Conceição, o Papa Pio XI celebrou a canonização de Santa Bernadete de Lourdes. A santidade de Bernadete foi reafirmada durante sua permanência no convento, visto que muitos testemunhavam o amor, a fé, a perseverança e o carinho que ela demonstrava para com todos.
Hoje, mais de um século após sua morte, o corpo de Maria Bernadete permanece incorruptível, continua intacto, estando exposto em uma redoma de vidro, na Igreja do Convento de Saint Gildard de Nevers. Por isso, o povo passou a denominá-la de Santa Dormente, pois, em seu leito de morte, parece que ela está apenas dormindo.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Sociedade Médica São Lucas

* Publicado In: Boletim Informativo da Sociedade Médica São Lucas, 10(86): 3-4, setembro de 2014.

domingo, 26 de outubro de 2014

UM DIA D PARA O BRASIL


Por Prof. Felipe Aquino
"Levantemos nossa pátria de seu abatimento e lutemos por nosso povo..." (1 Macabeus 3,43).
Estamos diante de uma das eleições para Presidente da República mais importante e mais disputada dos últimos tempos. O Papa Francisco pede que os católicos: “se metam na política e levem para ela o espírito evangélico”. Por isso, não podemos nos calar nesta hora grave.
Cada brasileiro precisa participar desse momento único, caso contrário, “se cale para sempre!”. Não podemos pecar por omissão; como disse Leão XIII: "a ousadia dos maus cresce com a covardia dos bons".
Como cristãos, precisamos antes de tudo rezar, pois a vitória na batalha compete antes de tudo a Deus. Diz o livro de Josué que: “Josué apoderou-se de uma só vez, desse país e de seus reis, porque o Senhor, Deus de Israel, combatia por ele” (Js 10,42).
É bom lembrar-se das palavras do grande Tancredo Neves, quando em 1985 ia assumir a Presidência da República: “Neste momento alto na história, orgulhamo-nos de pertencer a um povo que não se abate, que sabe afastar o medo e não aceita acolher o ódio”.
É bom lembrar também uma frase memorável de São João Paulo II, que explica toda a miséria que experimentamos no século XX: “Os falsos profetas e os falsos mestres conheceram o maior sucesso possível no século XX” (Evangelho da Vida, 17). “Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”, disse o Cardeal De Retz.
Que Brasil nós queremos para o nosso povo e para os nossos filhos e netos?
Queremos um Brasil limpo, sem corrupção, sem imoralidades, sem mentiras, sem cinismo, sem ofensas a Deus, sem violência, sem roubalheira, sem tráfico de drogas, sem “ideologia de gêneros”, sem feminismo radical, sem aborto, sem atraso, sem inflação, sem impostos escorchantes...
Queremos um governo onde os seus líderes não sejam presos por formar uma “sofisticada organização criminosa”.
Queremos um governo que não faça o “aparelhamento político do Estado” para se manter no poder, gerando a incompetência administrativa e a corrupção nas estatais.
Queremos um governo que não engane e não minta descaradamente para seu povo; que não faça a dilapidação do patrimônio público, que não se alie com as maiores ditaduras do mundo, que defende os terroristas que mata crianças e mães.
Queremos um governo que não ameace controlar a imprensa por denunciar seus erros e corrupções, e que e que não use o sindicalismo pelego, e seus líderes, para dominar o povo e  o poder.
Queremos um governo que  tenha competência para fazer o país crescer; e que deixe de ser o país onde se paga mais impostos no mundo.
Queremos um governo que não se alie com a escória política da Nação para se manter no poder, e que não divida criminosamente a Nação, entre “nós e eles”, promovendo a luta de classes, jogando brasileiros  contra brasileiros.
Queremos um governo que não use os programas sociais e a miséria do povo para se reeleger. Que o sucesso dos programas sociais se meça pelo número de pessoas que deixam de recebê-los, e não pelo número  de pessoas que são neles adicionadas.
Queremos um governo que cuide da infraestrutura demolida do país (rodovias, ferrovias, portos...), ao invés de ficar mandando dinheiro do BNDES para líderes populistas vizinhos.
Queremos um governo que não negocie cargos e ministérios para comprar apoio dos Partidos.
Queremos um governo de homens e mulheres honrados, de caráter, que possam Mudar o Brasil.
Como disse Santo Agostinho: "Enquanto houver vontade de lutar haverá esperança de vencer."
Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e escritor católico.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).
 

BASTA DE PT


Por Marco Antonio Villa
Dilma foi a terceira pior presidente em termos de crescimento econômico. Só perdeu para Floriano Peixoto e Fernando Collor
Estamos vivendo um momento histórico. A eleição presidencial de 2014 decidirá a sorte do Brasil por 12 anos. Como é sabido, o projeto petista é se perpetuar no poder. Segundo imaginam os marginais do poder — feliz expressão cunhada pelo ministro Celso de Mello quando do julgamento do mensalão —, a vitória de Dilma Rousseff abrirá caminho para que Lula volte em 2018 e, claro, com a perspectiva de permanecer por mais 8 anos no poder. Em um eventual segundo governo Dilma, o presidente de fato será Lula. Esperto como é, o nosso Pedro Malasartes da política vai preparar o terreno para voltar, como um Dom Sebastião do século XXI, mesmo que parecendo mais um personagem de samba-enredo ao estilo daquele imortalizado por Sérgio Porto.
Diferentemente de 2006 e 2010, o PT está fragilizado. Dilma é a candidata que segue para tentar a reeleição com a menor votação obtida no primeiro turno desde a eleição de 1994. Seu criador foi derrotado fragorosamente em São Paulo, principal colégio eleitoral do país. Imaginou que elegeria mais um poste. Não só o eleitorado disse não, como não reelegeu o performático e inepto senador Eduardo Suplicy, e a bancada petista na Assembleia Legislativa perdeu oito deputados e seis na Câmara dos Deputados.
A resistência e a recuperação de Aécio Neves foram épicas. Em certo momento da campanha, parecia que o jogo eleitoral estava decidido. Marina Silva tinha disparado e venceria — segundo as malfadadas pesquisas. Ele manteve a calma até quando um dos seus coordenadores de campanha estava querendo saltar para o barco da ex-senadora.
E, neste instante, a ação das lideranças paulistas do PSDB foi decisiva. Geraldo Alckmin poderia ter lavado as mãos e fritado Aécio. Mas não o fez, assim como José Serra, o senador mais votado do país com 11 milhões de votos. Foi em São Paulo que começou a reação democrática que o levou ao segundo turno com uma vitória consagradora no estado onde nasceu o PT.
Esta campanha eleitoral tem desafiado os analistas. As interpretações tradicionais foram desmoralizadas. A determinação econômica — tal qual como no marxismo — acabou não se sustentando. É recorrente a referência à campanha americana de 1992 de Bill Clinton e a expressão “é a economia, estúpido”. Com a economia crescendo próximo a zero, como explicar que Dilma liderou a votação no primeiro turno? Se as alianças regionais são indispensáveis, como explicar a votação de Marina? E o tal efeito bumerangue quando um candidato ataca o outro e acaba caindo nas intenções de voto? Como explicar que Dilma caluniou Marina durante três semanas, destruiu a adversária e obteve um crescimento nas pesquisas?
Se Lula é o réu oculto do mensalão, o que dizer do doleiro petista Alberto Youssef? Imagine o leitor quando o depoimento — já aceito pela Justiça Federal — for divulgado ou vazar? De acordo com o ministro Teori Zavascki, o envolvimento de altas figuras da República faz com que o processo tenha de ir para o STF. E, basta lembrar, segundo o doleiro, que só ele lavou R$ 1 bilhão de corrupção da Refinaria Abreu e Lima. Basta supor o que foi desviado da Petrobras, de outras empresas e bancos estatais e dos ministérios para entender o significado dos 12 anos de petismo no poder. É o maior saque de recursos públicos da História do Brasil.
Nesta conjuntura, Aécio tem de estar preparado para um enorme bombardeio de calúnias que irá receber. Marina Silva aprendeu na prática o que é o PT. Em uma quinzena foi alvo de um volume nunca visto de mentiras numa campanha presidencial que acabou destruindo a sua candidatura. Não soube responder porque, apesar de ter saído do PT, o PT ainda não tinha saído dela. Ingenuamente, imaginou que tudo aquilo poderia ser resolvido biblicamente, simplesmente virando a face para outra agressão. Constatou que o PT tem como princípio destruir reputações. E ela foi mais uma vítima desta terrível máquina.
O arsenal petista de dossiês contra Aécio já está pronto. Os aloprados não têm princípios, simplesmente cumprem ordens. Sabem que não sobrevivem longe da máquina de Estado. Contarão com o apoio entusiástico de artistas, intelectuais e jornalistas. Todos eles fracassados e que imputam sua insignificância a uma conspiração das elites. E são milhares espalhados por todo o Brasil.
Teremos o mais violento segundo turno de uma eleição presidencial. O que Marina sofreu, Aécio sofrerá em dobro. Basta sinalizar que ameaça o projeto criminoso de poder do petismo. O senador tucano vai encontrar pelo caminho várias armadilhas. A maior delas é no campo econômico. O governo do PT gestou uma grave crise. Dilma foi a terceira pior presidente da história do Brasil republicano em termos de crescimento econômico. Só perdeu para Floriano Peixoto — que teve no seu triênio presidencial duas guerras civis — e Fernando Collor — que recebeu a verdadeira herança maldita: uma inflação anual de quatro dígitos. O PT deve imputar a Aécio uma agenda econômica impopular que enfrente radicalmente as mazelas criadas pelo petismo. Daí a necessidade imperiosa de o candidato oposicionista deixar claro — muito claro — que quem fala sobre como será o seu governo é ele — somente ele.
Aécio Neves tem todas as condições para vencer a eleição mais difícil da nossa história. Se Tancredo Neves foi o instrumento para que o Brasil se livrasse de 21 anos de arbítrio, o neto poderá ser aquele que livrará o país do projeto criminoso de poder representado pelo PT. E poderemos, finalmente, virar esta triste página da nossa história.
Marco Antonio Villa é historiador.
Fonte: Artigo no editorial de O Globo de 7/10/2014.

sábado, 25 de outubro de 2014

YOUSSEF: o Planalto sabia de tudo


URGENTÍSSIMO! QUEM QUER QUE SEJA COM UM MÍNIMO DE CONHECIMENTO DE COMO FUNCIONAM AS COISAS NOS ALTOS ESCALÕES DO GOVERNO, SABE QUE SERIA PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL PASSAR QUASE DOZE ANOS IGNORANDO AS BANDALHEIRAS PRATICADAS NOS NÍVEIS SUBORDINADOS. REPASSANDO PARA AJUDAR NO VOTO CONSCIENTE!
Imagino que o amigo/amiga já está farto de tanto e-mail sobre as eleições presidenciais, e eu já tinha decidido suspender minhas atividades de repasse, mas este é quente demais, e não posso deixar de repassar. O amigo talvez receba ou compre a Veja que sai amanhã, mas vale receber esta bomba antecipadamente.
DIVULGUE À EXAUSTÃO!!!
O BRASIL AGRADECE.

Nota do Blog: Essa mensagem está fartamente circulando por e-mails na internet.


 
 

Free Blog Counter
Poker Blog