sábado, 4 de abril de 2020

ESTOU À PORTA E BATO


Por Rev. Munguba Jr. (*)
Vivemos o tempo do fim. Vivemos a era de Laodiceia, uma das sete igrejas da Ásia que recebeu uma das cartas do Apocalipse. Carta que traz em seu exórdio uma definição poderosa de seu remetente. Ele se apresenta inicialmente como o Amém. Amém significa assim seja, o final, a assinatura. Ele se mostra como aquele que não muda. Nós mudamos o tempo todo. Mudamos porque precisamos mudar sempre. Crescer em conhecimento e transformando, revendo a cada nova manhã as nossas crenças. Sempre que alcançamos um novo patamar de conhecimentos mudamos para viver, mudamos para não morrer.
Tenho um netinho de um ano e dois meses, uma verdadeira esponja para absorver novos conhecimentos. Andou aos nove meses, fala papai, mamãe, vovô, vovó e abre a carteira da avó e pede "dindim", ou seja, um dinheirinho. A cada etapa do seu crescimento ele muda e muda com uma rapidez alucinante. O que foi ontem já não será amanhã.
Mas o remetente dessa carta não precisa mudar ou se desenvolver. Ele simplesmente é.
Ele também se declara como a testemunha fiel e o princípio da criação de Deus. Lembra que estava desde o princípio com Deus e que "sem Ele nada do que foi feito se fez".
É exatamente esse Cristo que fala à igreja dos últimos dias, que está à porta e bate. Ora, se Ele está batendo na porta é porque está do lado de fora. Fora da igreja, longe de seus participantes, querendo entrar em uma igreja que leva o Seu nome.
O compositor Taiguara escreveu: "Mudou e vai mudar enquanto eu não morrer e vai mudar pro amor sobreviver. Vê se me entende, eu mesmo não mudei. Eu sou o mesmo livro, podes ler, eu sou o mesmo livre pra dizer: que eu amo ainda, que eu quero ainda, te espero ainda pro amor".
A igreja mudou tanto que esqueceu Jesus do lado de fora, se envolvendo em rituais vazios e repetitivos.
Entendo que chegou a hora de convidarmos o Cristo Vivo a entrar e dirigir a Sua igreja, para que possamos influenciar a verdadeira mudança que já se manifesta em nossa nação.
Muda Brasil, muda igreja do século XXI.

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Coreia do Sul Para a Implantação da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil.

Fonte: O Povo, 25 de janeiro de 2020. Opinião. p.14.

O DIA DOS MIL MORTOS


Por Marcus Vale (*)
Em meu confinamento, devido ao novo Corona vírus (Covid-19), achei que seria interessante lembrar (na verdade, para uma grande parte de nosso povo, o verbo mais correto seria informar) que já passamos por algo catastrófico, em Fortaleza, no final do Século XIX se estendendo para o Século XX.
Foi durante a grande seca de 1877. Fortaleza ficou abarrotada de sertanejos fugindo da seca. Dos 130.000 habitantes, 110.000 (84%) eram de flagelados. Ficaram alojados precariamente na periferia da cidade, sem a menor condição sanitária e alimentando-se muito mal. Todas as condições propícias a uma epidemia. E a Varíola foi a peste da vez.
Em outubro de 1878 foram contabilizados 5.000 casos que resultou em 592 mortes. Em novembro, calculava-se 40.000 doentes com 9.721 mortes. O mês de dezembro teve uma média de 500 mortos diários. Mas não se pode esquecer do dia 10 de dezembro de 1878 em que Fortaleza teve 1.004 mortos que tiveram de ser enterrados em vala comum. Os coveiros disputavam seu espaço de trabalho com os urubus. Calcula-se que a cidade perdeu por volta de um quinto de sua população. Fosse hoje, equivaleria a mais de 500.000 pessoas, considerando nossa atual população de 2.600.000 habitantes.
Assim como chegou, a Varíola se foi. Mas em 1900, quando mais uma seca assolou o Ceará, a Varíola voltou com força total. Aqui começa a história que quero contar cujo personagem central é Rodolpho Theóphilo.
Nosso herói foi um farmacêutico, intelectual, escritor (28 livros), inventor da cajuína, membro e um dos presidentes da academia literária Padaria Espiritual, divulgador científico (essa é minha visão), abolicionista, entre outras qualidades. Na linguagem atual, poderia ser classificado com um ativista social.
Rodolpho nasceu em 1853, em Salvador (por acaso) onde passou apenas alguns dias quando voltou para Fortaleza com seus pais, o médico cearense Marcos José Theóphilo e sua mãe baiana Antônia Josefina Sarmento. Seu pai teve um grande protagonismo sanitário no Ceará pois era um dos poucos médicos com quem o governo contava para combater as frequentes epidemias que o estado sofreu, entre elas a Febre Amarela, a Cólera e a Varíola.  Marcos morreu pobre e endividado aos 43 anos deixando desamparados a viúva, D. Guilhermina, madrasta de Rodolpho e irmã de sua mãe e mais cinco filhos, sendo Rodolpho o mais velho.
Com muita dificuldade, Rodolpho conseguiu um emprego e concluiu seus estudos. Assim como seu pai, Rodolpho também estudou em Salvador onde formou-se em Farmácia na Faculdade de Medicina da Bahia. Voltou da Bahia formado em 1875 e, com a ajuda de amigos de seu pai, montou farmácia em Pacatuba e depois em Fortaleza. Casou-se com D. Raimundinha Cabral, filha de um comendador de Pacatuba.
Em 1900, Rodolpho estava em férias na Bahia quando foi informado sobre a nova epidemia de Varíola em Fortaleza. Aproveitando sua presença em Salvador, conseguiu aprender a fazer a vacina e a vacinar. Em seguida, comprou todos os equipamentos necessários para fabricar a vacina e dois bezerros e os trouxe para Fortaleza, desembarcando na cidade em 6 de dezembro daquele ano.
Iniciou o processo de inoculação dos bezerros tendo 3 insucessos até que concluiu que o material trazido da Bahia estava inativo. Conseguiu, de um conhecido de São Paulo, um novo material e, 3 dias depois da inoculação, as pústulas da doença atenuada apareceram nos animais.
No início de 1901, Rodolfo anunciou seu feito e convidou a população a se vacinar em sua própria residência, na Rua Visconde Cauhype, número 4, hoje Avenida da Universidade. Havia transformado sua casa em vacinogênio. Sem nenhuma ajuda do governo, em 4 meses Rodolpho vacinou 1.200 pessoas da cidade. Entretanto, a população da periferia não atendia seu chamado. Em agosto, Rodolfo comprou um cavalo e diariamente cavalgava até os subúrbios para vacinar as pessoas. Encontrou muita resistência.
Rodolfo era um homem alto, magro e de longa barba, que costumava usar uma comprida casaca preta. Conta-se que a primeira vez que apareceu por detrás das dunas a oeste da cidade, montado em um cavalo branco, chegou a ser comparado pelas pessoas daquelas favelas com o Cavaleiro do Apocalipse. Lira Neto, em seu livro “O Poder e a Peste – A Vida de Rodolpho Theóphilo”, descreve o episódio assim: “Quando se soube que ele estava vindo para vacinar os moradores daquele lugar, foi uma correria sem fim. Mães pegaram filhos pequenos ao colo e desabaram a correr, aos gritos, aterrorizadas. Outros meninos de toda idade e tamanho, fugiam por conta própria, aos pinotes, olhos arregalados, taboleiro afora”. Corria entre eles a ideia de que a vacina era uma desculpa que o governo inventara para acabar com os pobres e que Rodolfo era a própria peste disfarçada de gente.
Mas Rodolpho não desistiu. Para convencer aquela gente usava 3 métodos. Primeiro contava histórias fantásticas que envolviam santos como o Santo Jenner, na verdade o inglês inventor da vacina que, em sua história, aconselhava a todos aceitarem a vacina. Um segundo método era ameaçar os renitentes com multas pesadas que, na verdade, ele nem poderia aplicar pois não era agente do governo. Às vezes funcionava e às vezes não. Aí entrava o terceiro método. Pagava para vacinar. Tudo por sua conta.
O governo do oligarca Antônio Pinto Nogueira Accioly, passou a persegui-lo, acusando-o de desmoralizar as autoridades. Assim, perdeu sua cátedra no Liceu, foi acusado de charlatão, tendo sua cajuína e seu estabelecimento farmacêutico boicotados, entre outras coisas. Mesmo sob essas condições, vacinou pessoalmente, milhares de pessoas. Em 1902 não foi registrado um só caso de varíola na capital cearense. A Varíola estava extinta em Fortaleza.
Após anos sob pressão e para se defender, em 1907, Rodolpho enviou uma amostra de sua vacina para a avaliação do Instituto Manguinhos, atual Fiocruz, no Rio de Janeiro. A resposta chegou cheia de elogios à qualidade da vacina cearense.
Rodolpho Theóphilo, o Varão Benemérito da Pátria, continuou a vacinar, sem descanso, até próximo de seu falecimento, em 1932.
Fortaleza, 30 de março de 2020
(*) Professor do aposentado do Curso de Farmácia da UFC. PhD pela Universidade de Oxford. Coordenador do projeto Seara da Ciência da UFC.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

AMIGOS NO OBITUÁRIO DA PESTE



Por Ricardo Cravo Albin (*)
Não sei porque a gente fica sempre a imaginar que nosso núcleo de amigos mais chegados nunca irá ostentar seus nomes nos obituários da Peste – desculpem, mas o horror a esse vírus pandêmico me leva a não lhe explicitar o nome, nomeando-o apenas pelo genérico Peste. Infelizmente a Peste se aproxima tão veloz e despudoradamente nesta recém-inaugurada terceira década do século XXI que o núcleo de amigos queridos, que nós pressupúnhamos imune a este horror, começa a abrir flancos. E o coração se dilacera um pouco a cada morte.
Semana passada estremeci com a brutalidade da morte de Daniel Azulay. Estremeci e chorei. Por todas as razões, além do artista singular de traço único, além da originalidade de sua figura física, além da graça de se comunicar pela televisão, o que encantou várias gerações, além do olhar, do se vestir, do ser amigo.
Aos 72 anos, Daniel continuava a parecer um menino, um menino de voz doce e olhos inquietos sempre a buscar oportunidades para cativar o interlocutor. Ele jamais abandonaria sua persona modelada pela televisão durante décadas, ídolo natural de crianças de todas as idades, sem forçar barras mercadológicas, tão comuns hoje em dia.
Daniel Azulay foi meu amigo por mais de quarenta anos e frequentava nosso Instituto na Urca com frequência. Arguto, culto, piedoso e bem informado, ele ora chegava para almoçar, ora chegava para tomar umas e outras, ora chegava para apenas jogar conversa fora. Mas o “conversa fora” do Daniel sempre embutia um propósito de cristalina generosidade.
Sabedor de como as instituições culturais estavam a capengar e a quase se findar por falta de recursos e de ausência de beneméritos, ele, o menino sonhador e solidário, sem dinheiros a tirar do bolso, vinha ofertar sua arte, sua imaginação. A mim sempre me comoveu sua disponibilidade para construir projetos, para dizer sim às necessidades dos que eram acolhidos por seu altruísmo. Agorinha mesmo, ao trazê-lo à minha mente e ao coração, acudiram-me fragmentos de várias de suas ideias, que fluíam com a fartura dos dotados de gênio.
Segundo ele, todos seus projetos deveriam abrir na criança o mundo mágico do imaginário, do sonho possível ao desenvolvimento criativo a ser plantado nas cabecinhas em formação. Um público ainda virgem de vícios e de tolices que o avançar da idade acaba por infligir.  Todas as muitas ideias do Daniel eram sempre contempladas com assentimento geral por nossa parte. E saía ele, lépido e fagueiro como sempre, a buscar patrocínio e apoio. Que nunca chegavam. Sequer uma réstia de solidariedade aparecia. Daniel, bem-humorado, desdenhava dos ouvidos moucos, da falta de cultura de eventuais patrocinadores, do esperar horas a fio em antessalas dos empresários. Até porque artista como ele tinha consciência de seus acertos, de sua grandeza, do querer ampliar cabeças de meninos em formação.
Hoje me dou conta de que Daniel, lá no fundinho de seu interesse pelas crianças, queria mesmo era ser professor. Ou seja, ele parecia ter pressa em transformar gente miúda em gente grande. Grande no sentido filosófico de expansão do pensamento, futuros homens dotados de mais criatividade, em exercício progressivo para serem livres. Sempre.
Portanto, a morte de Daniel Azulay provoca uma extraordinária legião de órfãos, todas as muitas gerações de crianças de sua Turma do Lambe-lambe que plasmaram nele um título glorioso, o de ser Professor de Vida, um mestre a incutir arte e beleza.
Rio, 31 de março de 2020.
(*) Ricardo Cravo Albin é um advogado, jornalista, historiador, crítico, radialista e musicólogo brasileiro, sendo considerado um dos maiores pesquisadores da Música Popular Brasileira.

AOS VIVOS: "Fidel Castro na festinha da Vilauba" ... e outros causos


Fidel Castro na festinha da Vilauba

Com vocês, a nossa amiga "desligada". Ela mesma nos escreve para contar algumas de suas inacreditáveis histórias.
"Eu tinha uma loja no Henrique Jorge, que tinha o nome da minha filha - Ticiane Louças. Louças bonitas, vindas de São Paulo. Uma verdadeira boutique.
E aí, no Dia Internacional da Mulher, fui a uma agência da Caixa Econômica trocar cheques da Ticiane. Lá chegando, abordou-me na entrada um simpático rapaz, entregando-me bombons, flores e um papel muito bacana. Agradeci, chupei o pipper e li o que tinha no papel. Para a minha agradável surpresa, falava em descontos no banco. Desconto nisso, desconto naquilo...
Nem entrei mais na Caixa. Saí dali direto pro BEC, onde tinha pendências com o cheque especial. Aquele desconto vinha em boníssima hora. Já lá, frente a frente com o gerente, mostrei o papel que recebi na porta da Caixa Econômica e mandei ver:
- Olha aí, Alcir! Vim acertar o pagamento do meu cheque especial. E é agora!
O gerente olhou o folder com atenção e disse:
- Mas aqui não tem isso, Vilauba!
- Tem, sim! Recebi na Caixa. Tá dizendo que eu tenho desconto nos bancos.
Assis, morrendo de se abrir...
- Vilalba, isso aqui é uma propaganda da Mulher Cheirosa! Hoje é o Dia da Mulher e eles estão dando descontos nos banhos! Nos banhos, Vilauba!
O cavalo-marinho do Zorro
De tanto ouvir falar em Jericoacoara, ela conseguiu enfim passar um final de semana na praia famosa, ao lado dos filhos. Na programação, o velho e aprazível passeio de barco. "Lá estávamos em cima do barco, observando o mar, curtindo o sol. De repente um dos tripulantes, um rapazote, tibungou na água. O mergulho era pra apanhar nas profundezas um cavalo-marinho, e nos mostrar essa maravilha da natureza" - explica Vilauba.
No entanto, ó decepção! Quando o jovem mergulhador torna à superfície, mostrando o tal Hippocampus (gênero de peixe ósseo da família Syngnathidae) dentro de uma garrafa pet com água até o gogó, nossa amiga desligada não se contém e dispara:
- Valha!!! Isso é um cavalo-marinho?!? Nããã!!! Eu tava pensando que era um cavalo bem bonito, branco... Assim que nem o do Zorro!
E todos ficaram se abrindo.
O Caribe é aqui
O filho de Vilauba ia aniversariar. O então marido e pai do rapaz, muito especialmente, queria fazer da festa um acontecimento. E começou convidar a negada. Para não se perderem na contabilidade, escreveu o nome de um por um. A certa altura, a mãezona pediu a lista para fazer uma análise de quantos vinham. Observando o horror de bicho de urêa, Vilauba reclama do então marido:
- Valha meu Deus! Ó o tantão de gente que tu chamou pro aniversário do Júnior!!!
O ex, sabedor das "avoações" da mulher, falou provocativo, em tom de pilhéria:
- Ora, ora, ora! Até Fidel Castro vem!
Vilauba, levando a sério...
- Pelo amor de Deus, não convide mais ninguém. Que esse rapaz seja o derradeiro!
Fonte: O POVO, de 16/05/2019. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

LEITOS PARA A PANDEMIA POR CORONAVÍRUS


A ideia da conversão do Centro de Eventos do Ceará para centralizar os atendimentos em massa a pacientes possivelmente infectados ou com suspeição de infeção por coronavírus é inteiramente descabida.
Essa edificação não conta com infraestrutura para esse propósito e o tempo e o custo para fazer as adequações, convertendo o dito Centro de Eventos em uma megaestrutura de atendimento médico, serão inexequíveis. Talvez fique pronta quando o momento mais crítico da pandemia tiver, com a graça de Deus, passado.
Ademais, ao lado dos elevados estipêndios com a suposta adequação, há de se pensar nos gastos de reversão do empreendimento ao seu uso original, como equipamento cultural e de negócios, que, inclusive, poderá sofrer avarias durante o seu emprego em prol da saúde.
A centralização e concentração de serviços não é oportuna ou producente. O que se requer mais será, de forma descentralizada, mobilizar os equipamentos de saúde disponíveis, direcionando-os para a premente situação epidêmica, de modo que habilitar mais leitos em hospitais existentes ou inativos configura uma estratégia a ser buscada.
Dignas de encômios foram as ações do governo estadual ao requisitar o Hospital Leonardo da Vinci, concluso mas ainda não inaugurado, pertencente à iniciativa particular, destinando-o exclusivamente ao cuidado de pacientes com coronavírus, bem como ao criar anexos, com capacidade de 50 leitos cada, em quatro hospitais públicos de referência estadual.
Há, em Fortaleza, vários hospitais privados desativados, como o Pronto Socorro dos Acidentados e o dos Arrumadores, e outros tantos filantrópicos com enfermarias ociosas, a exemplo da Santa Casa e do Hospital Batista, com leitos não habilitados pelo Sistema Único de Saúde, mercê do subfinanciamento do SUS, que não repassa aos prestadores de serviços numerários que cubram os gastos incorridos nos internamentos.
O aproveitamento dessa capacidade hospitalar instalada poderá agregar cerca de mil leitos para o enfrentamento da pandemia.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular de Saúde Pública-Uece
* Publicado In: O Povo, de 2/04/2020. Opinião. p.12.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

A MENTIRA E A VERDADE


Diz uma parábola judaica que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.
A mentira disse para a verdade:
- Bom dia, dona Verdade.
E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a mentira:
- Bom dia, dona mentira.
- Está muito calor hoje, disse a mentira.
E a verdade vendo que a mentira falava a verdade, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e disse:
-Venha dona Verdade, a água está uma delícia.
E assim que a verdade sem duvidar da mentira tirou suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água e vestiu-se com as roupas da verdade e foi embora.
A verdade por sua vez recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira e por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar na rua.
E aos olhos de outras pessoas era mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade nua e crua.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

terça-feira, 31 de março de 2020

A RETOMADA DO CRESCIMENTO DA INDÚSTRIA


Lauro Chaves Neto (*)
Após sair da pior recessão da História, o Brasil vem crescendo, aproximadamente, 1% nos últimos anos e se projeta uma taxa acima de 2% para 2020. O crescimento da economia precisa ser alavancado para taxas acima de 3 a 4%, além de serem necessárias políticas que reduzam as desigualdades sociais e promovam um maior equilíbrio territorial.
O desenvolvimento industrial funciona como catalisador de toda a economia, tanto por seu efeito multiplicador como por sua capacidade de agregar valor em toda a cadeia produtiva. Vários indicadores econômicos acusam uma melhora, mas a recuperação industrial apresenta-se mais lenta, tendo recuado 1,1% em 2019 após crescer 3,5% no acumulado de 2017 e 2018. Além dos gargalos de curto prazo, é na indústria que grande parte das barreiras estruturais para o crescimento sustentado da economia se manifestam com mais intensidade.
A inovação deve ser intensificada, para isso as universidades e os institutos de pesquisa precisam atuar de forma integrada ao setor produtivo; a indústria paga a maior carga tributária no Brasil, o sistema precisa ser mais justo e simples; a infraestrutura deficiente é outro calo a machucar a eficiência do setor industrial; a internacionalização pode ser uma estratégia para absorção de tecnologia de ponta, abertura de novos mercados, oportunidades de alianças e parcerias.
A retomada do crescimento da indústria vai exigir a qualificação de colaboradores e empreendedores, sendo fundamental fortalecer as ações do Sistema S e das instituições de ensino. Sesi, Senai, Sebrae e IEL devem assumir um protagonismo cada vez mais determinante nesse processo.
A obtenção de maiores taxas de crescimento depende da elevação nos investimentos, sendo necessário atrair mais investimentos estrangeiros, além de baratear e desburocratizar o acesso ao crédito, já que a formação de poupança interna é insuficiente.
Esses elementos precisam ser consolidados em uma política industrial e não abordados isoladamente, pois devem ser os pilares da retomada de um maior dinamismo industrial em contraponto à agenda de protecionismo generalizado e desonerações sem critérios e/ou contrapartidas.
(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.
Fonte: O Povo, de 10/2/20. Opinião. p.14.
 

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