segunda-feira, 3 de agosto de 2015

RECONHECIMENTO PÓSTUMO PARA ELSIE STUDART


Elsie Studart Gurgel de Oliveira, nascida em Acaraú-CE, foi uma notável polígrafa, que tinha um especial gosto em ser ghost-writer para quem dela necessitava de seus préstimos literários. Não fazia isso por qualquer forma de pecúnia, mas pelo prazer de ajudar e de servir, e, igualmente, pelo deleite que tinha em poder escrever e de se exercitar nas técnicas da boa escrita.
Redatora versátil, com apurada imaginação, ela enveredava pelos mais diferentes gêneros literários, produzindo, incessantemente, textos em profusão, para instituições e terceiros, pouco se importando em preservar os seus créditos autorais.
Em vida, Elsie Studart publicou onze livros, quase todos sob a nossa interveniência direta, aos quais se adicionam quatro lançados depois do seu desaparecimento terreno e mais dois livros em processo de montagem, sob a nossa coordenação editorial.
Logo após o seu falecimento, em 25 de julho de 2013, por coincidência no Dia do Escritor, passamos a garimpar, entre seus manuscritos, impressos e arquivos de computadores, textos ainda inéditos ou que não figurassem em obras publicadas, identificando-se um veio aurífero rico e tão esplendoroso como o ouro de Ofir.
Da farta e valiosa matéria prima recuperada, seria exequível a qualquer ourives lapidar, pelo menos, meia dúzia de preciosas joias, bem como a qualquer escriba organizar, no mínimo, uns seis livros, segundo arranjos temáticos e/ou gêneros da literatura, convertidos em pomos literários.
Os seus livros de natureza póstuma, já lançados ou em construção, têm servido para amainar a saudade, nesses dois anos de sua partida, e manter viva a lembrança de uma fecunda escritora cearense, cuja modéstia obliterava o seu reconhecimento público.
Acaraú, terra que lhe serviu de berço, e fonte inspiradora de vários escritos, precisa lhe render as devidas homenagens.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Sócio do Instituto do Ceará
* Publicado In: O Povo, de 29/07/2015. Opinião p.13.

domingo, 2 de agosto de 2015

FLORES PARA A MULHER


A mulher para o marido:
- Alberto, nunca lhe passou pela cabeça me comprar flores?
- Para que, se você ainda está viva?
Fonte: Internet (circulando por e-mail).

O Significado dos Sonhos


Uma mulher se levanta pela manhã, acorda o marido e diz:
- Amor, tive um sonho maravilhoso... Sonhei que você me dava um colar de diamantes no meu aniversário. O que será que isso quer dizer?
O marido responde:
- Você vai saber no dia do seu aniversário.
Chega o aniversário da esposa e o marido entra em casa com um pacote na mão. A mulher emocionada não consegue parar de tremer, rasga nervosa o papel, abre rapidamente a caixa e encontra um livro: "O Significado dos Sonhos".
Fonte: Internet (circulando por e-mail).

sábado, 1 de agosto de 2015

Posse de Francisco Eleutério e Salvio Pinto na Academia Cearense de Medicina


A Academia Cearense de Medicina (ACM) realizou ontem à noite, dia 31/07/15, no Auditório da Pró-Reitoria de Extensão da UFC, a solenidade de posse dos seus novos membros titulares: os Drs. Francisco José Costa Eleutério, obstetra, professor de Obstetrícia do Curso de Medicina da UECE, e Francisco Salvio Cavalcante Pinto, urologista e cirurgião oncológico, como ocupantes das Cadeiras 16 e 40, respectivamente, patroneadas pelos médicos João Otávio Lobo e João da Rocha Moreira, em vagas anteriormente ocupadas por Artur Enéas Vieira Filho e Geraldo Pinheiro.
Os novos acadêmicos foram saudados pelo Ac. Ary da Silva Ramalho.

Nota: Em que pese o remanejamento do local da posse, em virtude da ocupação do prédio da Reitoria por estudantes que reclamam por melhores condições das Residências Universitárias, e da chuva extemporânea da noite passada, o evento garantiu o brilho e o clima de congraçamento que sempre caracterizam as posses acadêmicas da ACM.
Ac. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Membro titular da ACM – Cadeira 18

SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO


Por Pe. Brendan Coleman Mc Donald
No 1º de agosto de 2015 celebramos a Festa de Santo Afonso Maria de Ligório. Ele que nasceu em Marianella, perto de Nápoles na Itália, de família nobre em 1696. Recebeu uma excelente educação humanística que terminou com ele se formando advogado. Durante oito anos exerceu com grande sucesso essa profissão. Depois de um fracasso num importante caso nos tribunais, converteu-se inteiramente a Deus. Depois disso, fez seus estudos eclesiásticos, e foi ordenado sacerdote em 1727.
Os historiadores da Igreja o consideram Santo Afonso Maria de Ligório extraordinário pela sua capacidade multiforme: era advogado, músico, teólogo, pintor, poeta, escritor, moralista e apologista. Ele escreveu mais de 120 obras sobre tópicos como espiritualidade, teologia moral, meditações, retiros e sermões que foram traduzidas em 86 línguas. A pregação, a direção de almas, o trato com os sacerdotes da capital suscitaram nele uma vocação decisiva pela evangelização dos pobres do interior.
Em 1732 fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, popularmente conhecida como a Congregação Redentorista, para seguir o exemplo de Jesus Cristo anunciando a Boa Nova aos pobres e mais abandonados. Embora seja impossível resumir num artigo a chamada “espiritualidade afonsiana” podemos citar aqui alguns aspectos desta espiritualidade: a) o nosso chamado à santidade; b) o amor de Deus por nós; c) meditação da paixão e morte de Jesus; d) a importância de amar Jesus Cristo, Nosso Deus e nosso Redentor; e) a obediência á vontade divina manifestada na Sagrada Escritura; f) a condenação do egocentrismo; g) a importância da mortificação (interna e externa); h) a necessidade da oração; i) a devoção à Nossa Senhora; j) a frequente meditação; k) a importância da Santa Missa e visitas ao Santíssimo diariamente; l) a importância do Sacramento de Penitência (Confissão) etc.
Durante mais de quarenta anos dedicou-se a percorrer, com seus companheiros redentoristas, praticamente todo o sul da Itália, evangelizando através das Santas Missões e pregações. Em 1762, foi nomeado bispo de Santa Águeda dos Godos. Ficou famoso na sua diocese para as visitas pastorais nas paróquias e com a pregação dos seus missionários redentoristas.
No ano 1775 renunciou a seu cargo por motivos de enfermidade, e voltou a morar na comunidade redentorista em Pagani, uma comunidade italiana da região da Campania, província de Salerno, Itália. Durante os últimos doze anos de sua vida sofreu com graves problemas internos da comunidade, até o ponto de ver-se excluído de sua própria congregação! Morreu em 1º. de agosto de 1787, com 91 anos de idade. Foi canonizado em 26 de maio de 1839 e declarado Doutor da Igreja em 23 de março de 1871.
Finalmente, o Papa Pio Xll o proclamou patrono dos confessores e moralistas em 26 de abril de 1950. Suas obras como escritor compreendem três gêneros: obras de teologia moral, nas quais se destaca a Theologia Moralis (1748), obras acéticas e devocionais e obras teológicas. Santo Afonso escreveu vários livros em honra de Nossa Senhora, como a “Devoção Mariana”, “Orações à Mãe Divina”, “A Verdadeira Esposa de Cristo”, e o mais famoso de todos; “As Glórias de Maria”. Sua festa é celebrada no 1º dia de agosto cada ano.
Brendan Coleman Mc Donald é padre redentorista e assessor da CNBB Reg. NE.
Fonte: O Povo, de 26/7/2015. Espiritualidade. p.30.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O BRASIL ANEDÓTICO LXXI


O HOMEM BOTÃO
Humberto de Campos - Discurso de recepção na Academia Brasileira de Letras, maio de 1920.
Uma tarde, estava Emílio de Menezes à porta da confeitaria Pascoal, em companhia de um amigo, quando passou pela calçada, arrogante, charuto ao queixo, um cavalheiro de alta representação, conhecido na cidade pela sua aversão ao pagamento das dívidas. Ferido pela soberba do tipo, Emílio voltou-se para o companheiro, perguntando-lhe, à queima-roupa:
- Em que se parece aquele sujeito com um botão?
O outro não atinou com a chave do enigma, e ele completou, perverso:
- É que ele também não paga a casa em que mora...

O SINAL DOS VARAIS
Ernesto Sena - "Notas de um Repórter", pág. 164.
Estava o conselheiro Ferreira Viana uma tarde na Câmara dos Deputados, quando se aproximou do seu grupo um antigo político e homem de letras diversas vezes incluído na lista senatorial, e sempre atirado à margem. Talentoso, mas avarento, o recém-chegado vestia um paletó cheio de manchas à altura dos quadris, onde de vez em quando esfregava as mãos.
Com a sua jovialidade habitual, Ferreira Viana perguntou-lhe:
- Que é isto, Fulano?
- Não é nada... Não é nada... - respondeu o outro, com mau humor.
- Ah, já sei! já sei! riu o conselheiro, sem se desconcertar.
E ferino:
- São sinais dos varais da liteira da gente que tens conduzido para o Senado!

O CHAPÉU VELHO
Afonso Celso - Discurso na Academia Brasileira de Letras.
Era Raimundo Correia estudante em S. Paulo quando mandou fazer, para uma festa na Faculdade, um terno novo. Faltava-lhe, porém, o chapéu, e os companheiros de "república" - Valentim, Afonso Celso, Silva Jardim e Assis Brasil - resolveram oferecer-lhe um chapéu novo.
No dia seguinte, apareceu Raimundo na Faculdade, com a roupa nova e o chapéu velho.
- E o chapéu novo? - indagaram os colegas.
- Está em casa.
E confessou, a voz comovida:
- Eu vinha saindo com o que vocês me deram quando olhei para o cabide. Lá estava o chapéu velho; mas tão triste, tão descorado, que me meteu pena. Parecia dizer-me: "É assim, não é?" Para as aulas, para o trabalho, para a chuva, sou eu; para as festas, fico eu aqui, e vai o outro, unicamente porque e novo'! Fiquei sensibilizado, pendurei lá o outro, e vim com ele.
E beijando o velho feltro:
- Tão meu amigo, coitado!...

CONSELHO DE SÁBIO
Ernesto Sena - "Notas de um Repórter", pág. 162.
Era o conselheiro Ferreira Viana ministro do Império, quando, em visita à Casa de Correção, teve a sua atenção solicitada por um rapaz de maneiras distintas, fisionomia simpática, mas triste, que lhe pedia licença para duas palavras.
- Então, qual o seu crime? indagou Ferreira Viana, com o seu ar bonachão.
- Senhor, eu abusei da honestidade de uma menor.
- A quantos anos de prisão foi condenado?
- A quatro; já aqui estou há dois, e faltam-me ainda dois. Se, porém, V. Excia. quiser proteger-me, obtendo o meu indulto, eu me comprometo a casar com a ofendida.
- Olhe, quer um bom conselho, um conselho de amigo? - observou-lhe Ferreira Viana, com interesse.
E batendo-lhe no ombro, paternal:
- Cumpra o resto da pena...
Fonte: Humberto de Campos. O Brasil Anedótico (1927).

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Terrorismo e Fundamentalismo (A Banalidade do Mal)


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
A psicologia profunda possui uma visão universal dos homens e das mulheres. Respeita as peculiaridades, sejam quais forem. Vai à busca do universal do caráter humano. Jamais é regionalista e muito menos nacionalista ou contra ou “em – prol” de qualquer crença. Muito menos quando trata de religiões com muitos seguidores, como a judaica, a cristã, a muçulmana, a budista, etc. Repele as ditaduras e hegemonias, pois descrê em soluções que não abarquem todas as partes envolvidas. Reconhece os instintos humanos (Para Freud somos regidos por dois instintos: de vida e de morte).
Sentimos amor e ódio, desejo pela vida, pela saúde, pelo movimento em busca do bem estar, ou desejo pela morte, pela imobilização perante um conflito, uma dificuldade, busca pela doença, pelo mal estar. Um instinto pode predominar sobre o outro, mas os dois estarão sempre atuantes no indivíduo. Para D. Winnicott (pediatra e psicanalista) a mãe sente ódio pelo filho, assim como sente também amor. Ódio pela mudança da sua rotina com a chegada do bebê, por abrir mão do seu narcisismo, da sua independência, por dar sem esperar um retorno, um reconhecimento pela sua dedicação, esforço, sacrifício. Sentimos o ódio, mas não o tornamos realidade, não o concretizamos.
Sem desejar ser pretensioso, sei que a inclinação para a destruição prevalece em todas as épocas. As repressões são de precários resultados. Quando se reprime com intensidade, o sentimento em geral retorna com crueldade, atrocidades são cometidas contra pessoas inocentes ou contra os que são julgados culpados. Em suma, a ênfase no amor, na caridade ou na solidariedade só ocorre naqueles que já conquistaram o mal.
A excrescência do fundamentalismo, seu devaneio, é reconhecida com mais facilidade nos outros do que em nós, nos que são diferentes, nos estrangeiros e nas minorias. As eras fundamentalistas dos séculos XX e XXI atingiram um paroxismo que beira a sanha assassina. Para o nazismo a desculpa foi a pureza racial, para o comunismo, o ‘interesse do povo’. E agora o Ocidente e o Oriente veem o fundamentalismo islâmico como a encarnação do demônio e vice-versa. Parece que ambas as partes esqueceram-se de que o mal está dentro das pessoas. A destruição faz parte da existência dos humanos.
É necessário aceitar isso para que se possa encontrar a maneira de combatê-la. Creio que a causa não se encontra nas injustiças sociais, muito menos na globalização ou noutras exterioridades, mas sim na índole do Homem (mulheres, homens e crianças). A expressão criada pela filósofa judeu-alemã Hannah Arendt (1906-1975) (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hannah_Arendt) em seu livro: ‘Eichmann em Jerusalém' (http://pt.wikipedia.org/wiki/Eichmann_em_Jerusal%C3%A9m) cujo subtítulo é "Um Relato Sobre a Banalidade do Mal" é bastante conhecida e citada.
Banalizar o mal é incorrer num conformismo baseado na ideia de que, como o mal faz parte da natureza humana, devemos tolerá-lo (e também o terrorismo?). O que Hannah Arendt critica é a apatia, o silêncio dos bons que acaba "Banalizando o Mal".
Apesar de tudo, espero que algum dia o Homem chegue a conter esse instinto de destruição, mas acredito que no presente, qualquer sistema adotado, por mais bem intencionado que seja, será fadado ao fracasso ou, no mínimo, seu resultado será precário (voltarei ao assunto).
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).
 

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