domingo, 18 de fevereiro de 2018

BÊBADOS NA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA


Chegam 5 bêbados na estação ferroviária, um pior que o outro.
Quando chega o trem, quatro deles entram e um deles, de tão bêbado, fica para trás.
Daí, o guarda, vendo aquilo, foi lá e disse:
- Ficou tão bêbado que não conseguiu pegar o trem com seus colegas hein?
O bêbado então responde:
- Pro cê ver, seu guarda, e eu era o único que ia viajar.. o resto veio só se despedir de mim ...
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

QUE CÉU NÓS QUEREMOS?

Por Erasmo Miessa Ruiz (*)
Certa feita ouvi duas crianças conversando numa sala de espera de consultório pediátrico. Deveriam ter entre cinco e seis anos. O tema era a morte.
- Meu cachorrinho morreu.
- Você ficou triste?
- Eu fiquei sim. Mas ele foi pro céu.
- Mas como ele saiu voando se ele estava morto?
- Não, não foi assim, foi a alma dele, uma coisa que vivia dentro dele e que foi embora quando ele morreu.
- Ah, minha mãe já me falou dessa história de alma. Acontece a mesma coisa com a gente, sabia?
- Eu sei. E quando a gente morrer vamos pro céu.
- Sério? Então vamos contar estrelas?
- Talvez, mas é como se a gente tivesse em outro lugar.
- E o que vai ter nesse lugar?
- Não me falaram sobre isso. Mas eu acho que vai ter tudo o que tem aqui.
- Tudo? Ah, tudo eu não quero.
- Por que?
- Eu não quero ter que levantar cedinho pra ir na escola. É muito chato. Também não quero tomar injeção nem ter que ir na casa da minha avó antes de ir no Shopping.
- Nossa, será que vai ter escola no Céu?
- Se disseram pra você que vai ter tudo o que tem aqui....
- Olha, esse negócio de morrer não é legal. Se esse céu tiver tudo que tem aqui, vai continuar também as coisas ruins. Eu não quero não!
- É simples resolver então.
- O que a gente vai fazer?
- Ora, é só não morrer e pronto. Esse lugar a gente conhece, vai saber se o céu é pior.
Ainda meio tonto pelo diálogo, fomos chamados para a consulta do meu filho. Enquanto discutia com o médico os sintomas de uma presumível virose, fiquei martelando o cérebro sobre aquela conversa toda. lembrei-me então do poema "Morte Absoluta" de Manoel Bandeira que nos ilustra as muitas mortes que podemos ter.
Lá pela metade do poema, ele nos afronta com a dúvida sobre o céu:
"Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?"
Já pensaram em responder a essa pergunta? As crianças encontraram uma resposta a partir de sua negação da morte, empoderadas que ainda estavam por verem na morte algo que pode ser objetivamente controlado.
Mas nós adultos nos deparamos com nossa verdade misteriosa. Não há como contornar a morte. Então, o que virá? O nada? Um lugar pior ou melhor do que esse? Se existir um algo que podemos pensar em chamar de céu, isso pode satisfazer o nosso sonho de céu como pergunta o poeta?
Um dia saberemos...ou não.
(*) Psicólogo. Professor da Universidade Estadual do Ceará. Diretor da Editora da Uece.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

CONVITE: XV Semeando Cultura da Sobrames-CE


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE) convida para o 15º SEMEANDO CULTURA, evento bimestral promovido pela Sobrames-CE, a realizar-se no dia 19/02/2018, às 19h30, no Espaço Cultural Dra. Nilza dos Reis Saraiva, na Av. Rui Barbosa, n° 1.880, Aldeota (Altos da Clínica São José Moscati).
O palestrante do evento será o advogado e escritor Dr. André Bastos Gurgel, que abordará o tema: AS GRANDES EPOPEIAS DA HUMANIDADE. O expositor é professor, intérprete e tradutor autônomo de inglês, italiano, francês, espanhol e alemão e estudioso de idiomas clássicos: latim, sânscrito e grego antigo.
Contamos com a nobre participação dos colegas, amigos e familiares neste aprazível momento cultural.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Presidente da Sobrames-CE

CURSO DE ENFERMAGEM FAZ 75 ANOS NO CEARÁ


Escola de Enfermagem São Vicente de Paulo. (Foto cedida pela Profa. Sílvia Nóbrega-Thérrien).
Por Carlos Viana (*)
Em 1943, por iniciativa da irmã Margarida Breves e apoio do arcebispo da época, Dom Almeida Lustosa, era fundada a primeira escola de Enfermagem do Ceará, que completa hoje (13/2/18) 75 anos.
A Enfermagem está diretamente ligada à Igreja Católica e à caridade. Em vários locais do mundo, era comum que pessoas pobres buscassem auxílio em conventos ou hospitais mantidos pela Igreja. A Enfermagem surgiu assim, da necessidade de ajudar o próximo”, explica Francisca Montezuma, coordenadora do curso de enfermagem da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Fortaleza foi a primeira cidade do Norte/Nordeste a receber um curso de Enfermagem e a terceira do País. “Isso só foi possível com a luta incansável da irmã Margarida Breves, que à época era diretora do Patronato Nossa Senhora Auxiliadora, instituição mantenedora da escola”, explica a professora.

Em 1975, o curso passou a ser de responsabilidade da Uece, proporcionando assim uma melhor formação dos alunos, evitando que eles deixassem o Estado para completar os estudos.

Irmã Breves, acompanhada de docentes e discentes da Escola de Enfermagem São Vicente de Paulo, em fotografia comemorativa do dia do reconhecimento com Escola Padrão Anna Nery em 1946. (Foto cedida pela Profa. Sílvia Nóbrega-Thérrien).
Para o médico e professor do curso de Medicina da Uece, Marcelo Gurgel, a Enfermagem é de vital importância para a Medicina. “O médico faz a prescrição do medicamento, mas é o profissional da enfermagem que fica 24 horas com o paciente, aplicando a medicação e prestando todo tipo de cuidado,” disse.
De acordo com Montezuma, o principal problema da Enfermagem atualmente é a falta de reconhecimento. “Por estar ligado à caridade, somente moças de famílias mais humildes tornavam-se enfermeiras. E isso ficou arraigado na sociedade. Muitas pessoas, principalmente de famílias ricas confundem o papel da babá com o da enfermeira”, declara.

Para ela, a profissão sofre uma precarização no Estado, por não ter uma legislação que defina um piso salarial. Ela alega que, pela falta dessa legislação, muitos profissionais têm salários baixos, tendo, inclusive, que trabalhar em vários locais. Outro ponto criticado pela coordenadora é a falta de concursos na área.
Para Marcelo, a grande oferta de cursos de Enfermagem no Ceará também precariza a profissão. “São quase 3000 vagas ofertadas em todo o Estado, sem falar nos cursos à distância, sem muita qualidade. O profissional da Enfermagem merece respeito, tanto por parte do poder público como das empresas privadas,” completou.
(*) Jornalista. Editoria de Redação de O Povo.
Fonte: O Povo Online, de 15/02/2018.
https://www.opovo.com.br/noticias/fortaleza/2018/02/curso-de-enfermagem-faz-75-anos-no-ceara.html

Nota do Blog: As informações de cunho histórico estão em artigo de autoria da Profa. Sílvia Nóbrega-Thérrien, imortal da Academia Cearense de Enfermagem e docente da Uece, a ser postado na íntegra oportunamente neste blog. Marcelo Gurgel


 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

FAMÍLIA E MAL-ESTAR PSICOSSOCIAL

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
(NÃO BASTA SABER OU QUERER É PRECISO SABER AGIR)
A vida nunca foi tão fácil como é hoje, em nenhuma época da civilização. Não tenho a intenção, nestes artigos, de repetir a história das famílias e suas transformações. Elas ocorrem, ocorreram e vão ocorrer em determinadas circunstâncias.
Sem tirar a importância dos fatores socioeconômicos ou culturais, paradoxos ou contradições do mundo contemporâneo, acredito que não deva abordar mais do que o necessário sobre tais aspectos. Creio serem esses aspectos assuntos suficientemente discutidos em um Mundo que está intoxicado pela Informação e por especuladores do futuro.
Permanecer alardeando que existe um vácuo na liderança da família ou discutindo sobre quem deveria ser o chefe, que não necessariamente precisa ser o pai. Que a expectativa de vida aumentou. Que a emancipação feminina é uma realidade. Que a religião fracassou. Que há casamentos homossexuais. Que o número de divórcios está aumentando. Que os lares comandados por mulheres estão aumentando. Que as doenças e distúrbios psicopatológicos encontram-se em ascensão ou que a organização mental torna-se fraca, incerta, instável devido a um sistema de organização familiar deficiente ou disfuncional. Do bullyng à internet, crise mundial, refugiados e terrorismo. São fatos muito importantes, sem dúvida, porém repetitivos nos noticiários e parece que disso, todos não sabem, nem querem saber como esses acontecimentos influenciarão as gerações seguintes e a atual, os jovens.
Poucos sabem que a ascendência, quando incapaz de fornecer um suporte satisfatório aos seus participes, propícia a desorganização ao não aceitar nem resguardar as diversidades culturais e outras questões básicas para a sobrevivência das pessoas.
Venho, durante os últimos 10 anos, destacando a importância da organização e da dinâmica familiares, da disciplina doméstica, do tratar diferentemente um irmão do outro; essas variáveis estão fortemente associadas à eclosão de neuroses que hoje são por alguns denominadas de transtornos de internalização traumática.
A falta da presença, no sistema familiar, de elementos adequados de segurança durante a infância acaba por formar indivíduos de personalidade desacorde. Não poucas vezes são pessoas inseguras, agressivas, tímidas, violentas, indo além dessas atitudes antissociais: perdem a capacidade de elaboração onírica ou de fantasiar diante das adversidades da vida e passam a ter uma propensão aos diferentes distúrbios psíquicos e somáticos, principalmente na classe média urbana no Brasil. Relações marcadas pela descontinuidade (mãe-filho), principalmente no primeiro ano de vida, estão presentes, com frequência no atual mal-estar social generalizado. (VOLTAREI AO ASSUNTO)
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

120 x 80


Weiber Xavier (*)
Este era o número há bem pouco tempo considerado ideal para a pressão arterial. No final do ano passado, após uma nova diretriz da American Heart Association os valores mudaram e a ideia é que o indivíduo tenha sua pressão controlada mais precocemente e, dessa forma, possa prevenir as complicações associadas à pressão elevada ou hipertensão arterial, uma doença que mata silenciosamente e está associada a um risco aumentado de um ataque cardíaco por infarto do miocárdio, doença vascular cerebral (derrame ou “AVC”) ou insuficiência renal terminal, dentre outras complicações potencialmente graves.
É muito importante verificar a PA (Pressão Arterial) de maneira apropriada e saber os seus valores de forma correta, para que com o diagnóstico preciso possam ser tomadas as devidas medidas. Há a preocupante banalização da medida da PA de forma errônea, apressada e, essa medida imprecisa, pode levar a sérios prejuízos em alguns pacientes. Os aparelhos para medir a PA precisam estar devidamente calibrados e pelo menos duas medidas em duas diferentes ocasiões precisam ser realizadas a fim de se minimizar o erro e ter-se uma estimativa da pressão arterial mais acurada, evitando-se assim taxar a pessoa de hipertensa de maneira equivocada.
Ter a sua pressão arterial controlada não obrigatoriamente necessita do uso de medicamentos, a mudança de hábitos pode ajudar como: alimentar-se com restrição de sal e gordura saturada, mais rica em potássio, frutas, legumes e grãos, exercício físico regular, diminuir a ingestão de álcool, manter o peso adequado, evitar o cigarro, manejar o estresse excessivo, controlar o colesterol elevado e o diabetes mellitus.
Considera-se normal uma PA <120 120-129="" 130-139="" 1="" 2="" 80-89="" e="" elevada="" est="" gio="" hg.="" hg="" hipertens="" mm="" o="" ou="" pa:="" pa="" span="" uma="">
Estima-se que cerca de 25% da população brasileira possa ter hipertensão arterial, com os “novos” critérios esse número pode ser ainda maior, por isso é preciso estar atento e verificar os valores da sua pressão arterial,120 por 80 não caracteriza que você seja hipertenso mas certamente é um número que precisa ser observado e melhorado.
(*) Médico e professor de Medicina.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 31/1/2018. Opinião. p.22.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

CERVANTINA

Pedro Henrique Saraiva Leão (*)
Quisera escrever uma crônica dezembrina, mas sem os cediços chavões sazonais. Sem neve, renas, ou papai-noel. Sem trenós, apenas carros–pipa. Não havia avelãs, pinheiros, mas xiquexique e mandacarus. Viera transformar o agreste em pomar. Recolher facas e distribuir pão. Vinha de longe... tangendo velhas ovelhas, cavalgando trôpego pangaré. Apresentava profundos vincos no rosto, quais talhados a golpes de faca. Suara muitos sóis, irrigando aquele chão gretado. Muitas luas prateavam seus cabelos. Transpirava o sangue do sofrimento.
No gibão de couro tocos de pão, nacos de fumo, pedaços de rapadura e resto de farinha, lembravam o estirão percorrido. Lutara contra seca, aluvião, fome, fauna e flora, enfrentara leões, moinhos de vento, desafiara a sorte, o amor e a morte. Provara até “um certo contato com a lua”, evocando o poeta Antônio Girão Barroso. Escapara de areias movediças. Bárbaros e bérberes. Fora picado pela cobra que criara; indabém que Deus, ao concebê-lo, vedara-lhe o corpo para os vírus, vícios e venenos da vida.
Peregrinando por ínvias vias, atravessara rios, vadeara riachos, escalara serras, penedias e noites sem fim. Certa feita, embora cogitando desistir, descumprir promessas, pedir meças ao homem lá de cima, pensou mais. Carregando sua cruz, preferiu aguardar o último trem. Esperar, ia. Acreditava valer a pena, pois tinha a alma grande. Só, carecia de mais paciência. Tê-la-ia! O tempo não tarda. Alexandre Dumas (1802-1870), aquele do “Conde de Montecristo”, já dissera estar a sabedoria contida em duas palavras: paciência e esperança. Sabia que vida é véspera. Aliás, a água da chuva não era preta como aparentavam as nuvens, repetia o professor Newton Gonçalves, na Faculdade de Medicina do meu tempo (1958-1963).
Cuidava agora fosse nascer de novo, novamente. Vencidos os demais perigos da existência, as incertezas das esquinas, o desamor dos amigos, os desacertos do destino, domadas as dores da consciência, chegava, afinal. Não soaram sinos à sua chegada, mas balidos de ovelha, e guizos de cascavel. Bois berravam o contraponto. Não trazia ouro, mas pedaços de mica e galhos de mirra por incenso.
Contudo, trazia esperança. Viera adorar o divino infante Jesus, terno, tenro e eterno ramo de fé, para plantarmos no coração e embalar nos nossos braços cansados. Já vemos uma estrela grande no céu. Chegou a hora da estrela. Renovemo-nos para o novo Natal. Esperamos que Cristo perdoe nossos pecados, nossas dúvidas e dívidas, e mande pagar nossos precatórios. Lembrou-se da volta dos mortos para a consoada (ceia) natalina. Chorou. Aleluia. Feliz Natal!
(*) Professor Emérito da UFC. Titular das Academias Cearense de Letras, de Medicina e de Médicos Escritores.
Fonte: O Povo, 13/12/2017. Opinião, p.14.
 

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