quinta-feira, 25 de maio de 2017

CONVITE: Lançamento do livro: Humor em Prosa e Verso

 

O Presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Dep. José Albuquerque, atendendo ao requerimento do Dep. Heitor Férrer, convida para a Solenidade de Lançamento do livro Humor em Prosa e Verso, do médico e escritor José Luciano Sidney Marques.
Data: 26 de maio de 2017 (sexta-feira), às 19h30min.
Local: Auditório João Frederico Ferreira Gomes, no edifício anexo da Assembleia Legislativa do Ceará.
Traje: Esporte fino.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

CONSTITUINTE EXCLUSIVAPor Affonso Taboza (*)


Por Affonso Taboza (*)
O governo do presidente Sarney começou apoiado na Constituição de 1967, vinda do Governo Castello Branco. No confronto de ideias, forte naqueles dias, muitos passaram a exigir uma Constituição “sem os vícios da ditadura”. Outros achavam que a Carta vigente era boa, precisando só de reforma, pois com ela o País evoluíra do regime revolucionário para a abertura política, chegando até a posse de um presidente eleito pelo Congresso, numa transição pacífica.
Pressionado por radicais, Sarney optou por nova Carta. Mas teve uma ideia feliz: criou um grupo de trabalho, formado por figuras eminentes vindas dos diversos segmentos da sociedade, para estudar um modelo a ser proposto à Assembleia Nacional Constituinte. O grupo se reunia no antigo Palácio do Itamaraty, no Rio.
Esperava-se que fosse eleita uma Assembleia com o fim exclusivo de elaborar a Constituição. Para decepção geral, decidiu-se transformar o Congresso Nacional em Congresso Constituinte. E Sarney nem coragem teve de mandar ao tal Congresso Constituinte a proposta que levou meses para ser elaborada. Nasceu, pois, a nova Carta com um vício de origem: foi trabalhada por pessoas comprometidas com suas futuras eleições ou prontas a legislar em causa própria.
A Constituição de 1988 trouxe em seu bojo tantos defeitos e fantasias que os autores, conscientes disso, criaram nas Disposições Transitórias um mecanismo que lhe permitia reforma após cinco anos, com aprovação por meio de mecanismo legislativo simples. Por desídia coletiva, a oportunidade não foi aproveitada. Decepcionado, Sarney saudou a nova Carta com a frase mais inspirada de sua vida: “Com esta Constituição, este País será ingovernável”.
Nasceu velha a pobre Carta. Os constituintes trabalharam com os olhos voltados para o passado, sob a batuta do mal-humorado e pedante Ulysses Guimarães, que, num incrível rasgo de estrelismo, chegou a lançar a primeira edição com um prefácio por ele assinado. Fato reprovado em memorável discurso pelo senador Jarbas Passarinho na tribuna do Senado, que resultou no recolhimento dos exemplares maculados.
Pois bem, esta anciã de apenas 29 anos hoje é uma colcha de retalhos, carente ainda de muitos remendos, pois ela, entre outros defeitos gritantes, engessa a economia do País.
O Brasil está uma sucata. Se é para passá-lo a limpo, comecemos pela Constituição. Mas só um colegiado eclético de pessoas de notório saber e conduta ilibada, que não sonhem com cargos eletivos, poderia apresentar à Nação um bom trabalho. Um colegiado que se dissolva no ato da promulgação da Constituição. Congresso Constituinte nunca mais! É premente que cuidemos disso.
(*) Membro do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará e coronel engenheiro reformado do Exército Brasileiro.
Fonte: O Povo, de 15/5/2017. Opinião. p.13.

terça-feira, 23 de maio de 2017

A PRESENÇA FEMININA NA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA


Trinta anos depois da fundação da Faculdade de Medicina do Ceará, inauguração em 12/05/1948, organizou-se uma nova instituição médica local - a Academia Cearense de Medicina (ACM), criada com o propósito maior de zelar pela História da Medicina no Ceará.
A ACM foi constituída por 26 sócios fundadores, escolhidos dentre médicos renomados e de méritos reconhecidos, para ocuparem as cadeiras, cujos patronos eram médicos falecidos, com valiosas contribuições à Medicina do Ceará.
Instalada em 12/05/1978, no Jubileu de Pérola da Faculdade de Medicina do Ceará, a ACM, empossou na ocasião os seus fundadores e primeiros ocupantes das cadeiras.
Todos os primeiros ocupantes de cadeiras, como seus respectivos patronos, eram homens configurando um fato aparentemente inusitado. A ausência de mulheres acadêmicas guardava consonância com a hegemonia masculina dos médicos da época e com o dispositivo estatutário que exigia 25 anos de graduado para o ingresso na ACM.
Embora a primeira turma formada no Ceará, a de 1953, fossem duas mulheres e apenas um homem, em maio de 1978, não havia médicas com o tempo mínimo de formatura para admissão, tanto de egressas da UFC, como de outras faculdades de fora, porquanto era difícil uma jovem sair daqui para cursar Medicina.
A primeira mulher admitida na ACM foi Glaura Ferrer, empossada em 15/09/89; a segunda foi Maria Gonzaga Pinheiro, que tomou posse em 12/05/95 (falecida em 6/01/10), e a terceira, Maria (Helena) da Silva Pitombeira, empossada em 14/05/99.
Com a virada do milênio, mais três médicas foram empossadas nesse sodalício: Lúcia Maria Alcântara (24/11/05), Adriana Costa e Forti (13/05/05) e Lise Mary Alves de Lima (20/01/07).
Em anos mais recentes, a ACM acolheu em seus quadros: Maria Zélia Petrola Jorge Bezerra (18/11/11), Ana Margarida A. Rosemberg (14/11/14) e Márcia Alcântara (29/04/16).
As atuais oito confreiras, com suas presenças, abrilhantam a arcádia médica cearense, conferindo um toque muito especial advindo da condição feminina.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina – Cad. 18
* Publicado In: Jornal do Médico em Revista, 13(85): 16, março-abril de 2017. (Revista Médica Independente do Ceará).

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O MOLHO DE MAIONESE


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
O gênero humano jamais poderia imaginar que os e-mails viriam abrandar a solidão dos anciãos. Mas, vamos aos fatos. Dia desses, resolvi abrir todas as mensagens que me enviaram. Ao todo, foram 167! Levei quase um dia completo para abri-las, e, findei, lacrimejando os olhos e com dores nas costas. Fora aqueles, apaguei, também, os e-mails suspeitos de conter vírus.
Dentre os e-mails, havia um, de um conhecido meu, contando como foi inventada a maionese. Vinha em anexo: Uma das primeiras vitórias francesas durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), contra os ingleses. A mensagem expunha a conquista da ilha de Menorca, nas Baleares, até então dominada pelos britânicos, que, em 1708, a haviam tomado dos espanhóis. No dia 17 de abril de 1756, as sentinelas inglesas de Menorca avistaram, no horizonte, 197 velas. Elas representavam a frota francesa, comandada pelo Almirante La Galissonière, e, em cujo navio (chamado Foudroyant) se encontrava o Duque de Richelieu - Louis François Armand Vignerot du Plessis (1696-1788) – o comandante das forças de desembarque.
Conquistada a ilha, o Duque visitou Puerto Mahón, capital de Menorca. Foi lá onde conheceu um molho feito com azeite de oliva e gema de ovo, que os nativos usavam para temperar peixes. O nobre gostou tanto dele que levou a receita para seu país. Chamou o molho de sauce mahonnaise ou molho de Mahón. Logo, ele ficou conhecido como salsa mayonesa, em países de língua espanhola, e passou, para a língua portuguesa, como “molho de maionese”.
Já uma outra versão ressalta que a maionese foi inventada, em 1756, pelo cozinheiro chefe do Duque de Richelieu. Após derrotar os ingleses em uma batalha, na cidade portuária de Mahon, foi organizado um banquete onde seriam preparadas receitas à base de ovos e leite. Quando o cozinheiro percebeu que não havia mais leite, decidiu substituir o ingrediente por azeite, misturado com ovos, o que resultou em um novo molho. E em homenagem à vitória daquele Duque, o molho foi denominado mahonneise.
Ao acabar de ler o e-mail, respondi ao meu conhecido que ele estava enganado, e que a história da maionese era outra, relacionada à retirada, da Rússia, do exército de Napoleão. O imperador tinha achado estranho um soldado, de sua guarda pessoal, não reclamar da ração diária recebida. Isto porque, de vez em quando, recebia um ovo cru e, ao invés de aborrecido, ficava muito feliz. Intrigado com o soldado, Napoleão procurou saber o motivo daquela alegria. Ao que o soldado respondeu: “Sir, eu bato o ovo cru com azeite e um pouco de farinha de trigo, e fica uma delícia”. Dessa forma foi inventada maionese. Dizem ainda que, chegando a Paris, aquele soldado abriu um bistrô onde a maionese se tornou o carro-chefe. Ele patenteou a descoberta e as fábricas de maioneses, até hoje, pagam royalties aos seus herdeiros.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

domingo, 21 de maio de 2017

A ESPIRITUALIDADE E A RELIGIÃO


Por Teilhard de Chardin (*)
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro"...
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida. 

"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual...
Somos seres espirituais passando por uma experiência humana... " 

(*) Pierre Teilhard de Chardin, (nascido em Orcines, 1 de maio de 1881 — falecido em Nova Iorque, 10 de abril de1955), foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que tentou construir uma visão integradora entre ciência e teologia.
Fonte: Internet (circulando por e-mails e i-phones).

Lançamento dos Anais da Academia Cearense de Medicina (Vol. XVII)


Durante a XVII Bienal da Academia Cearense de Medicina (ACM), presidida pelo confrade Djacir Gurgel de Figueirêdo, foi lançado em 19/05/17, e distribuído aos participantes do evento, o Volume XVII, Nº 17, dos Anais da ACM.
Dando continuidade ao trabalho da Diretoria de Publicações de nosso sodalício, a obra contou com a nossa contribuição, em particular, na condição de editor.
O livro, com 498 páginas, foi impresso na Expressão Gráfica e Editora, e nele compareço com os seguintes ensaios, crônicas ou discursos:
1. Apresentação dos XVII Anais da ACM. p.3-4.
2. Carlos Ribeiro: da Medicina à Saúde Pública. p. 189-98.
3. Viliberto Porto: membro honorável da ACM. p. 339-40.
4. Haroldo Juaçaba: caminhos de uma profissão - a Amazônia como laboratório. p. 345-7.
5. Academia Cearense de Medicina: em crônicas e biografias. p.355-6.
6. Edísio Tavares: ilustre decano da Academia Cearense de Medicina. p. 357-8.
7. Geraldo Gonçalves: decano fundador da Academia Cearense de Medicina. p. 437-8.
Ac. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Membro titular da ACM – Cadeira 18

sábado, 20 de maio de 2017

SOLENIDADE DE ENCERRAMENTO DA XVII BIENAL DA ACM


Uma prestigiada e bem organizada solenidade assinalou ontem à noite (19/05/17), no Auditório da Reitoria da UFC, o encerramento da XVII Bienal da Academia Cearense de Medicina (ACM), configurando o grande acerto da realização do evento ACM, que contou com a participação de confrades e confreiras do sodalício.
No evento discursaram o Ac. Gilmário Mourão Teixeira e o Ac. Djacir Figueirêdo, respectivamente, coordenador e Presidente de Honra da XVI Bienal, e o Ac. Henry Campos, Magnífico Reitor da UFC.
Durante essa sessão solene, o Ac. Vladimir Távora fez a leitura da sua crônica, vencedora do Concurso de Crônicas “Nossa Academia de Medicina”, tecendo justas homenagens póstumas ao acadêmico Antero Coelho Neto, um ex-Presidente da ACM, falecido no ano pretérito.
Ac. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Membro titular da ACM – Cadeira 18

Lançamento de “Clínica Médica no Ceará: passado e presente”Ao ensejo da XVIII Bienal da Academia Cearense de Medicina (ACM), aconteceu no Hotel Sonata de Iracema, em Fortaleza, ontem, dia 15 de maio de 2017, o lançamento da segunda edição do livro “Clínica Médica no Ceará: passado e presente”.


Ao ensejo da XVIII Bienal da Academia Cearense de Medicina (ACM), aconteceu no Hotel Sonata de Iracema, em Fortaleza, ontem, dia 15 de maio de 2017, o lançamento da segunda edição do livro “Clínica Médica no Ceará: passado e presente”.
A obra, de autoria do Ac. José Eduilton Girão, reúne biografias dos vultos pioneiros do ofício iátrico, em um passado recuado, passando pelos grandes nomes que enobreceram a Medicina na terra alencarina nos três primeiros quarteis do século XX, até chegar aos dias atuais, quando traça o perfil de muitos dos experts em Clínica Médica e em áreas correlatas.
O livro foi apresentado pelo Ac. Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Diretor de Publicações da ACM, responsável pelo conteúdo das orelhas desse livro.
Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Membro titular da ACM – Cadeira 18

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Brasil X Prêmio Nobel: duas historinhas

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Presidente colombiano Juan Manuel Santos ganha Nobel da Paz 2016 e com esta notícia surge a pergunta requentada: “Quando é que o Brasil terá o seu Nobel? Tudo pode acontecer, mas com esta mentalidade será difícil”.
Sei que, em qualquer atividade humana, é necessário investir tempo, dedicação, trabalho, continuidade, determinação e criar um ambiente propício para alcançar metas. O que importa não é o país de nascimento do laureado e sim onde foi realizada a pesquisa. Advirto que o Premio Nobel é apenas, midiaticamente, o mais importante. E como em toda e qualquer atividade humana por mais honesta que seja, o pesquisador comete lá seus enganos. No caso específico do presidente colombiano acredito, como sul-americano, que ele seja merecedor. Muito embora o da Paz seja um dos mais importantes, por suas características, é ofertado em cerimônia separada e até em outro país (Noruega). Não é cientifico, nem de arte. É de quem luta pelo mais escasso bem da humanidade: A PAZ.
Lembro que se os Estados Unidos da América do Norte não tivessem suas universidades, teriam de mostrar aos visitantes, não Universidades, mas o Grande Cânion, as Cataratas de Niágara, além da Quinta Avenida e as gigantescas esculturas, com mais de 18 metros de altura cada uma, no monte Rushmore – Dakota do Sul. É bom que se acentue que essas premiações não levam em conta raça ou nacionalidade, mas decorrem de trabalhos realizados em universidades, academias, centros de pesquisas.
Trabalhos sérios que nada têm a ver com a emissão de borbotões de diplomas de qualidade pra lá de duvidosa. E o pior é que creio que, se algum dia algum brasileiro: nativo, naturalizado ou que tenha aqui feito sua descoberta, ganhar o Nobel, vão dizer por aí: — 'Grande coisa este tal de prêmio Nobel! Até “fulaninho” ganhou um...'. Isto é o que se deve mudar antes de jogar dinheiro fora ou ficar se lamentando.
Vamos às duas historinhas para ilustrar o Nobel. A pronúncia, deixo ao critério do leitor. Uma, envolvendo o láureo.
Primeira historinha:
Trata-se de um fato ocorrido com o único psiquiatra ganhador de Nobel de Medicina, até hoje. O judeu austríaco que vive nos Estados Unidos, Eric Kandel, único vencedor do Prêmio Nobel de Medicina/Fisiologia em 2000, por ter desvendado os mecanismos que permitem ao cérebro formar e armazenar memórias. Foi convidado a ministrar uma palestra em Viena. Presente, a nata da intelectualidade. Quando de sua apresentação agradeceram-lhe pelo fato de, como filho, retornar à Pátria. Ele então, ao tomar a palavra, disse algo mais ou menos assim: 'Saibam que este filho, quando saiu da Pátria, saiu fugido em um trem, faminto, sem a ajuda de nenhum de vocês’. Em seguida, sem mais delongas, deixou o recinto.
*****
E como havia prometido, aí vai uma outra historinha:
Há alguns anos li um artigo de um professor paulista, cujo nome não me recordo, que falava do estado da arte das “pesquisinhas” no Brasil. Ele a apelidava de pesquisinha:
Um biólogo estudava o aprendizado e o comportamento das formigas. Ele pega uma formiguinha, coloca numa bandeja de experimentos e ordena: - Formiguinha, anda - e a formiga anda. Arranca uma das patas da formiga e repete: - Formiguinha anda e, mesmo capenga, a formiguinha anda. Vai então arrancando as patas do inseto uma a uma, até que, quando arranca as seis patas da formiga, repete: - Formiguinha anda; e a formiga não se move.
Pesquisinha: Formigas sem pernas são surdas? Ou, num país onde o caos econômico-financeiro, educacional, e, médico foi perpetrado o esporte perde a sua força?
Deixo o leitor com o livre arbítrio de escolher a sua conclusão.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A XVII BIENAL DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA


A Academia Cearense de Medicina (ACM) realiza, nos dias 18 e 19 de maio de 2017, a sua XVII Bienal, encontro de natureza científica e cultural da maior relevância para a Medicina cearense, que tem o professor e acadêmico Gilmário Mourão Teixeira, como seu Presidente de Honra, e o médico-sanitarista e acadêmico Joaquim Eduardo de Alencar, como Patrono. A coordenação da Bienal é do Ac. Djacir Figueirêdo, a organização do Ac. Vladimir Távora e a supervisão geral é do Ac. Manassés Fonteles.
O programa científico será desenvolvido no Hotel Sonata de Iracema, situado em Fortaleza, na Av. Beira Mar, 848, e está aberto a médicos e estudantes de Medicina, inscritos antecipadamente, e ao público, em geral, interessado na problemática das doenças transmitidas pelo mosquito (dengue, zika e chikungunya).
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina

 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

A ENFERMAGEM E A PRESERVAÇÃO DA VIDA HUMANA


Por Rita Paiva Pereira Honório (*)

Precisamos priorizar o ensino e a pesquisa próprios da enfermagem, sem perder o olhar holístico para o indivíduo
A história da enfermagem confunde-se com a da humanidade, e, como ela, teve seus altos e baixos. Ator principal desse cenário, o homem buscou prioritariamente a perpetuação da espécie. Dessa forma, dedicou-se a cuidar dos enfermos.
Nos primórdios da história, cuidar era uma atividade essencialmente feminina, ligada à figura da mãe, da bondade e da caridade. Ao longo do tempo, o cristianismo, as cruzadas e as guerras influenciaram profundamente essa ação. Os conflitos humanos serviram de laboratório para o desenvolvimento da enfermagem como ciência.
No século XIX, Henry Dunant, filantropo, fundador da Cruz Vermelha e as enfermeiras Ana Neri e Florence Nigthingale se destacaram dentre os precursores da enfermagem moderna. Eles priorizaram o compromisso com a qualidade do cuidar. Nesse sentido, Florence foi a responsável por aliar a precisão da matemática a essa assistência, conseguindo provar, por meio da estatística, que o verdadeiro causador das mortes de soldados na Guerra da Criméia, em que atuou, era a infecção, e não os ferimentos recebidos em combate.
Apesar de ser alicerçada em princípios éticos, religiosos e estratégicos aperfeiçoados ao longo do tempo, a enfermagem, ainda hoje, não recebe o devido reconhecimento político e social.
A falta do merecido reconhecimento nos avanços científicos na área da Saúde pode ser creditado à naturalidade do ato de cuidar e à quantidade dos profissionais de enfermagem. Somos milhares, uma verdadeira legião. Na sociedade moderna, centrada no lucro, a doença compensa mais que a saúde. Como a paz, o cuidado, a construção da saúde e a prevenção da doença não movimentam a economia.
O envelhecimento demográfico da população e a busca pela qualidade de vida desencadearam um desenvolvimento frenético da ciência e da tecnologia para atender a estas novas exigências. Esta demanda vem implicando maior relevância para as categorias não médicas. Nenhum profissional isolado consegue dar conta de todo este conhecimento. A hegemonia da medicina e a visão hospitalocêntrica não cabem mais no padrão de assistência de hoje. É a vez de priorizar a promoção da saúde e da prevenção da doença, objetos de estudo e principais metas da enfermagem.
Para avançar no legado deixado por nossos antecessores, precisamos priorizar o ensino e a pesquisa próprios da enfermagem, sem perder o olhar holístico para o indivíduo. Esse deve ser o nosso compromisso com a sociedade e o caminho exigido ao modelo de saúde do século XXI. Chegou a vez de o cuidado ocupar seu merecido lugar de destaque na preservação da vida humana.
(*) Enfermeira e chefe da Divisão de Enfermagem do Hospital Universitário Walter Cantídio.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/05/2017. Opinião. p.11.

terça-feira, 16 de maio de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES DE FÁTIMA



Por Pe. Brendan Coleman Mc Donald (*)
Nestes 100 anos da aparição de Nossa Senhora em Fátima, Portugal, nosso pensamento vai a um dos fatos mais marcantes da vida religiosa do século passado: a aparição de Nossa Senhora, em Fátima. Aos 13 de maio de 1917, a Virgem apareceu numa aldeia de Portugal - Fátima. Era um domingo. Três crianças costumavam levar a pastar as poucas ovelhas da família. Crianças inocentes, pobres, analfabetas, mas já iniciadas na fé e na devoção à Nossa Senhora.
Alternando seu tempo com brincadeiras e orações, enquanto davam umas olhadelas às ovelhas para que não invadissem terrenos cultivados, eis que, num céu sem nuvens foram assustadas por relâmpagos e notaram uma forte luz.
Sobre uma arvorezinha de espinheira aparecia uma Senhora mais brilhante que o sol, branca no vestido, mãos postas ao peito donde pendia um rosário, levemente velada de tristeza.
Lúcia, a maior das videntes, de 10 anos, se atreve em fazer umas perguntas, e travou-se um pequeno diálogo entre a Virgem e Lúcia. A Mensagem de Nossa Senhora iria se completar progressivamente nas aparições posteriores, no dia 13 de cada mês, até outubro. Esta mensagem pode ser resumida: (a) Maria sente-se preocupada com o crescer do mal, dos pecados da sociedade, sobretudo da imoralidade e indiferença religiosa que levam tantos pecadores ao inferno e são causa de tantos males sociais, inclusive, guerras e perseguições etc.; (b) Maria pede nossa colaboração para a paz do mundo (era o tempo da Primeira Guerra Mundial) e para conversão dos pecadores. Para isso: exige de nós conversão a Cristo; sugere a oração fervorosa como poderoso meio de obter o perdão de Deus e recomenda a reza do terço todos os dias.
Nossa Senhora sugere a jaculatória a ser intercalada nos mistérios do terço: “Ó Jesus, perdoai nossos pecados, preservai-nos do fogo do inferno; levai as almas todas para o Céu, particularmente as que mais precisam de vossa misericórdia”.
Nossa Senhora exorta à penitência, à mortificação e aos sacrifícios, a fim de obter a conversão dos pecadores e a paz do mundo.
As aparições de Nossa Senhora de Fátima, após rigoroso exame dos fatos, tiveram o reconhecimento oficial da Igreja. Os papas Paulo VI e João Paulo II afiançaram a mensagem de Nossa Senhora com a visita solene a Fátima. O primeiro em 1967, no Jubileu de Ouro das Aparições; o segundo em maio de 1982, renovando, após 40 anos, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. Em 2010, o papa Bento XVI visitou a Basílica de Fátima.
Lúcia passou seus dias no silêncio do claustro, entregue à oração, à penitência e ao trabalho. Jacinta e Francisco faleceram poucos anos depois das aparições, passando pela purificação dos sofrimentos, conforma a predição de Nossa Senhora. Fátima é e ficará sendo um dos maiores centros de espiritualidade mariana.
(*) Padre redentorista e assessor da CNBB Reg. NE.
Fonte: O Povo, de 15/5/2017. Opinião. p.13.

Os pesquisadores e a chikungunya


A Academia Cearense de Medicina promoverá na quinta e sexta-feira desta semana, dias 18 e 19, no Hotel Sonata de Iracema, a sua XVII Bienal que, nesta edição, abordará assunto dos mais pertinentes: as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, zika e chikungunya).
Segundo o presidente da entidade e ex-reitor da Uece, Manassés Fonteles, o evento dedicará palestras e debates sobre o tema contando com um grupo de infectologistas de peso nacional e local. Na lista, Anastácio Queiroz (hoje reitor da Unilab), Ivo Castelo Branco, André Pessoa, Antônio Afonso Bezerra, Márcia Medeiros, Fernanda Araújo e Adriana Oliveira, esta da Paraíba.
A abertura da bienal ocorrerá a partir das 8 horas de quinta-feira. O encontro inclui também painel sobre vacina contra a dengue e, claro, fará um alerta sobre a febre chikungunya que, na Capital cearense, expandiu-se feito epidemia. Para os especialistas, o melhor antídoto contra o mosquito chama-se difusão das informações sobre prevenção.

Fonte: Blog do Eliomar, de 15/5/2017.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Custo da má gestão de Dilma é maior do que o da Lava Jato

Por Mônica Scaramuzzo
Para economista, equívocos nas políticas macro e microeconômica são os responsáveis pela crise atual.
Entrevista com Eduardo Giannetti 
O economista Eduardo Giannetti da Fonseca diz que os impactos da Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobrás, podem ter efeitos negativos sobre a economia brasileira, que esboça uma reação, mas afirma que as investigações em curso não deram origem à atual recessão pela qual o Brasil passa. Segundo ele, a má condução do governo Dilma Rousseff, com políticas equivocadas, colocou o Brasil nesta profunda crise, gerando a alta taxa de desemprego. A seguir, trechos da entrevista.
O Estadão: Um levantamento feito pelo ‘Estado’ mostra que as principais empresas envolvidas na Lava Jato demitiram quase 600 mil pessoas. As novas delações poderão piorar esse cenário?
Eduardo Giannetti da Fonseca: O impacto (negativo) indireto sobre o emprego é ainda maior. Afeta toda cadeia, desde os fornecedores até o consumo que deixa de ser feito porque a atividade não aconteceu.
O Estadão: Com as delações que vieram à tona semana retrasada, o impacto da Lava Jato na economia pode ser maior daqui para a frente?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Acho que seria um erro de análise atribuir a atual crise econômica e o desemprego à Lava Jato. Estaríamos em crise e com alta taxa desemprego, independentemente da Lava Jato. Não foi a operação que criou esse problema. Ela ajudou a agravar, uma vez que as decisões tomadas no âmbito da corrupção que a operação está revelando foram péssimos investimentos. Um exemplo é a refinaria Abreu e Lima. Foram gastos dezenas de milhões de reais e nenhum real de retorno. A Lava Jato não causou a crise econômica.
O Estadão: Em outras palavras, a Lava Jato não está diretamente ligada à crise econômica...
Eduardo Giannetti da Fonseca: Não é o preponderante. Ela é mais o sintoma da crise do que a causa original. Uma coisa é importante esclarecer: o custo econômico da incompetência do governo Dilma é muito maior do que toda a corrupção brasileira, por mais que você superestime essa corrupção. Estamos falando de toda ordem de magnitude. Mesmo na avaliação mais ambiciosa do tamanho da corrupção no País não chega nem perto do custo que teve para a sociedade o acúmulo de equívocos macroeconômicos e de política microeconômicas do governo Dilma.
O Estadão: O sr. se refere só ao governo Dilma ou à gestão petista?
Eduardo Giannetti da Fonseca: O quadro (econômico) começou a se deteriorar no segundo mandato do governo Lula, após a saída de Palocci (ex-ministro Antônio Palocci). O cenário se agravou e gerou a crise que estamos vivendo no primeiro mandato do governo Dilma, com a adoção da chamada nova matriz macroeconômica e com os erros de políticas microeconômicas nas áreas de energia elétrica, de petróleo e gás, das concessões, do uso do BNDES para favorecer parceiros. Acredito que a corrupção gere muito mais indignação porque é um desvio de responsabilidade moral.
O Estadão: Mas foi o governo Lula que estimulou as políticas de ‘campeãs nacionais’. Isso já não era um indício do início do problema?
Eduardo Giannetti da Fonseca: O segundo mandato do Lula foi um ensaio. Mas a realização em larga escala desses projetos foi no mandato da Dilma. O Lula ainda tinha um álibi de lidar com o impacto da crise econômica global de 2008 e 2009. Podia justificar que eram medidas anticíclicas para diminuir a crise. No governo Dilma já não foi nada disso. Foi uma convicção equivocada de alocação de recursos e intervenção com mão pesada nos setores elétrico e de óleo e gás, na alocação de crédito... Depois, uma inflação muito alta, reprimindo os preços administrados, o que obrigou a aumentar os juros durante a recessão. De novo, a crise atual não tem nada a ver com a corrupção. Não é a primeira vez que o Brasil passa por crises. Foi assim no governo Geisel (Ernesto Geisel). Dilma gerou uma nova década perdida.
O Estadão: Mas as revelações da Lava Jato agravaram o desemprego?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Agravaram sim.
O Estadão: A situação poderá ficar mais crítica com futuras delações, como a do Palocci?
Eduardo Giannetti da Fonseca: A Lava Jato é um exemplo da deformação patrimonialista do Estado brasileiro. Governos que comandam junto com segmentos do setor privado o uso dos recursos na economia. Por dois motivos basicamente: o setor privado buscando um atalho de crescimento por meio de acesso privilegiado; e os governantes buscando a perpetuação no poder por meio da cooptação do setor privado. É uma via de mão dupla. Fazem um conluio para se beneficiar – uns com lucro e outros no poder. Isso não envolve todo o empresariado nem todos os políticos. E, de fato, estão faltando dois elos ainda da cadeia da corrupção brasileira: o setor financeiro e o judiciário, que devem ser apurados.
O Estadão: Uma vez que se jogue luz sobre esses dois elos, o cenário econômico e político pode piorar?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Acho que à medida que se instaure no Congresso uma ideia do salve-se quem puder, em que se blindariam os políticos da Lava Jato, corre-se o risco de o governo Temer ficar esvaziado, afetando a governabilidade. O governo está correndo desesperadamente para manter as condições de governabilidade. E ele já sabia que tinha um prazo de validade definido para poder usar o capital político. Com a Lava Jato e com o que ocorreu semana retrasada, esse capital político foi depreciado.
O Estadão: O governo terá condições de dar continuidade às reformas?
Eduardo Giannetti da Fonseca: O governo já esteve em condições melhores de aprovar a agenda de reformas. Quanto mais o tempo passa, menos ele fica operacional. Ficou mais complexo daqui para frente.
O Estadão: Está mais vulnerável?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Sim. E ele está buscando se reagrupar para reconstituir os mecanismos de sustentação do Congresso Nacional. Mas o risco está em um cenário do salve-se quem puder, em que o Congresso passa a ser muito mais regido pela lógica da sobrevivência a qualquer preço do que uma agenda de reformas que também pode ter custos eleitorais mais à frente.
O Estadão: Mas a equipe econômica está empenhada em fazer os ajustes.
Eduardo Giannetti da Fonseca: Por mais crítico que se seja ao governo Temer, ele acertou na área econômica. Não só no Ministério da Fazenda, como nas estatais brasileiras, BNDES, Banco Central e com uma agenda correta, baseada na “Uma ponte para o futuro”.
O Estadão: Mas há risco sistêmico?
Eduardo Giannetti da Fonseca: A economia está esboçando reação. Provavelmente, estamos saindo neste primeiro trimestre de uma sequência de 11 trimestres de PIB negativo. Uma pena que uma tempestade política coloque em risco essa recuperação. Institucionalmente, para o Brasil, o mais importante é que esse movimento de apuração se complete. Seria um enorme retrocesso se, em nome de qualquer pretexto, houvesse um conluio de acordo para terminar esse processo tão doloroso que é o da apuração e da punição. O que vai causar prejuízo econômico é a paralisia do governo.

O Estadão: Como o sr. vê o cenário eleitoral para 2018?
Eduardo Giannetti da Fonseca: A única coisa segura é que a expectativa sobre 2018 está mais aberta do que já era porque os nomes que seriam competitivos e estariam concorrendo provavelmente não chegam vivos até lá.
O Estadão: Os acordos de leniência podem ser uma saída para o Brasil começar do zero?
Eduardo Giannetti da Fonseca: Não existe começar do zero. Mas você não pode condenar uma Petrobrás e outras empresas pela má ação de parte da diretoria. O País perder as grandes empreiteiras é ruim. Tem de investigar e punir, mas não confundir desmandos de uma diretoria com a nação brasileira.
Fonte: O Estado de São Paulo (O Estadão), de 22/04/2017.
 

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