sexta-feira, 20 de outubro de 2017

LANÇAMENTO DA 34ª ANTOLOGIA DA SOBRAMES-CE 2017


Ocorreu hoje, 19/10/2017, às 20h, no auditório da Unimed-Fortaleza, o lançamento da 34ª Antologia da Sobrames-CE.
Trata-se de uma série que foi iniciada em 1981 pelos colegas pioneiros: Paulo Gurgel e Emanuel de Carvalho. Todos os anos a Sobrames- CE lança no mês de outubro, mês em que se comemora o dia do Médico (18/10), sua antologia. 
O número de participantes vem crescendo a cada ano. Em 2016, foram 62 participantes, dentre eles 58 médicos. Este ano, o número de participantes é de 67. 
O título da Antologia, "À flor da pele" foi escolhido através de votação democrática durante uma das reuniões do grupo e foi uma proposta do sobramista Walter Miranda. 
O Dr. Marcelo Gurgel, atual presidente da Sobrames-CE, como tem feito todos os anos, é o organizador da Antologia /2017. 
A antologia foi apresentada pelo colega Dr. Flávio Leitão que, além de ser membro da Sobrames-CE, é membro da Academia Cearense de Medicina e da Academia Cearense de Letras.
Ana Margarida Rosemberg
Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Medicina
Fonte: Postado por Ana Margarida Rosemberg no Blog da Sobrames/CE, em 19/10/2017.

PARTICIPAÇÃO EM “À FLOR DA PELE”


Uma distinta audiência, composta por cerca de sessenta pessoas, participou em 19/10/17, no Auditório da Sede da Unimed Fortaleza, do lançamento de À Flor da Pele, a Antologia da Sobrames de 2017, produzida sob a nossa organização, em colaboração com a secretária Raquel Anastácio, reunindo contribuições literárias de 67 sobramistas, dos quais 64 médicos.
Além da mensagem da presidência, da apresentação e da homenagem póstuma ao colega Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves, nela republiquei quatro textos de nossa autoria, originalmente publicados In: “Contando Causos: de médicos e de mestres!”: São eles: “Anos (in)enfestados” ,Galinha choca ,Carmem de Bizet?” eConduta CTA.
Esse material será postado neste blog, observando a sequência citada.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Presidente da Sobrames/CE

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

SENECTUDE

Pedro Henrique Saraiva Leão (*)
Não mencionaremos aqui os radicais livres, os dendrímeros, ou o encurtamento dos telômeros (sobre os primeiros consultar “Quem tem medo de câncer”, O POVO, 26/X/2016). Contudo, contemplando o envelhecimento, impõe-se-nos começar citando Seneca (Lucius Annaeus), para quem “Senectus enim insanabilis morbus est”: A velhice é realmente uma doença insanável. E Cícero (Marcus Tullius) aconselhava lutar contra a senescência, qual doença. A tecnologia vem contrariando essas gnomas (sentenças), e a senectude não é mais tão incurável. Para o dr. Ronan Factora, geriatra da Cleveland Clinic (EUA), “nunca estaremos velhos demais para manter o bem-estar do corpo” (revista Time, fev-mar, 2015), conceito subscrito pelos porvirólogos, estudiosos que perscrutam o amanhã.
Assim, Ray Kurzweil prevê vida eterna tecnicamente possível após 2029, a que aludimos em “Transhumanismo”, (6/XI/2013), e há pouco (2/4/2017), em Folha de S. Paulo. Tais premonições (pressentimentos) nos lembram, da Literatura, Gilgamesh, e FranKenstein, na sua ânsia de amortalidade. Há um século e meio a expectativa de vida era apenas 37 anos. Em 1925, medidas sanitárias elevaram-na para 59; nos trinta anos seguintes vacinas nos tornaram setuagenários. Trintanos depois, a prevenção das cardiopatias, e a redução do tabagismo nos acrescentaram mais um lustro (5), e em 2015, alcançamos os atuais 79.
A partir de 2045, especula-se atingiríamos a média de 81 anos (sugiro ler/reler, neste jornal, “2045”, de 23/3/2013, e artigos de 30/1/2013, e 15/2/2017). Sabemos que, além do acidente vascular cerebral (AVC), das moléstias respiratórias, renais, hepáticas, e do diabetes, letais podem ser também o câncer, as cardiopatias (malgrado os “stents” e “by passes”), os males imunológicos e degenerativos, como o de Alzheimer. E temos como riscos exponenciais (maiores) para os morbos (enfermidades) cardíacos, o colesterol elevado, a hipertensão, e a obesidade.
Respeito à nossa natural, inata morbidade (chance de adoecer), atua em silêncio a inflamação – não aguda (calor/rubor/tumor/dor), mas sua variedade crônica, subclínica, pauci-sintomática (com poucos sintomas), presente nas artrites, na asma, nas alergias, e até nas gengivites persistentes, promovendo depósitos arteriais de colesterol.
Seria outro tema acerca da “Lebensabend”, a tarde da vida, como dizem os alemães, na sua exatidão vocabular. Ali abordaríamos, outrossim, os efeitos nocivos do estresse, recôndito inimigo nosso. Hodiernamente (hoje) preocupam-se por igual os cientistas com a reversão da senilidade. Resultados animadores desafiam o inexorável (inflexível) curso dos órgãos e sistemas humanos.
Em obediência à brevidade, apontamos tão somente o que ocorre nos pulmões, no coração, e nos rins. A função respiratória decai 1% ao ano nos trintenários; as paredes cardíacas endurecem entre as 20ª e 30ª décadas, e sem sintomas/sinais aparentes, o trabalho renal diminui em torno dos 50 anos.
Ergo” teríamos mais tendências para morrer do que para a vida! Portanto, sejamos como os latinos (Horacio): “Carpe diem quam minimum credula postero” (aproveitemos o dia confiando o mínimo no futuro). Enquanto vivos, vivamos. Apenas durar, não.
(*) Professor Emérito da UFC. Titular das Academias Cearense de Letras, de Medicina e de Médicos Escritores.
Fonte: O Povo, 23/08/2017. Opinião, p.14.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Convite Lançamento: À FLOR DA PELE


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará convida para o lançamento de “À Flor da Pele”, a trigésima quarta antologia anual da Sobrames-CE.
O livro será apresentado pelo médico e escritor sobramista Flávio Leitão, membro da Academia Cearense de Letras e professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFC.
Local: Auditório da Sede da Unimed Fortaleza.
Av. Santos Dumont Nº 949 - Aldeota.
Data: 19 de outubro de 2017 (quinta-feira) Horário: 19h30.
Traje: Esporte fino.
Após o evento será servido um coquetel.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Presidente da Sobrames/CE

terça-feira, 17 de outubro de 2017

DUALISMO

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Nos dias atuais, a exacerbação do pragmatismo está ocupando espaço das opções ideológicas e institucionais, o que nos confunde e aumenta as dúvidas relacionadas com a existência e a verdade, analisadas por Jean-Paul Sartre e Jacques Maritain. Acreditamos serem as manifestações pragmáticas influenciadas pelo maniqueísmo direita e esquerda, pela ânsia de poder, pela falta de solidariedade, pelo individualismo e pela ausência de sentimentos espirituais. Com as devidas reservas, vale lembrar Michael Bakunin ao dizer: "Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens, (...) só aceito uma única liberdade que possa ser realmente digna deste nome, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem em estado latente em cada um (...)". O Estado existe não para ser de direita ou de esquerda, mas para assegurar os princípios da democracia. Precisamos nos voltar para o conhecimento das verdades essenciais, objetivando alcançar os valores éticos indicadores de um mundo baseado nos conceitos de justiça e de igualdade de oportunidades. Ademais, um líder não se faz por instrumentos e mecanismos artificiais, mas pelo reconhecimento livre e soberano do seu povo. Forçar o surgimento de uma liderança, usando segmentos da falsa mídia e "marqueteiros" gananciosos poderá gerar uma farsa administrativa e política. Aqueles que assumem um cargo na vida pública pensando em não trabalhar pelo povo, não são democratas, mas corruptos. Por fim, não ao maniqueísmo, sim à defesa da democracia.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 18/8/2017.

AMOR: dois exemplos

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Como seria bom se o mundo tivesse mais Gandhis e mais Teresas. Mahatma Gandhi foi advogado, pacifista e defensor dos pobres; Madre Teresa foi freira, pacifista e defensora dos pobres. Ambos desprezaram os valores materiais e se dedicaram a ajudar o próximo, principalmente os mais humildes, os injustiçados, as crianças, os idosos e os doentes. Não há dúvidas, foram iluminados por uma luz divina. O princípio do satyagraha (busca da verdade), sempre deverá inspirar gerações defensoras da democracia, da justiça, da paz, do antirracismo, etc. Martin Luther King disse: "Gandhi era inevitável". Einstein ressaltou: "As gerações futuras dificilmente poderão acreditar que alguém assim, de carne e osso, já andou por este mundo". A irmã das favelas, como era conhecida Madre Teresa, dizia não ser nada, mas apenas um instrumento do Senhor e andava nas ruas de Calcutá sem companhia e sem dinheiro, com o objetivo de salvar e consolar os miseráveis. Dizia ela: "É difícil para o pobre vir até nós; devemos ir até ele". Madre Teresa criou a congregação Missionária da Caridade e, mesmo sendo católica, não fazia distinção entre hindus, muçulmanos, cristãos, etc., todos eram filhos de Deus. Seu trabalho não era de conversão. Ela nunca pediu a ninguém para mudar de religião. Sua missão era revelar Deus, ao fazer o seu serviço. As forças da verdade e do amor foram os princípios básicos das vidas exemplares de Gandhi e Madre Teresa, abençoadas por Deus. Eis, respectivamente, um pensamento de Gandhi e outro da Santa Teresa de Calcutá: “Só sei que através da história a Verdade e o Amor sempre venceram” e “Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor”.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 11/8/2017.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Professores X pessoas comuns na Alemanha


Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

domingo, 15 de outubro de 2017

NOSSA SENHORA APARECIDA: 300 anos de amor e misericórdia de Deus

Por Pe. Rafhael Silva Maciel (*)

E Deus chegou de uma maneira nova, porque Deus é surpresa: uma imagem de barro frágil, escurecida pelas águas do rio

Celebramos com alegria os 300 anos do encontro da imagem da Virgem Maria nas águas do rio Paraíba e que depois foi carinhosamente chamada pelo povo de Nossa Senhora Aparecida. Percebemos naquele evento, que mais uma vez o Senhor se fez próximo dos necessitados, por meio da imagem da sua Mãe; naquela imagem da Virgem Maria os pescadores começaram a renovar a esperança de que Deus estava com eles, de que não tinha abandonado à própria sorte. “As águas são profundas e, todavia, encerram sempre a possibilidade de Deus; e Ele chegou de surpresa, quem sabe quando já não o esperávamos. A paciência dos que esperam por Ele é sempre posta à prova. E Deus chegou de uma maneira nova, porque Deus é surpresa: uma imagem de barro frágil, escurecida pelas águas do rio, envelhecida também pelo tempo. Deus entra sempre nas vestes da pequenez” (Francisco, 27/7/2013, RJ).
O meio de maior proximidade e ternura que o Senhor escolheu; o modo mais doce e misericordioso que Ele achou foi a imagem da mãe que coloca o filho no colo e acalma suas angústias. Por isso, a Mãe Aparecida lembra-nos de que é preciso sairmos de nós mesmos e irmos ao encontro dos irmãos. E nesse encontro sermos para eles sinal da misericórdia de Deus. Misericórdia de Deus que se manifestou grandemente neste Ano Mariano, nos inúmeros atos de fé, romarias, peregrinações que acorreram ao Santuário Nacional e às Igrejas Matrizes Paroquiais que tinham Nossa Senhora Aparecida como padroeira principal.
Os 300 anos da imagem de Nossa Senhora Aparecida nos fazem pensar também que as graças recebidas neste tempo especial precisarão ser comunicadas, pois Aparecida é sinônimo de saída de si, e antônimo de egoísmo. Saída para comunicar o Amor de Deus recebido pelas mãos carinhosas da Mãe do Céu. Com Maria, “a Igreja se sente discípula e missionária desse Amor: missionária somente enquanto discípula, isto é capaz de deixar-se sempre atrair, com renovado enlevo, por Deus que nos amou e nos ama por primeiro (1Jo 4,10)” (Bento XVI, 13/5/2007, Aparecida).
Como fruto deste Ano Mariano Nacional, rezemos e façamos a nossa parte por um Brasil menos injusto. E, assim sendo, que a Virgem de Aparecida faça de nós imagens da surpresa misericordiosa de Deus, como foi ela mesma essa surpresa de Deus para o povo brasileiro.
(*)Presbítero da Arquidiocese de Fortaleza; Missionário da Misericórdia.
Fonte: O Povo, de 14/10/2017. Opinião. p.11.

SENHORA APARECIDA: 300 anos de bênçãos e graças!

Por Pe. João Batista de Almeida (*)

Foram cinco anos de preparação, nos quais a imagem foi entregue solenemente às dioceses brasileiras, que a fizeram peregrinar

Chegamos ao grande momento de celebração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul. Foram cinco anos de preparação, nos quais a imagem foi entregue solenemente às dioceses brasileiras, que a fizeram peregrinar pelas paróquias, comunidades, escolas, hospitais, cadeias, presídios, residências etc. Inúmeros eventos foram promovidos pelos devotos para que pudéssemos chegar a esse momento com o coração agradecido, palpitante de alegria e regozijo pelo grande presente que Deus concedeu ao povo brasileiro, por meio de uma pequenina imagem surgida das águas.
É chegada a hora de cantar: “Quero lembrar os fatos que aconteceram naquele dia, quando, por entre as redes, aquela imagem aparecia. Vendo surgir das águas a tosca imagem de negra cor, agradeceram todos à Mãe de Cristo por tanto amor”. Recordar é viver, por isso fazemos memória de uma “teofania”, uma manifestação divina na história humana. Na singeleza da vida humilde de uma aldeia de pescadores no início do século XVIII, Deus quis mostrar seu amor infinito pelo povo da Terra de Santa Cruz.
Tenho a certeza de que os devotos da Rainha e Padroeira do Brasil querem prestar uma grande homenagem àquela que nos foi dada como símbolo nacional de fé. Com essa convicção, convido todos a soltar a voz e dizer bem alto: “Venho cantar meu canto, cheio de amor e vida. Venho louvar aquela a quem chamo ‘Senhora de Aparecida’. Venho louvar Maria, Mãe do libertador. Venho louvar a Virgem de cor morena, por seu amor”.
Neste ano de festa, as celebrações do Santuário, bem como seu calendário, sofreram alterações. A Novena, que tradicionalmente iniciava no dia 3 de outubro, este ano começou no 1º dia do mês. Em cada dia, celebramos a presença de Maria na vida do povo, e a relação dos devotos com nossa Mãe amorosa.
Por isso, demonstramos como a pequena imagem foi ganhando o coração do povo brasileiro, a começar pelos dos três pescadores. Eles foram os primeiros a acolherem a presença da Mãe com carinho e a verem Ela um sinal de Deus para seu povo. A partir deste acolhimento, surgiu a missionariedade, a partilha, a comunhão eclesial, que culminam com a proteção e o carinho materno que há três séculos são derramados no coração e na vida do povo brasileiro, celebradas nos dias 10, 11 e 12.
Esperamos que os momentos que compõem esta celebração jubilar sejam mais do que momentos especiais de oração; desejamos que sejam restauradores de vidas, recuperadores de dignidades perdidas, libertadores de escravidões, restauradores de imagens e semelhanças divinas, como tem sido a história da devoção a Nossa Senhora Aparecida, ao longo desses 300 anos de bênçãos e de graças.
(*) Reitor do Santuário Nacional de Aparecida (SP).
Fonte: O Povo, de 14/10/2017. Opinião. p.11.

NOSSA SENHORA DE APARECIDA

Por Pe. Brendan Coleman Mc Donald (*)

Não tardou a Virgem a mostrar por novos sinais que tinha escolhido esta imagem para distribuir favores especiais aos seus devotos

No dia 12 de outubro de 2017 a Igreja Católica celebrou o jubileu dos 300 anos da retirada da imagem de Nossa Senhora da Conceição de Aparecida das águas do rio Paraíba no município de Guaratinguetá (SP). Em 1717, três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedrosa, moradores nas margens do rio Paraíba de Guaratinguetá, desanimados por não terem apanhado peixe algum, depois de várias horas de trabalho, já estavam rumando de volta para casa, quando lançando mais uma vez a rede, retiraram das águas o corpo de uma imagem sem cabeça e, num segundo arremesso, encontraram também a cabeça da imagem de terra cozida.
Impressionados pelo evento, experimentaram mais um lance da rede, e naquele momento foi tão abundante a pescaria que encheram as três canoas. Limparam a imagem com muito cuidado e verificaram que se tratava duma imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura. Colocaram na capela de sua pobre vila e diante dela começaram a fazer suas orações diárias. Não tardou a Virgem a mostrar por novos sinais que tinha escolhido esta imagem para distribuir favores especiais aos seus devotos. A devoção e a afluência do povo cresciam todos os dias e por isso impunha-se a construção duma capela em lugar apropriado a fim de facilitar a devoção dos fiéis. Estava aí o morro dos coqueiros, o mais vistoso de todos os altos que margeiam o rio Paraíba. Em cima deste morro foi construída a primeira capela em 1745 e foi celebrada a primeira missa. A imagem de Nossa Senhora da Conceição, já então chamada pelo carinhoso nome de Aparecida, estava em seu lugar definitivo, dando origem à cidade do mesmo nome.
As etapas ascensionais que incrementaram a devoção a Nossa Senhora Aparecida são as seguintes: a primeira capela, várias vezes reformada e aumentada, era pequena demais e foi substituída em 1888 por outra muito maior e mais artística. Feita a construção material, o bispo diocesano quis prover o santuário com adequado serviço religioso. Para isso, em 1893 convidou os Padres Redentoristas, que desde o ano 1894 exercem com admirável zelo a direção e assistência espiritual do santuário. No dia 8 de setembro de 1904, por especial privilégio concedido pelo Santo Padre o papa, procedeu-se à solene coroação da imagem de Nossa Senhora de Aparecida, na presença de grande número de bispos. Em 1908 o papa elevou o santuário à dignidade de basílica. Em 1930 o Papa Pio XI, acolhendo favoravelmente o pedido dos bispos do Brasil, proclamou solenemente Nossa Senhora de Aparecida padroeira principal do Brasil. (S.Conti, O Santo do Dia, Vozes, 4ª ed. 1990, páginas 451-454)
As romarias continuaram somando vários milhões de romeiros todos os anos. Em 1950 foi resolvido construir um templo mariano novo e bem maior. A construção com suas dependências durou mais de vinte e cinco anos e, finalmente, foi solenemente consagrado na histórica visita do papa João Paulo II ao Brasil, no dia 4 de julho de 1980. Em 2015, quase 14 milhões de romeiros visitaram a Brasílica de Aparecida.
No dia 24 de julho de 2013, o Papa Francisco visitou e celebrou a Santa Missa na Basílica Nacional de Aparecida, pedindo à Nossa Senhora para interceder junto com seu Divino Filho para o sucesso da Jornada Mundial da Juventude. Papa Francisco ficou encantado pela beleza da Basílica e a fé do povo de Aparecida. Ele demonstrou o desejo de voltar para dirigir as comemorações dos 300 anos da retirada da imagem de Aparecida do rio Paraíba. Infelizmente, por motivos superiores, não pôde cumprir essa promessa.
(*) Padre redentorista e assessor da CNBB Reg. NE.
Fonte: O Povo, de 14/10/2017. Opinião. p.11.

sábado, 14 de outubro de 2017

PROVÉRBIOS ALEMÃES QUE ILUSTRAM A VIDA

9 essenciais provérbios alemães que ilustram a vida com salsichas, cervejas e pôneis

Estes provérbios sobre começos, fins, salsichas e pôneis ajudam a entender o modo de pensar dos alemães.

Escrito por Gabriel Mestieri
Aprender um idioma é uma das melhores maneiras de entender outra cultura. Às vezes, você tem que se colocar, de verdade, no lugar dos falantes nativos: pensar como eles pensam, tentar ver o mundo sob o ponto de vista deles. Esse processo pode ser muito bem complementado com alguns provérbios, já que eles ilustram a maneira de pensar de um povo.
Os ditos populares também desconstroem alguns mitos sobre a língua alemã, como o de que que ela é dura, direta demais, sem humor, poesia ou outros respiros: estas expressões são cheias de imagens e ironia.
E se as cervejas, as salsichas, os pôneis e os peixes fedidos destas expressões não forem suficientes para você se divertir com o idioma alemão, eu também divido o modo como interpreto e vivo essas máximas, já que elas têm bastante a ver com a minha mudança para Berlim. Vamos começar pelo início…

1 "Aller Anfang ist schwer." (Todo começo é difícil)

Então, finalmente decidi me mudar para Berlim. Deixei meu emprego em São Paulo, comprei uma passagem só de ida e reservei um hostel por duas semanas. Falando assim parece fácil, mas certamente não foi. As duas semanas no hostel se aproximavam do fim e eu começava a perceber, da maneira mais difícil possível, que a procura de um lugar para morar em Berlim pode se estender por meses. Encontrar um emprego também não foi fácil: sim, Berlim oferece várias vagas, mas encontrar uma que se encaixe às suas necessidades e expectativas é outra história. Hoje, dois anos depois, eu acho que posso dizer aos recém-chegados: "mantenha a calma e não desista de procurar um canto para chamar de seu. Aller Anfang ist schwer, mas você encontrará em algum momento aquele apartamento dos sonhos em Kreuzkölln.

2 "Kein Bier vor vier." (Nada de cerveja antes das 4)

Composto por apenas 4 palavras, esse provérbio impressiona pela simplicidade e por ser um exemplo de que, às vezes, é possível dizer bastante em alemão utilizando poucos caracteres. Eu frequentava as aulas de alemão pela manhã e, sem ter nada para fazer o resto do dia, é claro que aprendi essa regra bebendo muitas cervejas vor vier. A primeira vez que ouvi essa expressão foi quando um colega espanhol se recusou a tomar uma cerveja comigo na hora do almoço. Eu fui assim mesmo e desde então essa expressão é uma das minhas favoritas, ainda que eu a desrespeite constantemente.

3 "Alles hat ein Ende, nur die Wurst hat zwei." (Tudo tem um fim, só a salsicha tem dois)

Assim como as cervejas, as salsichas são quase que imediatamente associadas à Alemanha e aos alemães. E, é claro, que elas também estão presentes nos ditados populares do idioma, neste caso, para explicar que tudo na vida passa. Portanto, não se preocupe tanto. Nem se apegue muito a nada, afinal… Mas o que faz essa expressão especial é que o seu começo faz você esperar algo bastante profundo e filosófico: “Alles hat ein Ende, [insira uma grande sabedoria aqui]". Mas, para a nossa sorte, a segunda parte quebra completamente essa expectativa ao contar algo óbvio envolvendo salsichas. Quem disse que os alemães não têm senso de humor? (Se você quiser saber mais expressões sobre salsichas, esse é apenas um de muitos exemplos. Não deixe de ler outras formas de se expressar no idioma alemão com salsichas neste artigo em inglês).

4 "Der Fisch stinkt vom Kopf her." (O peixe começa a feder pela cabeça)

Ainda na categoria dos comes e bebes, este provérbio coloca o olfato na lista de sentidos explorados pela sabedoria popular. Ao dizer que o peixe começa a feder pela cabeça – como confirma o químico Hartmut Rehbein neste texto em alemão –, o provérbio insinua que as pessoas no comando são as responsáveis quando algo dá errado. Para mim, essa expressão também pode ser interpretada no âmbito pessoal: muitos dos seus problemas começam e existem apenas na sua cabeça.

5 "Nicht jede Kuh lässt sich melken." (Nem toda vaca se deixa ordenhar.)

Esse provérbio, ao meu ver, ilustra a importância da resistência, da manutenção da dignidade e do estabelecimento de limites. Às vezes, na vida, somos obrigados a fazer coisas de que não gostamos, e isso pode ser especialmente doloroso quando figuras de autoridade estão envolvidas. Seja um parceiro ou familiar abusivo, um agente arbitrário do Estado, um chefe intransigente ou um extremista religioso, é possível que em algum momento da sua vida você se depare com pessoas que acreditam poder dizer o que você deve fazer. Nesses casos, lembre-se sempre: Nicht jede Kuh lässt sich melken.

6 "Erst kommt das Fressen, dann die Moral." (Primeiro vem a comida, depois a moral.)

Essa não é exatamente uma expressão popular, mas uma citação famosa de A Ópera dos Três Vinténs, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Para mim, ela exemplifica perfeitamente como as aflições mais urgentes da vida, às vezes, nos impedem de filosofar sobre questões mais existenciais (e importantes), além de servirem como uma espécie de pretexto para flexibilizarmos muitas de nossas ideias acerca do certo e errado . Essa expressão também dialoga com o meu início de vida em Berlim: ao chegar, tendo de encontrar um emprego e um lugar para morar, eu não tinha tempo de pensar nos mistérios da existência e do universo. Agora que essa fase inicial passou, eu finalmente tenho tempo para me perguntar: "Quem sou eu?" "O que estou fazendo nesse planeta?"

7 "Ein gutes Gewissen ist ein sanftes Ruhekissen" (Uma consciência limpa é o travesseiro mais macio que existe.)

Eu gosto de pensar que minha consciência sempre esteve (mais ou menos) limpa, mas ainda assim eu tive problemas para dormir durante toda a vida. Além disso, nunca ouvi falar que psicopatas sofram mais com insônia que o resto da população. Então, apesar de essa expressão soar bem, com sua rima e metáfora descolada, eu tenho que dizer que discordo completamente.

8 “Knapp daneben ist auch vorbei." (Quase ganhar também é perder.)

Esse ditado pode ser um pouco cruel para aqueles que deram seu melhor e chegaram em segundo lugar – afinal de contas, o importante é competir, certo? Errado, pelo menos de acordo com esse provérbio alemão. Mas não vamos levar tudo tão a sério: essa é uma ótima frase para provocar seu amigo alemão após vencer em qualquer esporte, competição, jogo de cartas ou videogame (e oportunidades não vão faltar, pois os alemães são loucos por jogos).

9 "Das Leben ist kein Ponyhof." (A vida não é uma fazenda de pôneis.)

Para fechar a lista, uma máxima que pode ser vista como um jeito bastante sarcástico de enxergar a vida: Das Leben ist kein Ponyhof. Portanto, espere muitos imprevistos, mudanças inesperadas, problemas, e assim por diante. Mas é claro que tudo depende da forma como você interpreta isso. Para mim, uma fazenda de pôneis (ou uma vida em que tudo acontece conforme o planejado) soa como algo extremamente entediante. Que bom que a realidade não é assim!
Fonte: pt.babbel.com

“Doutor Livingstone, eu presumo?”: a maior aventura africana faz 145 anos


Por André Barcinski
O calendário de Henry Morton Stanley apontava o dia 10 de novembro de 1871. Naquela manhã, Stanley e sua expedição, carregando uma bandeira norte-americana, chegaram a Ujiji, uma vila com cerca de mil habitantes no leste da África, hoje território da Tanzânia.
Além do próprio Stanley, só havia um homem branco em Ujiji. Ele tinha 58 anos, mas aparentava 80. Era magérrimo, desdentado, com longos cabelos brancos e roupas quase em farrapos. Stanley se aproximou, estendendo a mão…
– Doutor Livingstone, eu presumo?
Sim – respondeu Livingstone.
– Eu agradeço a Deus, doutor, o fato de ter tido permissão para vê-lo.
– Eu me sinto grato por estar aqui para recebê-lo.
Assim acabava a maior aventura africana. Durante 236 dias, Stanley havia percorrido 1560 quilômetros a pé pelas florestas da África, enfrentando leões, cobras, canibais e doenças. Tudo para achar David Livingstone, o grande explorador escocês, desaparecido do Ocidente há quase seis anos e que muitos davam por morto.
O encontro de Livingstone e Stanley está completando 145 anos. Ou melhor, já completou: estudos indicaram que a data exata do encontro foi 27 de outubro de 1871. A confusão aconteceu porque Stanley passou vários dias desacordado devido às várias doenças que contraiu na expedição, como disenteria, malária e até a quase sempre fatal doença do sono, e isso acabou por confundir seu calendário.
Um dos melhores relatos sobre a expedição de Stanley em busca de Livingstone é o livro “No Coração da África”, de Martin Dugard. Para quem gosta de histórias de aventuras e exploração, é difícil achar um livro mais empolgante.
Para começar, os dois personagens principais são fora de série: David Livingstone (1813-1873) era considerado o maior explorador da África e um grande herói britânico. Foi um missionário humanista que lutou contra o tráfico de escravos e sumiu de circulação em janeiro de 1866, quando se embrenhou em regiões inexploradas da África para tentar solucionar um mistério que causava polêmica entre geógrafos e exploradores: onde ficava a nascente do rio Nilo?
Já Henry Morton Stanley (1841-1904) teve uma vida triste e dramática: filho de uma prostituta, nasceu no País de Gales – seu nome verdadeiro era John Rowlands – e aos cinco anos foi mandado para um desses orfanatos saídos diretamente de um livro de Charles Dickens, onde foi castigado e abusado sexualmente por mais de uma década. Aos 15, saiu do orfanato, perambulou pela Inglaterra, embarcou num navio e, dois anos depois, acabou nos Estados Unidos, onde lutou na Guerra de Secessão – primeiro pelos Confederados e, depois de passar um tempo na cadeia, pela União – virou repórter, foi preso por dois anos numa masmorra na Turquia e acabou trabalhando como correspondente internacional do jornal “The New York Herald”, cobrindo conflitos na Etiópia, Espanha e China.
Mas o grande furo de reportagem da carreira de Stanley foi mesmo a descoberta de Livingstone. Embora houvesse relatos sobre um homem branco que comandava uma pequena expedição no coração da África, muitos acreditavam que Livingstone estivesse morto. Stanley achava que não, e convenceu o “The New York Herald” a bancar uma expedição para encontrá-lo.
O livro de Martin Dugard conta, em paralelo, as duas expedições – a de Livingstone em busca da nascente do Nilo, e a de Stanley em busca de Livingstone. As histórias envolvem ataques de canibais, leões famintos, aranhas venenosas e guerras entre tribos africanas.
Numa das passagens mais impressionantes, a expedição de Stanley explora uma região alagada pelas chuvas. Os homens caminham por dezenas de quilômetros com água na altura do peito, sendo atacados por cobras e sanguessugas, e alguns se afogam ao cair em pegadas de elefantes.
A notícia da descoberta de Livingstone correu o mundo e causou revolta na Inglaterra, onde muitos não aceitaram a humilhação de ter um de seus filhos mais ilustres resgatado pelo repórter de um jornal norte-americano. Para tristeza ainda maior dos ingleses, Livingstone nunca retornou à Grã-Bretanha: morreu em 1873, de disenteria e malária, numa região que hoje pertence à Zâmbia. Seu coração foi retirado pelos fiéis assistentes, Susi e Chuma, e enterrado aos pés de um imenso baobá.
Fonte: UOL, Blog do Barcinski, em 4/11/2016.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

RADICALISMO


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
O radicalismo tem influenciado de forma negativa as alterações de comportamento e de organização social, nos países socialistas e capitalistas. Crises, desemprego, miséria, endividamento e violência decorrem de movimentos radicais que não buscam soluções, mas modelos errôneos do ponto de vista socioeconômico e político. Todavia, é ex­tremamente difícil e controvertido encontrar um modelo sociológico, filosófico e ideológico, capaz de gerar uma unanimidade. É urgente a necessidade de ações e programas que, voltados, principalmente, para a área social, promovam e consolidem oportunidades ao povo. Lamentavelmente, nos dias atuais, a exacerbação do pragmatismo está ocupando espaço das opções ideológicas e institucionais. Acreditamos serem as manifestações pragmáticas influenciadas pelo maniqueísmo da direita cartorial e da esquerda corporativa, pela ânsia de poder, pelo individualismo e pela ausência de sentimentos espirituais. O Estado existe não para ser opressor, mas para assegurar os princípios básicos da democracia. Precisamos nos voltar para o conhecimento das verdades essenciais, objetivando alcançar os valores éticos indicadores de um mundo social baseado nos conceitos de justiça e de igualdade de oportunidades. Uma ideia se destaca hoje nas discussões e debates realizados no mundo: globalização. É importante que ela surja como uma forma de promoção social universal, mediante manifestações não apenas econômicas, mas principalmente de ordem política e cultural, respeitando-se os direitos humanos e a coexistência pacífica. A globalização não pode e não deve ser um instrumento para ampliar o fosso existente entre nações ricas e pobres.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 4/8/2017.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

VOLTA DO X CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA


Retornei à Fortaleza na madrugada de hoje, 12/10/2010, após participar do IX Congresso Brasileiro de Epidemiologia”, realizado em Florianópolis-SC, no qual apresentamos oito trabalhos, frutos da produção conjunta com meus orientados de graduação e de pós-graduação.
Durante o congresso, foi lançada a oitava edição do livro “Rouquayrol - EPIDEMIOLOGIA & SAÚDE”, sob a nossa organização, contendo mais de oitenta autores, publicado no Rio de Janeiro, pela Editora MedBook, que figurou entre os mais vendidos da Abrasco Livros. Representei a Profa. Zélia Rouquayrol no lançamento da obra e na homenagem a ela prestada pelo congresso.
Nota: Com esse lançamento alcançamos a marca de 92 (noventa e dois) livros publicados.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular de Saúde Pública - UECE

SOU UM MILAGRE DE NOSSA SENHORA APARECIDA

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)
O Brasil está em festa com a celebração dos 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do País. Estamos vivendo o Ano Mariano, mas desde 2014 muitas dioceses e paróquias se preparam para o grande Jubileu. A imagem peregrina da Senhora Aparecida percorre o nosso imenso solo brasileiro, levando a todos o amor e a misericórdia de Deus.
Sou fruto e testemunha viva do poder intercessor de Nossa Senhora Aparecida. Sou o milagre vivo de uma oração de minha mãe, que, ao me ver nascer sufocado pelo cordão umbilical, após ter sido batizado às pressas, fui consagrado à Nossa Senhora Aparecida. Em minha alma, trago eterna gratidão: nos lábios, os louvores; e no meu segundo nome, a marca daquela que intercedeu a Jesus e salvou minha vida: meu nome de batismo é Reginaldo Aparecido Manzotti.
Todos os anos, cerca de 12 milhões de romeiros visitam Aparecida (SP). Todos peregrinam por 100, 200, 300 quilômetros para agradecer por uma graça alcançada, para rezar e debruçar-se sob Maria. Em 2015, tive a oportunidade de acompanhar de perto essa fervorosa devoção. Vi de perto histórias de superação de grupos que, reunidos, encontram forças para caminhar na Via Dutra, cortando o Vale do Paraíba, até vislumbrarem a Basílica. Todos têm uma motivação própria para suportar o clima, o cansaço, os perigos (sim, existem muitos assaltos na rodovia!), mas o objetivo de agradecer a Nossa Senhora é muito maior.
Toninho, líder do grupo de romeiros “Família Caminhada”, me contou que o grupo tem mais de 100 integrantes e saem todos os anos da Zona Leste de São Paulo e demoram até cinco dias para chegarem a Aparecida. Esse é só um exemplo dentre os milhões de romeiros que caminham até a cidade. Normalmente os grupos se reúnem entre 6h e 6h30min da manhã para uma oração e depois vão para a estrada.
Poucos sabem, mas todos os anos visito o Santuário Nacional para agradecer à Nossa Senhora. Agradeço pela minha vida, pela minha família, pelo meu sacerdócio, mas principalmente por todos os testemunhos que recebo diariamente de curas, de gestações, de entendimentos, de discernimentos, por fim, pelas graças de Nossa Senhora na vida de todos.
Diante da minha gratidão e devoção por Nossa Senhora e com tantos testemunhos de fé, em 2013, Deus me deu a graça de homenagear nossa Mãe com uma composição. A música “Proteja-me, oh! Mãe” é uma oração em forma de música, para que todos possam clamar por Nossa Senhora e, ao mesmo tempo, agradecer a sua proteção.
(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).
Fonte: O Povo, de 2/10/2017. Opinião. p.11.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

SANTO AGOSTINHO TINHA RAZÃO?

Por João Bosco Nogueira (*)
Santo Agostinho (354-430 d.C.), conhecido como Agostinho de Hipona, antiga cidade do Norte da África foi, e para muitos ainda é, um dos mais influentes teólogos e filósofos do cristianismo (professor e doutor da Igreja), responsável pela introdução do cristianismo na filosofia de Platão, o mesmo que Santo Tomás de Aquino fez mais tarde, em relação a Aristóteles.
Foi, portanto, um “cristianizador ou evangelizador” da filosofia de Platão. Imitando inicialmente seu pai, um pagão de vida devassa, foi também um homem de vida desregrada, convertendo-se depois ao cristianismo, graças às orações de sua mãe, posteriormente canonizada pela Igreja Católica como Santa Mônica. Dentre seus aforismos, destaca-se este: “O dinheiro é o esterco do diabo”, frase repetida pelo papa Francisco, dirigindo-se a empresários católicos. O Bispo de Hipona tinha experiência no assunto, acumulada durante a fase de sua vida amoral, ou imoral, para ser mais fiel à sua moral cristã.
Dizia ele que o dinheiro é o esterco do diabo, quando deixa de ser meio para servir e se transforma na finalidade do serviço ou, parafraseando Viktor Frankl, filósofo e cientista austríaco (1905-1997), criador da Logoterapia, quando seu possuidor passa a ser por ele possuído (Vontade de Sentido, p.122). Noutras palavras: quando se passa a ser dele escravo.
Santo Agostinho tinha razão? Parece que sim, pelo menos quando é obtido de forma criminosa, situação em que suja e escraviza seu possuidor, como parece ser o caso dos envolvidos na Lava Jato.
(*) Professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Publicado. In: O Povo, Opinião, de 3/10/17. p.10.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

QUATROCENTOS ANOS DO CARISMA VICENTINO

Por Vasco Arruda (*)
Numa preleção de São Vicente de Paulo às Filhas da Caridade, após relatar a conversão de um camponês ocorrida depois de ouvir uma pregação sua, diz ele: “Isso aconteceu no dia 25 de janeiro de 1617, dia da conversão de São Paulo. Essa senhora me pediu que fizesse uma pregação na igreja de Follevile, para exortar os habitantes a uma confissão geral; eu o fiz. Mostrei-lhes a importância e a utilidade dela. Ensinei-lhes depois o modo de bem fazê-la. E Deus levou tanto em conta a confiança e a boa fé dessa senhora (pois o grande número e a enormidade de meus pecados teriam impedido o fruto dessa ação!) que abençoou a minha pregação. Todo aquele bom povo ficou de tal modo tocado por Deus, que vinham todos fazer a sua confissão geral” (Obras Completas São Vicente de Paulo: correspondência, colóquios, documentos, tomo XI. – Belo Horizonte: O Lutador, p. 4).
Esse episódio, que se tornaria conhecido como a conversão do camponês de Gannes, assinala o momento fundador de uma obra iniciada há exatamente quatro séculos, cujas ramificações estão hoje presentes em quase 150 países. Nascido em Pouy, na França, em 24 de abril de 1581, Vicente de Paulo foi um homem extraordinário que, no dizer de uma de suas biógrafas, Marie-Joëlle Guillaume, “viria a mudar a prática da caridade” (São Vicente de Paulo: Uma biografia. – Rio de Janeiro: Record, 2017, p. 478.). Em 1925 fundou a Congregação dos Sacerdotes da Missão, também conhecida como padres lazaristas. Instituiu, ainda, a Congregação das Filhas da Caridade, tendo contado para a realização desse intento com a inestimável colaboração de Santa Luísa de Marillac, e as Damas da Caridade, essa última constituída por mulheres leigas, a maioria oriunda das classes nobres francesas.
Desde 2014 vêm sendo publicadas no Brasil as Obras Completas de São Vicente de Paulo, num total de 14 volumes. A edição original francesa soma 8.000 páginas. Calculam seus biógrafos que, somente cartas, ele tenha escrito em torno de 30.000, das quais apenas 3.000 foram preservadas. Também chegaram até nós muitos dos colóquios que ele fazia tanto às Filhas da Caridade quanto aos padres da congregação por ele fundada. Nos últimos meses tenho me dedicado à leitura de ambos, cartas e colóquios. Desses escritos emerge a figura de um homem apaixonante, profundamente sensível ao sofrimento humano, especialmente os pobres, aos quais dedicou toda sua vida, o que levou o papa Leão XIII a proclamá-lo “patrono universal de todas as instituições católicas de caridade que nele têm sua origem”.
O sustentáculo maior de seu incansável trabalho em prol da pobreza ia ele buscar na oração, da qual jamais abria mão. A propósito, decidi conhecer em profundidade sua vida e obra no dia em que li pela primeira vez uma frase tirada de um de seus colóquios: “Dai-me um homem de oração e ele será apto para tudo”.
(*) Psicólogo.
Fonte: O Povo, de 1/10/2017. Opinião. p.13.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

CONVITE: XIV Semeando Cultura da Sobrames-CE


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE) convida para o 14º SEMEANDO CULTURA, evento bimestral promovido pela Sobrames-CE, a realizar-se no dia 9/10/2017, às 19h30, no Espaço Cultural Dra. Nilza dos Reis Saraiva, na Av. Rui Barbosa, n° 1.880, Aldeota.
O palestrante do evento será o médico, escritor e professor Dr. Ana Margarida Arruda Rosemberg, que abordará o tema: COLEÇÃO AÍRTON QUEIROZ. A expositora é membro da Sobrames-CE, historiadora, médica e acadêmica da Academia Cearense de Medicina.
Contamos com a nobre participação dos colegas, amigos e familiares neste aprazível momento cultural.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Presidente da Sobrames-CE

ONIOMANIA

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
A palavra oniomania significa mania de consumir, compulsão em comprar. Até hoje, na verdade, não se sabe se essa epidemia torna-se mais intensa devido à tradição natalina, ou se é impulsionada pela esperança de renovação, que surge em cada véspera de Ano Novo. Nesta época, a febre de consumo toma conta das pessoas, nas catedrais da modernidade - os grandes shoppings centers - e eles ficam abarrotados de “fiéis”, compelidos pela ânsia de presentear os familiares e amigos.
A mania que se encontrava latente pode eclodir, até, nas pessoas menos predispostas ao consumismo. Cabe aqui um alerta: não devemos esquecer os “surtos” menores, impulsionados, também, pelo comércio, a exemplo do Dias das Mães, do Dia dos Pais, do Professor, da Sogra, da Mulher, da Secretária, entre tantos outros. Sentir necessidade de comprar é um sinal de doença. Estourar o orçamento, repetidas vezes, representa um vício semelhante ao alcoolismo. Esse distúrbio não é novo. Dizem que teve seu início na Grécia Antiga, após a invenção do dinheiro e do surgimento do status (o conjunto de direitos que possuem aqueles que têm poder de barganha).
Não raras vezes, a ação de comprar promove grande sensação de prazer, que acarretam em descargas de endorfina. No princípio do século passado, dois psiquiatras - o alemão Emil Kraepelin (1856-1926) e o suíço Eugen Bleuer (1857-1939) - foram os primeiros a escrever sobre a questão da compulsão por comprar, ou oniomania, uma dificuldade para controlar o impulso de adquirir bens materiais. O distúrbio psicossocial tornou-se cada vez mais global, apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) não inclui-lo na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). Somente na década de 1990 surgiram alguns artigos sobre o assunto. Devido à gravidade pandêmica do distúrbio, vale questionar se esse comportamento ainda não foi incluído, como doença, pela OMS, em decorrência do poder do mercado consumidor. Será, também, que, devido às pressões exercidas pelo mercado, a importância psicossocial da oniomania vem caindo no esquecimento da literatura especializada?
Dificilmente se encontrará, na Medicina, remédio, diagnóstico ou tratamento para tal patologia. Ela vem sendo muitíssimo bem alimentada, a cada ano que passa, pelas sociedades que incentivam o consumismo, o narcisismo, o egocentrismo, em detrimento de outros valores e comportamentos. E, nessa lógica diabólica, ter que comprar, ter que presentear torna-se imprescindível. As pessoas se endividam e adquirem todas as mercadorias produzidas que foram transformadas, por parte do mercado, em bens fundamentais. Ou seja, não importa o que se compre: o mais importante passou a ser o próprio ato de comprar! E, cada vez, mais...
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

domingo, 8 de outubro de 2017

RECOMEÇAR

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Nos dias de hoje, fatores como a globalização perversa, aquela conduzida pela supremacia do setor financeiro sobre o setor produtivo; a busca do poder pelo poder; o fundamentalismo religioso; o corporativismo autoritário; o capitalismo selvagem, priorizando os compromissos financeiros especulativos em relação aos gastos nos setores sociais básicos; a corrupção; os estelionatos eleitorais e administrativos motivados por alguns mecanismos de “marketing” e da falsa mídia; dentre outros elementos, estão conduzindo tanto as nações ricas, emergentes e pobres, para uma crise abrangendo aspectos morais, sócio-econômicos, de desesperança, de irresponsabilidade, de distanciamento dos valores espirituais, de injustiça, de violência, etc. Precisamos, estrategicamente, pensar o futuro. Para tanto, sem preconceitos, é fundamental a leitura de filósofos e cientistas como Aristóteles, Santo Agostinho, Kant, Hegel, Ricardo, Marx, Weber e tantos outros. Foram verdadeiros formadores de “Escolas de Pensamento” que serviram e ainda servem de orientação a muitas pessoas. Apesar das controvérsias, todos buscaram formas para justificar, de acordo com suas teses e convicções, o sentido da vida, da moral, da ética, etc. Cremos, por sua vez, a grande crise mundial é consequência do aumento do pragmatismo tático e da redução das correntes de pensamento filosófico preocupadas com a verdade e a existência. A coerência programática, baseada em princípios cristãos, é o remédio capaz de combater com eficácia essa doença. Conforme Jacques Maritain: “O Cristianismo ensinou aos homens que o amor vale mais do que a inteligência”.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 28/7/2017.

NOSSO BRASIL



Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Que o Brasil seja democrático e justo. Hodiernamente, segmentos significativos da situação e também da oposição não estão pensando no povo brasileiro, mas apenas no poder. Lamentável. As manifestações democráticas não devem ser eventuais, mas permanentes. Assim, democracia não significa apenas votar no dia das eleições. Trata-se, na verdade, de um sistema bem mais amplo, em que a participação popular, a recusa ao fanatismo, a defesa das minorias e da pluralidade, a não concordância com a busca do poder pelo poder e com casuísmos aéticos, a não utilização de práticas fisiológicas fica bem como o respeito aos dispositivos constitucionais são atitudes básicas para o sucesso do processo democrático. As condutas mencionadas permitirão que alcancemos uma verdadeira democracia representativa, consolidada e permanente, e não uma democracia de resultados, fraca e efêmera, longe de princípios morais e próxima da corrupção e do falso pragmatismo. O Estado Democrático de Direito será perfeito, caso os governantes e governados assumam comportamentos compatíveis com a solidariedade e o interesse público. Por sua vez, as democracias de resultados, expressão que imaginamos para denunciar as atitudes dos pseudo-democratas, não comprometidos com a melhoria da qualidade de vida das populações, representam a marca dos Estados totalitários. Por fim, vale lembrar um pensamento do ex-presidente Juscelino Kubitschek: “Somos um povo, isto é, um conjunto de cidadãos ligado não apenas por interesses materiais, mas por valores éticos e espirituais”.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 21/7/2017.

sábado, 7 de outubro de 2017

BASTIDORES DO HOLOCAUSTO EM LIVRO DEFINITIVO


Release A Cor da Coragem – A Guerra de um menino: o diário de Julian Kulski na Segunda Guerra Mundial – @EdValentina

A Cor da Coragem – A Guerra de um menino: o diário de Julian Kulski na Segunda Guerra Mundial é uma obra obrigatória na bibliografia relacionada a este período histórico. Baseada no diário de um polonês escoteiro, Julian Kulski, que aos dez anos decide lutar pela liberdade de seu país, revela em detalhes os horrores do nazismo. As páginas são acompanhadas por farto material iconográfico e interativo, que enriquece de maneira única e impressionante a narração. Fotos, cartazes, filmes, discursos radiofônicos e mapas podem ser acessados online pelos leitores. Há, ainda, questões para debate, que servem de guias para estudos em salas de aula de escolas e universidades. A apresentação é de Lech Walesa, ex-presidente da Polônia e Prêmio Nobel da Paz.
Indo além de Anne Frank e seu diário inesquecível sobre atrocidades sofridas por ela e judeus na Segunda Guerra Mundial, Julian Kulski apresenta ao leitor um retrato em 360 graus do momento histórico, a partir de seu amadurecimento da infância à fase adulta, durante os cinco anos da ocupação alemã na Polônia. Os sofrimentos na vida privada (amigos, familiares, vizinhos), a evolução da destruição do país, as movimentações de Aliados, nazistas e russos, além da vivência como combatente e prisioneiro são descritos com objetividade e doses pontuais de forte carga dramática. O autor sobreviveu, por milagre, como admite no depoimento, a doenças, torturas, fome, prisões e duros combates.
 Milhares de livros foram escritos sobre a guerra — mas muito poucos, se é que existem, por um soldado ainda menino. Este livro notável, escrito quando Julian Kulski era um soldado de 16 anos no Exército Polonês, confere vida a uma parte da guerra praticamente desconhecida no Ocidente. Nos proporciona uma visão única e comovente da Segunda Guerra Mundial. Ao descrever suas experiências durante a guerra, inacreditáveis do ponto de vista de um adolescente de hoje, esse jovem polonês demonstra incríveis emoções — medo, mas também orgulho, determinação e força de caráter. Uma magnífica lição de humanidade e patriotismo”, considera Lech Walesa.
Descrição de: A Cor da Coragem
1ª ed. – Rio de Janeiro: Valentina, 2016. 416 páginas | 16 x 23 cm Público: Geral
Ilustrado com fotos, mapas e extras digitais $ 59,90 ISBN 978-85-65859-72-
Tiragem: 10.000 exemplares Ebook: R$ 45,00 e-ISBN 978-85-65859-73-8

'200 judeus foram mortos por convidados da minha tia': jornalista revela passado nazista da família


·         Acervo de David Litchfield
Por Marina Wentzel, de Basiléia (Suíça)
Margit Batthyány-Thyssen simpatizava com o nazismo e teria tido casos com oficiais
O jornalista suíço Sacha Batthyany ainda lembra bem o choque que teve ao ficar sabendo da ligação da sua família com o nazismo.
A descoberta fez com que ele questionasse a própria identidade, roubou-lhe o sono por dez anos e, por fim, rendeu um livro e a esperança de fazer as pazes com seu passado.
Descendente de uma família aristocrática da Hungria, Sacha viveu a infância na Suíça, retornando muitas vezes ao leste da Europa para passar férias com parentes.
"Nossa família tem origem nobre, mas na Suíça ninguém sabia quem eu era. Cresci cercado por obras de arte, móveis antigos e objetos decorados com as iniciais e o brasão da família", conta.
"Não falávamos em dinheiro, mas sim de status. E é isso que foi perdido depois da Segunda Guerra Mundial: castelos, terras, posição social. Não que eu me importasse com isso, mas compreendia que a família pensava no passado como se tivesse sido um tempo melhor", disse à BBC Brasil.
Quando trabalhava como repórter no principal jornal de Zurique, Sacha teve um encontro inesperado com uma versão não tão idealizada do passado da família.
"Um dia em 2007 uma colega mais velha, que me desprezava e nunca falava comigo, jogou sobre a mesa uma página de jornal e disse: ´Mas que tipo de família você tem, hein?`. A primeira reação foi imaginar que minha nobreza havia sido descoberta. Esperava ler um texto elogioso sobre alguma ação heroica ou benfeitoria de um antepassado. Mas não foi nada disso. Tomei um choque. Fiquei sabendo pela primeira vez - e justamente pela imprensa - que estávamos associados ao nazismo."
"A nossa família é enorme. Tenho centenas de primos e tias, de modo que certamente não conheço todos. Há parentes espalhados pelo mundo, até mesmo no Uruguai. Mas, justamente, dentre tantos familiares, essa pessoa na foto eu conhecia muito bem. Para meu espanto, era a tia Margit."
A matéria denunciava a tia-avó de Sacha como cúmplice em um massacre que ceifou a vida de mais de 180 judeus próximo do fim da Segunda Guerra Mundial.
O texto do respeitado jornal alemão "Frankfurter Allgemeine" era assinado pelo jornalista britânico David Litchfield e também havia sido publicado em inglês pelo "The Independent", de Londres.
Litchfield chamava a tia de "anfitriã do inferno", pois Margit teria dado uma festa em que a diversão após o jantar fora executar brutalmente judeus.
A tia-avó de Sacha era a condessa Margit Batthyány-Thyssen, filha e herdeira do multimilionário industrial alemão Heinrich Thyssen. Ela se casara com o irmão do avô paterno de Sacha, Ivan Batthyany, um aristocrata em decadência.
Famosa por seu apetite sexual, Margit teve diversos amantes, mas o casal nunca se divorciou, porque a tolerância do marido à infidelidade era sempre recompensada com carros, cavalos e barcos.
Na infância, os pais de Sacha tinham o hábito de encontrar tia Margit duas ou três vezes ao ano. "Sempre íamos almoçar nos restaurantes finos de Zurique. Ela também tinha um apartamento em Monte Carlo e nós a visitávamos no verão. Eu me lembro de que precisava me comportar bem quando ela estava por perto."
Foi Margit quem ajudou os avós de Sacha a se mudar para a Suíça no pós-guerra e pagou pelos estudos do pai dele.
Sacha se recorda que ela detestava crianças, mantinha uma postura reservada e cultivava a mania de gesticular colocando a língua pra fora, "assim como fazem os lagartos", enquanto fumava cigarros e contava histórias. Ela poderia parecer fria e ríspida, mas seria mesmo uma assassina antissemita? 

Massacre

Há ao menos duas versões contraditórias para o massacre que ocorreu na noite de 24 para 25 de março de 1945, quase no fim da Segunda Guerra Mundial.
O jornalista britânico David Litchfield afirma que a condessa Margit havia dado uma festa para oficiais nazistas no castelo da família, em Rechnitz, vilarejo localizado na fronteira entre a Áustria e a Hungria.
A então jovem Margit teria se excedido na companhia de seus amantes, Franz Podezin e Joachim Oldenburg, ambos oficiais do exército nazista e, com satisfação perversa, presenciado juntamente com outros convidados os assassinatos cometidos por diversão.
"A festa teve início às 21h e durou até o amanhecer, com muita bebedeira e danças. Mas o entretenimento tradicional das festas não foi suficiente e, por volta da meia-noite, cerca de 200 judeus quase definhando, considerados inúteis para o trabalho, foram trazidos de caminhão até Kreutzstadel, um celeiro próximo do castelo. Podezin então conduziu Margit e outros 15 ou mais convidados de honra a um almoxarifado, deu armas e munição e convidou-os a 'matar alguns judeus", descreveu Litchfield, que também é autor e publicou o livro "The Thyssen Art Macabre".
"Foi uma coisa horrorosa", disse o jornalista britânico à "BBC Brasil". Os judeus teriam sido obrigados a cavar a própria cova e se despir para que seus corpos se decompusessem mais rapidamente. Cerca de 20 prisioneiros teriam sobrevivido à noite de 25 de março, para ajudar a enterrar as vítimas. Uma vez cumprida a tarefa, eles também foram assassinados, no dia seguinte.
A investigação de Sacha, no entanto, levou a uma versão diferente dos fatos.
O assassinato dos judeus teria se originado em uma ligação recebida por Franz Podezin durante a festa. Cerca de 200 prisioneiros estavam com febre tifoide, aguardando em vagões na estação ferroviária. Haveria uma ordem para executá-los.
Podezin teria então reunido seus oficiais de confiança e seguido até o local para cometer o massacre e depois retornado à festa. Margit teria permanecido no castelo. "Não foi motivado por diversão, como disseram por aí", afirmou Sacha à "BBC Brasil".
Castelo na Áustria onde Margit recebeu nazistas responsáveis por massacre
 
Motivação
Inicialmente, o jornalista suíço não conseguia crer no que estava lendo a respeito da tia e precisou pesquisar por si mesmo para entender a relação da família com o nazismo.
"Comecei a escrever muito inocentemente, imaginando que seria uma matéria normal e que levaria algo como dois meses para resolver. Mas foi ficando cada vez maior e maior."
O escritor reconhece, porém, que mesmo que a motivação do massacre não tenha sido apenas diversão, como afirma Litchfield, há um inegável vínculo dos convidados da festa com o crime. "Sim, eu entrevistei pessoas que me disseram que eles depois voltaram e dançaram o resto da noite com o rosto manchado de sangue", afirma.
Sacha publicou um artigo sobre o assunto em 2010, mas continuou obcecado pelo tema até finalmente concluir um livro, em 2016.
Publicado na Alemanha sob o título "Und Was Hat Das Mit Mir zu Tun (E o que eu tenho a ver com isso?)" e em inglês "A Crime in the Family (Um Crime na Família)", o livro é resultado da busca do autor pelas suas origens e narra o episódio do massacre de Rechnitz sob a perspectiva de quem conheceu pessoalmente a condessa Margit Batthyány-Thyssen, além de esmiuçar outros episódios de antissemitismo que ocorreram entre seus parentes. 
"A minha família não gostou nem um pouco que eu tenha escrito esse livro", diz.
Embora Sacha e Litchfield discordem sobre a motivação inicial, na perspectiva de ambos não há controvérsia quanto à conivência de Margit com os perpetradores do crime. A condessa e seu marido nunca foram incomodados por processos relacionados ao massacre e viveram uma vida de conforto na Suíça após a guerra.
"Mas ela sabia. Ela era uma simpatizante dos nazistas com certeza. Ela teve vários casos com oficiais e os ajudou a escapar", afirma Sacha.
Margit auxiliou Podezin e Oldenburg a fugir para a África do Sul e a Argentina, oferecendo passagens e dinheiro. "Ela foi chantageada por Podezin, mas teria o apoiado de qualquer maneira", diz.
As investigações jamais conseguiram determinar com clareza a extensão da violência, porque a totalidade dos corpos nunca foi encontrada.
Diversas testemunhas morreram em situações suspeitas em meio às inúmeras tentativas de se estabelecer e punir os culpados ao longo dos últimos 70 anos.
Alguns envolvidos como Podezin e Oldenburg conseguiram escapar, alguns cumpriram sentenças breves, outros nunca foram implicados.
Família de toupeiras
"Minha avó costumava dizer que somos como uma família de toupeiras, levando nossas vidinhas dentro da terra" conta Sacha.
"Eu precisava sair disso para compreender o passado, algo que virou uma obsessão". "Por sete anos eu pesquisei e refleti até conseguir entender o que isso tinha a ver comigo. Foi necessário consultar um psicanalista para fazer sentido de tudo. Levei muito tempo pensando, até que finalmente sentei e escrevi a minha história em cinco meses", diz.
Sacha conclui que havia motivos pelos quais ninguém falava com a tia Margit sobre o massacre: opressão, preguiça, dinheiro e indiferença.
Ele também reconhece que essa é uma história com muitas versões, mas avalia que fez o trabalho "mais honesto que pode".
Durante a redescoberta de seu passado, ele aprendeu também como a guerra afetou seus avós e viajou à procura de respostas desde a Hungria até a Sibéria e a Argentina. 
"Demorei um tempo até achar o tom. Tentei ser o mais preciso e o mais íntimo possível. A minha família não estava muito contente, mas acho que tinha que contar a verdade sem ser forçoso, sem embaralhar as declarações. Escrevia na madrugada, numa mesinha no porão. Acordava às 4h e trabalhava".
Atualmente, com o livro já publicado e os fantasmas exorcizados, o jornalista vive em Washington com os três filhos pequenos e a mulher. De lá trabalha como correspondente para a revista do diário alemão "Süddeutsche Zeitung".
"Enquanto escrevia não cheguei a pensar no impacto que isso teria sobre os meus filhos, mas agora espero que essa experiência ajude-os a olhar para o mundo de forma mais aberta, para que não se tornem toupeiras."
Fonte: BBC Brasil, 23/07/2017.
 
 
 

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