quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Um pedido feito por santo Tomás de Aquino (1225-1274)


Que eu chegue a ti, Senhor, por um caminho seguro e reto, caminho que não se desvie entre prosperidades ou adversidades, de tal forma que eu te dê graças nas horas prósperas e nas adversas conserve a paciência, não me deixando exaltar pelas primeiras, nem abater-me pelas outras.
Que nada me alegre ou entristeça, exceto o que me conduza a ti ou de ti me separe.
Que eu não deseje agradar ou não receie desagradar a ninguém senão a ti.
Tudo o que possa tome-se desprezível a meus olhos por tua causa, Senhor; e que tudo que te diz respeito me seja caro, mas tu, meu Deus, mais do que o resto.
Qualquer alegria sem ti seja-me fastidiosa e nada eu deseje fora de ti.
Qualquer trabalho, Senhor; feito por ti seja-me agradável, e insuportável aquele em que estiveres ausente.
Concede-me a graça de erguer continuamente o coração a ti, e quando eu cair; reconhecer meu erro.
Toma-me, Senhor meu Deus, obediente, pobre e casto, paciente sem reclamação, humilde sem fingimento alegre sem dissipação, triste sem abatimento, reservado sem rigidez, ativo sem leviandade, animado pelo temor sem desânimo, sincero sem duplicidade, fazendo o bem sem presunção, corrigindo o próximo sem altivez, edificando-o com palavras e exemplos, sem falsidade.
Dá-me, Senhor Deus, um coração vigilante, que nenhum pensamento curioso arraste para longe de ti, coração nobre que nenhuma afeição indigna debilite; coração reto que nenhuma intenção equívoca desvie; coração firme que nenhuma adversidade abale; coração livre que nenhuma paixão subjugue.
Concedei-me, Senhor meu Deus,
uma inteligência que Te conheça,
uma angústia que Te procure,
uma sabedoria que Te encontre,
uma vida em Ti,
uma perseverança que Te espere e confiança
e uma confiança que Te possua,
enfim!
Fonte: Circulou por e-mails em setembro de 2012.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

DISTRITO DE INOVAÇÃO EM SAÚDE DE EUSÉBIO


Por Carlile Lavor (*)

O envelhecimento da população brasileira e mundial aumenta as doenças e a demanda por serviços de saúde. As empresas investem em pesquisas para novas formas de diagnóstico, de tratamento e de prevenção. Crescem as indústrias com seus novos produtos, o comércio, e a oferta de serviços assistenciais públicos e privados. O setor da saúde assume um novo papel no desenvolvimento da economia.
A competição para oferecer novas formas de atendimento, planos de saúde, exames, novos medicamentos, equipamentos e softwares, exige desenvolvimento científico, tecnológico e inovação. Com esta compreensão, o Ceará investe nos Distritos de Inovação em Saúde, iniciando com os de Eusébio e Porangabussu. Procura aproximar a ciência e a produção.
A instituição criada pelo Dr. Oswaldo Cruz completa 120 anos, mantendo a sua tradição de unir a pesquisa, o ensino, a assistência ao doente, e a produção industrial de vacinas e medicamentos. A Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, chega ao Ceará para apoiar o Distrito de Inovação em Saúde de Eusébio, chamado inicialmente de Polo Industrial e Tecnológico de Saúde.
O Distrito de Inovação em Saúde traz as ideias mais novas do urbanismo. O desaparecimento das chaminés de fumaça das indústrias da saúde permite a convivência no mesmo bairro, do trabalho, das moradias dos profissionais dos diferentes níveis de renda, e do lazer, evitando-se os grandes deslocamentos diários das cidades atuais. Ao mesmo tempo, a experiência internacional mostra que a proximidade das instituições de ciência, tecnologia, empreendedorismo e de produção, estimula a inovação e o desenvolvimento.
A Terapia Celular aproxima os Distritos de Porangabussu e Eusébio. Outra área importante de colaboração se consolida na Saúde Digital, unindo a Fiocruz Ceará, a UFC, o IFCE, as Secretarias Estadual e Municipais de Saúde, e empresas do setor. O campo da Saúde da Família aproxima as universidades e os municípios do Maranhão até a Paraíba. A Fiocruz Ceará apoia o desenvolvimento tecnológico do Nutec, de empresas cearenses, como a Nuteral e as indústrias de cosméticos. Enquanto a Governança do Distrito dá os primeiros passos para a sua consolidação e atração dos empreendimentos para o Eusébio, a Fiocruz, já instalada, desenvolve as suas atividades para fortalecer a capacidade de inovação das instituições públicas e empresariais ligadas à saúde. 
(*) Médico-sanitarista. Coordenador da Fiocruz Ceará. Membro titular da Academia Cearense de Medicina.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/10/2019. Opinião. p.19.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

PARA ONDE VAMOS?


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Atualmente, no mundo, sem querermos ser pessimistas, fatores como a globalização perversa; a busca do poder pelo poder, não respeitando os princípios éticos; o fundamentalismo religioso; o corporativismo não solidário e autoritário; o capitalismo selvagem, priorizando os compromissos financeiros especulativos em relação aos gastos nos setores sociais básicos; os estelionatos eleitorais e administrativos motivados por alguns mecanismos de marketing e da falsa mídia, dentre outros elementos, estão conduzindo nações ricas, emergentes e pobres para uma crise que abrange aspectos políticos, morais, socioeconômicos, de desesperança, de irresponsabilidade, de injustiça e de violência. Se o avanço científico e tecnológico, para certos segmentos da humanidade proporcionou melhores condições de vida, para outros não aconteceu o mesmo. Não somos contra o progresso, todavia não concordamos quando, em consequência, ocorre uma expansão no número de pessoas excluídas e oprimidas. Tais inquietações fazem nos lembrar de Santo Tomás de Aquino: “Há homens cuja fraqueza de inteligência não lhes permite ir além das coisas corpóreas”. Precisamos, estrategicamente, pensar no futuro. Não obstante as diferenças culturais dos povos, existem características básicas que devem ser comuns: a justiça; a liberdade; a mobilidade social; a soberania popular, evidenciada por convicções democráticas e não por forças autoritárias; também a busca permanente da paz. Concordamos que o modelo do Estado Democrático de Direito está esgotado. Na verdade, muitas vezes é injusto, pois permite privilégios. É importante que se coloque nas agendas de debates, em fóruns nacionais e internacionais, a criação de Estado Democrático de Justiça. Segundo Cícero: “Summum jus - summa injuria” (o supremo direito é a suprema injustiça). Viva a democracia!
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 8/11/2019.

domingo, 17 de novembro de 2019

9. PIADAS DE VELHINHOS III


Uma velhinha foi ao supermercado e colocou seis latas de ração para gato no carrinho. A moça do caixa, no entanto, diz:
- Sinto muito, mas não podemos vender a ração sem prova de que a senhora realmente tem gatos. São medidas de segurança do mercado adotadas especialmente para idosos.
A velhinha foi pra casa, levou o gato ao mercado e comprou a ração. No dia seguinte, ela foi novamente ao mercado comprar biscoito para cachorro, mas a caixa novamente queria provas. Frustrada, a velhinha levou o cachorro como prova e comprou os biscoitos.
No outro dia, a velhinha voltou ao mesmo mercado trazendo uma caixa com um buraco na tampa e pediu para a moça colocar o dedo no buraco. A moça do caixa disse:
- Eu não! Vai que tem uma cobra aí...
A velhinha garantiu que não tinha nada que pudesse mordê-la ou machucá-la. Então a moça do caixa enfiou o dedo no buraco e, ao tirar, estava sujo e fedendo. Então a caixa gritou:
- Ei! Mas isso aqui é cocô!
A velhinha sorriu e respondeu:
- É isso mesmo! Agora, minha querida, eu posso comprar seis rolos de papel higiênico???
--------------
Uma garotinha de 5 anos estava passando o dia com sua avó. No meio da conversa, ela pergunta por que a avó não tinha um namorado. A velhinha responde:
— Querida, meu namorado é a televisão. Eu posso deitar confortavelmente na cama ou no sofá e assistir o dia todo. Os programas religiosos fazem com que eu me sinta muito bem, além das novelas que me distraem e fazem rir. Então considero o televisor como meu namorado.
Então a vó liga a TV, mas a imagem está fora do ar. Ela tentou ajustar as antenas para tentar sintonizar direito, mas nada adiantou. Irritada, começou a bater na parte de trás do aparelho para ajudar o problema e nada. E ela batia cada vez mais e mais, cada vez mais brava.
Eis que toca a campainha e a neta corre até a porta para atender. Quando ela abre, lá está a vizinha, amiga da avó, que pergunta:
— Boa tarde, lindinha. Sua avó está em casa?
— Sim, ela está no quarto batendo no namorado dela.
--------------
Após testar por uma semana o novo aparelho auditivo, o velhinho retorna ao médico.
- O senhor está gostando do aparelho? - pergunta o médico.
- Está funcionando que é uma maravilha - responde o senhor.
- E o que a sua família achou de o senhor voltar a escutar?
- Bem, eu ainda não contei para eles, mas já mudei meu testamento três vezes.
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

9. PIADAS DE VELHINHOS II


A velhinha vai até o quartel pra visitar seu netinho. Chegando lá, ela fala com o sargento:
- Seu sargento, vim visitar meu neto, o nome dele é Clodoaldo Santos. Ele serve aqui neste quartel, não é?
– Sim, minha senhora… Só que hoje ele pediu licença pra ir no seu enterro!
--------------
Duas senhoras de idade avançada, estão jogando baralho. Uma delas olha para a outra e diz:
– Por favor, não me leve a mal. Nós somos amigas há tanto tempo e agora eu não estou conseguindo me lembrar do seu nome, veja só a minha cabeça. Qual é o seu nome, querida?
A outra olha fixamente para amiga, por uns dois minutos, coça a testa e diz:
– Você precisa dessa informação pra quando?
--------------
No asilo, um velhinho pergunta para outro:
– Como você se sente?
– Minhas costas doem, quase não consigo falar… e você, como se sente?
– Me sinto um recém-nascido!
– Como assim?
– Sem dente, sem cabelo e sem pelos…
--------------
Dois velhinhos estavam ouvindo um religioso pelo rádio que dizia:
- Coloque uma mão no rádio e outra na parte doente, e tenha fé que vou curá-los!
A velhinha coloca uma mão no rádio e outra nas costas. Já o velhinho coloca uma mão no rádio e outra nas partes íntimas.
Então a senhora diz:
- Querido, ele disse que vai curar os doentes, e não ressuscitar os mortos!
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

9. PIADAS DE VELHINHOS I


Uma velhinha com problemas de memória chama suas amigas (também já idosas e com problemas para lembrar) para uma visita. Durante o evento, ela pergunta:
— Querem uma xícara de café?
Passados dois minutos, ela pergunta novamente:
— Querem uma xícara de café?
E depois, passados cinco minutos, mais uma vez:
— Querem uma xícara de café?
Lá pelos 30 minutos da visita, as amigas se levantam, vão embora e uma comenta com a outra:
— Que mal-educada! Nem pra oferecer um café!
Horas depois, seu filho vai visitá-la e pergunta a ela:
— E então, mamãe. Como foi a visita com as suas amigas?
— Filho, você acredita que elas nem vieram?
--------------
Duas velhinhas estavam conversando:
– Amiga, ontem fui passear no shopping perto de casa, mas aconteceu uma coisa bem chata...
– O que?
– Eu fiquei presa na escada rolante!
– Mas não me diga! Como foi isso?
– Eu estava na escada rolante e aí acabou a luz. Fiquei horas parada esperando a luz voltar...
– Que chato! Mas eu não entendi uma coisa, amiga. A escada rolante tinha degraus, não tinha?
– Pois claro que tinha.
– Então por que você não esperou sentada?
--------------
Um dia, uma velhinha vai ao médico e ele pergunta gentilmente:
– O que trouxe a senhora aqui? O que te incomoda?
– Doutor, estou tendo problema com gases. Desde que entrei aqui no seu consultório, eu já soltei uns 10 ou mais. O senhor não percebeu porque os meus gases não têm cheiro nem fazem barulho.
– Entendo. Bem, eu vou prescrever essas pílulas, e então a senhora volta na semana que vem, combinado?
Na semana seguinte...
– Doutor, não sei o que o senhor prescreveu, mas os gases ainda não fazem barulho, mas cheiram muito mal. Um horror!
– Que bom! Então o remédio que eu te dei conseguiu desentupir o seu nariz! Agora vamos ver algo para a sua surdez.
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sábado, 16 de novembro de 2019

8. PIADAS PARA CRIANÇAS II


Enquanto isso no supermercado:
– Olha, filho! Uma latinha com o seu nome!
– Eu te odeio, pai!
– Não diga isso, Mucilon.
--------------
O menino chega em casa no final do ano e diz:
-Pai, tenho uma notícia pro senhor...
- O que é? - pergunta o pai.
- Lembra que o senhor me prometeu uma bicicleta se eu passasse de ano?
-Sim, meu filho.
- Então o senhor se deu bem. Economizou um dinheirão!
--------------
Na aula, a professora de Juquinha mandou ele falar dois pronomes:
– Quem, eu? – perguntou o Juquinha.
– Acertou, pode se sentar.
--------------
A professora pergunta aos alunos:
– Se eu for à feira e comer 3 peras, 7 bananas, 15 laranjas e 1 melancia, qual será o resultado?
Do fundo da sala, alguém grita:
– Uma dor de barriga danada!
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

8. PIADAS PARA CRIANÇAS I


Depois que Joãozinho voltou da escola, a mãe pergunta:
- Oi, meu filho. Como foi na escola hoje?
- Foi bem, mãe!
A mãe pergunta novamente:
– Que bom! Aprendeu tudo?
- Acho que não, mãe, porque amanhã vou ter que ir para a escola de novo.
--------------
Na aula de biologia, a professora pergunta para o Zezinho:
– Zezinho, onde podemos encontrar as baleias?
– Em qualquer lugar, fessora. São bichos tão grandes que é impossível perdê-los!
--------------
– Qual é o fim da picada?
– Quando o mosquito vai embora.
– O que é que a banana suicida falou?
– Macacos me mordam.
– Qual é o doce preferido do átomo?
– Pé-de-moléculas.
– O que o canibal vegetariano come?
– A planta do pé e a batata da perna.
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Qualificação do Doutorado em Saúde Coletiva de Waldélia Monteiro


Aconteceu na manhã de ontem (14/11/19), quinta-feira, no Auditório 1 do Centro de Estados e Aperfeiçoamento do Hospital Geral de Fortaleza, o Exame de Qualificação de Doutorado da minha orientada do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará (PPSAC-UECE).
A banca examinadora, composta por Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Fabrício Oliveira Lima Ilvana Lima, Ilvana Lima Verde Gomes e Ilvana Lima Verde Gomes (suplente), aprovou o projeto de Tese “Análise de custo-efetividade em pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico submetidos às terapias trombolítica e conservadora em um hospital público terciário”, apresentada pela doutoranda WALDÉLIA MARIA SANTOS MONTEIRO.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor do PPSAC-UECE

AOS VIVOS: "Grávida de cinco meses. Pelos ouvidos!" ... e outro causo


Grávida de cinco meses. Pelos ouvidos!

Cinco amigas grávidas na maior animação, trocando ideias, felizes que só com os rebentos guardados em seus amorosos ventres. Três eram mães de primeira viagem; demais, na segunda experiência gestacional. Conversa rola agradável; testemunho de uma a inspirar a história da outra. Em meio às futuras mamães, dona Biluca, zelosa auxiliar de serviços gerais do local onde se dava a reunião.
Uma buchudinha falava e logo a senhora, espanando um móvel, varrendo um canto de salão, dizia algo em complemento, revelando-se conhecedora profunda dessas coisas de dar à luz. Impressionantes instruções. Também, com aquela idade - 65 anos! Dicas primorosas. Exemplo: o que fazer pra o menino parar de soluçar, dona Biluca?
- Pegar um 'moizim' de linha encarnada, molhar de cuspe, e colocar na testa dele.
- E mau olhado? - indagava a mais novinha entre as mãezinhas.
- Rezar na cabeça do cristão, fazendo cruz com ramo de arruda: "Com dois te botaram, com três eu te tiro / Quebrante e mau-olhado / Vai-te pras ondas do mar sagrado / Olhos amaldiçoados..."
- É pra fechar a moleira do bebê?
- Passar o fundo dum pires no cocuruto do quengo, três vezes, no sentido horário...
De onde tanta categoria? Como sabia esse horror de coisas sobre ser mãe, gravidez, cuidados com o nascituro? A pergunta que não calava. E Biluca, que nunca fora mãe de mesmo, de vera, vogando, responde na maior pureza:
- De tanto mãe dizer que eu emprenhava pelos ouvidos, quando era moça, devo ter sido mãe de uma duzentos e pouco...
Ciúme mortal
Dedé estava já no caixão, mortinho da silva e sousa. Finado André da Silva e Sousa deixou-nos a convivência física por força de uma diarreia braba. Ei-lo, agora, velado na sala de casa, na companhia de familiares e amigos contristados. Entre rodadas de quissuco com broa e filhós (e até lapadinhas de cana com serigoela), as lembranças debulhadas do homem bom que fora há pouco, as anedotas sem ventura, a fé inabalável de quem acreditava em seu Ferrim campeão do Brasileirão, derrotando o Flamengo no Maracanã, na final, por 5 a 0.
Mas, o sentimento de um dos presentes à vigília ao defunto, ali, destoava do clima de comoção, pesar, tristeza e saudade reinante. Era a peitica que exalava silente e materializada das entranhas turbadas do fígado de Ligório, desafeto do falecido. Já "tinham ouvisto" falar de um vivo com ciúmes de um morto? Pois é vero. Sucedeu.
Motivo: Tonha, grande amor de Ligório, fora-lhe tomado por Dedé, que mesmo morto não matava no sujeito vivo a zanga, temperada de tudo que era ruim. Queria vingança pela decepção sofrida, ainda que o adversário estivesse caçuletado. Pensou em tocar fogo na casa e ir tudo pro beleléu; desistiu, não tinha fósforo pra fazer a coivara. Pensou em pintar o pau da venta do de cujus de preto e branco, ele que era tricolor doente. E mais isso e aquilo inconfessáveis.
Tendo Dedé por futuro próximo as paisagens gélidas do São João Batista, sabe qual o ato derradeiro de Ligório, ao lado do caixão, fingindo chorar a partida do cadáver? Uma dúzia de beliscões em seu bucho hirto! Cada beliscão, um motivo.
- Esse é pra nunca mais tomar a mulher alheia. Esse, pra tu largar de bulir com o que tá quieto. Esse, pra parar de beijar Tonha na igreja. Esse, pelo bucho que ela pegou. Esse, pela minha dor de cotovelo. E esse último, por ter morrido vazando pelo pito.
Fonte: O POVO, de 28/12/2018. Coluna “Aos Vivos”, de Tarcísio Matos. p.2.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

CARROS E HUMANOS


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
A Notícia:
A partir do segundo semestre, as operadoras de planos de saúde poderão cobrar dos clientes uma franquia, de valor equivalente ao da mensalidade, semelhante ao que acontece hoje com o seguro de carros… Por exemplo, se o valor total pago no ano for de R$ 6.000 (mensalidade de R$ 500), este será o limite para os gastos extras do cliente com franquia e coparticipação…
Veja mais detalhes em:
As operadoras dos planos de saúde querem comparar pessoas a automóveis. A proposta da poderosa ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) dita normas prejudicais aos seus segurados, aproveitando o momento conturbado para esbulhar-lhes com maiores encargos e menos direitos.
Os seus CEOS (sigla inglesa de Chief Executive Officer que significa Diretor Executivo em Português) são os responsáveis pelas estratégias e visão da empresa a que servem, esquecem que são humanos, vão envelhecer e a doença não tem hora ou momento para acontecer. A maneira como tratam os idosos, com argumentos enganadores, é criminosa. Os velhos pobres e até os de classe média (que também é Povo) vão sofrer ainda mais do que sofrem hoje.
Propostas ilegítimas como essa não passam do avanço cada vez maior do poder econômico sobre o cidadão, já precariamente atendido pelo Estado. Agora com a Lava Jato seria pertinente uma lavagem nas relações dos Planos de Saúde com os nossos parlamentares envolvidos em corrupção e lobbies, cuja fome por dinheiro cresce às vésperas de campanhas eleitorais tão dispendiosas.
Nas sociedades corruptas os mais sacrificados são as pessoas das camadas mais pobres, mais dependente dos serviços públicos (infraestrutura, saúde, educação, previdência, saneamento básico, etc.) …
O resultado prático da irresponsabilidade dos tais CEOs, ainda sem essas novas modificações, fazem com que as “empreiteiras da nossa saúde” sejam tricampeãs nas reclamações no Procon e no Judiciário.
O Diretor Executivo Técnico da Notre Dame Intermédica – Luiz Celso Dias Lopes – declara ser o cenário da saúde suplementar muito difícil, caminhando para ficar insustentável em razão de fatores como a contínua inovação tecnológica na medicina, o envelhecimento populacional e afirma:
Talvez fosse necessário criar um mundo novo, frente à insustentabilidade desse setor. É preciso buscar novas formas de produtos, de ofertas e de compartilhamento de riscos.”
O que se pode esperar das entidades de defesa do consumidor é que entendam que a franquia apregoada virá trazer prejuízo aos segurados, sobretudo aos que usam os planos de saúde com mais frequência, como os idosos, pessoas com doenças crônicas ou graves.
Diz o Professor Mario Scheffer do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (DMP/FM/USP) e vice-presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Preventiva): - “Os planos de saúde nunca serão a saída para o atendimento à saúde porque dependem de emprego e renda. […] Em momentos de recessão e crise, então, é uma péssima solução”, referindo-se as propostas em entrevista à repórter Monique Oliveira.
Na Grã-Bretanha os políticos advertem: mexer com o Serviço Nacional de Saúde (National Health Sevice) é a única coisa que “dá revolução”.
Mesmo sendo pagos durante anos e anos, os Planos de Saúde não atendem àquilo que prometeram aos seus consumidores e, quando os consumidores se tornam idosos, fazem de tudo para botarem esses fregueses dispendiosos para fora. Até os bancos estão tratando de diminuir os juros dos bons clientes.
Os Planos de Saúde fazem o contrário.
O projeto de mudanças protecionistas ainda maiores corre acelerado no Congresso Nacional. Será um novo marco legal que favorecerá as empresas, ameaçando consumidores e, por tabela, sacrificando um SUS tão esquecido, sobrecarregado e subfinanciado e maior credor (sem pagamento) dessas empresas.
Advirto como médico e cidadão: desconheço país que tenha entregue a Saúde de seus habitantes a entidades particulares que não tenha agravado ou piorado o sistema oficial da saúde, faltando às determinações constitucionais.
Nem tudo pode ser regulado pelas Leis do Mercado.
Será que, se aprovada, essa privatização sanitária disfarçada virá a ser mais uma jabuticaba que vão empurrar pela nossa garganta abaixo? Somente tenho certeza que não se pode comparar seguro de carro com seguro de saúde.
Franquia, em doença, não existe.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A PALAVRA CAMARADA: da caserna ao partido


Por Luciano Maia (*)

O termo companheiro, pela própria etimologia, nos remete ao aconchego, alguém com quem se reparte o pão.

Assim como a palavra companheiro, também o termo camarada sujeitou-se a desvios, o longo de sua trajetória. Camarada tem origem no espanhol quinhentista e designava os soldados e oficiais que dividiam o mesmo aposento no quartel, a mesma câmara. O camarada estava tão ligado aos seus iguais que regularmente era o oficial (geralmente um capitão) sob cuja responsabilidade se encontravam os seus soldados, o incumbido de preparar-lhes o testamento dos pertences, em caso de morte em batalha. Por influência da infantaria espanhola na guerra dos Países Baixos, a palavra foi incorporada aos manuais de outros exércitos europeus para, com o tempo, ser estendida a círculos mais largos, até chegar, com a revolução russa de 1917, a designar o correligionário bolchevique.
Foi tão contagiante o uso de camarada no período pós-revolução comunista no leste europeu, que praticamente todos os países da região passaram a designar os membros dos seus respectivos partidos comunistas por este termo, ora com o uso do original espanhol adaptado, ora com a tradução russa (tovarisch). Tornou-se de uso frequente entre os revolucionários comunistas daquela época, chegando a substituir senhor, simplesmente. Dizia-se camarada ministro, camarada deputado e até camarada presidente!
Registre-se que, quem sabe pelo seu “pecado original” (com o tempo, os intelectuais comunistas passaram a abominar os militares!), o uso de camarada foi-se restringindo e, após a segunda guerra mundial, com a demonstração (e fracasso) do tremendo poderio militar alemão, em tese, anticomunista, a palavra foi perdendo o seu prestígio entre os círculos menos ortodoxos, quanto à ideologia marxista-leninista-stalinista.
Mas não esqueçamos que foram os soviéticos os principais responsáveis pela difusão do termo como sinônimo de correligionário de ideologia, ou seja, de comunista.
Diferentemente de companheiro, o termo camarada não designou, primordialmente, alguém merecedor de afeto, mas pessoa com quem se tinha o compromisso da lealdade e, até certo ponto, de uma firme amizade.
O termo companheiro, pela própria etimologia, nos remete ao aconchego e ao compartilhamento, alguém com quem se reparte o pão, ou seja, o sustento. O seu uso não será nunca de todo conseguido por nenhuma ideologia; será sempre melhor atribuído aos casais mais modestos, os mais afeitos à verdadeira comunhão de vida. E o termo camarada, tão abusivamente utilizado ideologicamente, também não perderá a sua feição de solidariedade, necessária e firme.
(*) Membro da Academia Cearense de Letras (ACL)
Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/10/2017. Opinião. p.11.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

REDUÇÃO DA REGULAÇÃO CAMBIAL


Lauro Chaves Neto (*)
A retomada do crescimento só acontecerá com um novo ciclo de investimentos públicos e privados, internos e externos. A necessidade de maior integração com as cadeias de geração de valor em uma economia cada vez mais digital e global, além da escassez de poupança interna recomendam que o Brasil tenha um ambiente propício para a atração de capitais internacionais.
Esse é o cenário em que está sendo proposta uma redução da regulação cambial, criando 26 artigos em substituição a um conjunto de nove leis, uma medida provisória, cinco decretos e 95 dispositivos criados desde 1920.
Conseguindo-se reduzir a burocracia legal sobre as operações cambiais, também poderá ser liberada a atuação das fintechs de forma independente no mercado de câmbio. A atuação direta das fintechs no mercado de câmbio gera competição e tende a reduzir custos, assim como ocorreu no mercado de pagamentos eletrônicos e cartões.
Os principais beneficiados seriam exportadores e investidores internacionais que desejem aplicar no Brasil, a medida também proporcionará uma maior integração das empresas nas cadeias globais, favorecendo ganhos de eficiência e produtividade, eliminando o excesso de burocracia na contratação de câmbio para importação e exportação.
Outra vertente é a tentativa de elevar a conversibilidade do real. Uma moeda aceita globalmente é um mecanismo de redução dos custos de captação, que facilita o financiamento de investimentos e, normalmente, resulta em uma maior integração econômica e financeira com outros países, possibilitando impactos positivos para os negócios locais.
O Brasil, hoje, tem uma das maiores reservas do mundo e, se possuir uma moeda conversível, reduzirá a nossa vulnerabilidade, uma vez que inúmeras operações, no exterior, poderão ser realizadas em reais, afetando menos o nível das reservas e possibilitando um processo de compensação mais rápido.
Cabe ao Banco Central calibrar essa transição no mercado de câmbio, a fim de proporcionar melhores condições de competitividade para a economia brasileira.
(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.
Fonte: O Povo, de 21/10/19. Opinião. p.20.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O CAUSO SIMONSEN


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Cursei a Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da FGV nos anos de 1968 e 1969. Fui para o Rio de Janeiro com minha mulher e nosso primeiro filho, com apenas 6 meses de vida. Conseguimos nos acomodar em um pequeno apartamento. Recebia reduzida bolsa de estudos paga pela FGV. Vida dura! Vencemos o primeiro ano. Em abril de 1969 nasceu o segundo filho. A situação financeira ficou muito difícil. Duas alternativas: Mirian voltaria para Fortaleza com as crianças ou eu abandonaria o curso (já havia feito cerca de 75%) e também retornaria para o Ceará. Minha mulher não concordava que após tanto esforço eu largasse a EPGE. Prevaleceu a vontade dela. Passei a morar numa “república” com cinco colegas. Grandes amigos, muito me ajudaram. Não bastasse a dor da saudade, no início de junho/1969, o filho de um mês de vida teve a saúde comprometida. Fiquei desesperado e resolvi abandonar tudo e voltar. Procurei o professor Ney Oliveira (coordenador do curso) e contei o meu problema e a minha decisão. Ele pediu para eu aguardar o Simonsen e relatasse o fato. O professor Simonsen chegou e mandou me chamar na Diretoria. Já sabendo do problema, disse-me: vocês do 2º ano estão devendo três provas (Macroeconomia, Economia Internacional e Econometria). Você, cearense, está precisando do mínimo (nota 3) em todas. Vá para a sala 2 e vamos fazer as três provas agora. Eu vou examiná-lo. O professor iniciou o exame oral, eu muito nervoso, mas para alegria minha tirei 8,7 e 7. Ele bateu na mesa e disse: volte em meados de julho, para o quarto e último semestre. Perguntou-me: você está precisando de dinheiro? Respondi: não, Professor, meus amigos já compraram a passagem aérea. Se precisar diga, insistiu Simonsen. Não, muito obrigado. Já se passaram mais de 50 anos, essa cena de grande generosidade sempre tira lágrimas dos meus olhos e nunca sairá da minha mente. Professor Simonsen, o maior economista brasileiro, em todos os tempos, minha eterna gratidão. Esteja com Deus.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 1/11/2019.

domingo, 10 de novembro de 2019

7. PIADAS DE CAIPIRA II


Uma mulher estava esperando o trem na estação ferroviária de Varginha- MG, quando sentiu uma vontade de ir urgentemente ao banheiro. E foi.
Quando voltou, o trem já tinha partido. Ela começou a chorar e, nesse momento, chegou um mineiro que se compadeceu dela e perguntou:
– Por causo di quê qui a sinhora tá chorano?
– É que eu fui fazer xixi e o trem partiu.
– Uai, dona! Mas será que a sinhora já num nasceu com esse trem partido, não???
--------------
O caipira leva a família para passar uns dias na cidade grande. Ao chegar no hotel, muito chique, por sinal, parou curioso em frente ao elevador tentando entender para que servia uma porta com tantas luzinhas piscando.
De repente, uma senhora bem velhinha entra no elevador, a porta se fecha e ela desaparece. Pouco depois, a porta se abre novamente e o caipira dá de cara com uma moça estonteante.
Entusiasmado ele grita para o filho:
– Josias, vá correndo chamar a sua mãe!
--------------
O caipira chegou na sala do patrão e jogou todo o salário do mês na mesa e disse:
– Chefe, o meu salário veio 50 reais a menos.
O patrão indignado disse:
– Engraçado, mês passado botei 50 reais a mais e você não disse nada.
– Pois é patrão um erro eu aceito, mas dois é demais.
--------------
O caipira chega no consultório médico e o doutor pergunta:
– Diga-me Zeca, sua mulher tem relações com você por amor ou por interesse?
– Oia dotô, eu acho que é por amor!
– Como você sabe?
– É purquê ela nunca tá interessada, uai!
--------------
O sujeito em busca de uma casa para alugar, pergunta a um caipira que passava na rua:
– Moço, você sabe quanto está o aluguel dessa casa?
O caipira prontamente responde:
– Acho que está 750 reais.
O sujeito questiona:
– E por acaso você sabe me dizer se ônibus passa aqui na porta?
E o caipira responde:
– Rapaz! Já vi passar geladeira, fogão, sofá… Mas ônibus, nunca vi passar não.
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.
 

Free Blog Counter
Poker Blog