sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

IRMÃ BREVES: uma dívida a resgatar


O jornal O Povo, de 19/09/2016 (p.19), publicou o artigo “Irmã Breves: uma homenagem em falta”, que traçava o histórico de benemerência dessa religiosa ao tempo ao em que se aludia a concessão de uma homenagem de caráter permanente a ela.
Admitida na Companhia das Filhas da Caridade em 1910, irmã Margarida Breves aportou no Ceará em 1921, aqui vivendo por 32 anos.
No Ceará, a Irmã Breves exercitou o seu apostolado não somente missionário, oferecendo à nossa terra um conjunto de realizações, tanto religiosos como educacionais e assistenciais, dentre elas a fundação da Escola de Enfermagem São Vivente de Paulo, criada em Fortaleza em 1943, sendo então a primeira escola de formação de enfermeiros do Nordeste e a terceira do País.
Irmã Breves encerrou a sua quase centenária jornada terrena em Salvador-BA em 1987, tendo conduzido o seu profícuo labor com intensa atuação no campo social, notadamente em favor dos mais desvalidos.
Como desdobramento da publicação citada, a Academia Cearense de Enfermagem, que a tem como Patrona de uma das suas Cadeiras, e a Associação Brasileira de Enfermagem – Seção Ceará, encetaram uma ação junto à Câmara Municipal de Fortaleza (CMF), tendo o vereador Iraguassu Teixeira proposto projeto de lei municipal que obrigava a Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF) a colocar o nome dessa operante e devotada religiosa em uma das suas novas unidades de saúde.
A despeito da aprovação legal, via Lei 10.589, de 26/06/2017, da PMF/CMF, publicada no D.O.M. de 28/06/2017, diversos equipamentos de saúde da capital cearense foram inaugurados olvidando o disposto na lei em epígrafe.
Essa homenagem, além de digno reconhecimento pessoal a Ir. Margarida Breves, se prestará de reparo aos valorosos profissionais de Enfermagem, que raramente têm seus nomes nos frontispícios dos nossos equipamentos de saúde.
Se o nosso prefeito Roberto Cláudio deliberar pela aposição do nome da Ir. Breves em uma unidade de saúde tem-se um gesto de gratidão para com aqueles que se dedicam à arte do cuidar, ensejando o regozijo de suas entidades representativas locais.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor universitário e médico
*Publicado In: O Povo. Fortaleza, 23 de janeiro de 2020. Caderno A (Opinião). p.16.

AOS VIVOS: "Uma bodega chamada mercearia" ... e outros causos


Uma bodega chamada mercearia
Dr. Neve conta que um primo por nome Solano era conhecido pela espirituosidade e por "melar o bico" além conta. Na idade dos 20 anos, em um forró no colégio local, evidentemente "truviscado", começa a dançar com uma moça no ambiente mais escuro. Após aplicar aquela cantada, a jovem responde:
- Ô, Solano! Tu tá é bebo, macho! Nesse estado, não dá pra decidir. Vou pensar mais e amanhã te respondo.
Dia seguinte, Solano lascado de ressaca. Mas, o bravo parceiro da pôde lava o rosto e vexado ganha a lapa do mundo. E já se vê o homem descer a calçada da rua em direção ao bar mais próximo. Coincidentemente, a tal jovem indecisa da noite anterior vem em sentido contrário ao dele, na mesma calçada. Os dois se encontram e ela desembucha:
- Solano, eu decidi!
O caba véi, olhando pra cara dela, sem a maquiagem de ontem, dispara:
- Pois eu desisti, minha fía!
Dormir de dois, só se for sozinho
"Rapai véi", Solano se manda pro Centro-Oeste do Brasil, terra onde seus irmãos já moravam e eram comerciantes. Lá arranjou uma namorada, noivou e casou. A lua de mel foi em casa mesmo. Na primeira noite, ele arma uma rede por cima da cama de casal e se deita. Estranhando a arrumação, a mulher chama Solano pra ficarem os dois juntinhos, na cama. No que ele responde entre invocado e brabo:
- Dá certo não! Eu não tenho costume de dormir de dois, me deixa aqui mesmo!
Uma coisa é ela pedir...
De volta ao Ceará, Solano já está no segundo casamento. O primeiro acabara porque a mulher queria dormir juntinho do marido e ele, naquela desculpa de não saber dormir de dois. Não deu outra: babau, casório. Juntou-se com uma moça da própria fazenda onde morava. Sobre o novo relacionamento, tempos mais tarde, conversa com o irmão Santino:
- Tô preocupado com essa minha nova esposa.
O mano, sem entender, pergunta ingênuo qual a preocupação. Solano, calmamente, responde:
- Rapaz, quase todo dia ela me pede 50 reais!
Santino fica realmente sem entender, já que na fazenda as pessoas têm o costume de consumir tudo que é produzido ali - arroz, carnes, feijão, milho frutas e legumes. Não carecia de fazer compra na cidade. Santino questiona:
- Pra que diabo tua mulher te pede esses 50 reais?
- Rapaz, eu não sei! Eu nunca dei!...
Um pau de lata chamado bodega
Amante do carteado, tipo indolente, Doquinha tinha uma bodega nos anos 50. Praticamente único no lugar - a mais próxima ficava a duas léguas. Certa vez, agarrado ao baralho com Mané Felício e outros companheiros, nem percebe que um jovem chega ao estabelecimento para fazer comprinhas de casa. "Intirtido" nas cartas, Doquinha nem deu bolas pro freguês. Uma hora sem atendimento e Mirandulina, mulher do comerciante, sai aos gritos, em defesa do rapaz:
- Ô, Doquinha! Venha despachar esse homem! Tem uma hora que ele tá aqui!
Doquinha queria que o freguês fosse perturbar noutro lugar. Mas, como não havia bodega por perto, levanta-se resmungando e atende. De volta à mesa de baralho, Mané Felício fala sério:
- Eu já lhe disse: Doquinha, se o diabo dessa bodega tá atrapalhando o nosso jogo, é melhor você fechar ela!
Fonte: O POVO, de 8/03/2019. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

BRASIL X CANADÁ: contraponto nas ciências


Por Marcello M. Veiga,
P.Eng., PhD Professor
Norman B. Keevil Institute of Mining Engineering but University of British Columbia, Vancouver, Canada, V6T1Z4.

Como professor de Engenharia no Canadá, tomo a liberdade de fazer alguns comentários, talvez simplistas, sobre o que escutei recentemente quando estive no Brasil!: "o Canadá tem 14 prêmios Nobel porque tem muito menos gente que o Brasil... assim tem mais dinheiro para cada instituição". Certíssimo e comento... no Brasil os estudantes universitários aprendem ideologias em vez de ciências... por isso que o Brasil ficou em penúltimo lugar no PISA.
Estive em novembro no Brasil dando palestras sobre sustentabilidade da mineração no mundo e participei de vários eventos. Fiquei surpreso pelo baixo nível das pesquisas na minha área de mineração, ambiente e sustentabilidade. Realmente o país caiu numa desgraça ideológica que faz com que as pessoas não avancem mais na ciência das coisas mais simples e locais e acabam travados numa gaiola de discussões ideológicas sem sentido. Sem falar da completa falta de imaginação e inovação dos pesquisadores brasileiros. Querem matar mosquito com bazucas. Já dizia meu primo, passarinhos criados em gaiolas não conseguem voar depois de soltos. Assim quando os estudantes saem das Universidades vão reclamar ao governo por não terem empregos. O problema não é a falta de empregos, mas a baixa qualificação dos candidatos. É claramente um problema de qualidade e não de quantidade como creem vários colegas brasileiros. Um engenheiro de minas do Peru tem muito mais experiência hands-on que um do Brasil.  Fiz uma palestra no Brasil onde mostrei os níveis de pobreza do país... Sem saneamento básico (somente 34% dos municípios têm coleta e tratamento de esgoto). Lixo por toda parte (cerca de 42% dos municípios não coletam lixo e os que coletam não dão fim adequado). Reciclagem? Quem sabe o que é isto!? Só 19% dos municípios têm sistemas de coleta e reciclagem. Isto sim é um problema para os engenheiros, médicos, ambientalistas, sociólogos, e cientistas de todas categorias se envolverem. Mas isto não dá Ibope. Talvez mandar um foguete para o Sol para resolver o problema climático do planeta deve estar nas prioridades dos "pesquisadores" brasileiros que clamam que o país não investe em pesquisa. Claro que mandariam o foguete a noite para não derreter.
O Brasil tem um custo por estudante em sistema público de US$4450 (https://www.fundacred.org.br/site/2019/04/16/quanto-e-como-e-o-gasto-do-brasil-com-educacao/).
Em 2020, o Brasil vai ter uma queda de fundos para educação de R$ 122 bi para R$101 bi (US$ 25 bilhões) Talvez, R$ 115 bi (US$28.75 bi) após revisões do MEC. Uma redução sensível mas acredito que isso irá acontecer no ensino superior e na pesquisa. Quando o cobertor é curto, temos que escolher entre cobrir a cabeça ou os pés. Daí a gritaria por mais recursos. De onde viriam? E para que? A culpa é dos nossos pesquisadores que não mostram resultados e se distanciam cada vez mais das empresas e do cenário mundial.
O Canadá tem um orçamento em educação, que não está nem entre os 15 países da OECD, de US$ 50 bi/a (sendo 50% para ensino básico e médio). Dá US 8000 por estudante/ano de jardim da infância a grade 12. Claro que muito mais que o Brasil, que tem no orçamento de educação US$ 28,5 (ou $28.75) bilhões e 26% vão para universidades federais, 17,5% transferidos para educação básica, 10.5% para ensino técnico e o resto para sustentar a máquina administrativa. Também haverá cortes no orçamento da pesquisa no Brasil, mas serão seletivos...espero eu. Quem não produz algo relevante, não leva... É o que deveria ser, pois existe muita falta de objetividade nas pesquisas em universidades brasileiras.
Realmente este ano de 2020, o problema orçamentário brasileiro se fará sentir na educação, mas não no Congresso Nacional, é claro.  Mas no ensino básico e médio, o orçamento prevê aumentar em 1% o investimento federal... quero ver os municípios repassarem isto para as escolas.
No Canadá os Estados (províncias) são basicamente os principais encarregados da educação superior e gastam US$ 9.7 bi/a.  Esses governos provinciais contribuem com 78% do orçamento das universidades e o federal com 22%. As mensalidades representam entre 25 e 30% do orçamento das universidades públicas (universidades são públicas, mas são pagas...quem não tem dinheiro o governo ajuda... se merecer ser ajudado). O dinheiro dos governos federal e provinciais representa cerca de 27% do orçamento das universidades. As universidades têm que ir atrás de $ de doações, trabalhos para companhias, estudantes internacionais que pagam mais, e geram recursos com restaurantes, estacionamentos, moradias para estudantes e professores, etc.
No Brasil R$30 bi ou US$ 7.5 bi/a do orçamento de educação vão para as universidades públicas federais. (http://www.portaltransparencia.gov.br/funcoes/12-educacao?ano=2019). Mas contando com outros itens para funcionamento das universidades, este valor deve chegar aos US$ 15 bi. Muito do dinheiro é para pagar salários de professores e funcionários (65%). Ninguém gera nada de dinheiro.
O Brasil tem 2.448 universidades sendo 190 federais, 124 estaduais, 63 municipais e 2.071 privadas. O Canadá tem 96 universidades provinciais (estaduais) e 52 privadas.
O Brasil tem 8 milhões de estudantes universitários. O Canadá tem 1,8 milhões.
Quando saí do Brasil em 1991, haviam 6 universidades que tinham faculdades de Engenharia de Minas. Agora são 31.
O orçamento de 2019 de pesquisa para universidades (tecnologia, medicina e social) no Canadá foi da ordem de US$ 950 milhões/a, incluindo bolsas para estudantes e salários para assistentes, equipamentos, reagentes, computador, etc. Não inclui infraestrutura ou salário de professores. No Brasil, em 2020, o orçamento para pesquisa universitária será de US$ 550 mi/a para CAPES e US$ 300 milhões/a para CNPq também para bolsas e gastos operacionais que não incluem salários de professores. Se incluirmos as agências de fomento à pesquisa dos Estados, como FAPESP e outras, chegamos a cerca de US$ 1 bi em incentivos públicos a pesquisa. Bem parecido com os valores do Canada. Contudo a contribuição das empresas no Canadá à pesquisa universitária deve chegar a10 - 20% do orçamento. No Brasil isto é insignificante.
Bem, voltando a crítica de que o Canadá tem muito menos pessoas que o Brasil por isso tem mais fundos por instituição que geram mais qualidade a pesquisa... por isso tem mais prêmios Nobel (14 e o Brasil nenhum). Claro que é verdade este argumento. Mas o conserto não é aumentar o dinheiro para a pesquisa, mas diminuir os gastos em pesquisas inúteis.
Eu acho que o dinheiro existe no Brasil, mas é mal gerido. As pesquisas são mal orientadas para setores sem prioridades. Pouca pesquisa se dedica a diminuir a pobreza do Brasil ou mesmo, no meu campo de conhecimento, contribuir para utilizar lixo e esgotos como matéria prima (mineração urbana). Também minhas pesquisas na Internet revelam que os artigos de brasileiros publicados internacionalmente são os mais baixos em referencias, isto é, com algumas exceções, não atraem atenção internacional, além de ter baixíssima contribuição das empresas. Culpa das empresas ou das universidades?
Assim, verifica-se que o Brasil deveria ter um desempenho muito melhor na ciência que o Canadá, se o investimento fosse mais seletivo e favorecesse os pesquisadores de melhores desempenhos. Proporcionalmente ao custo de vida, os salários de professores universitários brasileiros são equivalentes aos do Canadá. Na área científica, as universidades brasileiras estão tão bem equipadas como as canadenses. Mas será que a dedicação a pesquisa é a mesma?
Universidades de engenharia e ciências no interior do interior do Nordeste ou em cidadezinhas da Amazônia? Desculpem os meus irmãos do agreste, mas para que serve um título de engenheiro com muita teoria se o primeiro passo de saber fazer algo concreto pela região ainda não foi dado? Talvez uma escola técnica seja melhor. O que traz desenvolvimento para o interior são empresas com empregos e não universidades grátis e de má qualidade. Aqui no Canadá as crianças no curso elementar aprendem primeiro a fazer sua comida e costurar que são fundamentais para sobreviverem, antes de saber as leis da relatividade. Sejamos práticos, está na hora de aplicar um pouco de pragmatismo na educação brasileira pois o barco universitário está indo à deriva.
Universidade e pesquisa são para uma elite intelectual até nos países comunistas como China e Coreia do Norte. Não adianta ter quantidade de universidades se não há qualidade. Já dizia o prof Alberto Coimbra, um dos fundadores da pós-graduação da COPPE em uma palestra que assisti em 1976: "a pesquisa no Brasil virou um grande poço, que é preenchido com qualquer coisa... até lixo.". Se era assim em 1976... Deus acuda o Brasil de hoje.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

CURIOSIDADES LITERÁRIAS


Você sabia que:
- Aluísio de Azevedo tinha o hábito de, antes de escrever seus romances, desenhar e pintar, sobre papelão, as personagens principais mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto escrevia.
- Aos dezessete anos, Carlos Drummond de Andrade foi expulso do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), depois de um desentendimento com o professor de português. Imitava com perfeição a assinatura dos outros. Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém notou. Tinha a mania de picotar papel e tecidos. "Se não fizer isso, saio matando gente pela rua". Estraçalhou uma camisa nova em folha do neto. "Experimentei, ficou apertada, achei que tinha comprado o número errado. Mas não se impressione, amanhã lhe dou outra igualzinha."
- Numa das viagens a Portugal, Cecília Meireles marcou um encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se ao meio-dia e esperou em vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação para o "furo": Fernando Pessoa tinha lido seu horóscopo pela manhã e concluído que não era um bom dia para o encontro.
- Euclides da Cunha, Superintendente de Obras Públicas de São Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do Rio Pardo, SP. A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro.
- Gilberto Freyre nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico-de-pena, como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas.
- Graciliano Ramos era ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica.
- Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim, galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam. Acabou abandonando a profissão. "Não tinha vocação. Quase desmaiava ao ver sangue", conta Agnes, a filha mais nova.
- Jorge Amado para autorizar a adaptação de Gabriela para a tevê, impôs que o papel principal fosse dado a Sônia Braga. "Por quê?", perguntavam os jornalistas, Jorge respondeu: "O motivo é simples: nós somos amantes." Ficou todo mundo de boca aberta. O clima ficou mais pesado quando Sônia apareceu. Mas ele se levantou e, muito formal disse: "Muito prazer, encantado." Era piada. Os dois nem se conheciam até então.
- José Lins do Rego era fanático por futebol. Foi diretor do Flamengo, do Rio, e chegou a chefiar a delegação brasileira no Campeonato Sul-Americano, em 1953.
- Machado de Assis era míope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia Memórias Póstumas de Brás Cubas, foi acometido por uma de suas piores crises intestinais, com complicações para sua frágil visão. Os médicos recomendaram três meses de descanso em Nova Friburgo. Sem poder ler nem redigir, ditou grande parte do romance para a esposa, Carolina (Carolina Augusta Xavier de Novaes).
- Manuel Bandeira sempre se gabou de um encontro com Machado de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: "O senhor gosta de Camões?" Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história para impressionar os amigos.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

CONTRADIÇÃO NA QUEDA DOS JUROS


Lauro Chaves Neto (*)
O Brasil é realmente um país único, enquanto uma equipe econômica liberal reduz a taxa de juros do cheque especial com a intervenção e tabelamento do Banco Central (BC), os economistas intervencionistas criticam a medida taxando-a de populista e defendendo o livre mercado para a determinação da taxa de juros de equilíbrio.
A leitura do mercado, sobre a essência da mensagem transmitida pelo Banco Central, foi a de que ele estará sempre disposto a elevar a concorrência e a intervir para produzir um "equilíbrio adequado" com juros civilizados. Paralelamente, o BC inicia o modelo de open banking em uma resolução que obrigará as instituições financeiras a divulgarem, para o mercado, os dados e as condições contratuais sobre os seus clientes.
A própria Federação Brasileira de Bancos elogiou as medidas de incentivo a uma maior concorrência no sistema financeiro, porém, radicalmente, contrária ao tabelamento dos juros a um teto de 8% ao mês. A medida do teto para os juros entra em vigor no dia 6 de janeiro de 2020 e a cobrança da tarifa de 0,25% que incidirá sobre o uso do cheque especial que exceder a R$ 500, em 1º de junho.
O diretor de Regulamentação do Banco Central justificou o tabelamento, afirmando que o cheque especial não estava atendendo "às condições de competição necessárias". Se não estava, que se crie um ambiente competitivo adequado! Dos usuários do cheque especial, 44% ganham até dois salários mínimos e 67% têm até o ensino médio, deste modo é sobre eles que a conta fica mais pesada.
O que mais incomodou a equipe econômica foi a rigidez dos juros do cheque especial no seu movimento de queda em um cenário onde os juros do crédito imobiliário caíram de 16% para 8%, o de financiamento de veículos de 23% para 12% e o de capital de giro de 25% para 13%.
No caso do cheque especial e do cartão de crédito não foi verificada uma redução nessa magnitude, mesmo com a taxa Selic no patamar de 5% ao ano. Os juros do cartão estão acima dos 300% ao ano e devem ser o próximo alvo da "equipe liberal intervencionista" do Banco Central. As lições do fracasso de se baixar juros por decreto no Governo Dilma parecem que não foram aprendidas.
(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.
Fonte: O Povo, de 16/12/19. Opinião. p.24.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

PORTA DO INFERNO


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Após 15 dias de férias, reinicio a escrever pequenos textos, às sextas-feiras, na secção “Ideias” do jornal Diário do Nordeste. Gosto de escrever sobre Religião, Economia, Política, Educação, Literatura, Causos, enfim, sobre temas variados. Todavia, começo este ano de 2020, constrangidamente, redigindo algumas linhas que evidenciam a insensatez e a maldade de algumas pessoas - autores, atores, financiadores etc.- que produziram um filme grosseiro, obsceno e chulo. Não me interessa saber quem são essas pessoas raivosas e complexadas. Acreditamos que são pessoas em busca do pseudo-sucesso. Por quê tanta agressão? Elas não sabem o mal que fizeram! Por sua vez, creio que aqueles dotados de boa vontade, bem como de formação moral e ética estão indignados, pois os infiéis caluniaram e atacaram de forma pusilânime Jesus, Maria, José e até Deus. Quais os objetivos? Dinheiro, prestígio, fama ou modernidade! Nós cristãos, principalmente, católicos e evangélicos, estamos perplexos. O cristianismo não é a religião da obrigação, porém da fé e do amor. Os ensinamentos de Deus indicam o bom e o verdadeiro caminho para a vida, ou seja, o amor e não o ódio. A maldade foi tão grande, não adiantando argumentar que o Brasil é um País laico e sem censura. Correto, defendo o ecumenismo e não concordo com a censura, desejo a liberdade de pensamento e expressão, mas não a avacalhação. Aliás, se há alguém que é contra a censura sou eu. Pois, dentre outros, fui um dos 4 brasileiros, nos anos de 1984/1985, ao lado de Aureliano Chaves, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, que mais fortaleceu o processo de redemocratização do Brasil. Pedimos a Deus que os idealizadores do filme maligno e desamoroso leiam no livro dos Provérbios (16,6): “Quem é bom e fiel recebe o perdão do seu pecado, e quem respeita o Senhor escapa do mal”.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 10/1/2019.

domingo, 19 de janeiro de 2020

LEMBRA COMO ERA HÁ 50 ANOS, QUERIDO?


Um casal de velhinhos celebrava seu aniversário de matrimônio de 50 anos em casa.
Lembra, querida”, diz o marido, “nós estávamos sentados aqui, exatamente nesta mesma mesa de café da manhã, mas estávamos nus, há 50 anos”.
Bem...”, disse a esposa, maliciosa, “o que você acha de ficarmos pelados de novo?
Os dois riram e lentamente começaram a se despir. Já nus, sentaram novamente à mesa do café da manhã. E então a velhinha diz:
Sabe, querido. Mesmo passados 50 anos ainda sinto os ardores da juventude. Sinto um grande calor nos meus seios, como era antigamente!
Claro, meu amor”, diz o marido, “um seio está sobre o seu café e o outro sobre as suas torradas.

PESAR POR DRA. CASSIANA SAMPAIO


Meus sinceros pêsames aos familiares, amigos e colegas da Dra. CASSIANA SAMPAIO, esposa do nosso colega de turma Carlos Roberto Morais Sampaio, cujo falecimento se deu na manhã de hoje (19/1/2020).
Formada em Medicina no Rio de Janeiro em 1979, ela conheceu Carlos Roberto quando cursava Residência Médica em Clínica Médica e ele a de Nefrologia, tendo o casal optado por trabalhar em Fortaleza. Dessa amorosa duradoura e união de 37 anos, ora rompida, resultou em duas filhas, uma jornalista e outra graduada em Direito.
Nos últimos seis meses, CASSIANA travou luta inglória contra tenaz enfermidade, sempre sob os cuidados afetuosos de seu amado consorte, mas agora encontrará repouso nos braços acolhedores do nosso Pai eterno
Carlos Roberto me informou que a missa de corpo presente será às 15 horas e o sepultamento está marcado para 16h30 no Jardim Metropolitana
O corpo da Prof. CASSIANA está sendo velado no Ternura, à Rua Pe. Valdivino, Nº 2.255.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Médico da Turma 1977 da UFC

A IDOSA E O DONO DO BANCO


Uma velha senhora entrou no Banco do Brasil com um enorme saco de dinheiro.
Ela disse à recepcionista que gostaria de se encontrar com a presidente do banco, pois queria depositar uma grande soma em dinheiro. A recepcionista se opôs, mas a idosa permaneceu imóvel, sem opção, a moça do banco foi falar com o presidente.
Ao voltar, a recepcionista disse: "Você tem sorte esta manhã, pois ele vai ver você!"
Presidente do banco: "Como posso ajudar a senhora?"
Idosa: "Eu gostaria de abrir uma nova conta e depositar esse dinheiro."
Presidente do banco: "Quanto dinheiro você gosta de depositar?"
Ela: "R$ 180.000 por favor." (E começou a despejar a quantia inteira em sua mesa)
O presidente do banco ficou um pouco surpreso. "Como você conseguiu tanto dinheiro, Madame? Nós não somos uma lavanderia!"
Ela: "Oh, não é nada ilegal. Eu faço apostas."
Ele: "Que tipo de apostas?"
Ela: "Por exemplo, eu aposto que sua mão direita terá gosto de ovos, apenas sua mão direita e não sua esquerda. Vamos nos encontrar novamente amanhã às 9h da manhã. Se eu estiver certa, você me deve R$ 25.000. Se eu perder, te pago R$ 10.000!
O homem chocado se pergunta como isso é possível. Mas, sendo um banqueiro de coração e vendo a oportunidade de ganhar dinheiro fácil, então aceita a aposta quase imediatamente.
Ela: "Certo então, eu venho amanhã irei por volta das 9h da manhã com meu advogado. Não tente se esquivar da aposta! Sem arrependimentos!"
Sentindo-se hesitante diante de sua certeza, ele concorda praticamente com um murmúrio.
Era tão bizarro, ele nem gostava de ovos! Mas ele estava tão tenso com isso que não conseguiu dormir à noite toda, lambendo as mãos e sentindo o cheiro que estavam nelas.
No dia seguinte, às 9h da manhã, a velha senhora estava lá, na hora certa, com seu advogado.
Ela: "Posso checar suas mãos agora, senhor?"
Ele: "Sim. Vá em frente."
Ela então segurou as mãos dele e começou a cheirar sua mão direita. Depois ela lambeu brevemente para confirmar.
Seu advogado começou a bater a cabeça contra a parede.
O presidente, encantado com sua vitória de R$ 10 mil, perguntou à senhora o que havia de errado com o estranho comportamento do advogado.
Advogado: "Ela apostou comigo por R$ 100 mil que hoje às 9h da manhã estaria lambendo as mãos do presidente do Banco do Brasil!"
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

NÃO VAI ESQUECER?


Um casal, aos seus noventa anos, estão ambos com problemas de memória. Durante um exame clínico, o médico diz que eles estão fisicamente bem, mas que é melhor começar a anotar o que precisam, para ajudá-los a se lembrar mais tarde. Naquela noite, enquanto assistem TV, o homem se levanta de sua cadeira.
"Quer alguma coisa enquanto estou na cozinha?" ele pergunta.
"Me traz uma taça de sorvete?"
"Claro."
"Você não acha melhor anotar para se lembrar de trazer?" ela pergunta.
"Não, eu me lembro".
"Bem, eu gostaria de alguns morangos em cima também. Talvez seja melhor anotar para não esquecer?"
Ele diz: "Eu consigo me lembrar disso. Você quer uma taça de sorvete com morangos".
"Eu também gostaria de chantilly. Tenho certeza que você vai esquecer, por que não anota?" ela pergunta.
Irritado, ele diz, "Eu não preciso anotar nada, eu me lembro! Sorvete com morangos e chantilly. Eu sei disso, pelo amor de Deus!"
Ele vai à cozinha e, após 20 minutos, volta e entrega à sua esposa um prato de feijão com arroz.
Ela olha para o prato por alguns segundos e diz: "E cadê a farofa?!"
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sábado, 18 de janeiro de 2020

O cão mais esperto ou imbecil de todos os tempos?


Um homem está em uma loja de conveniência e, de repente, vê um cachorro segurando uma sacola com a boca.
O cão se aproxima do balcão, enterra o rosto na bolsa e pega uma lista e algum dinheiro e, usando a boca, "entrega" ao funcionário.
O balconista começa a encher a sacola com mantimentos e, em seguida, deixa o troco no balcão. O cachorro olha para o dinheiro, e então para o balconista e começa a rosnar "Grrrrr".
O balconista diz "muito bem" e acrescenta os R$ 10 que estavam faltando ao cachorro.
O cachorro coloca tudo de volta na sacola e vai embora.
O homem acha isso muito interessante e decide seguir o cachorro para ver o que mais ele fará.
Ele observa o cachorro chegar a um semáforo e esperar o sinal verde para atravessar.
Ele finalmente segue para um prédio. Ele pula e aperta o número do apartamento com a pata. A porta se abre e o cachorro entra. O homem entra atrás dela.
O cachorro vai até o elevador e aperta o botão de subir com o focinho. Ambos entram no elevador e o cão aperta o botão do 8º andar.
Uma vez lá, o cachorro vai até a porta do apartamento e começa a arranhar.
Um homem mais velho abre a porta e começa a gritar com o cachorro, dizendo como é estúpido.
O homem que acabou de testemunhar o quão incrível este cão é, decide intervir: “Com licença! Mas eu acho que você está sendo injusto com o seu cachorro. Este é o animal mais incrível que eu já vi. Eu o vi comprar mantimentos para você, verificar se o troco estava certo, voltar todo o caminho até aqui e agora você está chamando de estúpido?
O velho responde: "Bem, esta é a terceira vez esta semana que esse idiota esquece suas chaves!"
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

O POLONÊS OFENDIDO


Um homem entra em uma loja e pede ao funcionário 200 gramas de "linguiça polonesa".
O funcionário olha para ele e pergunta: "Você é polonês?"
O cara, claramente ofendido, diz: "Sim, eu sou. Mas deixe-me perguntar uma coisa. Se eu lhe pedisse salsicha italiana, você me perguntaria se eu sou italiano? Ou se eu pedisse a famosa bratwurst alemã, você também perguntaria se eu sou alemão? E se eu lhe pedisse um hambúrguer, você me perguntaria se eu sou americano? Ou se eu lhe pedisse uma guacamole, você me perguntaria se eu sou mexicano? Você pode me responder?"
O funcionário diz: "Bem, eu provavelmente não iria perguntar em todas essas situações".
"E se eu te pedisse um uísque irlandês, você me perguntaria se eu nasci na Irlanda? Ou se eu quisesse 200 gramas de bacon canadense, você me perguntaria se eu sou do Canadá?"
"Bem, acredito que não".
Muito indignado, o homem diz: "Bem, tudo bem então, por que você me perguntou se eu sou polonês? Apenas porque eu pedi linguiça polonesa?"
O funcionário responde: "Porque você está em uma loja de construções, senhor".
Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

FOLCLORE POLÍTICO XXVI


Era o ano de 2006. A campanha ao governo de Alagoas estava "fervendo". Um candidato muito conhecido no Estado pelas presepadas, cujo nome, por motivos óbvios aqui se omite, liderava as pesquisas. Era considerado imbatível. Último debate eleitoral na TV Gazeta. O apresentador passa a palavra ao mais que provável vencedor:
– Candidato, após esta intensa campanha eleitoral, o senhor tem 30 segundos para as considerações finais. Fique à vontade para falar.
O candidato jorrou:
– Povo de Alagoas, ontem eu tive um sonho. Neste sonho, Deus meu dizia: "doutor (fulano de tal), construa hospitais para o sofrido povo deste Estado".
A seguir, o apresentador passou a palavra ao outro candidato. Que usou a verve:
– Povo de Alagoas, quem sou eu para disputar uma eleição com um homem que Deus o trata por doutor? O candidato (fulano de tal) disse há pouco que falou com Deus e Deus disse: doutor fulano de tal. Ora, se Deus chama o meu adversário de doutor, reconheço que não posso fazer melhor do que ele. Vocês não acham que o adversário (fulano de tal) já se considera nomeado por Deus?
E foi assim que o candidato (fulano de tal), líder absoluto nas pesquisas, conheceu a derrota. Perdeu para a própria arrogância. (Historinha enviada por Manoel Pedrosa)
Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

‘NÃO DEMOS RUMO AO BRASIL’


Por CRISTOVAM BUARQUE
10.jan.2020 (sexta-feira)
Nós falhamos, reconhece Cristovam Buarque. Ex-senador faz autocrítica: Progressismo se perdeu em utopia; em 26 anos, falhamos ao traçar um futuro para o país.
Durante 26 anos, a República brasileira teve 5 presidentes de um mesmo bloco político. Apesar de partidos, ideologias e comportamentos diferentes, Itamar, Cardoso, Lula, Dilma e Temer vêm do mesmo grupo que lutou contra a ditadura e defendeu posições progressistas, em graus diferentes, na economia, na sociedade e nos costumes.
Foi, portanto, 1/4 de século e de República governado por democratas-progressistas. Nesse período recuperamos a estabilidade da moeda, criamos Bolsa Escola, Bolsa Família, Mais Médicos e Minha Casa Minha Vida, tivemos uma política externa independente e presente, mas não fizemos as transformações que o Brasil necessita e que a história esperava de nós.
A observação do Brasil que deixamos em 2018 demonstra que falhamos política e estruturalmente. Não demos coesão nem rumo ao Brasil. Basta olhar ao redor para ver que deixamos nosso país com 12 milhões de adultos analfabetos e 100 milhões sem saneamento, a população igualmente pobre e a renda igualmente concentrada; estamos nas últimas posições no Pisa e muito aquém do que deveríamos no IDH.
Deixamos a economia em recessão alarmante, e com desemprego em níveis dramáticos.
No nosso período, o país ficou mais radicalizado, violento e corrupto. Com menos coesão social e política e sem 1 rumo histórico. O Estado ficou mais ineficiente, aparelhado e endividado. Nós falhamos no propósito de mudar e dar uma nova direção para o futuro de nosso país e de nosso povo. Falhamos também politicamente ao levar os eleitores a escolher 1 governo diametralmente oposto ao que nós representávamos.
Falhamos e continuamos falhando ao não entendermos que falhamos, ao nos recusarmos a fazer uma autocrítica, condição preliminar para voltarmos a nos apresentar ao povo como uma alternativa progressista. Precisamos entender quais foram nossos erros.
O primeiro foi chegar ao poder como progressistas e nos acomodarmos como democratas conservadores. Ficamos 26 anos consolidando a democracia, sem reorientar o país nos novos tempos que vivemos. Não corrigimos as falhas do passado, nem apontamos ao novo progresso. Não entendemos que depois da “curva da história” nas últimas décadas, as ideias antigas já não servem.
A geopolítica e o comércio ficaram globais, a ciência e a tecnologia fizeram a robótica e a inteligência artificial, as mudanças climáticas definiram limites para o crescimento econômico, a democracia nacional deixou de dar resposta aos problemas que ficaram planetários, a pirâmide etária se inverteu, o Estado se esgotou moral, financeira e gerencialmente. Mas ignorando as mudanças na realidade, nós insistimos nas velhas ideias e nos velhos hábitos sobre como enfrentar o problema da pobreza, da desigualdade, do desenvolvimento.
Não entendemos que a justiça social exige economia eficiente. Que no tempo da economia do conhecimento, o aumento de produtividade, inovação e competitividade dependem da educação de qualidade para todos. Que deixar cada criança para trás é deixar o Brasil para trás. Continuamos tratando educação como um direito de cada brasileiro, e não como o vetor do progresso de todos.
Falhamos ao não entender que a bandeira progressista de hoje não está mais na ideia de a economia rica educar o povo, mas na educação de qualidade fazer a economia rica. Não vimos que as transformações sociais virão da equidade no acesso à educação de base.
Não percebemos que a “utopia” dos progressistas de hoje deve ser construir coesão nacional para executar uma estratégia que em algumas décadas o Brasil tenha uma educação com a qualidade das melhores do mundo e todas nossas escolas com a mesma qualidade, independente da renda e do endereço da família de seus alunos.
Falhamos por não termos a ousadia de propor o caminho para construir responsavelmente um país onde os filhos dos pobres estudem em escolas com a mesma qualidade dos filhos dos ricos. Preferimos vender a ilusão de que os filhos dos pobres ingressarão nas universidades mesmo sem acesso a uma boa educação de base.
Falhamos porque ficamos sem bandeira que nos diferenciasse. Não apenas perdemos uma eleição: fomos para casa sem deixar uma bandeira fincada. Por isso, deixamos o povo e a juventude sem esperança, apenas desencanto com o futuro e nostalgia de algumas narrativas.
Falhamos ao acreditar que eram verdadeiras as falsas narrativas que os marqueteiros inventaram para o que teriam sido realizações nossas. Falhamos ao cair na corrupção para pagar os marqueteiros, financiar campanhas e até enriquecimento pessoal.
Ao lado da falta de uma bandeira utópica, possível, responsável, a corrupção foi a maior de nossas falhas: privataria, mensalão, petrolão são vocábulos de nosso tempo no poder. Não apenas na corrupção do comportamento, também a corrupção nas prioridades dos estádios antes das escolas, das obras inacabadas; a corrupção das mordomias e privilégios que ampliamos em vez de eliminar.
Mas estas falhas talvez não tivessem acontecido se não fosse a trágica falha de termos cooptado os intelectuais e universitários em siglas partidárias. Nossos intelectuais silenciaram na crítica à corrupção, seja no comportamento dos nossos políticos corruptos, seja de nossas prioridades.
Prisioneiros de velhos esquemas teóricos, não foram capazes, nem tiveram interesse nem ousadia para radicalizar na formulação de um novo rumo para o Brasil. Pelo erro de cooptar os intelectuais, pagamos um alto preço de não contar com a crítica do presente, nem com novas ideias para o futuro. O que o stalinismo fez com o uso da força, nós fizemos pelo aparelhamento de nossa inteligência.
Esta foi uma das causas de termos ficado contra todas as reformas. Fomos eleitos para reformar o Brasil e ficamos contra as reformas. Não reformamos o Estado mordômico do Brasil: aumentamos o número de carros oficiais e de privilégios da cúpula no poder; não reformamos a política, ao contrário, nadamos nela como peixe na água, sem disfarçar a desfaçatez.
Na economia, demos o passo certo de adotar a responsabilidade fiscal, mesmo assim deixamos de respeitá-la com o uso de truques contábeis e “pedaladas”. Nenhuma reforma fizemos no sistema financeiro e bancário; não reformamos o injusto, complicado e vulnerável sistema fiscal; mantivemos a maior carga fiscal e os piores serviços públicos da história; não tocamos no complicado e comprável sistema de justiça.
Nós falhamos ao longo de 26 anos e continuamos falhando por não querermos entender que falhamos. A mesma arrogância que tivemos no poder, com narrativas falsas, mostramos agora ao ignorar o recado que o eleitor nos deu. Como se ele, o eleitor, tivesse falhado, não nós. Mas, nós falhamos
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).
 

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